quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ódio gratuíto






sofrida aspereza, incontestável certeza,
a repousar deitado, - o querem velado!
fatidicamente, incauto estorvo, - melhor vivo cremado,
funesto infeliz maldito corvo, despercebendo a crueza,
de diversos devoradores dentes, detrás débeis disfarces;

desperto, de certo, é o flerte farsante,
o bom trato, refalsado, não obstante
de enganar audezes olhos capaz... oh não, jamais!

envolto em trevas tantas, taciturna morbidez radiante,
dentro à alma indome, afogada num lodo miserável,
faz-se em suma, a vivacidade inquieta e louvável
duma intrinseca força, motriz, inebriante,
afrontando agoirentos algozes augúrios armando...

eis o deslindar à besta, em teu âmago testemunhante,
rompendo a etérea involucral amarra de rancor,
extasiada lacerando violenta abrupta o fantasma da dor,
o grito extremo inumano, à face mortal meramente semelhante,
o anjo impulsivo à própria terra rebelado...!

ódio gratuíto,
tempestuoso
intuíto,
grandioso
atrito,
amarga
convicção,
que se embarga
de podridão,
e se encarga
do conflito
a hostilizar o que faz-lhe aflito,
alvo de toda conclusão!

salvo à tanta ilusão!

anseiam todos teu inferno,
em suma,
querem eles seu eterno
transtorno!
em torno
à visão,
tal que consuma
quaisquer formas de libertação!

tornam os ventos, sopradores incoercíveis,
a outros rumos de meu destino,
ageis mãos de rumos invisíveis,
findam-te à negra relva mental, o desatino...

pérfidos tenros semblantes se apavoram,
espasmados em hórridas cores à abstração d' espantos
o estático instante perante o porvir dos "santos"
prantos, de inocências infames farsantes, quais não demoram,

agressão verbal, liberdade emocional,
ação contrária, à chantagem que valia,
sepultados obsessores, tombados valores,
o exorcismo, de todo o víl interesseiro eufemismo!

eis o berro à sofrida e frágil presa, a descobrir,
que predador voráz sempre fora, ao se despir,
agonizante, em furia e ódio,
da terna ingênua veste, traje do divertimento alheio e ímpio,

o contemplar das garras, sangrento encanto,
o vociferar da agressão, invocação do abismo,
abaixo os pés, a engolir-lhes e entretanto,
os mantendo ao chão, embebidos em seu próprio cinismo!

ódio gratuíto!
antídoto
antípoda,
método
hostil;

ódio gratuíto!
os males de si estirpar
e partir,
longínquo;
tão expontâneo, a ser verossímil!...


domingo, 11 de dezembro de 2011

Sectário do fogo


concedo-vos meu sangue...
ó, superiores forças, que no sol habitam!
incendeiem quão quiserem...
meu frígido empírico espirito lângue!

- feneçam os áusteros desgastes...
ao banhar d' aura sob o fulgor!
refocila-me, sol; pois hei de ter de defrontar
quaisquer temores a vir, pungir, tão quão vencera-me a dor!

venham-me, pois, sectárias flamejantes salamandras,
minha diurna odisseia permear, dêem-me as chamas,
de vigorosas vívidas lívidas livres tramas
por minha pele sorvidas, sentidas, em mãos de fogo se transformam...

o corpo em labaredas se entrega, sem queimar,
indestrutível confragra-se o selo a vigorar,
eterno, instâncias mil conquistando,
lumiando, e toda involucral humana treva destruindo...

legionárias, marchando em solares flâmulas,
lutai vós, por um de seus companheiros, mais fiel,
dêem-me o mais terrível quente fulgente poder,
a destronar os males nossos, e um novo caminho nos conceder!



domingo, 4 de dezembro de 2011

Crocodillos de esgoto



À meia noite,
eles vão voltar,
invadirão a cidade,
vão nos matar!

despercebidos
atacarão,
tão repelidos,
retornarão!

crocodilos de esgoto,
uma praga assassina,
farão a chacina
por cada quarteirão!

nas ruas incautos,
das cidades imundas,
se arrastam em asfaltos,
agora sujos de sangue...

o terror habita
as mentes humanas,
as carolas profanas,
civis e soldados,
que o mal se repita!
estão todos condenados,
padres e políticos,
ladrões inocentados,
todos sob a mira,
a mira da morte,
a morte no corte
dos dentes vorazes!

o terror habita
as mentes humanas,
as boiadas insanas,
todos alienados,
que o mal se repita!
estejam todos ferrados!
tolos e criticos,
canalhas armados!
e na calçada se vira,
o fraco e o forte,
ambos sem sorte,
sob as garras mordazes!

nas ruas incautos,
das cidades imundas,
se arrastam em asfaltos,
agora sujos de sangue...

crocodilos de esgoto,
uma praga assassina,
farão a chacina
por cada quarteirão!




Letra recém escrita por mim, de uma musica que eu compus, espero que tenham entendido o sentido desta além do tema, a ideia dela... De que nada valem ou significam as hierarquias sociais e as classes sejam do que for, é tudo a mesma merda de carne frágil quando se deparam com uma força maior do que qualquer padrão estabelecido por elas mesmas... que quando a merda é maior... todos viram a mesma massa de miséria humana, diante à inconsequência... pois bem... a palavra "Crocodillo" foi escrita com dois "l's" propositalmente... que se fodam as regras... assim como jamais começo uma sentença com maiúscula justamente por esse motivo... desrespeitar a regra... e também porque não tenho saco pra isso,
enfim, espero que alguns comentem, quem curtiu... \,,/


domingo, 27 de novembro de 2011

Filho da mentira



de si exausto, assíduo moribundo, inexistir anseias,
desespero lhe corre mais do que sangue às veias,
proferiram tanto, sobre cicatrizes curar,
esta entretanto, é maior que o corpo poderia segurar...
grotesca gravada ao cerne de seu grande abismo n' alma;

futil faz-se o ensejo de refugio à calma,
hercúlea porém, também a ira se mostrara,
somente o rancor, num distinto momento,
controverso extasia, um como divino alento...
a memória perder, é o querer; distar-se, - é o que restara;

tu vês os fios lentamente sua pele lacerando,
percebes do abismo das mais negras águas do mar
da mentira dissolvida, algo imperioso convocar;
tu vês os fios da marionete lhe arrastando,
frente o mais nefasto e indizível semblante nela emergindo,

assim provas, fato e pasadelo convergindo,
condenados espectrais amores se exorcizarem;
esmigalhar-se amigos tantos, sem prantos causarem,
fitaste raizes tuas, em verdade horrendas najas;
a deslindar um puro prol seu, falho te engajas...

de alegóricas farsas um produto abstrato,
se esfria a dor, pra si, o benévolo ódio é o extrato,
sectário contrato não há, nem sequer no inferno,
és oriundo de lugar algum, piedoso a dadivar eterno
desprezo... o esquecimento esperando pr' a por si poder ser...



Sem muitos comentários a respeito desse poema, lhe deixo simplesmente, fora feito em umas três horas e meia mais ou menos, depois de tanto tempo parado sem nenhuma inspiração que tivesse sido concluida, veio este a ultrapassar-los... logo virão outros ainda mais fortes...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Macabras Abstrações





como atroz me tens, por tais tons cingir?!
infindáveis léguas, de vívido horror a inflingir,
sobre tu, à vista, uma realidade paralela, catatônica,
em cada distinto traço qual, que expurga vossa dogmática atônica;
mensuras sequer, a sensação de os meus olhos ter?
fio nenhum de animação material, se pode despreender,
fitas... constroem-se e desconstroem-se famintos,
cada belo elemento sedento de tua divina paisagem,
a consumar a sangria, em prol da própria linhagem,
contempla meu quadro senhora!... os traços indistintos...!

analisa, o sangue e a estamina que inferniza,
cada manifesta causal criatura que matiza,
um corpo inteiro, de infindáveis membros díspares,
cuja vital essência sopra, a levar os fetos das árvores,
e paira sob as veias por mui sós loucos navegadas...
desfruta o espetáculo, das hostís químicas transmutadas
em infindáveis ressurreições, e inimagináveis ardentes formas e cores;
por vós, disto, distraídos, "distados", e sem dedicados altares...
que de um sacro livro ter, é realmente merecedora,
e lhes fossem dada, como a impagável chave esclarecedora!

observa! obscuras, no obstante onipresentes dinastias,
ao painel protelam, - em cada fenda habitantes,
minusculas odisseias em nós, sujeitos mutantes,
a esse predito destino de imensuráveis proporções;
nesse ímpio desatino de incalculáveis dimensões!
intrincados nós de espíritos, em desnovelo, ao embaraço,
inconstantes pairando sob o além do negrume do espaço...
paralelas parcelas pensantes
somos,
donos
da inadquirível
eternidade
inexistente,
tão belo e incoercível
presente
incompreessível,
ser o ser vivente,
imortal,
desprovido
de bem ou mal,
a subjugar a matéria,
e jamais deveras ter morrido
senão se ressarcido
por sua temporária valia...
...
contempla meu quadro senhora!... os traços indistintos...!
frente a vós agora em chamas, o "ridículo" sem tela...!
a lhes ditar o "horror", que aqui se tanto vela,
o dado elixir aos porcos mui "bem distintos"...





