domingo, 20 de fevereiro de 2011

Arca dos rancores

ousando nesta gruta pisar desdenhoso
de quaisquer que sejam os pesadelos
infringidos ao coração espinhoso,
vai meu espírito desatando os mentais selos,
unindo infindáveis trincados elos
de horrendas farsas descortinadas
no covil das víboras engendradas...

eis fulgurosa a madeira palpitante
da risonha criatura grotesca envelhecida,
cuja face fita-me misteriosa, à treva recolhida
ocultando seu vil conteúdo inebriante,
à umidade do chão tal florescida
sarcástica, intempéries preambula,
desata seus nós ao oculto, libertando a mácula;

e esta, leal conducente à intemperosa escuridão
d'alma explodindo numa incontrolada combustão,
vingando disformes horizontes pomposos,
negras terras explodem permeando o incriado...
recordações tornam ao mais vivo, angustiante estado,
brotam do espírito pois, embrutecidos rancorosos
ardores sufocando o ultimo pingo de razão;

engolindo quaisquer vestígios de gélido solo,
instiga-me este estranho baú, pelo anseio de vingança,
atira-se neste umbral, o espectro a mim pertencente,
ao colo
da depressiva esperança
conivente
para com a desgraça do inimigo tolo...

conjuram-se infames atrocidades simuladas
num mero instante, em pensamento, onde testemunhas consternadas,
gritam loucas, descrendo, do horrendo feito...
num amargo delírio ofertado me deleito,
rira-me novamente a nefasta criatura
fertilizando uma querente loucura
à garganta, como lâminas fincadas;

consuma-me os resquícios de humanidade!
ó portadora de tamanha espiritual penúria,
arrasta-me, ó profetiza, à miserável insanidade
estiando-me a sensatez, co'a presentada injúria!
liberte minha alma exilando-me num cárcere afável,
onde tornaram-se as utopias, algo aceitável;
ó arca dos rancores, ó coração desfalecido, alenta-me à tua escuridade!




Nenhum comentário:

Postar um comentário