domingo, 26 de dezembro de 2010


ESCADARIAS AMALDIÇOADAS


vagam os pés aos desnorteios,
pelas pedras amaldiçoadas,
de paisagem ardíl, combustindo devaneios,
assistidos pelas almas penadas.

laça-me a dor,
num fulgor,
de horror,
ao qual...
morrer,
sob os feitiches dum voráz animal,
será o melhor a mim acontecer...

eis que dos mantos verdejados,
cuchicham assombros
ao ouro apegados,
e na trilha, em escombros,
brada o ancião,
o lider,
a mór assombração...

asquerosas grunhem serpentes,
co'o veneno ensejando meu ser matar,
ventos soam quentes...
ao rosto de meu guia, podem eles transpassar.

dói-me a face,
co'a energia desgastada,
usufruindo desta, está sua forma materializada,
pedindo-me que ao sagrado mártir ultrapasse.

aquietar-me-ei às escadarias,
em choro de fél borbulhante,
às vejetais tapeçarias,
invocando estou, uma demoniaca forma aberrante.

nascente de rancor,
um delírio escaldante...
desprovida de sua cor,
é tal obscura negra núvem ressoante.
vindouras
pragas aludindo,
e desmedindo
desgraças
além às graças
decompostas às traças,
fatos aguardando,
e a incerteza assentindo.

venhais das trevas,
ó barbaro vetusto
armado cavalgante,
de rígida espada flamejante,
cortante...
que enforcado morrera,
e do inferno és retirante...
com o ritual que ocorrera,
a mim estais perante...

arrasta os crápulas aos teus umbrais,
lança-os aos que a Deus não servem mais,
pune estes vís carniçais,
enterrados vivos, em seus ilusos amores sepulcrais...

que sufoquem,
implorem,
( a quem ? )...
chorem,
amortalhados,
em panos sujos, que destinados
nem são,
ao mais sarnento cão.

e à impureza escura,
em suas almas,
vistas às suas sujas palmas,
manuseiadas
mutuamente,
à sordidez fadadas,
dificilmente
purificarão...
à mesquinhez,
putrefar-se-ão...




Escrevi isso uns dias atrás, isolado num lugar onde a energia é extremamente pesada, mas agradável... vendo do ponto de vista...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UMA CRÔNICA DE NATAL

Dezembro bate à porta como um puto fanático às oito da manhã preludindo o apocalipse... trazendo consigo infinidades de baboseiras pré natalinas irritantes. Como um amigo estúpido que conhece-se numa noite de porre, traz-nos apenas desgosto... saio às ruas e tão logo me deparo com atrocidades estampadas em todos os cantos, verdadeiros atentados contra meu bom senso anti-cristão. Embalado às infantes lembranças que retornam-me à mente e logo espalhafatosas gargalhadas arrancam-me faceiras... - quando crianças somos verdadeiros idiotinhas... Volto da estafante rua ensandecida pelo consumismo e ponho-me a ligar a televisão, o que raramente faço. Deparo-me por fim diante a tragédia consumada, filmes de natal, comerciais fazendo apologias à mesma época de merda, onde reina cáustica a hipocrisia e o genocídio de neurônios sadios... Eis possíveis ateus desenvoltos ao capitalismo brutal presenteando vossos filhos com livros de Friedrich Nietzsche e aprendendo a chutar os bagos dum padre... entretanto jazem atrofiados, submissos à utopia de que todos tem de estar felizes, ou ao menos fingir forçadamente alegria. observo aos cantos, parvos infelizes imitando aquele saco de esterco em vestes rubras, tão como enojam-me mortalmente aqueles veadinhos que puxam o trenó, ou serão renas ? chame-os como preferirem ( que se foda ! )...sei que retratam simbolicamente o quão é nauseabunda a farsa construída em torno da imbecilidade humana. Um ‘Bom velhinho’ digno de asco, sodomiza seu companheiro Rudolph... sim... aquele do nariz vermelho que vai na frente... aquele cujo aspecto dá a entender que é um infeliz saído dum prostíbulo travestido e chapado de cocaína... um verdadeiro queima rosca degenerado feito de mulherzinha nos cantos mais imundos da cidade, delinqüente violentado vendendo-se por misérias. Acendendo o charuto de um santo Claus... e este tal, um maldito capitalista explorador produzindo armas de destruição massiva enquanto vende uma imagem de “pacifista” conservador.

Sentado em sua poltrona, diante os ajoelhados prantos de suas abusadas renas, duendes as beijam repulsivamente, com gestos libidinosos, grotescos... concebendo uma absurda orgia nem ao menos visualizada nos pesadelos mais sórdidos, somam-se à parvalhada, vagos energúmenos cantarolando canções às esquinas, e que muitas vezes mal entendem...

Medíocres senhoras em suas silhuetas obesas... deveras deformados sacos de lipídios arrastam-se em epidêmicas caridades demasiadas sujas e fingidas... um surto alastrado de benevolência mesquinha. Buscando inutilmente vendar-se ao contraste monstruoso de famintos indigentes adentro o espetáculo. Cenário de esperanças mórbidas, habitados por não-vivos mordiscando pães amanhecidos envoltos num cobertor surrado, ‘bem vindo ao viaduto!’. Os muros estão pichados, mesmo que encobertos por pinheiros de plástico. sopram os ventos no vigésimo quinto dia, a insanidade tomando a rua está... moribunda singela, jaze uma cruz, num canto esquecido... numa caixa dando espaço à decoração para uma guirlanda...







Bem, é isso que eu penso dessa época maldita de consumismo, e benevolência frívola desmedida...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010



DESPEDIDA...


a tortuosa consequência tudo dominara...
o tempo as dores sana,
ela ainda estava ali,
tornando dum pesadelo, um profundo sonho.

pois os também tive adormecido...
tão solitários, desconexos,
asiando que realidade tornem-se,
vazios, tomam-me como gota d'agua,
fazendo turva, minha mente, como um lago à tempestade...

distante às águas,
defronte as paredes,
deveras confusa,
e tão cáustica previsão...

não recordo meus ultimos segundos,
sinto em agora ser assim,
seus olhos observam-me,
tão tristonhos... os ponho
à lembrança... os vejo
afrente o icognoscível a contemplar
solitária, o invisível...

envolvendo gradualmente,
alenta-me uma sutil felicidade
que em desespero está banhada,
posso seu rosto contemplar novamente,
entretanto tendo em mente, nunca mais vê-lo...
tais lágrimas cristalizaram-se...

não ser visto, isto a mim condena,
em tristeza, no seu ombro recosto-me,
insuportável fez-se a calma...
a toco, e tal não sente...

o torturoso fato aflinge-me...
ver-te chorar,
e não poder
apanhar,
o chover,
de teu semblante...
cada vez mais distante...

vagando às ruas,
insanos formigueiros
de luzes fulgurantes...
parto incerto num caminho infinito,
contentando-me em despedidas não retornadas,
lagrimas tristes resguardo em meu espírito...



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ENCOSTO PSICOLÓGICO ...


inseguro, sedento, faminto,
pairam ideias flutuando nocivas à cabeça,
sugestivas descabidas,
minh'alma vaga num deserto de desespero...
vejo a lua cheia... esquecendo do chão...


lamacenta move-se a terra meus pés engolindo,
provo a amargura desta,
e a sede pressinto,
petrificando o ultimo suspiro insano
às incertas meditações noturnas...


as brisas fomentam minha gana,
pela suposta verdade
que a sensatez engana...
delírios desconcertantes,
desconfortantes... invadem minha sanidade...


torturam-me num bréu emocional,
assediando a cada instante a calmaria
por mim cultivada,
relampejam os traços de raiva,
semeando a discórdia imaginada...


sussurra um psicológico encosto víl
pasmaceiras mil,
argumentando em tais alguma veracidade,
que morre logo à noite, quando ao real sou deparado...
tarda um pingo de alegria, em ressurgir coração adentro.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010


COVIL DE COBRAS


serpentes embatem-se mortais,
flertando com remotas memórias amargas,
indiscutíveis fizeram-se os motivos evidenciais,
lançando mão de negativas, agoirentas cargas...


peçonhentas presas veladas
refalsadas,
armam-se impiedosas num fugaz destempero...
pontiagudas, um negro iroso fel delas são exaladas...


miserável uma fita a agrura,
tal que o mal figura,
invejosa insípida
à fraternidade farsante enfim despida...


desfigura-se viscosa, demoníaca,
em ofensas praguejadas,
seu corpo atraca
à que aparenta ser mais fraca.


gélido eis seu couro ardente,
refletindo cultivada
putridez que à garganta tem guardada...
imbuindo-se odiosa do rancor malévolo em si existente.


cintilam sinistros, venenosos olhares,
que a miséria estão rogando,
atraindo em torno a si os negros ares,
à sua deplorável sina, seu corpo vai arrastando...