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um pardal



partiram todos, pairando ao não mais ver,
sozinho aguardava, um pardal a não saber,
como era os demais seguir, no azul emergir,
distantes, as negras núvens puseram-se a rir,
lamentosa, fitava a acácia o ninho, impotente,
e a cada ventar, ficava a queda mais evidente;

se foram um por um, jurando o retorno,
havia um cravo alí, inestimável adorno,
agardava inatingível, crente incansável,
aflingindo o tácito semblante, de quem o assistia,
perdurando... perdurando, fervoroso noite e dia...
prometido fora o paraíso, que lhe seria alcançável;

o tempo... tempo, de espera, que já o exaspera,
dentro de si, à profundeza da mente mergulha,
muitos... muitos sois viu morrerem, cada fagulha,
fome e sede, não lhe eram empecílio sequer,
sentia a brevidade, gritará quando a hora logo vier...
o tempo... tempo, de espera, que já o desespera;

impera o tempo... vazio, o único jamais por ninguém vencido,
lágrimas... barradas friamente num frágil coração ardente,
o grito, lutando voráz por sair, num pio; estridente,
quando intervém a acácia, a dizer de baixo olhar,
não mais suportando aquilo, ter por tanto, omitido,
- seguiram todos, mui longínquos, deixaram lhe a definhar!...

* * *

- ... pois, tu não sabias, como os demais, habilmente voar...
vence o grito, invade o vazio, em cada plumagem,
o chão sussurra, ao cair do cravo, a única paisagem,
lhe restara a morte somente, tal que nunca mente,
a gritar tão loucamente, por vê-lo ao ar de si plenamente;
a pousar, e a pousar... solitário, e tácito, sem lembrar...




terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Aniquilador

sentes tê-lo perdido... o controle da situação?!
lacerei as garras, pulsantes ainda, em tua nefasta mão,
de dor gritas, inebriado, à falta dos membros fantasmas,
levantaste, porém, enervado aturdido, e ao reagir te espasm
as,

tu podes consigo deter, até mais poderes que os meus,
legiões aterrar, usando os parvos discursos teus...
afronte meu caminho, e eu o destruirei sem nenhuma piedade,
quebrarei tuas pernas, realizarei o que nominas atrocidade,

cuspirei teu semblante,
lhe farei no horror, um infante,
ao pisar suas mãos, de punhais traiçoeiros,
aos bueiros, ligeiros

seguindo,
despindo
teu empirismo
vaidoso,
teu egoísmo
imperioso,
teu despeito
desrespeitoso
a despeito

do que posso... quero;
dar lhe uma monstruosa surra,
bater co' um ferro,
nesta sua cara de gente burra,

sentir tuas vísceras, nos meus dentes estralarem,

e do seu corpo ver, cada célula desmaterializar,
quando as chamas, d' um psicótico fogaréu, sádicas dançarem...
- com vadias, vou tua sangrenta fortuna gastar...

não haverá divina vingança!
farei teus corruptos deuses beijarem a sargeta,
eliminarei qualquer esperança,
de na miséria de espirito, que tu novamente nos remeta,

existe algo instrínseco
infindável
dentro de mim,
incomparável,

voráz, assim
como o eco
gritando pr' a eu te matar,
e o paraíso conquistar
de vez,
aniquilar a sordidez;
de toda essa insultate hierarquia,
de latrocínio e hipocrisia...


vê-lo dissipar-se em labaredas irremediáveis,
iníquo traste, de meios asquerosos lamentáveis,
a intento de insolente usurpar-me, o direito de ir e vir...
queime!... ... queime lenta e atrozmente, até não mais existir...




Eis que o fiz esta tarde, ficou ótimo, e alguns dias antes eu já tinha a ideia de fazer um poema assim... repleto de ódio como não fazia desde um tempo... huehuahe
se curtiu comenta...

Montanhas de vidro

a solidão sopra em teu semblante,
a azul agora engole o horizonte,
mire a grama, o chão restante,
dissolveu-se após percursado...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

amar as núvens, disformes princesas,
uma era a cada dia, as ver se espargirem,
defrontar-se aos fieis elefantes alados;

soldados de pedra em besouros montados...

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

jamais ver um dia, o passado recente,
os sonhos cremados, novamente...
vislumbrar formosos campos, nunca os mesmos,
os tesouros sentidos, trocados...


as marcas deixadas,
feridas de espadas,
num mundo de palha perdidas,
o mar de tempo à terra... mil partidas...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!


A real profecia

lá está o rei, e do outro lado da rua o mendigo,
do outro lado...
das grades do lixão, lá está um armado infante,
ingênuo, desconhecendo a consequência do que tem às mãos,
lá está uma velha comendo seu encardido pão,

esse é o futuro? frio como ferro, confuso como sua mente.


todos são inertes,

seu mundo é cinza, opaco, luminoso,
estão todos abrigados em seus mundos pessoais,
loucos, lúcidos, quase que ao mesmo tempo,
jubilam-se os governantes e generais inexpugnáveis,
do exercito das maquinas vivas ,


estamos todos sós,
diante do sofrimento, diante da metamorfose,
de nossas ideias, do nosso mundo estagnado ,
ele cresce como a flor, ele derruba como o vento,
te arrasta como a correnteza de um rio,
no mundo bizarro, todos são servos de suas proprias criações.



as máquinas, a natureza de plástico,
miseráveis, venderam a salvação,
e os salvadores malévolos agora vos levaram ao abismo,
estão todos pagando, a pena,
no mundo opaco de metal e plástico,
são todos bestas, criadores do caos,


com suas consciências afetadas,
nas ruas violentas das cidades em ruinas,

e dos psicóticos, das prostitutas, e promíscuas santas...
dos drogados, sem futuro, tratados como vermes,
vem a revolta, vem a rebelião,
o império está à ruina final, não há mais riquezas, não haverá o que perd
er.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A catarata da louca alegria


uma perda sentiste, à merda de vida que tens,
te sentes inválido, e de poucos suados bens,
infeliz condenado, pedradas tomando, de todos os lados,
defronta-te a fonte à fronte, de mundos selados,
eis inebriante, tal cristalina água da cascata,
jamais por outros seres, que não humanos, valorada,
paga água santa, à dores benfazejas, se não a pagas... tens nada,
te faz ela, rir, mais que qualquer insípida falsa face, insensata...


purissíma nutrindo o espírito,
as tábuas da lei partindo, em seu ignóbio rito,
o mais santo e puro vinho tornando, uma rélis água suja,
não benta, e sacra... todos os males sobrepuja,
só dos fortes digna, virgem de impurezas...
ácida essência da noturna loucura, amançando cruezas...
somos alegres estúpidos, dançando os gorgeios dos corvos,
por agora esquecendo, todos os malditos verazes estorvos...


