sexta-feira, 30 de julho de 2010

PIRATA NUM MAR DE ANGUSTIAS :





oh, céus, pois sou,
um andarilho dos mares,
noturnas dores,
poucos pesares.


sigo as estrelas,
pois as fito nas velas,
ventos da noite,
por tais alicerces, furadas.


esperanças afogadas,
mortas num martírio,
um ardor,
falecera no nada, o que chamam de amor.


batem as brisas,
nas madeiras tão lisas,
um navio sem rumo,
uma taça de vinho, um pouco de fumo...


passa o tempo,
nada resta, me contento,
à vivências remotas,
fracassado intento...


mares de insanidade,
marisia torna a minha testa,
dor me consome, com sua verdade,
solidão, és tal sina, ao que me resta.


o sol acordara,
mais um dia tornara,
terra à vista distante,
cada vez mais longe estara.


nada sinto,
pois não vejo,
a mim mesmo minto...
nuvens no céu, do sol, bocejo,


dia, gaivotas migram,
no vazio do tempo, que se passe,
tornando minha vida, lágrimas minguam,
um frio que queima, tristeza, assíduo empasse.


consome meu peito,
angustia insana,
nos mares pecaminosos,
um sonhador de palavra profana,
pois sob o luarar remanescente,
de tantas noites de ilusão tirana,
teu semblante em minha lembrança...
navegando na inércia, não muda, anseios, engana.


gana corroe-me o âmbito,
incerteza se ainda estarei vivo,
um navio, possivel naufrágio,
unico tripulante, carrega nas costas...
meu fardo,
âncora de desespero,
estafante afazer,
sanar o vazio, não há prazer,
num gole dado, no obstante espero,
de tais ventos sombrios,
ao menos uma lágrima, áspero...
que ponha-se a expelir, de minha face...


logrando sentimentos,
não sentidos, sofrimento,
pois nem este mais me aturde,
agora pois senão, o firmamento,
uma tal tamanha apatia, indiferença,
assusta-me, num céu cinzento,
oh ! presença !
do fim de um diabo lazarento,
insano,
d'agua é provido um coração,
lastimado, angustiado,
tão cansado, enganado...
consigo próprio,
fez da fé seu ópio,
revela,
às estrelas, suas dores, telescópio,
pois é este seu único conforto,
nas noites insones, distante do porto,
aborto,
da crença,
em algo, agora é frio,
suas santas estrelas, ó, pois são,
de luz são tais feixes,
faminto num mar,
desprovido de peixes,
cujas bestas, miticas, puseram-se a observar...


tempestade,
tardia, fez-se agonia,
em tal bréu, mostrou a fealdade,
de tão sádica que fora sua alegria...
em lutar com seu amor,
donzela afogada,
encharcada ào pavor...


encontrarei-a agora nas armadas,
interpéries, que agora tomam-me,
em tal navio,
oh! tormenta, me fizeste um favor.


vaga nos caminhos anuviados,
caminhando,
com uma lágrima,
enfim tanto anseiada,
por minha alma... que enfim...
avista longe, à terra, sua amada.





espero que tenham gostado ^^ ...
SALAMANDRAS :

salamandras, queimai em vossas chamas,
minha dor,
nessas matas,
tome minha sombra, num ardor.


por que nada temo,
diante da tristeza,
e a aspareza,
de minha armada,
incerteza,
que torna aos meus pensamentos,
encalacrados na ilusão, firmamento,
aos fatos, desatentos,
a verdade,
tão expostas à clareza do fogo,
de tal mistério, a realidade.

pois as ví, salamandras,
queimando e fazendo do ar,
seu sustento, alicerce,
ao que cujos manifestos foram criados,
e que tão ocultas tornaram,
das lendas e mitos,
algo vivo, reluzente,
a tantos tempos,
que se fizeram remotos.



