sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ALGEBRA ABSTRATA :





por tempos ansiava te-la dito,
quão calado prostrei-me, e tão omito,
o que jazia a queimar gélido em meu frio ser,
atormentado aos clamores do que tanto criamos,
tão antes, de mergulhar no que realmente cultivamos.

o fim do eterno, nuncio da partida,
ressurgir do dia... estrela,
estarás ai reluzente,
ao ressoar do azul celeste,
o meu deixar, lágrimas duma noite à tua solitude.

caminhando, sobre estradas do céu,
tú que fora minha amada,
agora tornar-se-á luz d'uma alvorada,
envolta à um lunar véu...
pois solto tua mão, estrela, ó que fenece meu sentir.

ponho-me a existir,
apenas às noites limpas, ensolaradas,
perdão de mim,
inconstante é o coração,
cavalo sem rédeas, logrando pastos insondáveis.

conhecidos confins,
lavradas livradas amarras,
tão de culpa, de ternura,
agora levanta espada do real,
suave lâmina, corta, sangra, chora...

o mundo viverá mais um hora,
e tão cada momento faz-se história...
partir do eterno, ó eis tão terno...
deite-se amor imortal, tome a flor e descanse
em paz, à minha retirada desta alvorada...

meus olhos... quão vêem estando escuro,
cruzando as montanhas,
traçando sentimentos,
pérolas de vidro, oriundas à o mar,
confuso, espavorido no que há clamar...

meu sentir,
a mercê do porvir,
fórmula icognoscível,
indescoberta,
indecifrável,
afável,
amável,
sob o azularar,
traçar, das núvens...
escreva outra página,
descortina...
chegado momento,
daqui sair,
intento,
de ir.

imensidão descobri, em n'outras alvoradas,
eis vistas... como ensejo tão partir !
o final, vislumbras do horizonte vespertino,
o sol se poe,
dou um passo, desconstroe-me o chão, mas posso voar.

incomprensível é a união de dois fatores,
triângulo de estrelas marinhas,
perdendo-me em mim,
e tão toma meu corpo o destroçar...
desabar,
de torre onde habitam meus receios,
tais como os anseios,
jazendo no trepitar,
postos a levitar...
racional inata magia...

racional inata magia conjurada !
concebida à um passo da partida,
os ventos calam-se, árvores fitaram,
tão surgir uma intricada lida,
escrita e não resolvida,
algebra abstrata,
reflexão irreflexivel,
ao tocar de outra ternura,
inefável, não traçada às folhas, nem pensada,
apenas sentida...




sim, nossas mentes são rascunhos de algebras abstratas, incognoscíveis. kkkkkk

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O DECLÍNIO DA TERRA DO NUNCA :






esvaem-se rios de imortalidade,
o cair de suas árvores,
paradisíaca estória falrada,
dissipa-se à ausencia de pureza.

caminha criança, à o florescer da malícia,
embrenhando-se às relvas de pecado,
doentia febre da ganância,
agora engendra-se com tua alma, tua carne.

pesa-te o fado, das vistas mórbidas,
aos sonhares debandados,
observa nítida,
teus heróis decréptos, abandonados.

a magia não lhe acude,
tal como um rio desprovido de açude,
infantil fantasia ludibriara,
ao precipício dos fatos, te entregara.

quão buscai, as portas da mentira,
utopia infante decaíra,
vislumbrando a inconstância temporal,
depara-se, ao recinto de teu mal.

inclinando-se como um animal,
ao sobressalto constante, natural,
da essência humana, podridão, incerteza,
em infinidades de cantos d'aspereza.

debate-se em tua mente,
que tão a tu infelizmente,
faz-se o ensejo demente,
à ilusão, visada veemente.

apenas encontra, restos de lutas,
campos sujos, pedestais destroçados,
fadas, eis que agora prostitutas,
águas podres, rios tornados...

vastidão dos restos enojados,
tais como dos infelizes neles atolados,
à sordidez e seu despertar,
injúrias, estupidez a aclamar.

nada fazem, ingênuos a perceber,
como tu criança, ao "nunca" se esconder,
olha frio! e não a perpetrar,
teu desejo por ver um pederasta levitar...

implodidas estruturas do sonho,
agora vem a ser pesadelos,
realidade engole-te sozinho,
num abrupto estatelo, à o horror por vê-lo.

declinada terra do nunca,
ei-la feito esmorecer,
ouve o chamado do despertar,
e aos absurdos reais, contemplar.