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O CASO DA DAMA DA NOITE


desumana partira em rumo estrelado,
uma sombra alada fulgurando noturna,
à torre exilada,
vagara tal horrenda fantasmagórica aparição
às festividades dum antigo verão.

em remotos tempos ilembrados,

um terrível mistério ocorrera,
Valentina, nobre dama de inúmeros predicados,
certa madrugada, desaparecera...
à floresta dos renegados...

como morta fora dada,
e do lugar a riqueza fenecera,
durante uma penosa década,
agruras abateram-se...
duma velha numa gruta todos esqueceram-se...

eis que neste tal anoitecer,
onde estavam tolos mil a beber,

uma ressoante assustadora forma surgira,
em seu brioso resplandecer,
mórbida, gutural, ela uma maldição dirigira...

podiam fugir, estranhamente hesitaram,
senhoras desmaiaram,
o barão lembrara,
estando oculto, onde ninguém perceber-lo-ia,
trêmulo pálido, ouvir podia, o que a feira assombrara :

- escutem insolentes bastardos ouvintes,
busco o rubro sangue nobre,
não vos macularei,

porém ordeno cá ajoelhado,
aquele que da vida me há livrado.

o burguês, assim do recinto se retirou,
calado nem sequer se apavorou,
envolto estava em bréus de perplexidade...
tão como uma mistica amnésia recaíra à cidade
decorrente a tentativa falha daquela criatura...

uma vetusta sacerdotisa, residia isolada,
lá deixada,
à caverna dos que nunca retornavam,
e um segredo a si guardavam...

ao seguir do anoitecer, fora tal visitada...

à entrada ruidavam disformes galhos,
gritando horrendos a previsão
dos primeiros artifícios falhos,
prontamente sob aquela figura, olhares a velha lançou...
sentada ao chão, tal professou :

- oh, surgida criatura, na vingança impelida,
tu, de certo motivo tens,
além da cruel frivolidade, ou ganância por bens,
( surgiste de onde a treva faz todos reféns),
tornaste à cobrança de tua dívida...


transloucada, corrói-te a existência,
a árdua pendência...
pois profetizo, oh assombrada, diabólica rapariga...
que nesta lua, e somente sua
será dada a graça de ver ao chão, o sangue de teu inimigo.

te vás, e tempo não perca,
à torre retornarás, contra a vontade,
quando dissipar-se o luar maldito, que a cerca...
cobre por mim, oh filha minha,
o preço ao facinora, que ao sufocar-te o ego entretinha.


rochedos ao fundo rangiam,
ventos amargos, lúgubres, sorrateiros vagavam,
e os secos matos pouco movimentavam...
todos, em suma, inanimados uma justiça ansiavam...
as janelas da morada do barão... fechavam, abriam...

em sua luxuosa cama, o sono caçava,
atormentado, melindroso, orava numa fé corrupta,
e o silêncio, com pavor quebrava...
abrupta !
revela-se num estrondo infernal, a vindoura face do mal...

arremetendo-lhe à jugular,
co'um grito apavorante,
eis que a donzela decidiu matar,
horrorizante
deformava-se a cada segundo, seu semblante.

investidas sofrera,

estando cadavérica, sobre a presa
pelos lençois amortalhada...
flagelava o crápula, satisfeita, saciada,
um ultimo momento, e dissera Valentina numa voz sussurrada :

- não pudeste vez jamais,

tocar-me, em meu corpo jubilar-se,
propuseste um matrimônio sangrento, em horror,
porém... sequer uma prostituta o aceitaria...
trancafiaste-me no leito das almas infernais...

tão logo, a fome lhe abraçará,
como a sede, seco o fará !

temoroso irás tu descobrir,
as atrozes bestas esfaimadas à escuridão...
prontas a molestar-lhe, prontas a lhe ferir...

eis que outrora fui mui bela,
e minha pele agora, co'o tempo esfacela...
à garganta, envolveste-me numa branca manta,
que ao teto suspendida...
levara-me asficcia... minha vida foi perdida... jazia eu espavorida...

fecha teu olhos enquanto podes,

recita teus discursos, epopéias, odes...
o abismo a ti espera,
na treva onde o mal prospera,
arrastar-lhe-ei aos confins abomináveis !

dias após o ocorrido,
boatos se espalharam, o barão houvera morrido...
ao lustre de ponta cabeça amarrado,
o infeliz fora estrangulado,
à volta estavam mórbidos castiçais...


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010




UM TOCO À CORRENTEZA...

Deveras espanta-me aterradoramente o fascínio de uns determinados seres humanos por outros certamente mais imbecis. Parvamente admirados pelos dizeres emanados em suas fétidas bocas insensatas. Porém nada mais demonstram pueris que a patetice e futilidade humana retratada... rodeados de famigerados puxa-sacos acéfalos, propondo falações desnecessárias e pra ser bem franco, vazias de produtividade... gastam perdulários incontadas gotas de saliva que entretanto nada dizem em suas insignificâncias intelectuais e verbais. ocupam-se pois, muitas vezes de ardis insânias, intrigas nefastas e desmotivadas, vagando à vida como podres tocos de madeira numa hostil correnteza cotidiana, levando consigo, os diversos parasitas em suas cascas.


MAIS UMA CRÔNICA QUE EU POSTO...

sábado, 11 de dezembro de 2010

DISTANTE :


e neste dia partira minha amada numa caravana,
além dos montes, desertos, bosques, mares,
falta sua, cria-me uma dor interna, e emana,
como aflitas lágrimas... cadentes, refletidas em imprevistos luares.


creio eu, momento tal ter professado,
num espetáculo que apenas sonolento pode-se assistir,
inaceitável, sufocante fez-me dele desistir...

e o horizonte infindável ter contemplado insone, acordado.


à confabulada, avistada, noturna miriade,
há um bréu interminável, rindo às cantigas da tempestade...
impetuosa senhora esta troveja,

e aos céus, um sinistro negrume esbraveja.


afoga-me angustiante nestas ermas instâncias,
a arte dos pássaros desconhecer,
plainar sob as distâncias...
num devaneio, aguardando o alvorecer.



terça-feira, 7 de dezembro de 2010



POSSESSÃO DEMONIACA :


ecoam vozes à neblina,
que a igreja invadem déspotas,
estas trevas cheiram sangue,
nomeadas não podem ser de anoitecer.

aproxima-se uma presença no ar,
vozes inauditas grasnem em minha mente,
ouvidos meus gelam à calmaria noturna,

o silêncio ressoa macabro, como o gotejar da chuva.

a lua anuviada está a contemplar...

tormentos que meus limites ultrapassam,
acorrentada está minh'alma neste tormento,
bestas espectrais que as paredes transpassam,
à realidade logo perpetro meu afastamento.

uma cruz à parede... inverte-se, logo cristo cai do pedestal,
no ântro do satanismo prático aqui consagrado,
concebo de meu âmbito a liturgia bestial,

banho-me em sentimentos mesquinhos... um asco incriado.

parvas verminosas aberrações,
de expressões desfiguradas,
que à rua vagaram por vítimas às madrugadas,
fazem-me provar de suas dores, suas maldições.

recai sobre mim uma pena moral,
que dilacera minha pureza eclesiástica...
sinto a terra, o subsolo da trilha tão crucial
da escuridão que assola sórdida a casa santífica...

a lua anuviada está a contemplar...


rasgo minha pele, fogo à batina ateio,
convulsões monstruosas deturpam meu controle,
em nefastas energias diabólicas permeio,
palavras estranhas traçadas ao chão,
no ritual, tão as leio,
praguejando ao rebanho, a prole...
com os ditos do nazareno à mão.