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Déjà Vu num navio fantasma ao mar de lágrimas



me vês cá, solitário, delirante,
ao perjurar do mar, aconchegante,
em meu morto pranteio, resta o nada;
fito a lua, prevendo meu futuro,
pela costa, já tão em vão desbravada,
que eu são rememoro, mui de mim seguro;


e os horrores, tão me ditos, desdigo!
e tampouco me convém, as bestas lá,
- o já visto e provado temo apenas...!
profundo abismo meu, és tu que acenas;
e vís ardís transfiguras, tornas bela,
a morte num naufrágio, pr' a estar comigo...

um servo queres, lângue livre, lábios
teus provando, uma vítima insana,
que teu semblante mire, sortilégios
seus sequer percebendo, que por gana
de tua venúsia audaz, lhes faz emergir;

o parvo ensejo do abrolho, pois, pungir...

o vento avança... velas me revolvem...
desvencilho-me desta maré vaidosa,
até o oposto do oeste, de outrora;
eis-me cá, entretanto, indo embora...
a ouvir tantas gaivotas, em sua prosa,
entre elas contando... uma familiar tragédia...





Esse poema, me demorou mais de uma semana pra conseguir fazer, mas, indubitávelmente valeu a pena em fazer um esforço, e concebe-lo, em grande parte versos decassilabos, Heróico...
comenta ai quem gostar...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma declaração de guerra





moribundo exausto, e num sepulcro esquecido,
eis meu fim, porém, não houvera eu morrido,
à indiferença, uma presença pressinto,
passos ouço, dos anjos da morte nesse recinto;

perturba-me insão, o revoltoso tormento,
me invade o medo, uma angústia visceral,
cerram-se os punhos meus, neste momento;
mergulho à possessão d' um ódio incondicional...

vãos augurios perseguem-me, hipocrisia protelando,
toda noite, quando ponho-me a deitar
nessa tumba, praguejando,
e pensando, a cada dia tende minha revolta, a aumentar...

fito as faces, farsas forjando, fieis forçadas,
devotas, deveras desprovidas d' alguma verdade...
fode o fato: o acato do ato à moral corrompida,
destas débeis tolas gralhas... sempre dissimuladas;

os desprezo, à sua incômoda e iníqua estupidez,
atroz, aterra-me esta tão aplaudida mediocridade,
em voluptuoso estúpido êxtase, vejo a vilez,
de cada um destes pedaços de carne, à sua bestialidade...

cuja existência faz-se até mesmo, ofensiva,
vislumbro-lhes cínico a sina, e de tudo o que viva
em marcha ao solo, de arrasto, clamando a uma divindade,
- imagem e semelhança hipócrita... alguma piedade...

distância almejo, e lhes quero a queda ver;
desta pútrida máscara, e de seus mártires,
tal asquerosa arrebanhada sociedade, obcecada ao ter;
cujo câncro, presente está, em todo o canto onde mires...!

eis-nos numa guerra... levantar, lutar e vencer...!
irreduzir-se ante este insulto e sequer cogitar padecer;
será caro o preço por ter de a vida, enfrentar;
seria mortal, todavia, como um insípido fantasma se contentar...!










Bem, quis expressar um pouco do que eu penso dessa merda toda de sociedade, e presentear a muitos desses, com esse poema a visão do que eu sinto por todos esses hipócritas alienados, e toda essa gente absurdamente ignorante, que tanto nos confrontam, "nos" porque existem outros muitos como eu, ainda ansiando por isso gritar todos os dias, não como um mero estouro súbito de raiva, mas como uma convicção concreta... é uma guerra! é uma guerra contra toda a mediocridade aplaudida e que nos é tão nociva, cercando à volta por onde tentemos nos distanciar, essa núvem que cega e imbeciliza... não é só uma rebeldia sem causa, e ser sincero consigo mesmo, é falar o que se pensa e o que se sente a cada dia... por essas pessoas sempre sorridentes e insípidas, por esses padrões baratos e frívolos, por esse pão e circo e todo esse insulto ao intelecto humano, a sociedade em sí, - cheia de falsos moralismos e pompas "agradáveis", acostumada em recluir os que realmente fariam alguma diferença, preferindo tolos ridiculos que lhes falam o que eles querem ouvir, e por isso jamais sairão da merda... - é o maior de todos os insultos!

Quem curtir comenta... ;)

sábado, 15 de outubro de 2011

Um passo ao fim...


troantes fulgem os gritos da chuva,
mil arrepios vêm à face à treva,
os fito, fantasmas algozes janela
adentro, ímpios vorázes outroras,
e que me outorgam tão vastos ardores
de tristes cores, tentando blasfemos...



Decassilabos, vou começar a usar com mais frequência de agora em diante...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Detrás a porta




os elefantes estão ao céu, em viagem,
queria isso lhe contar... vagam libertos,
e eles, consigo levavam em abertos ares;
os outros tão brancos flancos d' arca fugidos,
me diga, tu estás onde...? os quero mostrar!

à tua ausência em toda parte, sinto mergulhar...
ante à trancada porta, eu vejo silêncio,
onde estás? me deixando comigo mesmo,
me espreitam tantas sombras, forças caladas,
rindo do dia que fulge, limpo e intenso...

penso talvez, no sempre, sinto o vácuo,
alojar-se às veias, mente e alma,
provo à solitude, elixir de meu eu;
e tal porta vislumbro, some o resto
de horizonte, trevas vejo à volta...

desvela-se o abismo, minha nefasta ternura,
revela-se em meu cerne... ó diabólica candura,
és o horrendo refúgio, a devorar,
tantos moribundos falsos rostos meus,
co' o tempo sujeitos, a se dissipar...!

que em sua doce placidez, obscuro fulgura,
condenando-os à mais vasta e atroz tortura...
uma supra-terrena dor conjurando,
em terrorosas manifestas lanças, mirando aos céus,
e que empunhadas são, por vís deformados retratos surgindo;

de minha calada alma, que monstruosamente convulsiona,
perturbada e tão inquieta, concebe;
à boca, o asqueroso feto do que fora um dia,
eis o defrontar da aberração, gritando verminosos venenos...
eis-me à mórbida reação, enterra-lo vivo sob seus aterrorizantes gritos...

ó demônio meu, ó demônio meu...!
ensanguentado cadáver mirando o céu,
voráz foi meu ímpeto, ao que se sucedeu...
não serei... como vós sois... não serei eu...!
mais um escravo deste mausoléu!

nem suponho, nem por medo, tal tornar-me,
mais um traste destes ser, nesse cativeiro...
uma rélis morta herança, um carniceiro;
no ápice d' um mistério, do que se arme,
detrás essa simplória porta, trancada...






Fazia tempo já que eu não postava, por falta de tempo, então vos mando esse, que conseguiu me fazer fritar a mufa... ele era para um concurso de poesias, mas... o prazo se esgotou, de qualquer forma iria posta-lo aqui... espero que gostem... vale observar a métrica das três primeiras estrofes e da ultima hueheuheuh

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ódio IV


mal venturado, já fora à si oposto...
antípoda, anódino à dor,
auto-farsante lamentando o gosto
de um dia, em que nominava-se amor...

 
lângue deidade em sujos restos tombada
de seus impérios destronada...
não mais grita agora, eu, um rei,
retumba vociférico, um demônio e a sua lei!

 
[em absurdo extremo, animal enervado,
absorto,
em destruir,
cerrados punhos conjuram,
juram
por si, entreabrir
a face, àquele aborto
tão mal realizado...]

 
eis um estrupício maldito,
anomalia andante,
há de ser, seu fim, escrito,
em sangue, - lixo ambulante!

 
sequer pagarão teu caixão,
te vais em pedaços, num saco preto,
direto
ao aterro,
rascunho do mapa do inferno, de gás és bojão,
indubitável fora, teu nascer, teu erro!

 
hiena que ri, muita merda provando,
requintada culinária crendo degustar,
um orgulhoso cruz credo à rua a desfilar,
suas amorfas banhas mostrando!
medíocre víbora a lançar,
lascívos venenos, de nada amenos,
que anseios estupidos, pretende alcaçar,
cretino e pagável, predico, por menos;

 
[por cada rima,
acima,
um nobel
literário
devia eu ganhar,
rio
à babel
que pus-me cunhar]

 
te ponhas, gralha! a gargalhar,
circense aberração infernal, do lodo advinda,
à lona ao picadeiro, posta a se amortalhar,
bem vinda!...
à ironia,
catatonia
sentes
até os dentes?...
                             tua moral
                                             trincar,
                                                            meu mal
                                                                           brincar...
                               é nula
                                             tua face,
                                                           é enlace
                                                                          de mula!
                                                                     

nessa caldeira a desvelar farsante,
podre e em ranho banhada, escrota...
como farás, à verdade perante
as tuas fuças, e máscaras se esgotam?