Um dos poemas que mais tive o prazer em escrever...
SOLITUDE :






distanciei-me do que amara,
e tão obscuro numa toca de pensamentos fizera,
da minha dor, um prazer masoquista, revoltoso,
remoendo os talhos marcados dessa ferida,
fiz muitos sangrarem, tão quanto sangrei,
jaze-me o desejo de ferir quem ama-me,
chorar por quem há distanciado-se...
um instante,
mero momento até meu enrubescer,
o rosto meu faz-se de aspecto iroso,
embrenho-me cada vez mais afundo dela,
essa tal escuridão que me consome a última
gota de esperança... vagando em meu interno,
e tão eterno anoitecer gélido, em terras irreais,
quão misturam-se ao real fazendo de meu ódio frio,
um ser das sombras atormentado,
sufocado às lágrimas,
por utopias...
e relevâncias,
o esmorecer dos anseios,
presenciado num cômodo vazio,
a melodia calada que ressoa inerte,
o arder da dor à alma, faz-me praguejar,
como um corvo ferido, e tão nela mergulhar,
voar nos mares d'escuridão, tomar-se à solitude...


espero que tenham curtido essa postagem... ^^

sábado, 23 de outubro de 2010


O BECO ASSOMBRADO :

antes que possam começar a ler esse conto, vos digo que é pesado e nada cristão, e a linguagem não é das mais simplórias...
porém acho que irão gostar, é a primeira vez que me ponho a postar um dos meus contos aqui no poeta das sombras.
DIVIRTAM-SE... MWAHAHAHAHAHAHA.






Ensimesmava-me diante às refletidas faces do espelho recém arrumado, armado, metricamente à parede. Deste tal vislumbrara minha culpa sob condicionadas memórias do nefasto passado, fadado sucintamente aos traumas de minha vida.

Sinto ainda sua presença infame que vagara diabólica aos corredores.

Não houvera razões que levassem-me a dar-lhe um fim.. Fenecera...despida face envolta no véu ansiado, conquanto deus não pudera discordar que a amara. Quão sentia fascínio, paixão doentia enredada aos depurados fatos.

Tudo começara quando casara-me obrigado, não podia eu alçar-me à convicções que não engendravam-me sequer míseras alegrias... pois de certo me fizera escravo louco d’obsessivo credo a Cristo. Cecília não costumara igrejas freqüentar, nossa casa era pois provida de inumeráveis quartos, lisonjas vizinhanças... que nem ao menos suspeitaram dos acontecimentos, que vos conto a seguir...

Tal que minha esposa enfurnara-se reservada ao quarto mais alto, ao celeiro podia ver decoração macabra que elegera ao recanto. Sempre contara sobre suas visões e como as combatia portando seu punhal em que denotava-se sangue às bordas da bainha. Logo afronte haviam um pequeno, singelo altar e nele dispunha de velas, uma bíblia, concerto creio que habitava essa proeza... uma estátua do corpo de cristo crucificado... era de gesso e pintada de prata.

O resto do quarto contentava-se num vazio.

Contraparte esta minha costumava se vestir com vestidos negros cujas bordas das mangas assemelhavam-se a de nuvens encardidas. Oh, ela sempre usara a mesma roupa.

Quando lhe perguntara sobre a razão de tal luto constante, ela me dissera veemente, com olhos cujos abismos de sua alma... retratavam ódio e insanidade:

--- nosso filho morreu !


Nunca havíamos tido um filho, ela não o quisera tão quanto eu não o desejava. Detestava crianças. Costumavam dar-lhes aos seus pais... demasiado trabalho. Mesmo que incógnita mor tornara-se nossa relação... e compreensão.

Talvez fora uma metáfora... ou então mais de suas fantasiosas formas de culpar-se por ser de ventre seco.

Provável que a mim seja dada conclamação de herege, entretanto cultivava cativo assíduo ódio por aquele mártir prateado... que a fazia demente, fora de si.

Cortava seus pulsos ao intento de agradar-lhe... algo inanimado... sem menos simbolismo verídico. Ora! Um mês após nosso sacro matrimonio não havíamos passado uma sequer noite... jamais conseguira dormir com aquela prostituta louca.

Pretérito revelado descortinara-se... passado insuspeitável insuportável... consegui-lo pude açoitando-a.

Tempo estendia-se e miríades de acontecimentos cujo cunho... cultivara perversidade, perdurando inferno moral... sentia-me um verme, tão parvo que poder-se-ia se sentar numa cadeira e vê-la prevaricar com aquele vizinho calhorda. Semeara muitas de nossas brigas. Engraçava-se a ela... proferia gentilezas infames.

--- veado... pagarás teu preço... espereis e verás maldito... adoraria matá-lo... dizia a mim mesmo.

