segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O GRITO DO GRILO :

grita o grilo.
às noites
em densas matas,
estrelas dançam,
ao quarto crescente...
eis que ressoa um canto,
estridente,
lançando-se como encanto,
dirigido as vileiras choupanas,
e isoladas
cabanas,
envoltas resguardadas,
por hórridas cascatas.

o martelo enterra,
o prego à madeira,
e forte tão como tal, berra
o inusitado cantor à ladeira.
de minha costumeira
melancolia...
desarmonia,
com o real protelo,
com a fantasia, ando mancomundado,
cada anoitecer, um terno pesadelo,
mais um amigo deixado,
lisonje companheiro de jornadas frias

A escuridão me é um par de asas,
oh, liberdade !
usufruo-te guiado às tantas brisas,
adiante rotas percursadas...
vago insaciável buscando saciedade.

distado,
afastado,
errante,
do resto do mundo
enojate,
imundo,
circundo,
a pregos,
de cinza cortante,
cujas pontas, de um fino falso brio arrogante,
- corja ignorante.
de cabeça achatada,
moldada,
ao prol conveniente
da mão que com agruras ,
os afundam sutilmente.

apenas só, acompanho-me,
livrado à pueril loucura que muitos consome,
no percurso grita um grilo, envolto a tantas 'grilagens'...
cada mais vezes busco os campos verdes, além das calhordagens.



quarta-feira, 24 de novembro de 2010


TERNURA



como era terno seu rosto a me fitar,
via entrelinhas, em teus olhos o azulado céu
rasgado pelo rasante vôo duma águia...
preludindo vespertinas alegrias,
sentia que caminhava, estando às paisagens suntuosas,
empraz-me decolar às terras,

tomando tua mão,
um beijo...
seguindo estradas eternas,
inexistentes de fins,
desprovida de sequer momentâneas partidas...
permita-me sonhar com tua ternura,

segure-me ! não quero eu acordar,
jamais !

por um instante...
vejo em ti uma alma infante,
matura, radiante,

como a lótus em seu nascer,
delicadeza desta, um vislumbrado resplandecer...

perfumes exalam dos rios,
cachecois, caracois recaídos castanhos,
cacheados frondosos fios de noites sépias,
recordadas aventuras à lua perante,

uma estrela ostenta seu brilho
o brilho neutro branco em quaisquer instâncias.

cativo olhar teu fuzila-me,
e eu, como alguém que anseia o muro,
disparadas flores adormecem-me ao sono,
mergulhado no caos grasnido pelas bestas
afora o nosso mundo...
um tocar em tua pele, origem de tempestades,
levanta-se uma montanha,
como façanha,
vertendo mares em recostadas fendas,

minhas presenteadas prendas...

flauteadas notas, tocadas acústicas cordas...
ouvindo-as, cavalgava sob a seca terra...
um cavaleiro,
com uma flor,
pena e espada,

conjurando a melodia,
à presença do sol,
afagado pela lua...
à busca de sua amada.

delicadas mãos

tornam a abraçar-me...
palavras de ternura,
tocam-me, e tão florescem cachoeiras,
cá estou, sorvendo com os ouvidos,
uma fonte de extrema lindeza,
singela pureza do existir,
conduzindo-me em germinadas gentilezas,
onde os vales verdejam às vistas,
vem-me o teu riso,
nascem campos...
eis tu minha bela sonhada,
minha única razão de existir.








domingo, 21 de novembro de 2010



PAREDES QUE DESEJAVAM SER COMO O CÉU :


eu um dia pensei que tudo sabia,
sabendo pouco sobre meus ditos,
ações incertas... tão as cometia,
perjúrios tornaram-se meus diários ritos.
vagava em corredores sujos, estreitos,
àquela morada estada,
ouvia uma orquestra calada.
perambulava
uma senhora, uma criança,
co'a mão a ela dada...
alternava,
solitário meus tantos leitos,
tudo pesava à balança.


num ambiente vazio,
as paredes queriam ser o céu,
- nelas não voavam pássaros,
tão pouco apresentava-se o sol.


às janelas de vidros lascados, burlados,
o vespertino ensolarado dia...
ria...
bisbilhotando frestas de resquícios passados.
raiar, reluzir, tal negava,
meu canto renegava,
aqui desprezava
temia,
exitava,
a luz escassa esvaecia...
nébulas que o ar abraçavam,
poeiras,
planetas,
inertes ao universo próximo,
- parecia distante.


a mulher olhava-me,
envolta àquele vestido rendado
de estepes habitadas por um melífero enxame,
não havia mais com ela uma criança,
estava ela lá, aqui, em sua andança...
e eu cá,
ao passado recostado,
num delírio propositado.