 
és dito, inválido passado, à frente
minha, tu, um infame outrora infimo...
não mais sou, com teu jogo complacente,
tampouco serei, perpetrante em insultos indecentes!

 
és névoa, deixada, inválida,
ao tempo a mercê,
fraquíssima fração dos restos
de um mundo,
pagarás consigo, tua dívida...!
dádiva... - e eis o que sincero anseio,
fraca é tua carne, em desfreio
à alma
em lama
que clama
sem calma
de si, fugir,
de seu próprio ser,
até o exaurir
de não mais poder ver;
quão tola foste
em utopias
vã criatura
vulgar,
que perdura
ao seu lugar,
teu inferno, tuas baixarias...!

 
esparzido elixir que fora um dia,
puro e belo, agora bosta e que exprime,
tal desprezo, que em minha face não se oprime,
és névoa de outrora
indo embora,
sinto-me como antes, quando nem, sequer lhe conhecia...












Poema escrito afim de definir mais uma manifestação desse incrivel sentimento chamado ÓDIO!
ódio por uma pessoa, por lembranças, o ódio que torna-se sarcasmo e cinismo, o mal vestido de palhaço com uma faca nas mãos... foi legal escrever esse poema e eu o tinha prometido postagens atrás, faltando mais três partes, e acreditem, serão tão sacanas quanto com outros temas, mas em si, foi o melhor de todos até agora que são denominados "Ódio" huehauheu... a tela foi até mesmo clichê, mas... pra interpretação desse peoma foi perfeita... espero que gostem...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Malignitude






queima o fogo da pira maldita,
e o meu rosto por um capuz é resguardado,
o trevoso sacrifício o mal incita,
deslucidando o bestialismo às trevas engendrado.

viscerais, perversos pensamentos tunanteiam,
e os sobressaltos sob as ações ponderadas desenfreiam,
dissipam-se as noções de piedade
quando a vingança obtem oportunidade.

eis chegada a hora, neste campo aberto,
onde a lua cheia está bem perto.


anuvia-se a floresta desolada
de temeridades tão dotada,
silenciosa presenciando
a langue vítima gritando...

o destino dita um rumo certo,
e a sua alma ao demônio logo oferto.


ímpio, horrendo e mortal, rompendo
a esta carne, de quem se debatendo
é pertencente, e vingança merece...
eis o destino de quem em bréu perece...

aos tão noturnos famintos coiotes,
em verde mato, salivando hostis,
eis vosso o jantar, senhores de ardís,
sagazes bestas, de artifícios e boicotes;


e essa treva, trastes tragam, trazendo a perto,
impulsos mil, dos quais não me liberto...

toda a noite, em cheia lua
é assim, tão fria e crua,
mortal viceja a vontade, impulsiva...
que sorte seja a do safo, e que viva
sem ao meu curso, incauto tornar,
tampouco tenha, infeliz, algo a pagar...

toda a noite, em cheia lua,
é assim, tão fria e crua,
rindo às culpas, eternos venenos,
pouco importantes p' ra mim, ao menos,
em seus histéricos gritos, clamando,
de cá acodar, e estar, apenas sonhando... ... ...

sábado, 24 de setembro de 2011

Um pêndulo na noite




como fera
a noite espera,
nessa vida
me propondo,
"nova era",
a partida;
d' onde me escondo...

um incerto pêndulo,
sob a água vai dançando,
mais nada estipulo,
à sina se desvelando,
e que a mim é pertencente...
mantenho-me assim, tão paciente.

um pêndulo incerto,
a esperada chave, ao seu lado, perto
pode estar, e tê-la apontado,
sem, nem mesmo dar a entender
por mais que muito tivesse contemplado...
bastando-nos, somente à madrugada perceber!




Poema escrito seguidamente do que postei abaixo, então, ambos são relativos...

Dois paraísos... Um inferno!




oh poeta, podeis bravamente escolher teu fado...!
pois sagaz às trilhas tu vieste,
agruras pungindo, d' outros mundos, desde o leste,
o sul conflagrando ao trespassar bem aventurado;

labinrínticos trilhos percursados provando,
sofreste, dentre os tantos sob a terra ajoelhados,
torne em versos, teus tesoiros encontrados,
dois distindos caminhos afrontando!

logrosas gêmeas estradas, paraísos ofertam,
por floridos bosques cercadas, mil fragrâncias destilam...
vangloriosas venúsias aos olhos desta alma outorgaram...
e que culposos suspiros, agora ao luar cultivam,

[ao que pisar
veemente...?!
sabendo
voar
contente
às instâncias da terra da lua,
nômade estando
a lembrar, os arquipélagos de estrelas,
crendo
à melíflua eternidade,
e outra crua
mutável causalidade,
tendo,
pois, consigo,
somente, mais imprevisíveis fitadas noites loucas belas...]



Considerações sobre esse poema:... digo que foi um poema não muito recente, o rascunho dele foi escrito numa época que pra mim, muitas coisas estavam se transformando e se desconstruindo até chegarem o que são hoje, de um reino que se apodreceu até o caos total, de onde os escombros jamais se levantarão novamente, e o jornar a um novo mundo cuja terra não se contaminou com imundícias, enfim, uma metáfora subjetiva sobre algumas fases minhas, não que isso importe muito, mas creio talvez que muitas pessoas tenham passado pela mesma merda. A moral dele, em si, é que muitas vezes poderiamos ter optado por um caminho mais dificil, todavia menos doloroso, que a felicidade estupida e repentina, sem requerir de o mínimo de esforço, que podemos conquistar um paraíso nesse mundo de merda, mas nenhum tesouro é possivel sem caçadas reais ou sacrifícios, uma moral que muitos dizem... mas verdadeira!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Valentina

partiste! sem sequer ter-me vindo,
fulgurante luz, que no imaginário se engendrara,
caminhando aos confins da inexistência...
és terna, pura, indome, e tão rara,
vagando em douradas marés,
ao indescrito tornando...

me perdoa! pois em treva te foste,
nobreza infante possuindo,

em teu túmulo... recoste!
um nascimento aguardando...
e à espera persistindo
às mundanas monstruosidades lhe esperando,

venhas! neste mundo, a enfrentar,
comigo! venhas a empunhar!
uma espada e pungir
tais bestas, postas em agoiros rugir,
venhas! destemida,
dadas as mãos, nada e ninguem nos intimida!





Gosto desse, por mais que muitas pessoas talvez não entendam, que tomem por suas próprias conclusões, espero que tenham gostado ;)

Harpa da morte



(Emerson Coveiro, Santiago Salinas Crow,
Edição: Sarah Lelis Crow)


vidas decorrem ao bailar dos dedos,
no vazio de suas notas,
a solidão me é consumida
consumando
toda a dor, que à existencia é confiada,

badalam as cordas,
sinos, choros de espiritos
que nelas tocaram, um dia,
proféticos foram, tais
que aos umbrais, em tormentos se entregaram,

inocentes! ei-los os submissos
ao adentrarem, à psicose etérea
melódica fúnebre marcha do altar da morte,
incontáveis escolhidos arrastando
em hediondas mutações tormentosas,

eis a harpa da morte, dádiva do submundo,
o inebriante arrepio dos deuses,
quais, trovejam macabros gritos, de horror...
eis-me aqui, com ela num delírio defrontado,
perpetrando a harmonia do caos...!


Um poema que com muito gosto vos posto, porra, ficou foda demais! *.*

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Silêncio




despojam das notas notórias,
inefáveis assíduos coros alma adentro,
eis o silêncio, a mór das sinfonias,
que ouvida pode, ser em ti, ao centro,

sons,
sem
tons,
tem
bons
cem
dons
mil,
de auto defrontares,
divindade verossimil,
tal que é esta à escuridade,
duma noite nada hostil,

mergulhado ao mar de tempo não corrente,
como em dias outros, cujo ofício é mais contente,
audíveis fazem-se, as trombetas, nuncio da solidão...
tornando em espectro, a abraçar, tão quieta entonação...