Todavia o que fiz tempo depois, foi arrombar aquele cômodo satânico que ela prostrava-se com seu credo... não lembro-me ao certo que me dissera. Creio que tenha sido:

--- maldito seja tu, canalha blasfemo, filho de uma puta! Você está sendo profano! Irás arrepender-se desse pecado.

ao soar da segunda ofensa, espatifei aquele altar, voara aos cantos... punhal, velas, junto a isso aquele maldito Cristo de gesso mal pintado de prata. Quebrara-se em variados pedaços. Não haveria como consertá-lo ou colá-lo. Fato tal alegrara-me.

Arranhara minha carne com suas unhas demasiado grandes manchando minha camisa branca... quando notei... confesso que não provocara uma dor intensa... até o momento em que não o tinha visto.

Ira profunda tomara-me, angustiante visão lacônica de agressão... insuportável e dantesca situação... ao desferir minha mão, ao seu rosto. Violentamente caíra ao chão. Tormentosa eis que fora cena.... cheiro de incensos baratos alastravam-se pelos cantos. Mulher mesquinha... entendo porque vivia sob a punição de ser insana... dava-lhe seu sangue, e agrados fétidos.

Certa vez acordara à mira de sua artefato monstruoso idolatrado, aquele atame sinistro. Tentara matar-me. Seguidamente ao seu golpe, desviei-me tomando-o... e arrastei-a pelos cabelos por parte do percurso... chegamos a dispensa... onde tranquei tal com insetos quais julgava nauseabundos. Baratas. Podia sentir a paúra dela, e eu me deleitava nesse espetáculo... ressoavam gritos inauditos. Fiz isso várias vezes... sempre me dera motivos.

Numa destas vezes resolvi trazer uma dessas raparigas aliciadas nos cabarés... pela fresta, podia minha amada ver como a possui-a... gritava esta... caso não estivesse defrontando-me com acontecido, pensaria que estava sendo torturada. Estouravam estrondos às portas do armário. Ela batia até ferir-se.

A noite tornara obscura e fria quando sentados estávamos à mesa, comendo enjoativo jantar.dissera como se sentiu vendo minha sordidez com aquela mulher... perguntei-lhe o que ela achava disso... e me falara:

--- não me importo amor...

Sua ternura florescia ofuscando toda sua aparência de desleixo, permanecia calma às minhas provocações. Como o espelho que tanto cultuara... seus olhos feriam-me profundamente. Muitas vezes a gentileza se mostrava uma lança... ferindo quem engendra ódio. Permanecia calma... tal alimentara o fervor de minha reação colérica... meu corpo não respondia ao meu controle.

Oh, céus como pude ? quantos anjos vislumbraram minha culpa e minh’alma sob conjurado remorso ao tornar novamente à minha sanidade. Diante de mim.

Delicadas mãos inertes, corpo agora decaído no chão...

--- porque fora eu estúpido ? perguntava-me ao espelho.

--- porque a estrangulara ? questionava delírio refletido.

De sentimento desprovido, instantâneo esvaíra-se sob o fitar do quarto, os resquícios de seu credo morfético.

Passaram-se dois meses, quando aos vizinhos contei que ela fora ido estar com sua prima. Estava com problemas... a despeito do corpo... até hoje jaze no cômodo mórbido que se tornou. Minha dulcíssima tanto aprazia-se com o lugar... e lá confortara-se muito bem após seu assassinato... que cometi... ao menos lembro de tê-lo feito. Deixei-o lá... poderia livrar-me... e dar-lhe-ia um fim... cuja penumbra anuviava as vistas insones e noturnas carolas “puritanas”.

Ora! São todas hipócritas, devassas arrogantes, que vangloriam-se de virtudes que não possuem... e estariam bem longe de se disporem delas. --- toscas.

Não sei ao certo se a solidão assolara-me traumática, fazendo de meu incognoscível semblante uma face à deriva da loucura. Consumada presença dessa se fazia sentir pelos arredores da casa. Por certo tempo não tinha certeza... impressões legadas dos pesadelos

Criavam-me horror aos corredores.

Se dispersaram os vizinhos dentro de um ano, a rua era inabitada, apenas ficara eu vivendo nessa, qual creditada assombrada. Demoníaca face, aludiam sob os fitares noturnos à névoa de seus traços merencórios, turvos... embebia-os ao terror criaturas incautas cujos pesadelos... aquele ser... nunca conceber-vos-iam... imagem tão grotesca.

