segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

OIRO


deslucidados assombros vagam às redondezas,
defendendo suas riquezas,

que no auge do império arremeteram,
transpondo árduas durezas,

mistérios adentro à mata ocultados,
remetem febrís os metais almejados
dourados,
nos acortinados passados...

o indescoberto além os cadeados, na cobiça fora estendido,
à trilha, trespassam o que visto é incompreendido,
alucinados infelizes espreitam enforcados,
sob as pilhas de quintos sonegados...


sombras percursam soturnas à estrada
que após séculos de exploração fora esquecida,
ao breu murmura uma procissão de cantoria grunhida,
arrastam-se correntes, logo tal à mata é desvelada;


quão grotesco aspecto encontrava-se àquele reduto,
[provam meus olhos, das lendas quais não mais refuto],
aparições à treva uma sofrida energia destilavam,
outrora escravos, como a névoa evaporavam;

transtornado traçando ao esmo meu rumo,
mirando afrente o plantado fumo,

detrás uma touceira
eis surgida outra aparição deveras grosseira;

apontavam-me suas armas, no silêncio alardando,
e pela chuva, na lama meus pés vão chafurdando,
maltrapilhos, sujos, alguns mutilados;
assim encontravam-se os piratas defrontados...

custei, finalmente a dar um passo sequer
frente aqueles vís fantasmas intimidando,
e as costas destemido lhes dando,
podendo mais destas hórridas formas espirituais ver...

ante o assustador tumulto fulgurando

o semblante dos nobres se descabelando
num cenário de sombras governando
as demais curiosas, espreitas,
às folhagens turvas estreitas
em suas bizarras formas desfeitas,
rondavam envolvendo-me algumas tantas deleitas,
bradavam muitos implorando misericórdia
por algo, a mim desconhecido, e que os aturdia...
um certo caminho me mostram...
gargalham piratas, gritam ricos, escravos se prostram...
alguns passos além à estrada, rumando,
co'um inexplicável impulso que domina
meu corpo e o sigilo co'uma pá termina...

por fim vislumbro encontrando...







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