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pústula



profunda urgindo à vil e corrompida pele,
cuja chaga, voráz se arraiga nesse peito...
eis uma deformada asquerosidade, ao deleito
infecto, num emputrecer qual tal se impele;

fétida, e de uma horrenda pegajosa textura,
figurada, à mais torturosa agrura,
ímpia sentença concede
à sede
inquieta,
de meus restos, ainda consumir,
mórbida ninfeta;
calada a bramir,
à faceta
tão mordaz degradação...
podridão!
n' alma, vociferando a maldição,
deste asilo, maldita masmorra, prisão
de enfermos infelizes
fitando o céu...
qual destino terão? pra onde irei eu?!

e neste instante,
assíduo, estafante,
co' a dissolução, eis-me deparado,
à escuridão assolado,
...contando os dias do juízo...

arde, arde estridente, à carne, profunda,
por vezes, reflexo de uma sarna fecunda,
engrenando engendrados parasítas sanguinários,
vís demônios, asquerosos reis dos leprosários;

lego horrorizante,
a atroz e impactante
prece, num murmúrio, a praga,
ao destino, e a tal chaga...
...contando os dias do juízo...


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma transcrição...


Bem, vos deixo um soneto de um dos poetas que mais me influenciram, não somente em minhas poesias, mas de certa forma nas ideias também...
Esse é um soneto de Bocage, e que fiz uma transcrição ao meu jeito, isso faz bastante tempo, encontrei quando revirava uns rascunhos meus... E foi um exercício que aliás, estava no final do livro...
espero que gostem... :D


Ó retrato da morte! Ó noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho em teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.


E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.


Por Santiago Salinas Crow:


Ó morte retratada!
Ó noite amiga,
Cuja treva arrebata-me suspiros,
Prantos meus, testemunhais calada,
És pois, antiga secretária de meus desgostos.


Destine amor a quem sua dor confesse,
Tão quanto pio agasalho, em teu negro manto,
Ouve-os costumeira...
Entregue dormente, entretanto,
Está aquela, que delirar me obriga.


E vós cortesãos da escuridade,
Fantasmas triviais,
Soturnos mochos piadores,
Que do dia, e seus fulgores,
Tão como eu inimizais,


Clamores
Em bandos acudi!
Ensejo vossa medonha sociedade!
Decidi,
Fartar meu coração de horrores!






segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Turvos fios de espaguete




aquecidos fartos fios,
à pureza se encharcam intrincados,
longos, logo ao rubro lago aconchegados,
em si envolvem esguios,
fluentes rios
de espargidos gostos mesclados,

o odor, ardor tépido conjura...
rúbricos ínfimos grãos apercebem
os que, em seus paladares perdura
a placidez, dos apimentados atilhos
quais, embebem,
num instante, à lascívia, aos olhos...

clama, o claro queijo,
a acima neviscar... num estalo de beijo,
soa tal novelo a mudar
de lugar...
em linhos laçados formosos,
tecida alfombra de viéis cremosos,

confortante ensejo gera,
tentação atiça, co' a visão qual tivera,
ao jubiloso extase, prazer quase insuportável,
eis o defrontar do instinto, evidente, espontâneo insuperável,
verossímil ânsia inquieta, por cessar,
tornar, ao impetuoso impulso, de cuja face lambusar...



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A lágrima duma árvore


havia uma praça em frente ao mar,
e nesta avistávamos três bancos,
cada qual, com uma árvore para os guardar,
escolhemos a tal desprovida de primaverís flancos.

ao céu, a treva noturna punha-se a estar,
radiante vívida estrelada...

rubras núvens a sua figura alaranjar,
caía uma gota, resquício à chuva no ombro de minha amada.

eis água, uma lágrima
da senhora desflorescida,
que tão como as outras ser, estima.

porém fizera de sua morbidez ressequida,
persuasora beleza, moldura do luar visto acima,
por nós... à noite, até nossa partida.




Esse é um soneto antigo, e eu gosto dele, por mais que hoje em dia não me lembre nenhum sentimento considerável a não ser lembranças babaquinhas... ele é ótimo, fora do meu contexto mais normal e que eu mais curto em mim também... mas fodastico!
A beleza não está somente no que é aparentemente belo, e sim aquilo que elas que elas representam.
isso deveras tá longe de ser um soneto de amor...

Rebelia






roubados, coagidos, abusados,
cotidianos milagreiros ressucitando a cada dia,
suas almas penhorando, por uma vital mesquinharia,
diante os cães lhes cuspindo aos rostos fatigados,

fustigados,
pelo tempo
que não volta,
o exemplo,
de quem na jaula
se conforma
não se solta,
à ideal forma
pelo corrompido estado almejada,
torpe presa
em seu próprio cativeiro guardada,
a marionete endividada,
condenada
à própria mesa...

atrofiados pássaros sacos de pedra carregando,
até, quando não mais, estiverem aguentando,
desfalescidos de gritar,
que a ferida eles vêem, e não podem questionar,

prostrados em reclamar,
a Deus, a seca terra, o sujo mar,
caminhando em marcados passos,
sem o horizonte saber contemplar,
roendo os restos de ossos
que os ladradores ladrões
puseram-se a deixar,
embolsando milhões
frente os desesperados trabalhando,
e os tronando
para as migalhas no chão poderem catar...

e os cínicos sorrisos presenteiam, prometendo
as melhoras jamais de fato acontecendo,
desavergonhados vampiros puxando a corrente,
profetas vazios, não tendo mais o que se invente

a dizer,
a propor,
a fazer,
no torpor...
carcomendo as riquezas dos cófres
públicos,
espumando aos dentes enxofres
rábicos,
a droga
da ignorância,
que roga
por nossa falência
alimentando
os temerosos bois se acorrentando
ao conformismo suas alugadas almas angustiando...

as torres imponentes, ostentam descaradas,
os fúteis luxos, de ladroagens declaradas,
desfrutam as sarnas, do poder, à mão armada
que intervêm, se a rebelia for criada.




Um poema que eu escrevi um tempo atrás e tinha até postado em outro blog... mas resolvi postar ele aqui, por simplesmente gostar muito dele, foi o melhor que eu fiz sobre isso... rebeldia nessa porra!

O blog em que ele foi postado antes

http://contraculturaparaty.blogspot.com/




sábado, 20 de agosto de 2011

Não sou ovelha!



Repudio céu e inferno,
Anseio um feminil rosto terno,
A comigo, em cada noite se deitar,
A um deus, que o paraíso tem-me a outorgar...

Dogmas desdenho, arcando com as profundezas,
Profundezas de meu ser,
Que ao pós-mortem de si dono é,
Às suas certezas, um próprio universo fazer, e em tal ter fé...

Como a rapina, sob a grandeza da montanha,
Rasando aos noturnos antros, como espiã,
Salvando consigo, a liberdade, ante a farsa cristã...
Eis a mais perigosa arma, vicejando à cada entranha...

Material imortal
Sonhador
Noturnal,
De si
Senhor insone,
Mirando
O mar indome,
Às velhas varandas,
Veredas
De outrora...
Que embora
Irá
Quando bem entender,
E nada fará
Por tais vastas vilezas vistas
Como vestes, em vagos vermes
Vulgares
Vagando,
Vis
Vultos
Volvendo
À veraz
Forma
Formal,
Farsando em si
A ausência
Dum asqueroso animal!

Valente vigore a voraz vontade!
De não ser mais um, dentre a massa imbecil,
Tampouco uma ovelha à comodidade,
Dos bradados ladrares que os rumam ao fardo pueril,
De ser mais um usurpado temente,
Tolo, paspalho, “incondicional” conivente,
À farsa envolta, obscura podridão,
Que se embebem do lodo, marchando à destruição!



terça-feira, 16 de agosto de 2011

O mar dos malditos - Bem vindo a bordo!



bem vindo à bordo, clandestino!
que por tuas forças te engajaste,
a neste convés, coabitar com as pestes...
agora desvelado o segredo, eis um rato sem destino!

lhe agraciem os torpores dum trago maldito!
o pernoitar conosco, à insanidade infernal,
cruzando os mares, no assustador nevoeiro eternal...
éras tu, meu mal, o inimigo que nas cartas fora predito!

provai o efêmero licor da loucura!
espargido em seios sem nem mais qualquer candura,
livrai de ti, os labores puritanos,
arraiga-te, à demoniaca devassidão conquistada com os anos!

te entrega à praga, no peito retumbando a lamúria infante...!
inquisitor, cuja carne ainda habita o casulo transmigrado,
pois foste tu, àquela velha vila à vista, perseguido e açoitado...
carnal carcome, à tua alma, tal verdade apavorante...

inefáveis são, os males mil e mistérios do horizonte,
que acortinas, imprudente à tua fronte,
prova-os! como um gotejo inquieto, e sedento ao profundo azul,
flertes co' as sereias, e senhoras das águas do sul!

sabes, que o sabre sabio convoca a sangria,
viste?! veraz, se abre o vão da morte maligna...
eis-nos todos ao navio do além, onde o agoiro é paradigma...
legado eterno, de quem morto aqui se faz, e se cria...

