sábado, 16 de outubro de 2010


LUA DE ESPELHO :



por quantos embates não sofri,
indefeso, sem esperanças,
a escuridão me tomou um dia,
naquele mausoléu de sombras...

miseráveis,
rostos turvos na minha lembrança... extirparam,
o resto de pureza d'alma que havia-me,
o descortinar d'ódio, saborear da amargura...

aprenda a lutar criança da luz !
descubra os seus medos !
antes que façam de tí...
um escravo da tua pena.

arrastam-lhe ao poço do absurdo,
sucinto brotar duma morta flor,
cada instante, um olhar aos dementes,
minutos enriquecem-se dum sentimento letal, avassalador.

águas sujas, refletem o afogar-se,
libélulas, à consequência de seu equívoco,
deparar com os moribundos,
entricado à sua piedade.

denotado sangue isenta-se de perjúrios,
perspectivas ao espelho,
herdados rios,
da maldição que assolara teu espírito...

anseio à fuga,
fugaz,
capaz,
podeis sair,
ao mundo abrir...
teus olhos,
molhos...
de chaves,
diversas,
adversas,
conceberão tristezas,
incertezas,
brandas,
alívio,
à o tormento de teu ser...

exilado na situação inerte,
silenciosos deformes seres mostram suas garras,
ira e lágrimas, com tua treva um flerte,
pendem, afrouxam amarras.

amor pela humanidade perdido,
tempo toma-lhes o final da dor,
alegria suspensa, ressarcido...
por dentro, contente tépido fervor.

vai-te embora,
horizonte a fora,
encontro a loucura e dó,
dos infelizes,
eis só,
deleitar-se num obscuro sentir,
meretrizes...
à descobrir.
cicratizes,
a exibir,
no teu coração,
fragatas voam ao verão,
majestosas,
contemplam frondosas,
dores q'eis cultivadas,
descobertas, motivadas,
concepções sobre faces míseras...

sobram-te os demais,
rancor torna ao suplício eterno,
meu inferno,
vingar-se dos abutres parvos, vigaristas animais...

ressoa rosto da lua,
vislubrar da presa,
caído à teia não tecida, ilesa,
complexa caçada... humanidade estúpida... cruzo a rua...

de fantasmas perseguindo o passado,
sina do encontro inevitável,
ajustar de contas, por um anjo negro desejado,
crucitando a melodia de sua dor...

partir de encontro ao relembrado,
recordo,
imaginado,
temor,
da fraqueza,
beleza,
o odiado,
maldito,
devanescido,
à escuridão,
jazente, sepulcra viva ao teu âmbito,
disforme,
anuviado,
conforme,
o tornado,
temporal,
de lágrimas,
um raio,
e tão caio,
sorridente, reluzente,
olhares,
- oh vingança ! -
o abismo pecaminoso, hipócrita...
lei celestial, paraíso, fecha tua porta.
tácito, ambíguo, amargo, nada importa,
apenas um ideal,
retribuir-lhes...
meu mal...

lunar perpectiva noturna, espelha,
desprezo, e tão rezo, e prezo,
oh nemesis... *
pela piedade, volver-vos-ei a pena.





* nemesis : deusa grega da vingança e da justiça celestial. \,,/

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