sábado, 23 de outubro de 2010


O BECO ASSOMBRADO :

antes que possam começar a ler esse conto, vos digo que é pesado e nada cristão, e a linguagem não é das mais simplórias...
porém acho que irão gostar, é a primeira vez que me ponho a postar um dos meus contos aqui no poeta das sombras.
DIVIRTAM-SE... MWAHAHAHAHAHAHA.






Ensimesmava-me diante às refletidas faces do espelho recém arrumado, armado, metricamente à parede. Deste tal vislumbrara minha culpa sob condicionadas memórias do nefasto passado, fadado sucintamente aos traumas de minha vida.

Sinto ainda sua presença infame que vagara diabólica aos corredores.

Não houvera razões que levassem-me a dar-lhe um fim.. Fenecera...despida face envolta no véu ansiado, conquanto deus não pudera discordar que a amara. Quão sentia fascínio, paixão doentia enredada aos depurados fatos.

Tudo começara quando casara-me obrigado, não podia eu alçar-me à convicções que não engendravam-me sequer míseras alegrias... pois de certo me fizera escravo louco d’obsessivo credo a Cristo. Cecília não costumara igrejas freqüentar, nossa casa era pois provida de inumeráveis quartos, lisonjas vizinhanças... que nem ao menos suspeitaram dos acontecimentos, que vos conto a seguir...

Tal que minha esposa enfurnara-se reservada ao quarto mais alto, ao celeiro podia ver decoração macabra que elegera ao recanto. Sempre contara sobre suas visões e como as combatia portando seu punhal em que denotava-se sangue às bordas da bainha. Logo afronte haviam um pequeno, singelo altar e nele dispunha de velas, uma bíblia, concerto creio que habitava essa proeza... uma estátua do corpo de cristo crucificado... era de gesso e pintada de prata.

O resto do quarto contentava-se num vazio.

Contraparte esta minha costumava se vestir com vestidos negros cujas bordas das mangas assemelhavam-se a de nuvens encardidas. Oh, ela sempre usara a mesma roupa.

Quando lhe perguntara sobre a razão de tal luto constante, ela me dissera veemente, com olhos cujos abismos de sua alma... retratavam ódio e insanidade:

--- nosso filho morreu !


Nunca havíamos tido um filho, ela não o quisera tão quanto eu não o desejava. Detestava crianças. Costumavam dar-lhes aos seus pais... demasiado trabalho. Mesmo que incógnita mor tornara-se nossa relação... e compreensão.

Talvez fora uma metáfora... ou então mais de suas fantasiosas formas de culpar-se por ser de ventre seco.

Provável que a mim seja dada conclamação de herege, entretanto cultivava cativo assíduo ódio por aquele mártir prateado... que a fazia demente, fora de si.

Cortava seus pulsos ao intento de agradar-lhe... algo inanimado... sem menos simbolismo verídico. Ora! Um mês após nosso sacro matrimonio não havíamos passado uma sequer noite... jamais conseguira dormir com aquela prostituta louca.

Pretérito revelado descortinara-se... passado insuspeitável insuportável... consegui-lo pude açoitando-a.

Tempo estendia-se e miríades de acontecimentos cujo cunho... cultivara perversidade, perdurando inferno moral... sentia-me um verme, tão parvo que poder-se-ia se sentar numa cadeira e vê-la prevaricar com aquele vizinho calhorda. Semeara muitas de nossas brigas. Engraçava-se a ela... proferia gentilezas infames.

--- veado... pagarás teu preço... espereis e verás maldito... adoraria matá-lo... dizia a mim mesmo.

Todavia o que fiz tempo depois, foi arrombar aquele cômodo satânico que ela prostrava-se com seu credo... não lembro-me ao certo que me dissera. Creio que tenha sido:

--- maldito seja tu, canalha blasfemo, filho de uma puta! Você está sendo profano! Irás arrepender-se desse pecado.

ao soar da segunda ofensa, espatifei aquele altar, voara aos cantos... punhal, velas, junto a isso aquele maldito Cristo de gesso mal pintado de prata. Quebrara-se em variados pedaços. Não haveria como consertá-lo ou colá-lo. Fato tal alegrara-me.

Arranhara minha carne com suas unhas demasiado grandes manchando minha camisa branca... quando notei... confesso que não provocara uma dor intensa... até o momento em que não o tinha visto.

Ira profunda tomara-me, angustiante visão lacônica de agressão... insuportável e dantesca situação... ao desferir minha mão, ao seu rosto. Violentamente caíra ao chão. Tormentosa eis que fora cena.... cheiro de incensos baratos alastravam-se pelos cantos. Mulher mesquinha... entendo porque vivia sob a punição de ser insana... dava-lhe seu sangue, e agrados fétidos.

Certa vez acordara à mira de sua artefato monstruoso idolatrado, aquele atame sinistro. Tentara matar-me. Seguidamente ao seu golpe, desviei-me tomando-o... e arrastei-a pelos cabelos por parte do percurso... chegamos a dispensa... onde tranquei tal com insetos quais julgava nauseabundos. Baratas. Podia sentir a paúra dela, e eu me deleitava nesse espetáculo... ressoavam gritos inauditos. Fiz isso várias vezes... sempre me dera motivos.