és filho de Satanás, que co' o sempre nos castiga,
és clandestino, numa flauta tocando a melodia dos condenados!
risonhos, dançamos os odiosos cânticos inferno... enquanto se siga,
a ultima gota d' água, nesses caldeirões de mitos incontados...






Mais que vos deixo aqui, depois de um tempo escrito, gostei muito desse poema... foi algo diferente, escrevi ele destituído de qualquer rancor, ou inspirado em lembranças, pelo contrário, pensei escrevendo no futuro, nesse que ainda está por se conjurar imprevisível... eis-me ao inefável prazer de poder não saber o que me espera, os demônios velados às cortinas, onde estarão os tesouros enterrados no chão qual piso... como serão suas faces...? o quão brilharão esses rubís...? cada momento... simplesmente aproveito até a ultima gota... no desconhecido.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poético crocitar




destituo-me afinal, às vazias falácias tecidas
em mantos, amarras de pseudo-encantos,
em vãos versos ditos, e tantos,
cuja poesia já se fora escorrida.

desbotadas teias que de seda intitulam...
incontáveis dissertações inuteis, estipulam
as aranhas nada mais fazendo, que assobiar,
mal sabendo, pois, seus próprios pontos escalar;

atrizes artistas para si, em oito patas dançantes,
que de meritório vêem, no chão, tropeçantes compassar?
lhes faltam proeza, e gestos menos arrogantes,
pecam à crueza, anseiam mais que o teto, poder mandar...

calafrios resguardam-se, às negras plumas noturnais,
e das montanhas um brado ecoa, um vigorante crocitar,
eis a dádiva maldita da liberdade, estrondosa, e o espírito a tornar,
um real poeta... dono de si... queiram ou não, os divinos tribunais;

provar, do elixir da insanidade,
rir-la à cara, de seus medos mascarada,
beber com seus demonios de temerosidade,
dar-lhes, vinho gentilmente, à garrafada!

gritar às indomes fronteiras dos mares,
navegar em sonhos, desfrutando tresloucados amores,
ser dono de si, frente os altares,
gravar ao tempo, os passos da alma, e seus clamores!





Eis que vos lego o que penso disso tudo, que ser poeta é bem mais do que encher a boca pra dizer belas palavras vazias, dissertar sobre inutilidades, me submeter a mediocridade... aliás, se tem algo que o ser humano nunca deveria ansiar, é a mediocridade, e tampouco contentar-se com ela... deveria pois, buscar de todas as formas consumar seus mais puros desejos, e não digo aqui, numa visão esotérica do termo, digo à essência real e sem medos ou farsas arraigadas em suas mentes, o lado mais puro e infante de sua alma... a verdade, nisso tudo, é simplesmente permear seu próprio mundo, ao invés de viver à órbita dum mundo forjado, ser por si, e nada mais, ser pelo que se sente, e pelo que se acredita...

Ódio imortal...





jamais curvado, sob espada alguma,
e em meu sangue a essência do ódio, em suma,
à insanidade, faz-me gritar,
os punhos cerrar,
e as unhas cravar,
nas próprias palmas,
e nessas almas,
asquerosas,
vís crápulas, mentirosas,
me fechando a cara,
o que sobrara,
de amizade, em falsidade,
mergulhada...

um feitiço,
simplória agulhada,
queimem logo às chamas,
reverentes ímpias damas
estas
compactuando
comigo,
bestas
encarnando
eu sigo,
testas
chutando
me instigo
a imaginar...
inimigos inertes nefastos, clêmencia implorando!

segue ardente, ardiloso,
como um rubro rubi precioso,
infinito, infame, infindável,
tesouro dos fortes,
na arca indomável,
explodindo em quaisquer portes...

estourando espontâneo, horroroso,
o forte licor do mal, intragável e rancoroso,
às adegas do calabouço... de meu espírito incansável,
mil armas tenho, para muitos males vos fazer...
eis o núncio do tormento irremediável!
eis um ódio incomensurável, e que jamais irá fenecer...




yeah \,,/, O ódio é um sentimento lindo mesmo... kkkkkkkk


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Venosa morfina, de fél... Minha sina




uma grotesca caminhada
ensimesmado, eu sigo,
e nesta rua macabra,
ao ódio me instigo!

voráz, predatória,
me esculpe à face
a história
qual a mim, enrubesce,
num negror adentro a alma que enaltece
sua forma, em névoa,
uma face que voa,
um brado que ecoa,
no horizonte tomado...

por trevas errantes,
não mais como antes,
espreitas domadas,
cativas, fitadas
ao longe, aplaudindo
a minha beira de abismo,
assombrosa, e a nós vindo...
tocam-me ao ombro,
sussurram no ouvido,
fealdosas venúsias
que até mesmo nos nervos, houvera eu as sentido...

o sonurno silêncio, à minha insanidade se alia,
esdruxulo ofusca-se, um restante traço de benevolência,
ainseio por vê-los implorando clemência,
ó tolos abutres! carniçais algozes meus, quando ainda era dia;

estrondam os metais, trincados prantos à sala de meu antro,
o remoto refúgio, de recordações o resguardo,
em pergaminhos perdidos à mente, perdurando tal fardo...
lampejantes lapsos levam-me, novamente ao encontro;

do agreste negrume,
e que pérfido se assume,
se arraigando às entranhas,
como teias
de aranhas,
e às veias
não estranhas...
outrora
mais imperara
tal pestilento
rancor...
embora,
sequer me arrancara
no intento,
o meu vivo ardor...

...do rosto, às margens das luzes
sorrindo,
espontâneo, e seguindo,
n' alma ferido
em atrozes
pernoites,
de pesadelos habitados,
num luar mais, aos ecos calados...


sexta-feira, 22 de julho de 2011

18 de março

arrepios crocitam às alcovas do horror,
grotesca fizera-se, a risonha face das trevas
clamando pois, impiedosas, pelo assassínio d' alma
em angústia submersa, ao gelível negro mar de desespero,

abruptamente desperta, num espasmo horrorizada,
à mente fugitiva, e que no assíduo delírio fora afogada...
respirando discórdia, às lamúrias insanas, distorcendo a realidade,
à solitária misteriosa noite, lhe provendo uma estranha terna falsidade;

aterradores impulsos imperam, não os podendo controlar,
na aspereza à situação, se fazendo conjurar,
impedido à inércia, embebido à força, pelo fél do medo,
contemplando o insano tempo respirar... suspirar açoites...

figuram-se aos cantos, sombras, notados espantos,
pesadelos estes tais, tantos são... imitando os prantos...
lágrimas, licores se tornam,
à festa destes, vís assombros, que em taças as entornam...
levemente, assolam libidinosos as garras à pele do pescoço;

e uma sinistra valsa retumba do oculto semblante penumbroso,
do horizonte provinda, o enigmático negrume tenebroso...
jaz meu zelo, ao meu medo... grilhões se arrastam,
os ouço, não se afastam...
sussurros cansados... gritos de ódio inimagináveis;

repentinos intrusos riem-me, palhaços deformados,
terrorosas faces, que a porta destroçaram,
tamancos de espadas, pois bastardos usaram,
ao compassarem sob meus espirituais restos, tombados...
fronte o espelho, sangue e lágrimas se esvaem,
confabulo mil prognósticos deste eu contemplado,
cuja interna e brutal besta, a carne rompeu... gritado,
legara o estilhaçar por meus demônios quais, não mais caem!

desolados campos percursados inebriam,
névoas em ofuscados mosaicos, o tempo todo os recriam...
vagar de encontro ao hediondo torpor, a mim perante,
mergulhar no terror mortal, doce e audaz farsante,
detrás tal face, o nefasto sacrilégio escondendo...
torturam-me os internos partidos cacos... e assim sendo,
eis tal noite insã, meu amargo ópio do pesadelo imponderável,
o deparar... com esse macabro sorriso da atroz escuridão infindável.







