segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A linha da bruxa...


gerações sucederam-se
em batalhas intermináveis,
a magia negra fora imposta
tornando às vistas, pesadelos mil inomináveis...

legiões demoníacas marchavam
às ruas da cidade, sem trégua,
ímpios guerra declaravam
sacrificando os resquícios duma possível salvação...

céus pitorescos
bestiais seres envolvem grotescos,
e tais, soturnos melindrosos pernoitam
pelos cantos fétidos, de aspectos dantescos...

sacrilégio cometera eu, incauto a adentrar,
um covil sujismundo, - como outros mais - e encontrar,
uma maligna mulher estranha, e seu olhar
insano trevoso a me tomar.

dominara minha mente,
oráculos haviam em sua mesa...
paralisara-me cruelmente
contemplando uma vela acesa,
aproximara-se lentamente
num psicológico caos, onde ela ilesa
meu sangue sente,
e o toma.

à garganta escorrendo
sob a anuências da minha pele desfigurada,
- oh, delírio macabro, inefável!
visto ao brilho do seu olhar
refletindo,
aturdindo,
fazendo-me presa de tal diablérie
por uma dama satânica cometida.

inconstante pelo salão, ouvia suas pisadas perambuladas
no chão desse cenário nefasto,
peçonha respingava-lhe à boca,
terrivelmente me contemplava,
e as lúgubres faces ali entocadas
com rezas não as afasto,
sombria cautelosamente me toca,
na minha dor, perniciosa se deleitava.

muitas almas ao recanto
á minha algoz serviam,
emanando diabólicos encantos sussurrados,
fundindo-se ao gritos ininteligíveis vociferados
carregando consigo, certos deboches fatigados...
indefeso, obsoleto,
o ritual testemunho
atribuído ao seu feminil cunho.

fatigado, exaltado,
assustado, belicoso,
eu ficara...
tormentoso,
horroroso
é o ambiente
ao qual estara,
inclemente
esta molestara
o que restara
da minha alma,
e da calma
que a mim abandonara
à aspereza
daquele corpo frígido
pela malevolência regido,
e atava-me
num pútrido lodaçal
espiritual...
o pavor agora assolava-me...

uma negra adaga empunhando
vai esta criatura seu doentio ensejo perpetrando,
e à obscura noite apagando
minha luminosa esperança, minha luz opaca
ao resplandecer do fim...
encostando-me ao pescoço, a lâmina da tal faca
faz de mim
um fugitivo dum delirado instante...

deparo-me fora de um breve êxtase ocorrido
frente a uma feiticeira de rosto sofrido,
num minuto posterior a suas advinhas me ofertar,
e noutros dois anteriores dela me matar...
sigo percurso, renunciando qualquer necessidade,
cursando as enigmáticas ruas da desconhecida cidade,
sentindo como se de fato
houvera ela, cometido aquele ato...





segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pragas poéticas :



http://versificadosagoiros.blogspot.com/


Bem meus caros, esse é um outro blog que eu fiz um tempo atrás no intento de conseguir mais algum espaço... porém, ele anda meio parado e quase não entra ninguém... então resolvi por o link aqui...

A imagem da entrada é uma obra do pintor alemão Henry Fuseli...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

UM LOBO


caminhando, devastando,
nos nevoeiros do bosque inóspito, cometendo
mais um dia diablérico que a sua sina vai tecendo,
lascívo sob seu desespero, vai o ódio tomando
a existência de seu ser,
não podendo mais, sua féricas reações conter...

ponderara,

tentara
pacífico parecer,
mesmo quando a esperança
denotara um dia padecer,
lágrimas suas adentro
lança
ao centro
dum negro coração
por natureza solitário,
tragando escuridão...

à lembrança retoma imagens de tempos infantes,
porém, critico contemplando-se percebe

que nada mais é como antes...
esmoreceram suas colinas, não mais pura é, a água qual bebe.

iroso, revoltado, confuso, ensandecido,
a treva aparenta tudo tomar,
o amor fora um luxo em que duvidar
perspicaz, neste mundo, o torna precavido.

gritando por rancor,
no intento
de extrair
os vermes de sua dor,

no momento
disposto
em despir
o rosto
do próprio espirito...

rosnando às traiçoeiras aberrações,
interesseiras, ofertando regalos e consagrações,
com furia latente em seus olhos de trovões
explodindo ímpia às serpentes,
tresloucado co'os impetuosos dentes,
vai desarmando armadilhas

filhas
dos tão conhecidos chacais e escorpiões.







Resolvi postar esse poema hoje... houvera eu escrito ele a uns dias atrás quando algo conseguiu me animar, mesmo sendo esse sentimento o ódio, ódio por muitas pessoas que me rodeiam, e pelo mundo... de fato já tô de saco cheio da hipocrisia e da falsidade humana... canso-me de tanta podridão à volta... todos tentando ferrar uns aos outros... não passando de vermes vivendo nas suas vidas vazias e patéticas... embriagando-se de ilusões mesquinhas... gananciosas, famintas lutando sujo por um fardo que nem ao menos poderão carregar...
a imagem é uma capa dum disco do Catamenia, Wintenight tragedies...