queima meu corpo em réstias ardentes do pano,
os invasores fizeram de mim mais um profano,
preso à pulsante, agonizante face que enseja destruir,
os cavaleiros aproximam-se foiçando os incautos às ruas,

pecaminosos, no terror eminente estão a usufruir.
gargalha voráz o senhor das trevas,
persuasor de tantas evas...

arrastando-me por calabouços condenados,
malígno arraigado em esconderijos vís,
dentro às ações servís,
hostís...
uma batalha transtorna verdades,
fatos e irrealidades,
uma luz mórbida toma a sacristia de anjos adorados...

a lua anuviada está a contemplar...


trincam vitrais sacros, tais transformados em cacos,
e eis que fulgurante é minha agonia mistificada,
banham-se em sangue extraterreno, os gessos fracos
dos santos mortos, torturados à treva descoberta, incriada...

caem anjos da luz que desfacela,
como a terra estéreo, e esquecida,
prevalece a vilez inominável, que o mal protela,
- que à sombra está desguarnecida !

a lua anuviada está a contemplar...
tal sangrenta que meu final anuncia,

encontro-me nesta funesta noite, véu de fel,
recobrindo minha renúncia à santidade,
dissipando-me os traços de cristandade...

apenas o mal esfaima minhas entranhas,
que carcomem o imortal moribundo batismo, putrafando-o...
retorno ao silêncio da sacristia...
o juízo final sentenciado reluz dourado, inebriante...





Realmente gostei da maneira que escrevi esse poema, faz dele um dos meus favoritos...



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O GRITO DO GRILO :

grita o grilo.
às noites
em densas matas,
estrelas dançam,
ao quarto crescente...
eis que ressoa um canto,
estridente,
lançando-se como encanto,
dirigido as vileiras choupanas,
e isoladas
cabanas,
envoltas resguardadas,
por hórridas cascatas.

o martelo enterra,
o prego à madeira,
e forte tão como tal, berra
o inusitado cantor à ladeira.
de minha costumeira
melancolia...
desarmonia,
com o real protelo,
com a fantasia, ando mancomundado,
cada anoitecer, um terno pesadelo,
mais um amigo deixado,
lisonje companheiro de jornadas frias

A escuridão me é um par de asas,
oh, liberdade !
usufruo-te guiado às tantas brisas,
adiante rotas percursadas...
vago insaciável buscando saciedade.

distado,
afastado,
errante,
do resto do mundo
enojate,
imundo,
circundo,
a pregos,
de cinza cortante,
cujas pontas, de um fino falso brio arrogante,
- corja ignorante.
de cabeça achatada,
moldada,
ao prol conveniente
da mão que com agruras ,
os afundam sutilmente.

apenas só, acompanho-me,
livrado à pueril loucura que muitos consome,
no percurso grita um grilo, envolto a tantas 'grilagens'...
cada mais vezes busco os campos verdes, além das calhordagens.



quarta-feira, 24 de novembro de 2010


TERNURA



como era terno seu rosto a me fitar,
via entrelinhas, em teus olhos o azulado céu
rasgado pelo rasante vôo duma águia...
preludindo vespertinas alegrias,
sentia que caminhava, estando às paisagens suntuosas,
empraz-me decolar às terras,

tomando tua mão,
um beijo...
seguindo estradas eternas,
inexistentes de fins,
desprovida de sequer momentâneas partidas...
permita-me sonhar com tua ternura,

segure-me ! não quero eu acordar,
jamais !

por um instante...
vejo em ti uma alma infante,
matura, radiante,

como a lótus em seu nascer,
delicadeza desta, um vislumbrado resplandecer...

perfumes exalam dos rios,
cachecois, caracois recaídos castanhos,
cacheados frondosos fios de noites sépias,
recordadas aventuras à lua perante,

uma estrela ostenta seu brilho
o brilho neutro branco em quaisquer instâncias.

cativo olhar teu fuzila-me,
e eu, como alguém que anseia o muro,
disparadas flores adormecem-me ao sono,
mergulhado no caos grasnido pelas bestas
afora o nosso mundo...
um tocar em tua pele, origem de tempestades,
levanta-se uma montanha,
como façanha,
vertendo mares em recostadas fendas,

minhas presenteadas prendas...

flauteadas notas, tocadas acústicas cordas...
ouvindo-as, cavalgava sob a seca terra...
um cavaleiro,
com uma flor,
pena e espada,

conjurando a melodia,
à presença do sol,
afagado pela lua...
à busca de sua amada.

delicadas mãos

tornam a abraçar-me...
palavras de ternura,
tocam-me, e tão florescem cachoeiras,
cá estou, sorvendo com os ouvidos,
uma fonte de extrema lindeza,
singela pureza do existir,
conduzindo-me em germinadas gentilezas,
onde os vales verdejam às vistas,
vem-me o teu riso,
nascem campos...
eis tu minha bela sonhada,
minha única razão de existir.








domingo, 21 de novembro de 2010



PAREDES QUE DESEJAVAM SER COMO O CÉU :


eu um dia pensei que tudo sabia,
sabendo pouco sobre meus ditos,
ações incertas... tão as cometia,
perjúrios tornaram-se meus diários ritos.
vagava em corredores sujos, estreitos,
àquela morada estada,
ouvia uma orquestra calada.
perambulava
uma senhora, uma criança,
co'a mão a ela dada...
alternava,
solitário meus tantos leitos,
tudo pesava à balança.


num ambiente vazio,
as paredes queriam ser o céu,
- nelas não voavam pássaros,
tão pouco apresentava-se o sol.


às janelas de vidros lascados, burlados,
o vespertino ensolarado dia...
ria...
bisbilhotando frestas de resquícios passados.
raiar, reluzir, tal negava,
meu canto renegava,
aqui desprezava
temia,
exitava,
a luz escassa esvaecia...
nébulas que o ar abraçavam,
poeiras,
planetas,
inertes ao universo próximo,
- parecia distante.


a mulher olhava-me,
envolta àquele vestido rendado
de estepes habitadas por um melífero enxame,
não havia mais com ela uma criança,
estava ela lá, aqui, em sua andança...
e eu cá,
ao passado recostado,
num delírio propositado.




QUADRO :



um quadro torto,
torto entortado,
caindo, decai poente,
ao chão, latente, estrondo estridente.


eis que o legado quadrado deixado,
um infeliz quadrilátero,
catatônico, intácto só por um triz,
uma quadragésima quarta obra enquadrada.


a esquadra pela quadra resgata,
rua adentro,
à casa centrada,
e a quadrilha, em quarteto constata...
que há um torto desentorto,
desentortado agilmente ajeitado entortado.


HUAHUAHUA boas lembranças desse poema...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A TAVERNA :






vetustos que o álcool vertem
em frondosos chifres de búfalos,
à taverna de ambiente sombrio,
rubrosos vinhos,
tão como o leite a um infante, um deleite.

dançam, a ressoar pomposas,
sacrílegas canções,
sob sepultos dogmas impostos,
póstumos flagelos d'alma... que em suas feições
pela boemia decompostos.


gritam bárbaros, grunhidas heresias,
os deuses abençoam tal noite...
tão simplórias humanas alegrias...

vivíssimas além da morte,
afrente os paraísos,
repudiando infernos.

passos não dados,
incertos,
cambaleados,

pés abertos,
desritmados,
que rumam num delírio,
instantâneo...
eis esguio !
duradouro momentâneo,
voar acima os assoalhos,
- carpintados pinheiros...
à mesa baralhos,
traiçoeiros...
ardís artifícios falhos,
trapaceiros,
cujos ganhos, são pois, pomposos entalhos.

adornados de "dádivas"
pratejadas,
almejadas, cobiçadas...
raparigas apreensivas,
riem ao fitar de soslaio,
olhares ligeiros, como um raio,
lupina destreza,
que infelizes caçam cativas...

esfaimados vís robustos boçais,
que em exacerbos agarram-se,

entornam canecas tais,
cujas cervejas escassam-se.

baderna que pelo ópio orquestrada,
pancadaria pelo jogo motivada,
bestiais humanas naturezas,
de penúrias ilesas,
apenas sendo como são,

às torpes insanidades absortos,
erguidos em si, em calcanhares tortos...

os anjos àquele recanto são mal vindos,
arrogando penas, castigos,
esquecidos...
nem às portas atravessaram.






eis que um poema que eu queria a um bom tempo aqui postar, porém me faltava inspiração pra escrevê-lo... kkk mas enfim, vos concebo este que arrebatou o posto de um dos meus preferidos... \,,/
a primeira imagem é da capa de um album da banda SVARTSOT-mulmets viser, que sempre me fez viajar nos detalhes... e no som que eles fazem...




