quarta-feira, 24 de novembro de 2010


TERNURA



como era terno seu rosto a me fitar,
via entrelinhas, em teus olhos o azulado céu
rasgado pelo rasante vôo duma águia...
preludindo vespertinas alegrias,
sentia que caminhava, estando às paisagens suntuosas,
empraz-me decolar às terras,

tomando tua mão,
um beijo...
seguindo estradas eternas,
inexistentes de fins,
desprovida de sequer momentâneas partidas...
permita-me sonhar com tua ternura,

segure-me ! não quero eu acordar,
jamais !

por um instante...
vejo em ti uma alma infante,
matura, radiante,

como a lótus em seu nascer,
delicadeza desta, um vislumbrado resplandecer...

perfumes exalam dos rios,
cachecois, caracois recaídos castanhos,
cacheados frondosos fios de noites sépias,
recordadas aventuras à lua perante,

uma estrela ostenta seu brilho
o brilho neutro branco em quaisquer instâncias.

cativo olhar teu fuzila-me,
e eu, como alguém que anseia o muro,
disparadas flores adormecem-me ao sono,
mergulhado no caos grasnido pelas bestas
afora o nosso mundo...
um tocar em tua pele, origem de tempestades,
levanta-se uma montanha,
como façanha,
vertendo mares em recostadas fendas,

minhas presenteadas prendas...

flauteadas notas, tocadas acústicas cordas...
ouvindo-as, cavalgava sob a seca terra...
um cavaleiro,
com uma flor,
pena e espada,

conjurando a melodia,
à presença do sol,
afagado pela lua...
à busca de sua amada.

delicadas mãos

tornam a abraçar-me...
palavras de ternura,
tocam-me, e tão florescem cachoeiras,
cá estou, sorvendo com os ouvidos,
uma fonte de extrema lindeza,
singela pureza do existir,
conduzindo-me em germinadas gentilezas,
onde os vales verdejam às vistas,
vem-me o teu riso,
nascem campos...
eis tu minha bela sonhada,
minha única razão de existir.








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