QUADRO :



um quadro torto,
torto entortado,
caindo, decai poente,
ao chão, latente, estrondo estridente.


eis que o legado quadrado deixado,
um infeliz quadrilátero,
catatônico, intácto só por um triz,
uma quadragésima quarta obra enquadrada.


a esquadra pela quadra resgata,
rua adentro,
à casa centrada,
e a quadrilha, em quarteto constata...
que há um torto desentorto,
desentortado agilmente ajeitado entortado.


HUAHUAHUA boas lembranças desse poema...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A TAVERNA :






vetustos que o álcool vertem
em frondosos chifres de búfalos,
à taverna de ambiente sombrio,
rubrosos vinhos,
tão como o leite a um infante, um deleite.

dançam, a ressoar pomposas,
sacrílegas canções,
sob sepultos dogmas impostos,
póstumos flagelos d'alma... que em suas feições
pela boemia decompostos.


gritam bárbaros, grunhidas heresias,
os deuses abençoam tal noite...
tão simplórias humanas alegrias...

vivíssimas além da morte,
afrente os paraísos,
repudiando infernos.

passos não dados,
incertos,
cambaleados,

pés abertos,
desritmados,
que rumam num delírio,
instantâneo...
eis esguio !
duradouro momentâneo,
voar acima os assoalhos,
- carpintados pinheiros...
à mesa baralhos,
traiçoeiros...
ardís artifícios falhos,
trapaceiros,
cujos ganhos, são pois, pomposos entalhos.

adornados de "dádivas"
pratejadas,
almejadas, cobiçadas...
raparigas apreensivas,
riem ao fitar de soslaio,
olhares ligeiros, como um raio,
lupina destreza,
que infelizes caçam cativas...

esfaimados vís robustos boçais,
que em exacerbos agarram-se,

entornam canecas tais,
cujas cervejas escassam-se.

baderna que pelo ópio orquestrada,
pancadaria pelo jogo motivada,
bestiais humanas naturezas,
de penúrias ilesas,
apenas sendo como são,

às torpes insanidades absortos,
erguidos em si, em calcanhares tortos...

os anjos àquele recanto são mal vindos,
arrogando penas, castigos,
esquecidos...
nem às portas atravessaram.






eis que um poema que eu queria a um bom tempo aqui postar, porém me faltava inspiração pra escrevê-lo... kkk mas enfim, vos concebo este que arrebatou o posto de um dos meus preferidos... \,,/
a primeira imagem é da capa de um album da banda SVARTSOT-mulmets viser, que sempre me fez viajar nos detalhes... e no som que eles fazem...




RECANTO ESCURO :


desconjure a maldição,
desfacele a horrenda prisão,
que sobre tu abatera-se...
é noite !
cantam espíritos às ruas loucas,
estamos nós apenas, sós no escuro,
ninguém nos descobrirá.



centenas de "imorais" delitos,
às madrugadas blasfêmicas,
luzes encobrindo nossos feitos deleitos...
eis cotidianas naturais práticas.

vidraças desmascaram os leitos...
a trilha das esquinas assombradas,
- seguir-las, assim faremos !


destrua o que prende-te,
antes que venham buscar-te,
os mistérios ocultos evocam teu nome,
e a magia negra arde noturna...
liberte-se do que escraviza tua alma.


descortine engendrado desejo
em ti, arraigado, visceral.
heresia,
um lampejo,
incondicional...
queimar intrinseco,
neste recanto escuro.








segunda-feira, 15 de novembro de 2010


ILUSÓRIO TERROR...





as bases avistadas longínquas,
que preces congelam temerárias,
sustentam-se às pilastras invencíveis,
arsenal cuja nitidez e forma são precárias...

muitos temem que suas portas sejam abertas,
apocalipticas devastações, eis recobertas,
à névoa das cruezas agrestes e hostís...
terror que aloja-se incompreensivel.

algumas distântes, porém ainda contempladas,
tais muralhas abrigadas mantem-se secretas,
dirigindo afrontas infames... e proteladas,
a algumas discretas extensões seletas...

enviados pelo manárquico critério...
soldados lustram escudos em lágrimas familiares,
vilarejo apossado de impropério, adultério...
caos, represálias destruindo lares...

pestes abalando arrogantes nobres,
ruas desvelam-se... embaladas em ares lúgubres,
miseráveis ansiando o final,
entregavam-se todos ao devaneio total.

armaduras retumbam o receio,
suluços seguidos por um pigarreio...
demente, destrutiva imagem que atormenta,
porém à rispidez louca, o indivíduo não se isenta.

medo e ódio,
fúria e pavor,
caminha num fio,
um traço de torpor,

aproxima-se às redondezas.
contempla o fato...
tira tuas certezas...
eis apenas matas densas... disforme inato mato.