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011



QUEDA ÀS ESTRELAS


incerto, indecifrável é o vazio consumidor,
alojado intricando-se em incógnitas
fugindo às plausíveis ideias de causalidade,
como começo dum amor,
e tal, temível de incertezas infinitas...

consumindo está este sentimento
explodindo na noite até o céu,
indefinível indefinindo
talvez, um pressentimento...
até às estrelas, lá estou eu...

à espera dum fim, como se ensejasse um introito,
estando seguro, respirando ares dum moribundo,
ideias turvas, pairam e me tornam um afoito
que descobre um novo vasto mundo.

espiralando labaredas cadentes num universo inconstante,
veloz, rasgando o negrume como as vidas decorridas num instante
em que um temor calmamente no indescoberto vai caminhante...
distando-me de quaisquer preocupações, mergulhando às constelações...

e numa queda velozmente
sinto-me perder o controle,
vorazmente
o negrume
me engole,
e eu, como vagalume
o bréu traço
com a luz que faço,
como um clarão no betume
ou do alto dum cume
explicações caço...

encarnações mil por segundo, vou tecendo
no auge da minha existência que vai acontecendo,
pensando em infindáveis formas, de na lua chegar,
num momento
constante,
com o intento
de lá pousar...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sujo e agressivo



chame-me de sujo
quiçá agressivo,
pairam sobre mim, ideias de cunho cujo
tornam-se de um demente subversivo,
porém, sobrepujo
a realidade do mundo corrosivo...


ventam os augúrios noturnos,
às copas dos carvalhos lançando
olhares a mim destinando
a angustia nos diversos turnos,
e estes tais minha existência vão abrangendo
continuamente, esperanças estão desfalecendo.


misterioso vela-se o futuro
aludindo um caminho duro
desgraças mil, à mente supositados
e vistos além dos vidros embaçados
da jenela, o real portal,
presentando o inconstante vasto boçal...

prostrado confuso existindo por existir,
resguardando incógnitas ocultas
pronto a despir
bestas mascaradas nas suas ruas caminhantes,
moralmente entorpecidas, queixando-se das faltas
de frívolas riquezas abundantes...


ó boçal-mór, logo porei-me a pisar-te,
como filho provindo da terra de teus horizontes,
requerindo minha parte,
transpassando vossas pontes
de misérias abaixo tão retratadas,
deparando-me talvez, co'a aridez de tuas estradas.


devaneio co'o alcool,
deliro com possíveis transas,
equiparo-me a um rabisco desenhado
num papel branco e amassado,
ardendo nos impiedosos raiares do sol,
- de agredir, tu ó mundo, não te cansas?...


chovem lágrimas da noite sinistra
clarões abruptos relampejando,
o desespero esta tal ministra,
e os estridentes miados o silêncio vão rasgando,
corre dedo, perseguindo as gotas d'outro lado
das vidraças de transparente embaçado.


mergulhado à calmaria do vazio espiritual
sufocando-me num receio pretendente
fluido no ar respirado,
neste momento por ventura, inquerente
anseio de asas ser dotado,
ensejo esvoaçar à monotonia em espiral...


transpassando os hóspitos lugares
de mesquinhez frutificando maliciosos rogares
como peso morto à bagagem descartado,
estão próximos os muros do castelo
pelo rio da calma circundado,
- ó paraíso, longínquo às nuvens, posso vê-lo!




Bem... ultimamente não tenho tendo muito tempo pra escrever, ou pra postar aqui, então vos deixo esta ultima que escrevi uns dias atrás... ^^

terça-feira, 4 de janeiro de 2011




Purgatório

aqui existem certos tais
ares consumindo os rancores carnais,
distando-me, deparo-me co'este lugar,
o exílio dos que uma dor estão a arrastar...

junto ao vácuo disposto a sustentar
a agonia que à loucura está a me afogar,
adentro mil oráculos espirituais,
fito pois, hipócritas e gozadoras faces angelicais.

pelo desejo de ver as contas acertadas,
nos confins da eternidade,
vingam disformes, os frutos d'ansiedade.

remoendo memórias envolto às núvens instaladas,
como um veneno legado p'ra posteridade,
será chegada a hora... - ó vistada liberdade!



domingo, 2 de janeiro de 2011




Aurora ...


aos céus, reluz a aurora transcendente,
que sob o fado descontente,
explode numa chama diligente
por meu ódio de bom grado aceitar,
palpitando em negro sangue
demonstrando-se pouco langue,
arredio, ansiando o mal conjurar.

e eu bradando estridente,
um grito ressoante, comumente
ouvido, surgido duma alma pretendente,
em mui além do horizonte desbravar,
cujos sonhos distantes, anseia apalpar,
e a ilusão trajando negras vestes visionando
meu mal, vai distante sua sombra afastando...

aquieta-me o espirito em tua placidez refulgente,
oh séquito d'espíritos encarnados na enchente
de misticismos famigerados pela gente,
assim sendo agora, às vistas provados,
em suas soberanas formas, descreditados,
emanados dum delírio pomposo, à matéria,
resguardando os causados écos de histeria...

sofisticados plainam num brio de realeza,
os guardiões da tamanha grandeza
suas palmas recostando à tristeza,
emergida num cardíaco curso afluindo
aos mares que em meu mundo habitam,
e lavar-me a eternidade decorrida, tais se habilitam,
lacrimejados furiosos, com o céu a perspectiva dividindo.