Nada de mais a se falar desse poema, só que foi um dos melhores qe eu já escrevi... na minha opinião...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vosso sepultamento



te atrevas... em rir-me infame, novamente,
como antes fizeste, em tua farsa insolente...
sequer te ponhas incauta a mover,
teu semblante, dessa expressão, em horror, qual me apraz ver...

trevas, postas aos cantos, se revelam esfaimadas,
e quão vorazes perpetraram nossas ímpias tempestades,
do cemitério rangeram as grades, à neblina afagadas,

em macabras ardentes volúpias, contemplando...

vosso triste e cruel final,
vos, que sois da corja maldita, raiz de nosso mal...
fitem, pois, amordaçados e impotentes,
o vociferar gélido do vento sob a terra de teus túmulos...

é meia noite, e os corvos gritam tresloucados,
à histeria dos assombros terrorosos, gargalhando,
ao luar sombrio e sinistro, cuja morbidez nós todos provando
estamos... badalaram os sinos da igreja, longínquos retumbados...

fitem-nas, tais que são as brasas do fogaréu impiedoso,
traçando perante à vós, o núncio da dor e da tortura,
fulgurantes fulminando, vossa arrogância e a falsa ternura,
ao coro nosso, de tão sádico prazer, em tal momento tormentoso,

como animais amarrados, impotentes...
amordaçados... ao esganiçar total na angústia...

purificai vosso todo mal, com as lascívias ardentes,
às chamas, provindas... nessa névoa que nos consome e inebria...

um sorriso à face brotado, clama insanamente,
por dar-lhes sádico e infame, o direito dum explicito desvelo...
lavar vossas almas, num irônico e insuportável pesadelo...
e os sepultando, ao ainda persistente clamor por clemência... lentamente...

como belas são as flores! no sepulcro, aqui legadas,
sorvendo a harmônica paz, no lúgubre, e confortante ar...
oh, bela amada minha que aqui te puseste ao meu lado sentar...

a vingança desfrutemos! à nossa eterna paz libertos, vislumbrando as enseadas...





Hum... simplesmente não sei muito bem o que dizer sobre esse poema, até eu mesmo fiquei um tanto impressionado dessa vez, simplesmente foi o melhor poema, na minha opinião, que eu consegui escrever, o mais macabro e sinistro, o mais cheio de ódio, o mais próximo daquilo que eu quero alcançar... é meu favorito dentre tudo o que eu já consegui fazer, dedico essa poesia a uma pessoa muito especial pra mim, e ela vai saber que é ela quando ler a postagem... Te amo demais!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Outrora




ei, tu que me fitas, sob esta calçada sentada,
sorrindo a mim, num cisnismo irritante,
estás fria como o gelo de minha alma,
pois viveste, estes todos anos, no nada;

nunca soubestes o que é uma chama!?
às mãos conjuradas, desconheces quem lhe ama...
jamais percebeste, o valor duma flor!?
tampouco de amores teus, platônicos, as tiveste um dia...

permita-me dá-la!
permita-me toca-la!
mais uma vez,
em nossos rumos de insensatez...

ao umbral das noites infernais, fui destinado,
e de meus paradísicos reinos, fora eu distado,
putridez remoendo em ácidos calabouços sentimentais,
à tortuosa insana existência minha, sofrendo amarguras;

crocitaram envoltos... robustos assombros em rubros mantos,
à gelível neblina de meu perpétuo decreto,
sob as grades entretidas, entretanto melindrosas,
perseguidoras, perspegando algumas réstias de afeto...

riram-me as gralhas, à queda do pedestal,
me tiveste, e infame, e alimentaste meu mal,
possuindo-me num odioso desgaste
de outrora, recordado, e no qual tu, por tola te passaste;

reprimi-lhe tuas viscerais, e vulgares ânsias,
e odiaste-me co' uma hostil pureza,
fez-me ver, em deveras, de certeza,
quão falsas foram, por tua ternura, as minhas crenças...

permita-me tocar-te...
permita-me dar-te...
tal negra flor, em sua própria putridez,
meu mór delírio colérico... minha eminente, e ultima insensatez...

domingo, 3 de julho de 2011

Arpões




sanguíneas gotejam-me as lágrimas do peito,
rubras, intentando esquecer o que há sido feito...
ao meu desejar abstinente dum feminil afago,
às trevas da noite, onde me indago
com periódicos porques, por quais passei,
vagando, em augúrios que formulei;

póstumos passos em solos selados,
não mais dão pistas, dos caminhos de errantes
sonhares, irrevolvíveis, conjurados,
e em résquias... restantes
aos tantos cantos
de espantos...

marcados
em fatos,
retratos
dos ratos
de angústias compostos,
à gélida escuridão
impostos...

rostos
manifestados
ocultos
vultos
se mostram ser,
pernoitados
em ermos
campos
quais pus-me a rever;

lembro o cheiro, e beiro, o receio
por lá voltar, não resistir,
me render, vacilar...
um passo em cheio
no erro, e chafurdar,
o pé no lodaçal, e tal, minha alma irá consumir...

e como arpões em carne, sagrarão meu coração,
o falho amor, entalho da flor queimando
à insanidade, corroendo-me à insuportável solidão,
junto à apatia, que cúmplice se demonstrando...
desfalescera-me ao perfidar do destino, perdido...
o esvaecer dum espectro, pela melancolia, agora, regido.

Fotos...



ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
pra sempre lembrado, será, esse dia,
conturbado
o ultimo instante após, o conjurar de nossas jornadas...

me afaga a tristeza, num grito supremo,
consome, do fato, a crueza,
dum gelar extremo,
à hostil, real aspereza, a estóica certeza...

de vê-la caminhar longinqua, ao eterno
desencontro, nesse imenso mundo,
me soa, - como nos soava, - o brisar do inverno...
o desnorteio, certo é, em inconstâncias, perdidos somos,

inquietam-me as ânsias...
não será, o amanhã, como gostaria,
sequer suponho, como serão os próximos dias...
lembro-me, de quando comigo, seu semblante se abria...

ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
cinzas, momentos cremados ao sono do vazio espaço,
calado, um grito, eu ouço, o brado do escuro
em minha mente... tu não mais me amas...

ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
pra sempre lembrado, será, esse maldito dia,
nem mais vestígios nostálgicos, de ti, existem...
sequer suponho, como serão os próximos tempos...



domingo, 26 de junho de 2011

Minha magia




despertara em mim, o poder de todas estrelas,
loucamente tocaram os zéfiros suas cornetas,
me avistaram mil cadentes estrelas e cometas,
ao formular em ideia, suas feições belas;

e os reis, de seus tronos se ergueram,
dos quatro elementos, estes, pois eram,
briosos saudando-me, empíricos
concedendo-me suas frotas, e poderes mágicos;

no palácio, alegremente às plataformas,
por cima voavam os dragões, em suas místicas formas,
bradaram os batalhões postos, lanceiros
ao gritos de "avante", cantavam os guerreiros,

às montanhas, os bosques, espíritos ancestrais deslindaram,
e os gnomos de suas tocas dislumbraram...
o nascer das brisas invernais azularadas
ao afagar da cor celeste, em pureza reavivadas;

segredos conceberam-me os grifos, elfos, fadas,
em rapsódias eternas, e lembradas,
incontáveis fogos, fulgiram ardendo à aurora inebriante,
flautas, sinfonias, percussões, guitarras, gaitas... se ouviram retumbantes.

eis a magia que em mim habita,
eis o poder que ao coração palpita,
a voluptuosa incerteza dos dias seguintes, plantando a semente
dos passos sem chão, o mais belo esvoaçar de minha mente...