Dogmática maldição sentia apoderar-se de meu corpo lânguido. Possuído por maléfica mal assombra, empalidecido diante do espelho, me apraz meu reflexo suntuoso e brioso. Contudo certa vez, veio o vulto. Estarrecia... minha certeza... pois crueza... do fato comprovava os meus fitares agora imóvel, tomando meu braço... fria, gélida.

Desespero à garganta, grito terrível proferia.

Acuado à parede, rosto decrépito e desfigurado observava-me... busquei fugir, entretanto a cada instante... tocava-me com suas mãos horríveis.

Oh, maldita seja macabra mulher vinda do inferno, demônio de saia, feriste minha sanidade... a cada instante flertava às trevosas sombras do lugar. Era tarde demais.

Oh, perdoe-me, não sabeis quanto amara-te, tua pele, pudera eu tê-la tocado. Seu corpo possuído... como o demônio agora possui-te.

Oh, tenha piedade de minha alma podre... não leve-me contigo ao umbral, à escuridão que assolara tu agora. Lembra-te, que outrora... quis-te. Face esta qual vejo, outrora tão límpida e alegre...

--- pois flores jazem sombrias, nefastas, ao sanar de sua paixão... tornar-se-á dor... e tu ? diga-me morfético...senão sentira prazer em matar... livrar minha vida da tua... és sujo! Um calhorda.

--- imploro-te, ao tão erro cometido... pois um dia amei-a fanático... e tão odioso era teu credo maldito... que pus-me a destruí-la.

Formas às relvas de obscuridade se foram, tal fora seu ódio nascido à gentileza... mesmo que insana. Desolara-me fazendo de mim um prisioneiro do temeroso arrependimento. Conquanto ela vive como assombro no beco.

Desde então atormentara meus dias... provenientes anos se passaram, tão marcaram minha sina, consumada união... beiro veredas que contrastam céu e névoa tépida...

Perambula martirizada no confim onde viveremos. Fita-me da varanda... gargalhadas trovejantes. Concebido, eis temido, laço de amor e ódio... faz-se contínua à vingança, meritória e malévola...





espero que tenham gostado disso, logo postarei outros desses... hehe \,,/

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SONHOS MECÂNICOS :




cosmos cuja humanidade não perscrutara,
espaços, indescobertos,
sombra vazia, rumando seu ciclo,
estrelas que tanto clamei, as vejo de perto,
eis que damas de carbono a reluzir,
sobre meu olhar tão humano, fugindo da terra.


ouço estrondos, metais retumbam frios,
meu pavor,
garganta sufoca-me seca, insuportável,
brilho ofuscante, inexplicável,
quão vaguei pelo universo,
num mar de vácuo, em prol de nada...


e tão sabeis ao que deparava-me àquele instante,
inimigo desconhecido, horror eminente,
tomara vil, cegueira terrorosa toda nave aturdida,
psicose surtida,
ao soar de ondas, magnetismo oblitera veemente,
auto controle físico... um grunhir à ouvir se sente...


arrastando-me aos corredores
de tão imensa estrutura desbravadora,
cada segundo, instante, descontrole constante,
alma foge à o corpo lânguido, enfraquecido a meu oficio,
alegria descoberta, fruto da morte, recém encontrado,
tão invadem, desvastam, bestas de aparências nefastas...


letais corpos, quimicas estranhas,
odor fétido, envolve minhas entranhas,
- não posso ser visto ! -
devotados anseios caem sobre lúgubre cenário,
pantanoso extrato de sangue esparzido,
das vítimas que tão simpatia dedicava.


enfraquecido e perseguido,
galáxia revela monstros além do imaginável,
desejo d'eles por meu fim... insaciável...
exaustado, caído, tornado acuado num canto gélido mensurado,
aproximam-se incautos, maliciosos olfatos percorrem meu corpo,
sonhos, pó de devaneios são resquícios, anestesiam-me...


por um instante... até tornar de rombos avistadas esperanças,
paredes cortadas, talhadas abruptas, minha fuga eis conquistada,
suicídio ao meu vazio perante incomensurável miriade do absoluto nada,
flutuar sobre tristonho enegrecido véu de infindáveis vistas,
contemplo tácito minha vida sem anseios, estéreo vislumbre da humanidade futurista,
vivendo meus ultimos momentos, defrutando de programados sonhos mecânicos.






talvez quem leia, o que eu escrevo... percebe que esse poema é um tanto diferente do que eu costumo escrever, concerto demasiado fantasioso, extremamente influenciado às obras de ficção cientifica. pois bem, dessa vez resolvi fazer algo diferente de tudo o que houvera eu já escrito, e vos deixo essa postagem. mwahahahahahaha

