quinta-feira, 22 de julho de 2010

CAMINHOS CRUZADOS :

expresso do oeste,
eu sigo sem rumo,
esperando por minhas esperanças,
num lugar eu vago, no próximo trem eu sumo.

a paisagem é opaca,
o céu azul se tornou avermelhado,
meu sonhos se puseram dormidos,
num horizonte seco a ser desbravado.


cavalos cortam,a imensidão do deserto,
os trilhos rangem,
a estação,
está cada vez mais perto.

gritam em minha mente,aquilo que se sente,
no vazio tão agreste,
ao fitar tais vastos campos do oeste,
porém em mim,
apenas gritam melodias,
dos quais mistérios viverei em tais confins.


os cavalos trotam,
o vento na janela aturde,
pobre, é que vive feliz na hipocrisia,
ao que a mim, na melancolia, nada ilude.
montanhas opacas,
abutres voam no céu,
perscrutando oportunas,
assim no trem, como elas, estou eu.


caminhos cruzados,
sob os trilhos,
somos filhos,
da inercia, à repugnancia...
fugimos forasteiros,
num grande véu,
de lembranças,
como nas quais pus-me a postergar.
me perseguem,
consome a culpa,
dentro de mim,
dou lhes temporáreo fim,
término da jornada,
na estação, minha parada...

o destino fora alcançado,
armas postas,
cavalo celado,
logrando ao norte,
o sol se deitando...


pois aquela melancolia ainda em mim jaze,
como quem não sente como fora uma fase,
na sina, da vida, a quem contempla,
a sí proprio, acima no monte,
de onde começam as buscas,
dos sonhos sem fronteiras,
de sentimentos vagos...








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