RECANTO ESCURO :


desconjure a maldição,
desfacele a horrenda prisão,
que sobre tu abatera-se...
é noite !
cantam espíritos às ruas loucas,
estamos nós apenas, sós no escuro,
ninguém nos descobrirá.



centenas de "imorais" delitos,
às madrugadas blasfêmicas,
luzes encobrindo nossos feitos deleitos...
eis cotidianas naturais práticas.

vidraças desmascaram os leitos...
a trilha das esquinas assombradas,
- seguir-las, assim faremos !


destrua o que prende-te,
antes que venham buscar-te,
os mistérios ocultos evocam teu nome,
e a magia negra arde noturna...
liberte-se do que escraviza tua alma.


descortine engendrado desejo
em ti, arraigado, visceral.
heresia,
um lampejo,
incondicional...
queimar intrinseco,
neste recanto escuro.








segunda-feira, 15 de novembro de 2010


ILUSÓRIO TERROR...





as bases avistadas longínquas,
que preces congelam temerárias,
sustentam-se às pilastras invencíveis,
arsenal cuja nitidez e forma são precárias...

muitos temem que suas portas sejam abertas,
apocalipticas devastações, eis recobertas,
à névoa das cruezas agrestes e hostís...
terror que aloja-se incompreensivel.

algumas distântes, porém ainda contempladas,
tais muralhas abrigadas mantem-se secretas,
dirigindo afrontas infames... e proteladas,
a algumas discretas extensões seletas...

enviados pelo manárquico critério...
soldados lustram escudos em lágrimas familiares,
vilarejo apossado de impropério, adultério...
caos, represálias destruindo lares...

pestes abalando arrogantes nobres,
ruas desvelam-se... embaladas em ares lúgubres,
miseráveis ansiando o final,
entregavam-se todos ao devaneio total.

armaduras retumbam o receio,
suluços seguidos por um pigarreio...
demente, destrutiva imagem que atormenta,
porém à rispidez louca, o indivíduo não se isenta.

medo e ódio,
fúria e pavor,
caminha num fio,
um traço de torpor,

aproxima-se às redondezas.
contempla o fato...
tira tuas certezas...
eis apenas matas densas... disforme inato mato.



DESNUDOS ROSTOS ÀS MÁSCARAS :

cai teu corpo plástico ao chão de vestes supérfulas,
inumeradas aparências tingidas num tecido esgaço,
traças desdizem os rumos dos pontos...
corroem desnudas à farsa composta tecelada,
intricada
à máscara
dum manequim vivo.

pérolas de cascas quebradas por verminosos dilemas,
beijos degenerados às faces deturpadas,
violentadas,
queimadas,
no fogo da ingnorância humana,
raízes pantanosas de fétida hipocrisia...
um ser dizendo-se vivo, atado em fios ocultos,
eis que este é um ventriloquo proferindo asneiras.

fúteis desejos, ditos desinibidos discursos...
que nada condizem aos fatos
falsa benevolência exalando aos poros,
envolvendo um rosto sujo e aristocrático...
mero produto vazio da farsa moralista
que iguala-se a uma serpente habitando prostíbulos burgueses,
e estas tais ostentam raios dourados de exploração servil...

uma consorte,
de magnatas,
que exploram
os sem sorte,
de alegrias inatas,
que choram,
lamentam,
à penúria...
seus filhos alentam,
com o possível,
embargados num sitema desprezível...

desfile com suas vestes podres,
como a alegoria de genocidas inescrupulosos
faz de tuas joais, résquícios de crânios,
tua soberba,
retrato da estupidez,
mascarada humanidade sobre teus traços
envoltos à ilusão vulgar de compostura...


terça-feira, 9 de novembro de 2010




MÁGICOS DRAGÕES VOAM ... :


fantásticos sonhos talhados,
às pedras concebi,
horizontes retratados,
magia eminente viví
envolto aos mágicos anciões... às bravas terras.


flamejam decretos reais,
faz da divindade chama reluzente,
trevosos céus, cantaram trovões embrutecidos,
à batalha,
como metal exaltado, da espada do cavaleiro.

confins de misticismos protelados,
perscrutam às masmorras,
feiticeiro consagrado,
terrível imerecido...
uma guerra dantesca criada... corras!


sobre as montanhas agoiros cometem seu núncio
do caos. rebelião mal vinda...
infernais legiões marcharam,
fazendo percursos transformarem-se
à nébula negra tão temida.


tenebrosas batalhas, combates sangrentos,
profecias contadas...
consumam-se nos lamentos,
de realidades pensadas.
'homens de ciência' vislumbram diabólica jornada.


cavalgando às intricadas, noturnas
ordenadas buscas das tropas, exércitos
às procuradas urnas...
de encantada poção...
roubar-lhes-ão dos magos tácitos.


lendário portal, e tal contado,
salvação dum império colossal,
eis que um imperial ritual...
cometei,
oh lisonge rei !


desferam ataques navios aos irados mares,
deflagrados embates caóticos,
élficos sentinelas tomam frente.
sangram fel, bestas sórdidas, asquerosas,
e tais tão despertam os guardiões seculáres.


ventos dilaceram aldeias, tudo à volta,
provenientes de fumegantes hálitos...
defensores voam sob a orda,
flexas queimam iluminando campos... aflitos,
eis os invasores, no batalhão que acorda.


sucedem-se à tormenta criada,
dançam à performance bélica,
grunhem magos, camponeses, manada...
o desfrutar do fogo áureo
tão lentamente ocorrido implica.


fulminantes tornaram-se os dragões que atacavam,
à maligna força que tanto sadicamente abatia,
aldeões fugitivos, nativos nostalgicos, dalí se retiravam...
suas barbas enroscadas à lã das ovelhas. fuga ao rio se seguia,
longínquos além dos agrestes bosques, pântanos inabitados.


desertos queimam, treva se põe,
- batalhem ! - destruam !
oh guerreiro de arma consagrada,
imortais feitiços, cujo feitor a tudo isso se opõe,
( torna-la ao mal, aos cobiçosos ela não será confiada).


brisas tépidas, vindouro fim das tempestades,
livres, bestiais mitos desfrutam,
a realidade às paisagens mortas,
caminham velhos mistérios às portas,
dum mundo aberto, utópicos mergulhos...


aos cantos de minha insondável mente,
comumente tão fluentes,
ao existir inexistente...
escritos vislumbrados.
e porque não, vividos, recordados ?






YEAH, posto agora, uma das mais fodidas poesias que escrevi este mês...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

UM CAMINHANTE ETERNO :



Parte I :

a lua risonha me olhava,
sob o mar que dormente sonhava,
perante minha sina, meu fadado, contado...
estafante destino, tal que fizera-se ilembrado.
caminhando às águas merencórias,
àquela imensidade que tu vias,
nada a mim representava,
mesmo assombrosa como se mostrava...

farto de imunes demoniacas ações que pratiquei,
eu, general de mil impérios que muitas almas desolei,
um mar de ouro pus-me a conquistar, às desgraçadas
e tão infelizes guerras por mim decretadas, iniciadas...

intróito da carinificina, uma visão infernal,
guerras desprovidas de ódio, ávida por uma ganância irreal,
campos de infantes anseios recém acordados,
eis que pairando sob os corpos empalados.

chovem lágrimas negras... ó céu que a tudo isso contrasta!
como os cavaleiros cruzando desertos, à minha gana nefasta,
espadas, machados retrucando maldições,
empasses cabalísticos previstos às contelações...

que tão presenciaram meus fardos impecílios...
de tantos mistérios, busquei auxílios.
a lograr por mais recantos vastos, sequer nem pensei,
quando a minha morte, com malígnos espíritos apostei.

ao fim da liturgia tanto eu rira,
tão quanto cuspia à pira,
dos ritos macabros que o domínio me concederia,
porém, a maldição 'infame', sangue a derramar me impediria.

oh, torres que um dia eu me apossara!
agora declinando às margens da escuridão,
oh, imperial frondosa soberania que eu alcançara!
a mercê dos inimigos soberbos que causaram sua destruição...

fiz minha fuga às batalhas,
pelos insondáveis subsolos...
terras áridas fizeram-se mortalhas,
dos escravos lançados às gralhas,
filhos aos colos,
de damas, pútridas
previsões tidas,
pelos bruxos tolos,
conquistas perdidas.
entregues aos chacais,
oh, não as recuperarei jamais!