Numa destas vezes resolvi trazer uma dessas raparigas aliciadas nos cabarés... pela fresta, podia minha amada ver como a possui-a... gritava esta... caso não estivesse defrontando-me com acontecido, pensaria que estava sendo torturada. Estouravam estrondos às portas do armário. Ela batia até ferir-se.

A noite tornara obscura e fria quando sentados estávamos à mesa, comendo enjoativo jantar.dissera como se sentiu vendo minha sordidez com aquela mulher... perguntei-lhe o que ela achava disso... e me falara:

--- não me importo amor...

Sua ternura florescia ofuscando toda sua aparência de desleixo, permanecia calma às minhas provocações. Como o espelho que tanto cultuara... seus olhos feriam-me profundamente. Muitas vezes a gentileza se mostrava uma lança... ferindo quem engendra ódio. Permanecia calma... tal alimentara o fervor de minha reação colérica... meu corpo não respondia ao meu controle.

Oh, céus como pude ? quantos anjos vislumbraram minha culpa e minh’alma sob conjurado remorso ao tornar novamente à minha sanidade. Diante de mim.

Delicadas mãos inertes, corpo agora decaído no chão...

--- porque fora eu estúpido ? perguntava-me ao espelho.

--- porque a estrangulara ? questionava delírio refletido.

De sentimento desprovido, instantâneo esvaíra-se sob o fitar do quarto, os resquícios de seu credo morfético.

Passaram-se dois meses, quando aos vizinhos contei que ela fora ido estar com sua prima. Estava com problemas... a despeito do corpo... até hoje jaze no cômodo mórbido que se tornou. Minha dulcíssima tanto aprazia-se com o lugar... e lá confortara-se muito bem após seu assassinato... que cometi... ao menos lembro de tê-lo feito. Deixei-o lá... poderia livrar-me... e dar-lhe-ia um fim... cuja penumbra anuviava as vistas insones e noturnas carolas “puritanas”.

Ora! São todas hipócritas, devassas arrogantes, que vangloriam-se de virtudes que não possuem... e estariam bem longe de se disporem delas. --- toscas.

Não sei ao certo se a solidão assolara-me traumática, fazendo de meu incognoscível semblante uma face à deriva da loucura. Consumada presença dessa se fazia sentir pelos arredores da casa. Por certo tempo não tinha certeza... impressões legadas dos pesadelos

Criavam-me horror aos corredores.

Se dispersaram os vizinhos dentro de um ano, a rua era inabitada, apenas ficara eu vivendo nessa, qual creditada assombrada. Demoníaca face, aludiam sob os fitares noturnos à névoa de seus traços merencórios, turvos... embebia-os ao terror criaturas incautas cujos pesadelos... aquele ser... nunca conceber-vos-iam... imagem tão grotesca.

Dogmática maldição sentia apoderar-se de meu corpo lânguido. Possuído por maléfica mal assombra, empalidecido diante do espelho, me apraz meu reflexo suntuoso e brioso. Contudo certa vez, veio o vulto. Estarrecia... minha certeza... pois crueza... do fato comprovava os meus fitares agora imóvel, tomando meu braço... fria, gélida.

Desespero à garganta, grito terrível proferia.

Acuado à parede, rosto decrépito e desfigurado observava-me... busquei fugir, entretanto a cada instante... tocava-me com suas mãos horríveis.

Oh, maldita seja macabra mulher vinda do inferno, demônio de saia, feriste minha sanidade... a cada instante flertava às trevosas sombras do lugar. Era tarde demais.

Oh, perdoe-me, não sabeis quanto amara-te, tua pele, pudera eu tê-la tocado. Seu corpo possuído... como o demônio agora possui-te.

Oh, tenha piedade de minha alma podre... não leve-me contigo ao umbral, à escuridão que assolara tu agora. Lembra-te, que outrora... quis-te. Face esta qual vejo, outrora tão límpida e alegre...

--- pois flores jazem sombrias, nefastas, ao sanar de sua paixão... tornar-se-á dor... e tu ? diga-me morfético...senão sentira prazer em matar... livrar minha vida da tua... és sujo! Um calhorda.

--- imploro-te, ao tão erro cometido... pois um dia amei-a fanático... e tão odioso era teu credo maldito... que pus-me a destruí-la.

Formas às relvas de obscuridade se foram, tal fora seu ódio nascido à gentileza... mesmo que insana. Desolara-me fazendo de mim um prisioneiro do temeroso arrependimento. Conquanto ela vive como assombro no beco.

Desde então atormentara meus dias... provenientes anos se passaram, tão marcaram minha sina, consumada união... beiro veredas que contrastam céu e névoa tépida...

Perambula martirizada no confim onde viveremos. Fita-me da varanda... gargalhadas trovejantes. Concebido, eis temido, laço de amor e ódio... faz-se contínua à vingança, meritória e malévola...





espero que tenham gostado disso, logo postarei outros desses... hehe \,,/

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