domingo, 21 de novembro de 2010



PAREDES QUE DESEJAVAM SER COMO O CÉU :


eu um dia pensei que tudo sabia,
sabendo pouco sobre meus ditos,
ações incertas... tão as cometia,
perjúrios tornaram-se meus diários ritos.
vagava em corredores sujos, estreitos,
àquela morada estada,
ouvia uma orquestra calada.
perambulava
uma senhora, uma criança,
co'a mão a ela dada...
alternava,
solitário meus tantos leitos,
tudo pesava à balança.


num ambiente vazio,
as paredes queriam ser o céu,
- nelas não voavam pássaros,
tão pouco apresentava-se o sol.


às janelas de vidros lascados, burlados,
o vespertino ensolarado dia...
ria...
bisbilhotando frestas de resquícios passados.
raiar, reluzir, tal negava,
meu canto renegava,
aqui desprezava
temia,
exitava,
a luz escassa esvaecia...
nébulas que o ar abraçavam,
poeiras,
planetas,
inertes ao universo próximo,
- parecia distante.


a mulher olhava-me,
envolta àquele vestido rendado
de estepes habitadas por um melífero enxame,
não havia mais com ela uma criança,
estava ela lá, aqui, em sua andança...
e eu cá,
ao passado recostado,
num delírio propositado.



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