ILUSÃO :

a que se resumiu...
fora um erro crer,
equivoco amar,
desleixo ver,
falhei ao sentir,
tentei lhe ouvir...
à um efeito surtir,
nada se fez,
ferir,
pois sim, feriu-me.


jugaste-me, ao que nunca sentiu,
o que outrora consome meu peito,
pois puseste a julgar o que eu faço,
ingênuamente, não sabeis ao respeito,
tenteis transformar-me em tal seu ensejo,
o intento de expurgar minha essência, feito,
nada pudera, este falha, sentimento imperfeito.


queima chama,
esta, meu inferno,
lagrimas congelam.
meu frio, teu inverno...
ao que não protelam mais,
minhas dores, tão enegrecidas,
ao matar sua sede, oh, nunca mais.


tornaste tanto tempo,
ao meu lado,
ouviste-me surda,
proferidas palavras silenciosas,
relembra,
remete,
ao passado,
agora, olhos meus fitam,
o que sentira, tú, sempre...
pois ao que posso lhe dizer... merda.


ferira,
sentira,
não entendera,
esculpíra,
em minha face,
a mentira,
enlace,
de tal com teu semblante,
me iludira,
ferrenha,
acudira, meus anseios,
à ilusão,
pudera...
tú entender,
me julgar,
meu coração...
cheio de mágoa, cedera,
até, perceber...
por fim, futil, a fitar,
tua ideia, conceito, ilusão.




quinta-feira, 22 de julho de 2010

CAMINHOS CRUZADOS :

expresso do oeste,
eu sigo sem rumo,
esperando por minhas esperanças,
num lugar eu vago, no próximo trem eu sumo.

a paisagem é opaca,
o céu azul se tornou avermelhado,
meu sonhos se puseram dormidos,
num horizonte seco a ser desbravado.


cavalos cortam,a imensidão do deserto,
os trilhos rangem,
a estação,
está cada vez mais perto.

gritam em minha mente,aquilo que se sente,
no vazio tão agreste,
ao fitar tais vastos campos do oeste,
porém em mim,
apenas gritam melodias,
dos quais mistérios viverei em tais confins.


os cavalos trotam,
o vento na janela aturde,
pobre, é que vive feliz na hipocrisia,
ao que a mim, na melancolia, nada ilude.
montanhas opacas,
abutres voam no céu,
perscrutando oportunas,
assim no trem, como elas, estou eu.


caminhos cruzados,
sob os trilhos,
somos filhos,
da inercia, à repugnancia...
fugimos forasteiros,
num grande véu,
de lembranças,
como nas quais pus-me a postergar.
me perseguem,
consome a culpa,
dentro de mim,
dou lhes temporáreo fim,
término da jornada,
na estação, minha parada...

o destino fora alcançado,
armas postas,
cavalo celado,
logrando ao norte,
o sol se deitando...


pois aquela melancolia ainda em mim jaze,
como quem não sente como fora uma fase,
na sina, da vida, a quem contempla,
a sí proprio, acima no monte,
de onde começam as buscas,
dos sonhos sem fronteiras,
de sentimentos vagos...








GATO PRETO :







sexta feira treze,
na noite fria, e pelas ruas escuras,
misteriosos olhos brilham nas trevas do beco,
um gato preto, com o olhar de uma fera.


seu destino está marcado,
não adianta correr, ele vai cruzar o seu caminho,
com seu miado sussurrado,
com suas garras,
ele està na sua frente...
você acredita em superstiçoes ?
pois ai está o azar encarnado.


o gato preto espreita pela noite,
com seus olhos de maldição,
e queira você ou não,
está te olhando.
e sussurrando,
na escuridão.


estrelas sós,
na rua macabra,
sombria,o terror está a diante,
no chão de pedras,
a convicção estoica,
de que o mal encarnou no gato preto,
que o nosso caminho cruzou.



ANJO MACABRO :





imortal é o mal,
envolto pela face de um anjo,
tão inocente,
de perversidade, tão fatal.


olhar angelical,
um querubim,
olhos desprovidos de crueldade,
ao que suas entranhas,
embebidas de fealdade.


trevas de um confim,
escuridão profunda no seu olhar,
criança da noite,
fez do mal algo a se deleitar.


caminha pela cidade,
não há mais honra,
sua realidade,
arraigada na obscuridade,
verme carniceiro,
consumido pela insanidade,
lhe apraz o sangue,
se satisfaz com a dor.


carrega consigo um bíblia,
um amor tão sorrateiro,
vislumbrando as trevas noturnas,
percorrendo o cativeiro,
onde jazem as almas soturnas.


vítimas não assumidas,
sepulcras recordações,
retrógradas, tão despidas,
de remorço, de emoções sentidas.