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ódio do mundo






o que pelo mundo rejeitado
rebelia ofereceu,
em sua tépida cama deitado
por dentro feneceu,
à inércia amargurado,
num mundo inexpressivo,
incerto, e fatigado,
de gênio explosivo,
não mais ama nem espera
que a vida seja bela,
grita n' angústia como fera,
o berro de alguém que se rebela.

desesperança
sofre tal criança
noturna,
sonurna
em se deparar
que tudo farsa fora,
e ninguém vai reparar,
nessa noite vai embora
a última lágrima posta a secar,
e seu punho se cerrar,
e no semblante florescerá
o desprezo à tudo que verá...

trevas, horror, devassidão,
egoísmo, cólera, estupidez,
amores em utopias se converteram...
recostado num canto ao chão,
eis uma labareda humana à languidez
de si, nos amargores da vida
que se sucederam,
uma criatura esquecida...
o fantasma em angústia,
a besta aprisionada,
o louco amante, sem nada,
o sonhador que não se sacia...



É isso que me consome nesses dias, esse sentimento... não demorei muito a fazer esse poema, meia hora, agora pouco, tomou um ritmo mais semelhante de como escrevia anteriormente, tirando, é claro, a crueza, é uma coisa mais fluente... sinceramente gostei do poema... se puderem comentem... vlw

Guardião de si




só, de sí guardião,
um subversívo, mal dita aberração,
aos campos de carnagens, andando
num reflexivo embate tomando
seu próprio sangue ao chão...

o odor, por demônios sentido fora, à sétima noite...
atrozes faces senhoriais das trevas, perpetraram
às suas próprias formas no terror explícito,
o silencioso afogamento em águas de angústia
n' alma simplória, sobrevivente aos inimigos...

o céu vermelho ofuscante, sombria morbidez tramara,
gelível fizera-se a esperança ao afundar-se a espada,
- ardente e voráz herança, tudo que lhe sobrara...
à decrépita hediondez manifesta e desgraçada,
miseráveis sofrimentos concebendo, a cada punhalada...

decapitados assombros no nimbo gritaram,
cavaleiros disformes, em rumo marchavam, em avante
grunhindo, em escombros o agoiro gritante,
sedentos por almas, a maldição da humanidade
em guerra provando, sua toda motriz e terrorosa felicidade
à real torpeza solitária, de mil golpes desferidos...

jamais quebra-se-á a espada dos versos errantes
cerrados, aos punhos marcados, cardíacos, antes
tristonhos, revoltosos agora, conjurando versos em instantes,
a arma inquebrável num mundo ríspido, de verdades e honras despido,
temível, pondo a prova amores eternos, e sepultados...
a única e veráz dádiva, daquele que escreve com soturno rosto enrusbescido.

Vossos planos estraguei




vossos planos, eu cínico estraguei,
quando a visão de minha vitória outorguei
às tuas vistas, coléricamente me olhando,
como se uma atroz ação, tivera eu perpetrando,

jamais esquecer-me-ei de vossos semblantes,
não tão fechados antes
como agora...
sou o carrasco levando-os acorrentados embora;

ratazanas verminosas, dum esgoto de morbidez,
aspirando alegrias ao negrume de minha sina,
ao choque de realidade, perdendo a vez
de se aproveitarem, à inesperada cena que se descortina...


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Como uma folha... Sem rumo no mar...

não percebeste, feliz encontro-me à desgraça,
perdido, uma criança ao penhasco, ao vislumbre da maré vasta,
num angelical desnorteio, algo esperando, como na praça
àquele dia... ingênuo, escutando consigo, um familiar, nostálgico "basta";

lembrada vez, tal qual a bola às mãos mantinha,
evaporando-se o Pantalone, à penumbra, como o amigo perdido,
cantatas ouvindo, dos duendes futurando-me um mundo antigo...
um dia disseram-me, que lá, novamente eu pisaria;

sangria e medo, desfrutara disso minha alma gelada,
ao vento, à geada, o cair das alaranjadas folhas do bosque
detrás as pedreiras, numa solitude esperada,
aqui, como parei não sei, às relvas, não há quem não se enrosque,
mesmo a trilha conhecendo, inapto de opções ter...

ao longe, nuns balanços, algumas crianças, as posso ver...
manifestara-se meu ultimo vestígio de infância,
num desejo, uma ansia, por lá estar sentado, voar poder
em segundos, cujo plainar jamais ocorre à relutância,
de em movimentos, com as mãos à corrente segurar...

te lembras, ao meu dizer sobre as folhas,
no abismo sopradas bem longe, aterrissando como bolhas?
o céu, parece estar dormindo no escuro, sem medo,
fulge a lua, suprema força de meu credo;
me sorrindo, ao do alto ter de me atirar...

como uma verde folha, à caudalosa tempestade,
um vento talvez, sem rumo ou destino,
merencório, numa ironia risonha, do desatino,
sob toda a inconsistente imprevisível imensidade...


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Holográfico portal...


duas almas, sob as plataformas no negrume estagnadas...

galáxias, perpetram assíduas o piscar estrelado...
eis o defrontar dual, contrastando universos
inversos, o silencioso troar soara adimirado;

congelante fizera-se o frio, mais denso,
e um "nunca" no espaço, tornando propenso
o infindável vagar meio multidões d 'outras espécies...
nações cada quais seus ídolos consagram, ignorando estranhas preces;

grandiosa fora a miudez duns poucos metros,
tornados ao místico portal da terra dos seis espectros,
onde lângue recostava-se tal flor, nestes tempos já tão rara,
que o amor com singelez, eu consquistara...

magnéticos rios ante os chãos metálicos, segregavam,

tais almas no eterno... desplicentes deparadas,
mutuamente se fitando merencórias,
às distâncias, cada vez mais desveladas;

tremulam às trevas pensamentos, ao perigo desatentos,
à gravidade um audaz salto fez-se lento, em movimentos...
o tocar dos pés num outro mundo,
onde bradara a voz, o dizer dum tolo mudo;

holográficos toques ondularam à mão,
cadente fizera-se dislumbre, num aceito perdão,
tardia, fenecera aquela amada passagem,
fora um pranto, ali, sua ultima vista imagem...


perambulando, por estradas de planetas,
travando incansável, imensas jornadas,
um feiche sou, de centésimos mortais, à perpetuidade,
ávido, por resgatar, minha única preciosidade...




Um pouco diferente do que costumo fazer... mas gostei de escrever sobre isso usando esse tipo de cenário... hehe

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Solitários gélidos suspiros...

sabeis o quão lhe amo,
aprisionado entre os véis?
a escuridão tomou a cozinha,

possuindo tudo, à noite dos silfos;

entendeis a grandeza de meu zelo,
detrás as cortinas me exilando?
vaga a lua madrugando comigo,
e espreita, faz-se notar, uma sombra antiga;

imaginais quanto amor lhe tenho,

pelos brancos panos envolvido?
rumores ouvi, dum julgamento,
onde a ansiada carta revelaria;

o que sentimos, desde tua volta do inferno,
ante os sutís mistérios ainda ocultos,
cultivados sobre os campos de incertezas...
à prova pondo, nosso matrimônio eterno,
o dramático espetáculo dos ardís vultos
aos cantos pernoitando ligeiros, fitando cruezas;

punhaladas temendo-lhe, sem vís adagas ver,

sugestionado aos pardieiros de meu ser,
a fio contados centésimos de plácida tortura,
áridos gélidos suspiros solitário eu libertara,
subindo aos arvoredos, nos flancos à altura
do desespero, recostado infante dando a cara...

em meio o julgamento dos três martelos,
um coração ao lado, sob a mesa palpita,
... o baralho de testumunhas marcadas...
ignoraram nossos amantes apelos,
a verdade viceja sob a enrubescida face aflita,

queimam-se os martelos, legam-se a cicatrizes causadas...

se ensandece o bater, mórbido frenético,
franzindo frações, meus fragmentos de nada;
arde em labaredas, arde até o céu,
ligeiro à galopada, cremando o véu,
volvendo-me à gélida impiedosa madrugada,

do luar qual, não mais beleza reinvindico...



Esse poema foi escrito ao decorrer do tempo, por partes, e sofrendo modificações a cada vez que eu escrevia... não digo que tenha ficado tão bom quanto "Horrores" mas ficou bem legal, se vendo que ambos compartilham do mesmo sentimento...
comentem ai, :D