DESNUDOS ROSTOS ÀS MÁSCARAS :

cai teu corpo plástico ao chão de vestes supérfulas,
inumeradas aparências tingidas num tecido esgaço,
traças desdizem os rumos dos pontos...
corroem desnudas à farsa composta tecelada,
intricada
à máscara
dum manequim vivo.

pérolas de cascas quebradas por verminosos dilemas,
beijos degenerados às faces deturpadas,
violentadas,
queimadas,
no fogo da ingnorância humana,
raízes pantanosas de fétida hipocrisia...
um ser dizendo-se vivo, atado em fios ocultos,
eis que este é um ventriloquo proferindo asneiras.

fúteis desejos, ditos desinibidos discursos...
que nada condizem aos fatos
falsa benevolência exalando aos poros,
envolvendo um rosto sujo e aristocrático...
mero produto vazio da farsa moralista
que iguala-se a uma serpente habitando prostíbulos burgueses,
e estas tais ostentam raios dourados de exploração servil...

uma consorte,
de magnatas,
que exploram
os sem sorte,
de alegrias inatas,
que choram,
lamentam,
à penúria...
seus filhos alentam,
com o possível,
embargados num sitema desprezível...

desfile com suas vestes podres,
como a alegoria de genocidas inescrupulosos
faz de tuas joais, résquícios de crânios,
tua soberba,
retrato da estupidez,
mascarada humanidade sobre teus traços
envoltos à ilusão vulgar de compostura...


terça-feira, 9 de novembro de 2010




MÁGICOS DRAGÕES VOAM ... :


fantásticos sonhos talhados,
às pedras concebi,
horizontes retratados,
magia eminente viví
envolto aos mágicos anciões... às bravas terras.


flamejam decretos reais,
faz da divindade chama reluzente,
trevosos céus, cantaram trovões embrutecidos,
à batalha,
como metal exaltado, da espada do cavaleiro.

confins de misticismos protelados,
perscrutam às masmorras,
feiticeiro consagrado,
terrível imerecido...
uma guerra dantesca criada... corras!


sobre as montanhas agoiros cometem seu núncio
do caos. rebelião mal vinda...
infernais legiões marcharam,
fazendo percursos transformarem-se
à nébula negra tão temida.


tenebrosas batalhas, combates sangrentos,
profecias contadas...
consumam-se nos lamentos,
de realidades pensadas.
'homens de ciência' vislumbram diabólica jornada.


cavalgando às intricadas, noturnas
ordenadas buscas das tropas, exércitos
às procuradas urnas...
de encantada poção...
roubar-lhes-ão dos magos tácitos.


lendário portal, e tal contado,
salvação dum império colossal,
eis que um imperial ritual...
cometei,
oh lisonge rei !


desferam ataques navios aos irados mares,
deflagrados embates caóticos,
élficos sentinelas tomam frente.
sangram fel, bestas sórdidas, asquerosas,
e tais tão despertam os guardiões seculáres.


ventos dilaceram aldeias, tudo à volta,
provenientes de fumegantes hálitos...
defensores voam sob a orda,
flexas queimam iluminando campos... aflitos,
eis os invasores, no batalhão que acorda.


sucedem-se à tormenta criada,
dançam à performance bélica,
grunhem magos, camponeses, manada...
o desfrutar do fogo áureo
tão lentamente ocorrido implica.


fulminantes tornaram-se os dragões que atacavam,
à maligna força que tanto sadicamente abatia,
aldeões fugitivos, nativos nostalgicos, dalí se retiravam...
suas barbas enroscadas à lã das ovelhas. fuga ao rio se seguia,
longínquos além dos agrestes bosques, pântanos inabitados.


desertos queimam, treva se põe,
- batalhem ! - destruam !
oh guerreiro de arma consagrada,
imortais feitiços, cujo feitor a tudo isso se opõe,
( torna-la ao mal, aos cobiçosos ela não será confiada).


brisas tépidas, vindouro fim das tempestades,
livres, bestiais mitos desfrutam,
a realidade às paisagens mortas,
caminham velhos mistérios às portas,
dum mundo aberto, utópicos mergulhos...


aos cantos de minha insondável mente,
comumente tão fluentes,
ao existir inexistente...
escritos vislumbrados.
e porque não, vividos, recordados ?






