sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UMA CRÔNICA DE NATAL

Dezembro bate à porta como um puto fanático às oito da manhã preludindo o apocalipse... trazendo consigo infinidades de baboseiras pré natalinas irritantes. Como um amigo estúpido que conhece-se numa noite de porre, traz-nos apenas desgosto... saio às ruas e tão logo me deparo com atrocidades estampadas em todos os cantos, verdadeiros atentados contra meu bom senso anti-cristão. Embalado às infantes lembranças que retornam-me à mente e logo espalhafatosas gargalhadas arrancam-me faceiras... - quando crianças somos verdadeiros idiotinhas... Volto da estafante rua ensandecida pelo consumismo e ponho-me a ligar a televisão, o que raramente faço. Deparo-me por fim diante a tragédia consumada, filmes de natal, comerciais fazendo apologias à mesma época de merda, onde reina cáustica a hipocrisia e o genocídio de neurônios sadios... Eis possíveis ateus desenvoltos ao capitalismo brutal presenteando vossos filhos com livros de Friedrich Nietzsche e aprendendo a chutar os bagos dum padre... entretanto jazem atrofiados, submissos à utopia de que todos tem de estar felizes, ou ao menos fingir forçadamente alegria. observo aos cantos, parvos infelizes imitando aquele saco de esterco em vestes rubras, tão como enojam-me mortalmente aqueles veadinhos que puxam o trenó, ou serão renas ? chame-os como preferirem ( que se foda ! )...sei que retratam simbolicamente o quão é nauseabunda a farsa construída em torno da imbecilidade humana. Um ‘Bom velhinho’ digno de asco, sodomiza seu companheiro Rudolph... sim... aquele do nariz vermelho que vai na frente... aquele cujo aspecto dá a entender que é um infeliz saído dum prostíbulo travestido e chapado de cocaína... um verdadeiro queima rosca degenerado feito de mulherzinha nos cantos mais imundos da cidade, delinqüente violentado vendendo-se por misérias. Acendendo o charuto de um santo Claus... e este tal, um maldito capitalista explorador produzindo armas de destruição massiva enquanto vende uma imagem de “pacifista” conservador.

Sentado em sua poltrona, diante os ajoelhados prantos de suas abusadas renas, duendes as beijam repulsivamente, com gestos libidinosos, grotescos... concebendo uma absurda orgia nem ao menos visualizada nos pesadelos mais sórdidos, somam-se à parvalhada, vagos energúmenos cantarolando canções às esquinas, e que muitas vezes mal entendem...

Medíocres senhoras em suas silhuetas obesas... deveras deformados sacos de lipídios arrastam-se em epidêmicas caridades demasiadas sujas e fingidas... um surto alastrado de benevolência mesquinha. Buscando inutilmente vendar-se ao contraste monstruoso de famintos indigentes adentro o espetáculo. Cenário de esperanças mórbidas, habitados por não-vivos mordiscando pães amanhecidos envoltos num cobertor surrado, ‘bem vindo ao viaduto!’. Os muros estão pichados, mesmo que encobertos por pinheiros de plástico. sopram os ventos no vigésimo quinto dia, a insanidade tomando a rua está... moribunda singela, jaze uma cruz, num canto esquecido... numa caixa dando espaço à decoração para uma guirlanda...







Bem, é isso que eu penso dessa época maldita de consumismo, e benevolência frívola desmedida...

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