terça-feira, 7 de dezembro de 2010



POSSESSÃO DEMONIACA :


ecoam vozes à neblina,
que a igreja invadem déspotas,
estas trevas cheiram sangue,
nomeadas não podem ser de anoitecer.

aproxima-se uma presença no ar,
vozes inauditas grasnem em minha mente,
ouvidos meus gelam à calmaria noturna,

o silêncio ressoa macabro, como o gotejar da chuva.

a lua anuviada está a contemplar...

tormentos que meus limites ultrapassam,
acorrentada está minh'alma neste tormento,
bestas espectrais que as paredes transpassam,
à realidade logo perpetro meu afastamento.

uma cruz à parede... inverte-se, logo cristo cai do pedestal,
no ântro do satanismo prático aqui consagrado,
concebo de meu âmbito a liturgia bestial,

banho-me em sentimentos mesquinhos... um asco incriado.

parvas verminosas aberrações,
de expressões desfiguradas,
que à rua vagaram por vítimas às madrugadas,
fazem-me provar de suas dores, suas maldições.

recai sobre mim uma pena moral,
que dilacera minha pureza eclesiástica...
sinto a terra, o subsolo da trilha tão crucial
da escuridão que assola sórdida a casa santífica...

a lua anuviada está a contemplar...


rasgo minha pele, fogo à batina ateio,
convulsões monstruosas deturpam meu controle,
em nefastas energias diabólicas permeio,
palavras estranhas traçadas ao chão,
no ritual, tão as leio,
praguejando ao rebanho, a prole...
com os ditos do nazareno à mão.

queima meu corpo em réstias ardentes do pano,
os invasores fizeram de mim mais um profano,
preso à pulsante, agonizante face que enseja destruir,
os cavaleiros aproximam-se foiçando os incautos às ruas,

pecaminosos, no terror eminente estão a usufruir.
gargalha voráz o senhor das trevas,
persuasor de tantas evas...

arrastando-me por calabouços condenados,
malígno arraigado em esconderijos vís,
dentro às ações servís,
hostís...
uma batalha transtorna verdades,
fatos e irrealidades,
uma luz mórbida toma a sacristia de anjos adorados...

a lua anuviada está a contemplar...


trincam vitrais sacros, tais transformados em cacos,
e eis que fulgurante é minha agonia mistificada,
banham-se em sangue extraterreno, os gessos fracos
dos santos mortos, torturados à treva descoberta, incriada...

caem anjos da luz que desfacela,
como a terra estéreo, e esquecida,
prevalece a vilez inominável, que o mal protela,
- que à sombra está desguarnecida !

a lua anuviada está a contemplar...
tal sangrenta que meu final anuncia,

encontro-me nesta funesta noite, véu de fel,
recobrindo minha renúncia à santidade,
dissipando-me os traços de cristandade...

apenas o mal esfaima minhas entranhas,
que carcomem o imortal moribundo batismo, putrafando-o...
retorno ao silêncio da sacristia...
o juízo final sentenciado reluz dourado, inebriante...





Realmente gostei da maneira que escrevi esse poema, faz dele um dos meus favoritos...



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