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


CADEIRA ELÉTRICA :



deparo-me com a sombra no caminho,
tão dissipada pelas brasas do cigarro,
meu ultimo pedido,
antes de deparar-me com o diabo.

braços amarrados,
a morte me abraça,
tornando tudo,
lembranças turvas, de tempos passados,
que me tornara, um rélis condenado.

minha mão segura uma biblia,
a pena de deus, martirio dos homens,
subjulgando a verdade,
tirar uma vida...
remorços morais para com a divindade.

pois não rezo,
tomando às costas, a culpa da sociedade,
o seu sistema falho,
não há pureza na sujeira,
em tal sagrado, há um talho,
... de repressão, ódio, adoração...
o mal, à agressão,
impulso destrutivo, inconsciente tão ativo.

minha morte é eminente,
sujeito a culpa,
minhas ações indecentes,
ao crime que tanto a mim concente.

condenado,
ao fim,
desesperado,
o medo tornou a mim,
massacrado,
por dentro, enfim...
situei-me no inferno,
tanto tempo,
sofri às noite de inverno,
o quanto tento,
fugir do demônio que tanto um dia temerei.

pois que agora encontrei,
suas garras...
fitando o fumo cessar...
assim fazendo,
de mais um fantasma perdido,
sem culpa...
um semblante,
a exterminar.



ficou bem forte essa daí ...

sábado, 16 de outubro de 2010


LUA DE ESPELHO :



por quantos embates não sofri,
indefeso, sem esperanças,
a escuridão me tomou um dia,
naquele mausoléu de sombras...

miseráveis,
rostos turvos na minha lembrança... extirparam,
o resto de pureza d'alma que havia-me,
o descortinar d'ódio, saborear da amargura...

aprenda a lutar criança da luz !
descubra os seus medos !
antes que façam de tí...
um escravo da tua pena.

arrastam-lhe ao poço do absurdo,
sucinto brotar duma morta flor,
cada instante, um olhar aos dementes,
minutos enriquecem-se dum sentimento letal, avassalador.

águas sujas, refletem o afogar-se,
libélulas, à consequência de seu equívoco,
deparar com os moribundos,
entricado à sua piedade.

denotado sangue isenta-se de perjúrios,
perspectivas ao espelho,
herdados rios,
da maldição que assolara teu espírito...

anseio à fuga,
fugaz,
capaz,
podeis sair,
ao mundo abrir...
teus olhos,
molhos...
de chaves,
diversas,
adversas,
conceberão tristezas,
incertezas,
brandas,
alívio,
à o tormento de teu ser...

exilado na situação inerte,
silenciosos deformes seres mostram suas garras,
ira e lágrimas, com tua treva um flerte,
pendem, afrouxam amarras.

amor pela humanidade perdido,
tempo toma-lhes o final da dor,
alegria suspensa, ressarcido...
por dentro, contente tépido fervor.

vai-te embora,
horizonte a fora,
encontro a loucura e dó,
dos infelizes,
eis só,
deleitar-se num obscuro sentir,
meretrizes...
à descobrir.
cicratizes,
a exibir,
no teu coração,
fragatas voam ao verão,
majestosas,
contemplam frondosas,
dores q'eis cultivadas,
descobertas, motivadas,
concepções sobre faces míseras...

sobram-te os demais,
rancor torna ao suplício eterno,
meu inferno,
vingar-se dos abutres parvos, vigaristas animais...

ressoa rosto da lua,
vislubrar da presa,
caído à teia não tecida, ilesa,
complexa caçada... humanidade estúpida... cruzo a rua...

de fantasmas perseguindo o passado,
sina do encontro inevitável,
ajustar de contas, por um anjo negro desejado,
crucitando a melodia de sua dor...

partir de encontro ao relembrado,
recordo,
imaginado,
temor,
da fraqueza,
beleza,
o odiado,
maldito,
devanescido,
à escuridão,
jazente, sepulcra viva ao teu âmbito,
disforme,
anuviado,
conforme,
o tornado,
temporal,
de lágrimas,
um raio,
e tão caio,
sorridente, reluzente,
olhares,
- oh vingança ! -
o abismo pecaminoso, hipócrita...
lei celestial, paraíso, fecha tua porta.
tácito, ambíguo, amargo, nada importa,
apenas um ideal,
retribuir-lhes...
meu mal...

lunar perpectiva noturna, espelha,
desprezo, e tão rezo, e prezo,
oh nemesis... *
pela piedade, volver-vos-ei a pena.





* nemesis : deusa grega da vingança e da justiça celestial. \,,/