quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

UM LOBO


caminhando, devastando,
nos nevoeiros do bosque inóspito, cometendo
mais um dia diablérico que a sua sina vai tecendo,
lascívo sob seu desespero, vai o ódio tomando
a existência de seu ser,
não podendo mais, sua féricas reações conter...

ponderara,

tentara
pacífico parecer,
mesmo quando a esperança
denotara um dia padecer,
lágrimas suas adentro
lança
ao centro
dum negro coração
por natureza solitário,
tragando escuridão...

à lembrança retoma imagens de tempos infantes,
porém, critico contemplando-se percebe

que nada mais é como antes...
esmoreceram suas colinas, não mais pura é, a água qual bebe.

iroso, revoltado, confuso, ensandecido,
a treva aparenta tudo tomar,
o amor fora um luxo em que duvidar
perspicaz, neste mundo, o torna precavido.

gritando por rancor,
no intento
de extrair
os vermes de sua dor,

no momento
disposto
em despir
o rosto
do próprio espirito...

rosnando às traiçoeiras aberrações,
interesseiras, ofertando regalos e consagrações,
com furia latente em seus olhos de trovões
explodindo ímpia às serpentes,
tresloucado co'os impetuosos dentes,
vai desarmando armadilhas

filhas
dos tão conhecidos chacais e escorpiões.







Resolvi postar esse poema hoje... houvera eu escrito ele a uns dias atrás quando algo conseguiu me animar, mesmo sendo esse sentimento o ódio, ódio por muitas pessoas que me rodeiam, e pelo mundo... de fato já tô de saco cheio da hipocrisia e da falsidade humana... canso-me de tanta podridão à volta... todos tentando ferrar uns aos outros... não passando de vermes vivendo nas suas vidas vazias e patéticas... embriagando-se de ilusões mesquinhas... gananciosas, famintas lutando sujo por um fardo que nem ao menos poderão carregar...
a imagem é uma capa dum disco do Catamenia, Wintenight tragedies...



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