YEAH, posto agora, uma das mais fodidas poesias que escrevi este mês...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

UM CAMINHANTE ETERNO :



Parte I :

a lua risonha me olhava,
sob o mar que dormente sonhava,
perante minha sina, meu fadado, contado...
estafante destino, tal que fizera-se ilembrado.
caminhando às águas merencórias,
àquela imensidade que tu vias,
nada a mim representava,
mesmo assombrosa como se mostrava...

farto de imunes demoniacas ações que pratiquei,
eu, general de mil impérios que muitas almas desolei,
um mar de ouro pus-me a conquistar, às desgraçadas
e tão infelizes guerras por mim decretadas, iniciadas...

intróito da carinificina, uma visão infernal,
guerras desprovidas de ódio, ávida por uma ganância irreal,
campos de infantes anseios recém acordados,
eis que pairando sob os corpos empalados.

chovem lágrimas negras... ó céu que a tudo isso contrasta!
como os cavaleiros cruzando desertos, à minha gana nefasta,
espadas, machados retrucando maldições,
empasses cabalísticos previstos às contelações...

que tão presenciaram meus fardos impecílios...
de tantos mistérios, busquei auxílios.
a lograr por mais recantos vastos, sequer nem pensei,
quando a minha morte, com malígnos espíritos apostei.

ao fim da liturgia tanto eu rira,
tão quanto cuspia à pira,
dos ritos macabros que o domínio me concederia,
porém, a maldição 'infame', sangue a derramar me impediria.

oh, torres que um dia eu me apossara!
agora declinando às margens da escuridão,
oh, imperial frondosa soberania que eu alcançara!
a mercê dos inimigos soberbos que causaram sua destruição...

fiz minha fuga às batalhas,
pelos insondáveis subsolos...
terras áridas fizeram-se mortalhas,
dos escravos lançados às gralhas,
filhos aos colos,
de damas, pútridas
previsões tidas,
pelos bruxos tolos,
conquistas perdidas.
entregues aos chacais,
oh, não as recuperarei jamais!

* * *



Parte II :

caminhando miserável às margens vividas,
minha carne jovial que não envelhece,
cada instante, fito-me, mais me entristece
as eras caminhadas, observo amadas e suas partidas.

um vislumbre no anil do mar,

apenas quando a luxúria não mais queria-me,
senti! havia alguém que eu ame...

todas minhas injúrias comecei a repensar.

superior tornei-me, à brutalidade em qual forjei-me,
assim como maldoso, impiedoso e tão temporal...
avassalador existir... e todo, a ela dediquei-me.
uma frágil criatura debatendo-se ao seu final.

enlaçam-me aos nevoeiros tristes,
faces de territórios caminhados, agrestes.
pernoitando numa sombria solitude,

busquei por fim, alcançar alguma virtude.

contendas de agruras disputando meu destino,
diabólicas criaturas embaladas ao anoitecer.
olhavam-me espreitas às relvas, o desatino
és este meu sob incostâncias do meu crer.


dogmas sacros tornados pueris,
deuses agora satirizados,

a mesquinhez tornara-me rélis...
desespero-me lembrando dos suicídios fracassados.

corpo tão regenera-se numa adagada,

venenos expurgados das entranhas, vomitados,
o sangue cada vez mais negrejado.
diante a eternidade, uma alma insana condenada.

um terroroso remorço recai como neve,

sob a brancura infindável, não se deteve.
oh, eterno desfrutar do meu ávido mal,
fizeste-me um prisioneiro à dor carnal.

sois nascem, e os finitos dias se põem,
recaindo sob profético dito que impõem
tão lembrados, passados sacerdotes ardís,
de rituais falhos. salvar-me à derrota eu quis...


novos construídos impérios, massacres presenciei,

às valas fétidas, sujismundos confins de fealdade...
camuflado mative-me seguro, dos vermes, meu fado isentei.
- um amaldiçoado vagando às enseadas, à tranquilidade.

* * *




Parte III :

submetidos ascetismos que impôs a penúria,
numa rústica cabana às cordilheiras,
insones inércias... tenebrosas olheiras
agora de meu reflexo fazia parte a furia...

vilipêndio pela minha existência,
desprovida de sequer mísera essência,
ó, calmaria, marisía, minha ouvinte,
ó, criança que decresce acima ao requinte...

desprovida à eternidade,
contemplais com tua encantadora lisura,
bestiais afogamentos, pesadelo comigo perdura

dois milênios de insuportada monstruosidade...

faz-me dormir,
eterno às tuas águas,
o submergir,
ao profundo escuro cair.