cotidiano tão desgraçado,
é culpado,
anuviado,
embaçado,
pelas imagens tristes,
dos que sofreram...
na fenda que abriste,
enegrecera,
na tal terra,
a qual pusera,
suas preces,
agora nada pudera,
fazer aos que descriam,
em seu paraíso, seu inferno,
as quais fitaram, sua face macabra...


voa aos céus noturnos,
esgueirando-se nas sombras,
das ruas, caminhando, um desalmado,
pela noite, um anjo macabro pelo mal, tornado.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

UMA VELHA :


era uma vez uma velha,
que perambulou pelas estradas do tempo,
remoendo suas dores passadas,
pelos caminhos sombrios,
não haviam mais lagrimas para serem choradas,
as que sobraram eram amargas.


os anjos contemplavam-na,
por sua vez,
na melodia obscura,
suave,
dos dias que se passavam.


ela esperava,
sempre prostrada,
a noite surgir,
o dia emergir,
no silencio do breu,
a melodia dos que estavam calados.


diante dos montruosos tempos,
das sagas tão arriscadas,
das guerras armadas,
mas uma vez ela anciava...
com uma flor branca na mão.


seu rosto era pálido,
olhar direto, sofrido,
representava,
mais uma das silhuetas sobre a névoa.
FLAUTA :

flauta,
cuja melodia me apraz,
ao seu som, és fugaz,
torna-me a delirar,
às portas do ouvido,
esculpindo o ar.


bem, esses são pequenos versos, que escrevi quando ouvia os solos de flauta do Ian Anderson no jethro tull, que realmente fazem delirar, são viciantes. na minha opinião a melhor banda de rock progressivo. e VIVA AO JETHRO E O IAN . \,,/

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NÃO ACEITO SEU PERDÃO :

não aceito seu perdão,
não beijaria sua mão,
nem rebaixar-me-ia,
a prostrar-me na escadaria ...


igreja ressaltada,
pela praça tão sombria,
sua salvação foi entregada,
às garras dos corvos das colinas frias.


tanto sangue do passado,
deixou uma mancha sombria,
véu de dor, fé ardilosa, és fria,
pois senão, um fantasma na sacristia.


quantas almas vagam ?
quantas almas pagam ?
mortas pelos anjos,
que se fazem nas paredes, arranjos.


terras que presenciaram,
tanto sangue, das tantas derrotas,
o fogo da morte, lembranças remotas,
és cruel, és o véu ... dos que creditaram fé, à vossa pureza.


minhas lágrimas caem,
envoltas,
de revoltas,
anuviada de ódio ...
meu ócio,
desta névoa, meu ópio,
de tantos dogmas,
meus joelhos sangraram,
de tantos dogmas,
lograram distantes minhas esperanças,
de tantos dogmas,
segui minhas andanças...
de tantos dogmas,
banhei minha terra de sangue !


não aceito seu perdão,
não beijaria sua mão,
nem rebaixar-me-ia,
a pedir sua salvação ...





















espero que vocês tenham gostado, eu sinceramente achei boa... mas bien ... comentem aee ^^

sábado, 3 de julho de 2010

FUMAÇA DA TORNEIRA :


fumaça vinda da torneira,
prosegue seu curso ao teto,
assim como meu espirito permeia,
esta visão, esse momento angustiante.


água e névoa,
torneira e fumaça,
cigarro apagado,
inércia, retrato da minha desgraça.


angústia,
consome a mim, em minhas entranhas,
ao âmbito, tornando cada segundo tortuoso,
revolta sem fé,
rebeldia sem forças,
corda no teto, a saida da forca.


meus olhos fitam,
o intrumento do meu fim,
passagem para o inferno,
reinos de dor, tornam a mim,
tomado pelas sombras, jazem,
minhas esperanças, no tumulo do esquecimento.


o inconformismo consome,
meu corpo, minha alma,
que vaga insone,
pelos cantos sem luz,
que ao nada conduz...
vazio evidente !


toca o pescoço,
leva ao foço,
profundo de amargura,
e o tempo perdura,
lagrimas dançam causticas,
mãos tremem, a cadeira bambeia.


como num sonho,
profundo, tristonho,
um delírio de olhos abertos,
concerto,
logrando estou, começou o fim,
jornada ao inferno, e seus confins.


esburgadas foram tais nuvens,
delirio, és uma suposição !
a vida, ainda vivente está,
remoendo as lembranças hostis,
nas sombras, matando lentamente,
como a brasa está apagando,
e seu instante, me contando.