* * *



Parte II :

caminhando miserável às margens vividas,
minha carne jovial que não envelhece,
cada instante, fito-me, mais me entristece
as eras caminhadas, observo amadas e suas partidas.

um vislumbre no anil do mar,

apenas quando a luxúria não mais queria-me,
senti! havia alguém que eu ame...

todas minhas injúrias comecei a repensar.

superior tornei-me, à brutalidade em qual forjei-me,
assim como maldoso, impiedoso e tão temporal...
avassalador existir... e todo, a ela dediquei-me.
uma frágil criatura debatendo-se ao seu final.

enlaçam-me aos nevoeiros tristes,
faces de territórios caminhados, agrestes.
pernoitando numa sombria solitude,

busquei por fim, alcançar alguma virtude.

contendas de agruras disputando meu destino,
diabólicas criaturas embaladas ao anoitecer.
olhavam-me espreitas às relvas, o desatino
és este meu sob incostâncias do meu crer.


dogmas sacros tornados pueris,
deuses agora satirizados,

a mesquinhez tornara-me rélis...
desespero-me lembrando dos suicídios fracassados.

corpo tão regenera-se numa adagada,

venenos expurgados das entranhas, vomitados,
o sangue cada vez mais negrejado.
diante a eternidade, uma alma insana condenada.

um terroroso remorço recai como neve,

sob a brancura infindável, não se deteve.
oh, eterno desfrutar do meu ávido mal,
fizeste-me um prisioneiro à dor carnal.

sois nascem, e os finitos dias se põem,
recaindo sob profético dito que impõem
tão lembrados, passados sacerdotes ardís,
de rituais falhos. salvar-me à derrota eu quis...


novos construídos impérios, massacres presenciei,

às valas fétidas, sujismundos confins de fealdade...
camuflado mative-me seguro, dos vermes, meu fado isentei.
- um amaldiçoado vagando às enseadas, à tranquilidade.

* * *




Parte III :

submetidos ascetismos que impôs a penúria,
numa rústica cabana às cordilheiras,
insones inércias... tenebrosas olheiras
agora de meu reflexo fazia parte a furia...

vilipêndio pela minha existência,
desprovida de sequer mísera essência,
ó, calmaria, marisía, minha ouvinte,
ó, criança que decresce acima ao requinte...

desprovida à eternidade,
contemplais com tua encantadora lisura,
bestiais afogamentos, pesadelo comigo perdura

dois milênios de insuportada monstruosidade...

faz-me dormir,
eterno às tuas águas,
o submergir,
ao profundo escuro cair.

* * *

terça-feira, 2 de novembro de 2010


PROFECIA REFLETIDA :



deparo-me ao assíduo momento da queda,
tentativas foram inúmeras de deixá-lo intacto,
porém tal deslizara manhoso,
- espelho meu, tens pacto com o tinhoso!

cacos partidos, fitados, despedidos,
sob moldura tal, nela sinistros entalhos cometidos...
tantos anos antes de tua morte...
- reflexo meu, te vais e me faz um corte.

fito à janela a noite, seus açoites sombrios,
de escuridão nos jardins insanos habitados,
agora por agouros míticos retratados,
- medito mirando meus olhos nos pedaços espalhados.

gargalho demente, irônico atalho à loucura,
dá-me azar, para que eu possa praguejar,
conceba minha dor, ó demônios de sincera candura,
- torne-me mais um, nesse mundo a caminhar !

sorrio embebido ao sarcástico devaneio,
lúcido louco olhando-se em lascas e sangue
recolhidos como restos d'alma em instantes,
- sete anos de ventos pútridos a um cético...







É divertido escrever coisas assim, criando personagens insanos sem dar nomes ou coisas parecidas. assim como coisas obscuras se valendo dum sentimento pequeno, momentâneo, ou um acontecimento trivial... kkkk espero que gostem desse, e reparem nos ultimos versos de cada estrofe...

VÍS E VAGAS LEMBRANÇAS TRAÇADAS:


deu-me anseio de traçar tais notas... caminhar sob o passado lembrado vagamente, tratado sarcasticamente, reluzindo-me a cada dia que passa insano, uma ideia sórdida. afinal! como dito por Dante... "cabeça vazia, oficina do diabo"... pois sim! dou-me ao desfrute de cometer blasfêmias satânicas, um tanto cretinas... principalmente quando se trata de viver nesse fim de mundo onde me encontro, que entretanto faz-se uma das melhores cidades que tive o desprazer de viver. turismo, eis que demasiado forte em algumas épocas... e tão entrego-me às expectativas dum bom feriado, enredado às eleições e finados. logo tomo-me por deparar a realidade, quase ninguém aproveita finados... muitos recolhem-se às memórias dos parentes já partidos. penso um instante, creio eu que deveria homenagear meus avós... recolhidos à sua decrepitude, e que recentemente... quem sabe um dia vou até vossos túmulos! posso fazer oferendas como os antigos... quem sabe eu não mijo lá na cova dos velhinhos. penso ainda... como eram ruins... aqueles calhordas infelizes, retrato da miserabilidade humana. tão me corrói em amargura umas vis e vagas lembranças traçadas depois de tantos anos, como podem esses infelizes perdurar tão odiosos em minha mente ? por instantes -idiotas, não conseguiram estragar meu dia ! - q'eis salvo ao ressoar do tornar à mulher amada.




essa é uma crônica que eu escrevi. sinceramente eu não me acho bom para escrever esse tipo de coisa... crônicas não são o meu forte... mas de vez em quando cismo em fazer uma. e então vos deixo esse troço que eu escrevi... e a imagem... bem, Van Gogh é legal... rsrs

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


NOITE PSICOPATA :




a lua cheia está ai !
trazendo consigo uma noite lunática,
andar nela, estar à prontidão da morte,
morrer nas mãos de um psicopata...


tornado ao vício envolto pela escuridão...
impulso cruel, obsessivo,
sua compaixão está morta,
ninguém o deterá... em prol de saciar...
consome a sede de sangue,
tudo destruirá.


de todos escondido, mas à mostra de sí,
contempla causa e efeito,
isento de culpa ou piedade,
tal é sua sina, instinto,
não convém fugir,
olhos cujos, incorporam o umbral do inferno.


demônio andarilho,
esconde-se à penumbra, exposto,
à sua tão fadada natureza...
a noite é seu dia,
seu dia uma abstinência constante...
racional, percebe as profundezas de seu ser,
e apenas sente o seu não sentir.



bem meus caros... deixo hoje aqui o primeiro poema que eu fiz... claro que não comecei escrevendo assim, a verdade é que o rascunho era péssimo, e revirando umas coisas minhas eu achei ele lá. ai peguei e refiz ele... :P

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ALGEBRA ABSTRATA :





por tempos ansiava te-la dito,
quão calado prostrei-me, e tão omito,
o que jazia a queimar gélido em meu frio ser,
atormentado aos clamores do que tanto criamos,
tão antes, de mergulhar no que realmente cultivamos.

o fim do eterno, nuncio da partida,
ressurgir do dia... estrela,
estarás ai reluzente,
ao ressoar do azul celeste,
o meu deixar, lágrimas duma noite à tua solitude.

caminhando, sobre estradas do céu,
tú que fora minha amada,
agora tornar-se-á luz d'uma alvorada,
envolta à um lunar véu...
pois solto tua mão, estrela, ó que fenece meu sentir.

ponho-me a existir,
apenas às noites limpas, ensolaradas,
perdão de mim,
inconstante é o coração,
cavalo sem rédeas, logrando pastos insondáveis.

conhecidos confins,
lavradas livradas amarras,
tão de culpa, de ternura,
agora levanta espada do real,
suave lâmina, corta, sangra, chora...

o mundo viverá mais um hora,
e tão cada momento faz-se história...
partir do eterno, ó eis tão terno...
deite-se amor imortal, tome a flor e descanse
em paz, à minha retirada desta alvorada...

