domingo, 27 de fevereiro de 2011

OBSESSORA



retornava aquele espírito,
uma infeliz alma odiada,
entretanto fronte a ela encarnada
ressoei num grotesco assombroso grito...

novamente, vingativa observara-me,
não importando quanto sangue se derrame,
olho a olho, mal assombra esta centenária
assim comigo deparava-se, infame, eu ria...

fugitiva à tumba, em sua cômica aparição,
sendo-me a mais desgraçada maldição,
uma cármica infeliz algoz
torturando-me conjurando falações com sua voz;

rasgando silêncios inefáveis,
ímpia carrasca esta, de sábios ou imprestáveis
para com sua edionda forma deparados,
tombaram ao delírio dum luar sangrento...

porém, enfrentar-la-ei a mercê da escuridão,
como um diário pesadelo extendido à realidade,
não cairei! por suas avarias nesta reencarnação;
a vencerei! em prol da liberdade, levar-la-ei ao chão!





Além do matagal


assolam aos campos, mistérios mil,
sob os montes por matas recobertos
levantara-se a lua, a rainha noturna,
observo o leste, rumando passos a tantos;

inóspitos confins quais sigo
frente ao perigo,
às trilhas, o medo,
em selvagens silhuetas encarnadas
dispondo-se de feras espreitadas
testemunhando lágrimas de minha partida,
assim como os pássaros duma árvore ressequida...
outrora brilhara o sol,
esvoaçara uma gaivota além o mar
ragando o céu num suntuoso hostil vislumbrar;

onde também dos rios venta a magia
enrubescendo incontadas mágoas florescidas,
ao destino dum ser oculto, pus-me a jornar,
descortinar
tal penosa e usurpante escuridão,
audíveis falraram crédulos morcegos
cegos
à afável ausência de visão...
solitário adentra meu ser, nesta negrejada imensidão...

surgindo numa ocorrente desplicência,
eis a verdade ao solo, como estranha saliência
qual fere, difere, transfere,
tantas teses à evidência
buscada,
e o homem convicto
sofre o atrito
dum choque total,
nada mais sendo, que a realidade natural
da guerra insana
pela sobrevivência
à inconsciência
humana,
ou animal...

e os fitados fósseis, como pepitas encontradas,
contrastam-se antiguíssimos, com as estórias legadas...
se afronta a fera, pulsando viva no imaginado,
denotando o mundo e suas indóceis cruezas,
resplandecendo às presas, belezas minuciosas,
ao descortinar, do infindável fascínio pelo oculto...



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

OIRO


deslucidados assombros vagam às redondezas,
defendendo suas riquezas,

que no auge do império arremeteram,
transpondo árduas durezas,

mistérios adentro à mata ocultados,
remetem febrís os metais almejados
dourados,
nos acortinados passados...

o indescoberto além os cadeados, na cobiça fora estendido,
à trilha, trespassam o que visto é incompreendido,
alucinados infelizes espreitam enforcados,
sob as pilhas de quintos sonegados...


sombras percursam soturnas à estrada
que após séculos de exploração fora esquecida,
ao breu murmura uma procissão de cantoria grunhida,
arrastam-se correntes, logo tal à mata é desvelada;


quão grotesco aspecto encontrava-se àquele reduto,
[provam meus olhos, das lendas quais não mais refuto],
aparições à treva uma sofrida energia destilavam,
outrora escravos, como a névoa evaporavam;

transtornado traçando ao esmo meu rumo,
mirando afrente o plantado fumo,

detrás uma touceira
eis surgida outra aparição deveras grosseira;

apontavam-me suas armas, no silêncio alardando,
e pela chuva, na lama meus pés vão chafurdando,
maltrapilhos, sujos, alguns mutilados;
assim encontravam-se os piratas defrontados...

custei, finalmente a dar um passo sequer
frente aqueles vís fantasmas intimidando,
e as costas destemido lhes dando,
podendo mais destas hórridas formas espirituais ver...

ante o assustador tumulto fulgurando

o semblante dos nobres se descabelando
num cenário de sombras governando
as demais curiosas, espreitas,
às folhagens turvas estreitas
em suas bizarras formas desfeitas,
rondavam envolvendo-me algumas tantas deleitas,
bradavam muitos implorando misericórdia
por algo, a mim desconhecido, e que os aturdia...
um certo caminho me mostram...
gargalham piratas, gritam ricos, escravos se prostram...
alguns passos além à estrada, rumando,
co'um inexplicável impulso que domina
meu corpo e o sigilo co'uma pá termina...

por fim vislumbro encontrando...