* * *

terça-feira, 2 de novembro de 2010


PROFECIA REFLETIDA :



deparo-me ao assíduo momento da queda,
tentativas foram inúmeras de deixá-lo intacto,
porém tal deslizara manhoso,
- espelho meu, tens pacto com o tinhoso!

cacos partidos, fitados, despedidos,
sob moldura tal, nela sinistros entalhos cometidos...
tantos anos antes de tua morte...
- reflexo meu, te vais e me faz um corte.

fito à janela a noite, seus açoites sombrios,
de escuridão nos jardins insanos habitados,
agora por agouros míticos retratados,
- medito mirando meus olhos nos pedaços espalhados.

gargalho demente, irônico atalho à loucura,
dá-me azar, para que eu possa praguejar,
conceba minha dor, ó demônios de sincera candura,
- torne-me mais um, nesse mundo a caminhar !

sorrio embebido ao sarcástico devaneio,
lúcido louco olhando-se em lascas e sangue
recolhidos como restos d'alma em instantes,
- sete anos de ventos pútridos a um cético...







É divertido escrever coisas assim, criando personagens insanos sem dar nomes ou coisas parecidas. assim como coisas obscuras se valendo dum sentimento pequeno, momentâneo, ou um acontecimento trivial... kkkk espero que gostem desse, e reparem nos ultimos versos de cada estrofe...

VÍS E VAGAS LEMBRANÇAS TRAÇADAS:


deu-me anseio de traçar tais notas... caminhar sob o passado lembrado vagamente, tratado sarcasticamente, reluzindo-me a cada dia que passa insano, uma ideia sórdida. afinal! como dito por Dante... "cabeça vazia, oficina do diabo"... pois sim! dou-me ao desfrute de cometer blasfêmias satânicas, um tanto cretinas... principalmente quando se trata de viver nesse fim de mundo onde me encontro, que entretanto faz-se uma das melhores cidades que tive o desprazer de viver. turismo, eis que demasiado forte em algumas épocas... e tão entrego-me às expectativas dum bom feriado, enredado às eleições e finados. logo tomo-me por deparar a realidade, quase ninguém aproveita finados... muitos recolhem-se às memórias dos parentes já partidos. penso um instante, creio eu que deveria homenagear meus avós... recolhidos à sua decrepitude, e que recentemente... quem sabe um dia vou até vossos túmulos! posso fazer oferendas como os antigos... quem sabe eu não mijo lá na cova dos velhinhos. penso ainda... como eram ruins... aqueles calhordas infelizes, retrato da miserabilidade humana. tão me corrói em amargura umas vis e vagas lembranças traçadas depois de tantos anos, como podem esses infelizes perdurar tão odiosos em minha mente ? por instantes -idiotas, não conseguiram estragar meu dia ! - q'eis salvo ao ressoar do tornar à mulher amada.




essa é uma crônica que eu escrevi. sinceramente eu não me acho bom para escrever esse tipo de coisa... crônicas não são o meu forte... mas de vez em quando cismo em fazer uma. e então vos deixo esse troço que eu escrevi... e a imagem... bem, Van Gogh é legal... rsrs

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


NOITE PSICOPATA :




a lua cheia está ai !
trazendo consigo uma noite lunática,
andar nela, estar à prontidão da morte,
morrer nas mãos de um psicopata...


tornado ao vício envolto pela escuridão...
impulso cruel, obsessivo,
sua compaixão está morta,
ninguém o deterá... em prol de saciar...
consome a sede de sangue,
tudo destruirá.


de todos escondido, mas à mostra de sí,
contempla causa e efeito,
isento de culpa ou piedade,
tal é sua sina, instinto,
não convém fugir,
olhos cujos, incorporam o umbral do inferno.


demônio andarilho,
esconde-se à penumbra, exposto,
à sua tão fadada natureza...
a noite é seu dia,
seu dia uma abstinência constante...
racional, percebe as profundezas de seu ser,
e apenas sente o seu não sentir.



bem meus caros... deixo hoje aqui o primeiro poema que eu fiz... claro que não comecei escrevendo assim, a verdade é que o rascunho era péssimo, e revirando umas coisas minhas eu achei ele lá. ai peguei e refiz ele... :P