meus olhos... quão vêem estando escuro,
cruzando as montanhas,
traçando sentimentos,
pérolas de vidro, oriundas à o mar,
confuso, espavorido no que há clamar...

meu sentir,
a mercê do porvir,
fórmula icognoscível,
indescoberta,
indecifrável,
afável,
amável,
sob o azularar,
traçar, das núvens...
escreva outra página,
descortina...
chegado momento,
daqui sair,
intento,
de ir.

imensidão descobri, em n'outras alvoradas,
eis vistas... como ensejo tão partir !
o final, vislumbras do horizonte vespertino,
o sol se poe,
dou um passo, desconstroe-me o chão, mas posso voar.

incomprensível é a união de dois fatores,
triângulo de estrelas marinhas,
perdendo-me em mim,
e tão toma meu corpo o destroçar...
desabar,
de torre onde habitam meus receios,
tais como os anseios,
jazendo no trepitar,
postos a levitar...
racional inata magia...

racional inata magia conjurada !
concebida à um passo da partida,
os ventos calam-se, árvores fitaram,
tão surgir uma intricada lida,
escrita e não resolvida,
algebra abstrata,
reflexão irreflexivel,
ao tocar de outra ternura,
inefável, não traçada às folhas, nem pensada,
apenas sentida...




sim, nossas mentes são rascunhos de algebras abstratas, incognoscíveis. kkkkkk

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O DECLÍNIO DA TERRA DO NUNCA :






esvaem-se rios de imortalidade,
o cair de suas árvores,
paradisíaca estória falrada,
dissipa-se à ausencia de pureza.

caminha criança, à o florescer da malícia,
embrenhando-se às relvas de pecado,
doentia febre da ganância,
agora engendra-se com tua alma, tua carne.

pesa-te o fado, das vistas mórbidas,
aos sonhares debandados,
observa nítida,
teus heróis decréptos, abandonados.

a magia não lhe acude,
tal como um rio desprovido de açude,
infantil fantasia ludibriara,
ao precipício dos fatos, te entregara.

quão buscai, as portas da mentira,
utopia infante decaíra,
vislumbrando a inconstância temporal,
depara-se, ao recinto de teu mal.

inclinando-se como um animal,
ao sobressalto constante, natural,
da essência humana, podridão, incerteza,
em infinidades de cantos d'aspereza.

debate-se em tua mente,
que tão a tu infelizmente,
faz-se o ensejo demente,
à ilusão, visada veemente.

apenas encontra, restos de lutas,
campos sujos, pedestais destroçados,
fadas, eis que agora prostitutas,
águas podres, rios tornados...

vastidão dos restos enojados,
tais como dos infelizes neles atolados,
à sordidez e seu despertar,
injúrias, estupidez a aclamar.

nada fazem, ingênuos a perceber,
como tu criança, ao "nunca" se esconder,
olha frio! e não a perpetrar,
teu desejo por ver um pederasta levitar...

implodidas estruturas do sonho,
agora vem a ser pesadelos,
realidade engole-te sozinho,
num abrupto estatelo, à o horror por vê-lo.

declinada terra do nunca,
ei-la feito esmorecer,
ouve o chamado do despertar,
e aos absurdos reais, contemplar.




Um dos poemas que mais tive o prazer em escrever...
SOLITUDE :






distanciei-me do que amara,
e tão obscuro numa toca de pensamentos fizera,
da minha dor, um prazer masoquista, revoltoso,
remoendo os talhos marcados dessa ferida,
fiz muitos sangrarem, tão quanto sangrei,
jaze-me o desejo de ferir quem ama-me,
chorar por quem há distanciado-se...
um instante,
mero momento até meu enrubescer,
o rosto meu faz-se de aspecto iroso,
embrenho-me cada vez mais afundo dela,
essa tal escuridão que me consome a última
gota de esperança... vagando em meu interno,
e tão eterno anoitecer gélido, em terras irreais,
quão misturam-se ao real fazendo de meu ódio frio,
um ser das sombras atormentado,
sufocado às lágrimas,
por utopias...
e relevâncias,
o esmorecer dos anseios,
presenciado num cômodo vazio,
a melodia calada que ressoa inerte,
o arder da dor à alma, faz-me praguejar,
como um corvo ferido, e tão nela mergulhar,
voar nos mares d'escuridão, tomar-se à solitude...


espero que tenham curtido essa postagem... ^^

sábado, 23 de outubro de 2010


O BECO ASSOMBRADO :

antes que possam começar a ler esse conto, vos digo que é pesado e nada cristão, e a linguagem não é das mais simplórias...
porém acho que irão gostar, é a primeira vez que me ponho a postar um dos meus contos aqui no poeta das sombras.
DIVIRTAM-SE... MWAHAHAHAHAHAHA.






Ensimesmava-me diante às refletidas faces do espelho recém arrumado, armado, metricamente à parede. Deste tal vislumbrara minha culpa sob condicionadas memórias do nefasto passado, fadado sucintamente aos traumas de minha vida.

Sinto ainda sua presença infame que vagara diabólica aos corredores.

Não houvera razões que levassem-me a dar-lhe um fim.. Fenecera...despida face envolta no véu ansiado, conquanto deus não pudera discordar que a amara. Quão sentia fascínio, paixão doentia enredada aos depurados fatos.

Tudo começara quando casara-me obrigado, não podia eu alçar-me à convicções que não engendravam-me sequer míseras alegrias... pois de certo me fizera escravo louco d’obsessivo credo a Cristo. Cecília não costumara igrejas freqüentar, nossa casa era pois provida de inumeráveis quartos, lisonjas vizinhanças... que nem ao menos suspeitaram dos acontecimentos, que vos conto a seguir...

Tal que minha esposa enfurnara-se reservada ao quarto mais alto, ao celeiro podia ver decoração macabra que elegera ao recanto. Sempre contara sobre suas visões e como as combatia portando seu punhal em que denotava-se sangue às bordas da bainha. Logo afronte haviam um pequeno, singelo altar e nele dispunha de velas, uma bíblia, concerto creio que habitava essa proeza... uma estátua do corpo de cristo crucificado... era de gesso e pintada de prata.

O resto do quarto contentava-se num vazio.

Contraparte esta minha costumava se vestir com vestidos negros cujas bordas das mangas assemelhavam-se a de nuvens encardidas. Oh, ela sempre usara a mesma roupa.

Quando lhe perguntara sobre a razão de tal luto constante, ela me dissera veemente, com olhos cujos abismos de sua alma... retratavam ódio e insanidade:

--- nosso filho morreu !


Nunca havíamos tido um filho, ela não o quisera tão quanto eu não o desejava. Detestava crianças. Costumavam dar-lhes aos seus pais... demasiado trabalho. Mesmo que incógnita mor tornara-se nossa relação... e compreensão.

Talvez fora uma metáfora... ou então mais de suas fantasiosas formas de culpar-se por ser de ventre seco.

Provável que a mim seja dada conclamação de herege, entretanto cultivava cativo assíduo ódio por aquele mártir prateado... que a fazia demente, fora de si.

Cortava seus pulsos ao intento de agradar-lhe... algo inanimado... sem menos simbolismo verídico. Ora! Um mês após nosso sacro matrimonio não havíamos passado uma sequer noite... jamais conseguira dormir com aquela prostituta louca.

Pretérito revelado descortinara-se... passado insuspeitável insuportável... consegui-lo pude açoitando-a.

Tempo estendia-se e miríades de acontecimentos cujo cunho... cultivara perversidade, perdurando inferno moral... sentia-me um verme, tão parvo que poder-se-ia se sentar numa cadeira e vê-la prevaricar com aquele vizinho calhorda. Semeara muitas de nossas brigas. Engraçava-se a ela... proferia gentilezas infames.

--- veado... pagarás teu preço... espereis e verás maldito... adoraria matá-lo... dizia a mim mesmo.

Todavia o que fiz tempo depois, foi arrombar aquele cômodo satânico que ela prostrava-se com seu credo... não lembro-me ao certo que me dissera. Creio que tenha sido:

--- maldito seja tu, canalha blasfemo, filho de uma puta! Você está sendo profano! Irás arrepender-se desse pecado.

ao soar da segunda ofensa, espatifei aquele altar, voara aos cantos... punhal, velas, junto a isso aquele maldito Cristo de gesso mal pintado de prata. Quebrara-se em variados pedaços. Não haveria como consertá-lo ou colá-lo. Fato tal alegrara-me.