Falecida estrela


moribunda! um ínfimo brilho ao céu estagnado...
cada estafante instante fenecendo deprimente,
antes mistificada em idolatrias,
sois agora porém, um punhado de matéria cósmica

aos nevoeiros setembrais,
vagando inerte à indócil gravidade,
ó estrela, não fulgirás nunca mais!

adorno do céu à noturna cantata,
o crucitar dos corvos infernais,
sussurando num falho brado aos agrestes matagais,
contemplais aos augúrios dos lobos, dos chacais,
aos nevoeiros setembrais,
vagando inerte à indócil gravidade,
ó estrela, não fulgirás nunca mais!


e sob as agressivas prateadas maresias
que ao silêncio vociferam,
perdurais calada, ó celestial punhado de nada
às vistas, dentre as alcovas de arvoredos à estrada...
e aos nevoeiros setembrais,
vagando inerte à indócil gravidade,
ó estrela, não fulgirás nunca mais!


sepultada,
esquecida,
à arcada
enegrecida
desta madrugada,

velando-se
às velas
dos navios
dos vadios
esguios
à aspereza
da marítima incerteza

defrontada...
ante a fealdosa
tempestade
vaidosa
ocultando os astros,
e seus rastros
na eternidade...
errante esquecida à escuridão temporal,
não mais avistada dentre os mastros...
ó estrela de inexplicável inexpressividade,
és pó aos nevoeiros setembrais,
vagando inerte à indócil gravidade...
ó résquia de cinza eterna falecida, não fulgirás nunca mais!





E é isso aí! \,,/



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Arca dos rancores

ousando nesta gruta pisar desdenhoso
de quaisquer que sejam os pesadelos
infringidos ao coração espinhoso,
vai meu espírito desatando os mentais selos,
unindo infindáveis trincados elos
de horrendas farsas descortinadas
no covil das víboras engendradas...

eis fulgurosa a madeira palpitante
da risonha criatura grotesca envelhecida,
cuja face fita-me misteriosa, à treva recolhida
ocultando seu vil conteúdo inebriante,
à umidade do chão tal florescida
sarcástica, intempéries preambula,
desata seus nós ao oculto, libertando a mácula;

e esta, leal conducente à intemperosa escuridão
d'alma explodindo numa incontrolada combustão,
vingando disformes horizontes pomposos,
negras terras explodem permeando o incriado...
recordações tornam ao mais vivo, angustiante estado,
brotam do espírito pois, embrutecidos rancorosos
ardores sufocando o ultimo pingo de razão;

engolindo quaisquer vestígios de gélido solo,
instiga-me este estranho baú, pelo anseio de vingança,
atira-se neste umbral, o espectro a mim pertencente,
ao colo
da depressiva esperança
conivente
para com a desgraça do inimigo tolo...

conjuram-se infames atrocidades simuladas
num mero instante, em pensamento, onde testemunhas consternadas,
gritam loucas, descrendo, do horrendo feito...
num amargo delírio ofertado me deleito,
rira-me novamente a nefasta criatura
fertilizando uma querente loucura
à garganta, como lâminas fincadas;

consuma-me os resquícios de humanidade!
ó portadora de tamanha espiritual penúria,
arrasta-me, ó profetiza, à miserável insanidade
estiando-me a sensatez, co'a presentada injúria!
liberte minha alma exilando-me num cárcere afável,
onde tornaram-se as utopias, algo aceitável;
ó arca dos rancores, ó coração desfalecido, alenta-me à tua escuridade!




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



Angustia fermentando...


consome sádico um ódio gradual,
dito renegado retratando o mal
e às entranhas a placidez infringindo,
assim como a carne a mercê do sal.

e tal,
conseguintemente
abusando à mente
ostenta vaidoso seu canto de cigarra,
em amontilhados contendo agonia...
aracnídeo este a mim agarra,
em pesadelos desconcertantes
numa consternante
sinfonia
onde a angustia fermentando
verdades,
vão à cabeça fomentando
insanidades,
conjurando suposições...

o caminho,
um retorno,
vela-se usando o breu de adorno
faz do vinho
meu místico suborno
ao qual aceito, recusando
voltar,
tornar
ao doloroso mar
iluso,
escuso,
presenteando
desamores quais num baú vou guardando...

escorrem lágrimas,
salgadas gritando,
vorazmente atormentando
até os mais nefastos enigmas
reclusos dentro à minha carne,
não havendo abismo sequer que não escarne
o fatídico e íngreme
umbral que sob meus pés aberto, o espírito deprime...


Sinceramente não gosto muito de falar desse poema... mas resolvi postar porque bem ou mal eu o considero bom... espero que gostem.

Decadência humana


presencie sentado frente ao circo, verme magnata,
contempla estes símeos suas almas vendendo,
fita-os, afrouxando tua pomposa gravata,
deleita-te co'a degradação humana acontecendo...


gradual, tão quão uma carniça apodrece
os parvos alienaste, sua conta enriquece
a cada vil instante decadente
impondo merda guela abaixo dessa gente

lavrando conformada cultivados inconformismos,
já tão em farsas e egoísmos arraigada,
divulgando massivamente pútridos moralismos
porém, prossegue esta tua infeliz corja missionária

seguindo com a ingênua plateia imbecilizada...

às ruas percebe-se o caótico efeito,
mutados hábitos, vestuários, um político eleito...
fizeste de tua audiência, uma tragédia ordinária!

putrefa-se o resquício de moral conquistada,
por estas marionetes da própria ignorância

aplaudindo toda a fútil repugnância
pela televisão apresentada...

ansiando num iluso insano padrão se adequar,
como gado estúpido aguardando alguem lhes tocar,
rendendo-se à pederastia, à canalhice, o adultério,
subsiste obsoleta a massa de atrofiados, sob tal poderio...

tolos tornaram-se "gênios", e estes ultimos lendas,
abrem-se as estarrecedoras fendas
do abismo intelectual,
vigora a decadência pseudo-cultural...