Arranhara minha carne com suas unhas demasiado grandes manchando minha camisa branca... quando notei... confesso que não provocara uma dor intensa... até o momento em que não o tinha visto.

Ira profunda tomara-me, angustiante visão lacônica de agressão... insuportável e dantesca situação... ao desferir minha mão, ao seu rosto. Violentamente caíra ao chão. Tormentosa eis que fora cena.... cheiro de incensos baratos alastravam-se pelos cantos. Mulher mesquinha... entendo porque vivia sob a punição de ser insana... dava-lhe seu sangue, e agrados fétidos.

Certa vez acordara à mira de sua artefato monstruoso idolatrado, aquele atame sinistro. Tentara matar-me. Seguidamente ao seu golpe, desviei-me tomando-o... e arrastei-a pelos cabelos por parte do percurso... chegamos a dispensa... onde tranquei tal com insetos quais julgava nauseabundos. Baratas. Podia sentir a paúra dela, e eu me deleitava nesse espetáculo... ressoavam gritos inauditos. Fiz isso várias vezes... sempre me dera motivos.

Numa destas vezes resolvi trazer uma dessas raparigas aliciadas nos cabarés... pela fresta, podia minha amada ver como a possui-a... gritava esta... caso não estivesse defrontando-me com acontecido, pensaria que estava sendo torturada. Estouravam estrondos às portas do armário. Ela batia até ferir-se.

A noite tornara obscura e fria quando sentados estávamos à mesa, comendo enjoativo jantar.dissera como se sentiu vendo minha sordidez com aquela mulher... perguntei-lhe o que ela achava disso... e me falara:

--- não me importo amor...

Sua ternura florescia ofuscando toda sua aparência de desleixo, permanecia calma às minhas provocações. Como o espelho que tanto cultuara... seus olhos feriam-me profundamente. Muitas vezes a gentileza se mostrava uma lança... ferindo quem engendra ódio. Permanecia calma... tal alimentara o fervor de minha reação colérica... meu corpo não respondia ao meu controle.

Oh, céus como pude ? quantos anjos vislumbraram minha culpa e minh’alma sob conjurado remorso ao tornar novamente à minha sanidade. Diante de mim.

Delicadas mãos inertes, corpo agora decaído no chão...

--- porque fora eu estúpido ? perguntava-me ao espelho.

--- porque a estrangulara ? questionava delírio refletido.

De sentimento desprovido, instantâneo esvaíra-se sob o fitar do quarto, os resquícios de seu credo morfético.

Passaram-se dois meses, quando aos vizinhos contei que ela fora ido estar com sua prima. Estava com problemas... a despeito do corpo... até hoje jaze no cômodo mórbido que se tornou. Minha dulcíssima tanto aprazia-se com o lugar... e lá confortara-se muito bem após seu assassinato... que cometi... ao menos lembro de tê-lo feito. Deixei-o lá... poderia livrar-me... e dar-lhe-ia um fim... cuja penumbra anuviava as vistas insones e noturnas carolas “puritanas”.

Ora! São todas hipócritas, devassas arrogantes, que vangloriam-se de virtudes que não possuem... e estariam bem longe de se disporem delas. --- toscas.

Não sei ao certo se a solidão assolara-me traumática, fazendo de meu incognoscível semblante uma face à deriva da loucura. Consumada presença dessa se fazia sentir pelos arredores da casa. Por certo tempo não tinha certeza... impressões legadas dos pesadelos

Criavam-me horror aos corredores.

Se dispersaram os vizinhos dentro de um ano, a rua era inabitada, apenas ficara eu vivendo nessa, qual creditada assombrada. Demoníaca face, aludiam sob os fitares noturnos à névoa de seus traços merencórios, turvos... embebia-os ao terror criaturas incautas cujos pesadelos... aquele ser... nunca conceber-vos-iam... imagem tão grotesca.

Dogmática maldição sentia apoderar-se de meu corpo lânguido. Possuído por maléfica mal assombra, empalidecido diante do espelho, me apraz meu reflexo suntuoso e brioso. Contudo certa vez, veio o vulto. Estarrecia... minha certeza... pois crueza... do fato comprovava os meus fitares agora imóvel, tomando meu braço... fria, gélida.

Desespero à garganta, grito terrível proferia.

Acuado à parede, rosto decrépito e desfigurado observava-me... busquei fugir, entretanto a cada instante... tocava-me com suas mãos horríveis.

Oh, maldita seja macabra mulher vinda do inferno, demônio de saia, feriste minha sanidade... a cada instante flertava às trevosas sombras do lugar. Era tarde demais.

Oh, perdoe-me, não sabeis quanto amara-te, tua pele, pudera eu tê-la tocado. Seu corpo possuído... como o demônio agora possui-te.

Oh, tenha piedade de minha alma podre... não leve-me contigo ao umbral, à escuridão que assolara tu agora. Lembra-te, que outrora... quis-te. Face esta qual vejo, outrora tão límpida e alegre...

--- pois flores jazem sombrias, nefastas, ao sanar de sua paixão... tornar-se-á dor... e tu ? diga-me morfético...senão sentira prazer em matar... livrar minha vida da tua... és sujo! Um calhorda.

--- imploro-te, ao tão erro cometido... pois um dia amei-a fanático... e tão odioso era teu credo maldito... que pus-me a destruí-la.

Formas às relvas de obscuridade se foram, tal fora seu ódio nascido à gentileza... mesmo que insana. Desolara-me fazendo de mim um prisioneiro do temeroso arrependimento. Conquanto ela vive como assombro no beco.

Desde então atormentara meus dias... provenientes anos se passaram, tão marcaram minha sina, consumada união... beiro veredas que contrastam céu e névoa tépida...

Perambula martirizada no confim onde viveremos. Fita-me da varanda... gargalhadas trovejantes. Concebido, eis temido, laço de amor e ódio... faz-se contínua à vingança, meritória e malévola...





espero que tenham gostado disso, logo postarei outros desses... hehe \,,/

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SONHOS MECÂNICOS :




cosmos cuja humanidade não perscrutara,
espaços, indescobertos,
sombra vazia, rumando seu ciclo,
estrelas que tanto clamei, as vejo de perto,
eis que damas de carbono a reluzir,
sobre meu olhar tão humano, fugindo da terra.


ouço estrondos, metais retumbam frios,
meu pavor,
garganta sufoca-me seca, insuportável,
brilho ofuscante, inexplicável,
quão vaguei pelo universo,
num mar de vácuo, em prol de nada...


e tão sabeis ao que deparava-me àquele instante,
inimigo desconhecido, horror eminente,
tomara vil, cegueira terrorosa toda nave aturdida,
psicose surtida,
ao soar de ondas, magnetismo oblitera veemente,
auto controle físico... um grunhir à ouvir se sente...


arrastando-me aos corredores
de tão imensa estrutura desbravadora,
cada segundo, instante, descontrole constante,
alma foge à o corpo lânguido, enfraquecido a meu oficio,
alegria descoberta, fruto da morte, recém encontrado,
tão invadem, desvastam, bestas de aparências nefastas...


letais corpos, quimicas estranhas,
odor fétido, envolve minhas entranhas,
- não posso ser visto ! -
devotados anseios caem sobre lúgubre cenário,
pantanoso extrato de sangue esparzido,
das vítimas que tão simpatia dedicava.


enfraquecido e perseguido,
galáxia revela monstros além do imaginável,
desejo d'eles por meu fim... insaciável...
exaustado, caído, tornado acuado num canto gélido mensurado,
aproximam-se incautos, maliciosos olfatos percorrem meu corpo,
sonhos, pó de devaneios são resquícios, anestesiam-me...


por um instante... até tornar de rombos avistadas esperanças,
paredes cortadas, talhadas abruptas, minha fuga eis conquistada,
suicídio ao meu vazio perante incomensurável miriade do absoluto nada,
flutuar sobre tristonho enegrecido véu de infindáveis vistas,
contemplo tácito minha vida sem anseios, estéreo vislumbre da humanidade futurista,
vivendo meus ultimos momentos, defrutando de programados sonhos mecânicos.






talvez quem leia, o que eu escrevo... percebe que esse poema é um tanto diferente do que eu costumo escrever, concerto demasiado fantasioso, extremamente influenciado às obras de ficção cientifica. pois bem, dessa vez resolvi fazer algo diferente de tudo o que houvera eu já escrito, e vos deixo essa postagem. mwahahahahahaha

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


CADEIRA ELÉTRICA :



deparo-me com a sombra no caminho,
tão dissipada pelas brasas do cigarro,
meu ultimo pedido,
antes de deparar-me com o diabo.

braços amarrados,
a morte me abraça,
tornando tudo,
lembranças turvas, de tempos passados,
que me tornara, um rélis condenado.

minha mão segura uma biblia,
a pena de deus, martirio dos homens,
subjulgando a verdade,
tirar uma vida...
remorços morais para com a divindade.

pois não rezo,
tomando às costas, a culpa da sociedade,
o seu sistema falho,
não há pureza na sujeira,
em tal sagrado, há um talho,
... de repressão, ódio, adoração...
o mal, à agressão,
impulso destrutivo, inconsciente tão ativo.

minha morte é eminente,
sujeito a culpa,
minhas ações indecentes,
ao crime que tanto a mim concente.

condenado,
ao fim,
desesperado,
o medo tornou a mim,
massacrado,
por dentro, enfim...
situei-me no inferno,
tanto tempo,
sofri às noite de inverno,
o quanto tento,
fugir do demônio que tanto um dia temerei.

pois que agora encontrei,
suas garras...
fitando o fumo cessar...
assim fazendo,
de mais um fantasma perdido,
sem culpa...
um semblante,
a exterminar.



ficou bem forte essa daí ...

sábado, 16 de outubro de 2010


LUA DE ESPELHO :



por quantos embates não sofri,
indefeso, sem esperanças,
a escuridão me tomou um dia,
naquele mausoléu de sombras...

miseráveis,
rostos turvos na minha lembrança... extirparam,
o resto de pureza d'alma que havia-me,
o descortinar d'ódio, saborear da amargura...

aprenda a lutar criança da luz !
descubra os seus medos !
antes que façam de tí...
um escravo da tua pena.

arrastam-lhe ao poço do absurdo,
sucinto brotar duma morta flor,
cada instante, um olhar aos dementes,
minutos enriquecem-se dum sentimento letal, avassalador.

águas sujas, refletem o afogar-se,
libélulas, à consequência de seu equívoco,
deparar com os moribundos,
entricado à sua piedade.

denotado sangue isenta-se de perjúrios,
perspectivas ao espelho,
herdados rios,
da maldição que assolara teu espírito...

anseio à fuga,
fugaz,
capaz,
podeis sair,
ao mundo abrir...
teus olhos,
molhos...
de chaves,
diversas,
adversas,
conceberão tristezas,
incertezas,
brandas,
alívio,
à o tormento de teu ser...

exilado na situação inerte,
silenciosos deformes seres mostram suas garras,
ira e lágrimas, com tua treva um flerte,
pendem, afrouxam amarras.

amor pela humanidade perdido,
tempo toma-lhes o final da dor,
alegria suspensa, ressarcido...
por dentro, contente tépido fervor.

vai-te embora,
horizonte a fora,
encontro a loucura e dó,
dos infelizes,
eis só,
deleitar-se num obscuro sentir,
meretrizes...
à descobrir.
cicratizes,
a exibir,
no teu coração,
fragatas voam ao verão,
majestosas,
contemplam frondosas,
dores q'eis cultivadas,
descobertas, motivadas,
concepções sobre faces míseras...

sobram-te os demais,
rancor torna ao suplício eterno,
meu inferno,
vingar-se dos abutres parvos, vigaristas animais...

ressoa rosto da lua,
vislubrar da presa,
caído à teia não tecida, ilesa,
complexa caçada... humanidade estúpida... cruzo a rua...

de fantasmas perseguindo o passado,
sina do encontro inevitável,
ajustar de contas, por um anjo negro desejado,
crucitando a melodia de sua dor...

partir de encontro ao relembrado,
recordo,
imaginado,
temor,
da fraqueza,
beleza,
o odiado,
maldito,
devanescido,
à escuridão,
jazente, sepulcra viva ao teu âmbito,
disforme,
anuviado,
conforme,
o tornado,
temporal,
de lágrimas,
um raio,
e tão caio,
sorridente, reluzente,
olhares,
- oh vingança ! -
o abismo pecaminoso, hipócrita...
lei celestial, paraíso, fecha tua porta.
tácito, ambíguo, amargo, nada importa,
apenas um ideal,
retribuir-lhes...
meu mal...

lunar perpectiva noturna, espelha,
desprezo, e tão rezo, e prezo,
oh nemesis... *
pela piedade, volver-vos-ei a pena.





* nemesis : deusa grega da vingança e da justiça celestial. \,,/

terça-feira, 28 de setembro de 2010


IRA :




revolta se fez existente,
cada instante, ardente,
dá-me... vontade de matar,
anseio por tudo destruir,
instigado a tudo devastar,
quando a verdade...
pus-me a descobrí-la.


ira alojara-se às entranhas,
fazendo da inércia uma tortura,
insano sinto-me... carregado fardo,
de ilusões humanas hipócritas...
criptas da minh'alma, devanecem.
ferro fundido... esfria-se,
forjado sou no ódio... bréu noturno.


vaga inconstante, inumeras e contempladas faces...
pessoas ignóbias movidas à alicerces pueris,
parvos exalam suas essências na manada...
animais buscando seus restos de nada,
sem alma, expressão, eis lacônicos...
destes tais, momentâneas vidas,
vislumbro montanhas, estrelas.


pergunto-me se existe liberdade além do egoismo,
tão cativados nesse maquiavélico ilusionismo,
a morfina de suas miseráveis vazias sinas...
lua ilumina úmidas e obscuras esquinas,
traçados rostos deformes cretinos,
descortinam o fitar da ilusão...
névoa, se fizera aos olhos.


o que as faz pensar que são superiores ?
futeis, tais quais espelham-se em martires...
apedrejados foram estes, àos seus pensares,
apodrecidos ao escaldante sol dos campos agrestes,
defrontando-se aos lânguidos povos... latrocínio do estado,
ovelhas submeteram-se... a ser, não ver... crer no que fora mandado,
ordem impoeria-se, ao decretar sórdido, horroroso simbolismo armado.


logra minha raça...
desprezível,
chocada, a caça,
ao temível,
furioso,
deus...
oh temeroso,
e tão seus,
são os tiranos,
profanos,
inquisidores,
assassínios,
tantos anos,
infindáveis dores,
impérios, declínios,
caem sob inocentes,
preces convincentes,
argumentos inquerentes.


oh, pois vos blasfemo ao senhor,
torturara-me ào temor,
vocifero maldições, entrego-me às trevas,
corvos confortam-me no abismo,
tépidas terras, de tal avisto...
o retorno da humanidade,
retrato da realidade. fealdade !


mares por adentro navegados, desbravados,
sangue no obstante... se tornaram derramados.
bruta força... vinham ao mando do rei prepotente,
soldados montados alçados num ardor contundente...
iludidos forçados,
a matar,
famintos, torturados... represália não tendiam a conceber, criar.


seres conformados, confortados ào desparate...
convosco devorado serei mais um, assimilado,
aos mantos de heresia... à intelectual integridade,
fundados a hegemonia... da ignorância em que se entregara,
confronto aos seus olhares... dogmáticos enfáticos,
desprezo, não vos preso... eis tão sádicos,
demoníacos incitando o consumo, exacerbo doentio, tolo.


olhos fervem,
à cólera, o medo,
agressivo, assíduamente estou... observem,
vossos passos, me enervem...
com teus traços, asquerosos,
proclamando imbecilidades,
pois na órbita alheia, viverás tuas irrealidades.


traçando jornada oposta,
distânciado dos que prostram-se,
livre arbítrio usufluo, como tão fluo,
à minha correnteza, na certeza, concluo...
de que solitude...
eis virtude,
arraigada à natureza dos homens.






até eu me choquei um pouco depois que vi a postagem... li a poesia depois que eu escrevi... ficou ótima.