quarta-feira, 16 de março de 2011




À terra da Lua :


jornada sigo a cada instante suspirando,
aos rumos jamais seguidos, descobrindo
minúcias de extrema lindeza a cada dia
florescendo, esperanças ressurgem como a muito não sentia...


trespassando àqueles olhos, o portal,
dum além, onde o sol jamais irradiara um trigal,

noite estando sempre, contínua sacramentando
a lua cheia, lá acima na montanha me esperando;


eis pungente aquele rosto, num fatídico sonho,
um novo mundo de ar risonho,
à fusão de confins, e ambos deparados
num instante onde milésimos se encontraram estagnados...


ao mar de noites, mergulhava-nos,
finalmente, segundos converteram-se em anos,

somos eternos
aos invernos
reais...
sentir-se podia, o festejo das almas sob os matagais,


borboletas não dormiram,
mariposas hibernaram,
vagalumes adimiram
ibiscos que não fecharam
e jamais assim o farão,
ante toda hostil escuridão
às vastidões afora o nosso universo,
a muito desvendado, e ao eterno submerso...



à terra lunar encontro-me,
inexistindo nela, uma imaterial fome
à prostração humana imbuída, e que consome
o coração,
não há nesta instância,
qualquer maldição,
maculação,
germina
a infância
genuína
em perpétua constância...

e distancia
de nós, a ruína,
como dos demais impérios;


há magia da nascente
onde fez-se evidente
o descortinado, transcendente
horizonte descomunal,
e ao sempre
o sentido
sentimento
dual,
unido

no momento
qual;


teu semblante pusera-me a vislumbrar,
me irradiando à doçura dum profundo olhar,
ó filha da lua, ó filha do mar!
ardores em mim reavivais, e então pude recobrar
inigualáveis singelezas, tão belas, e inexplicáveis;
a preciosidade dos imortais, e cicuta dos reis,
ó filha da lua, ó filha do mar!
me ensinastes o que é amar!

ó filha do mar, ó filha da lua!
minha indome alma é sua!


ó filha da lua, ó filha do mar!
que esperaste meu espírito,
e às alvoradas o estava a chamar,
ó filha da lua, ó filha do mar!
deveras há um destino escrito
em cada grão de tempo, a se consumar,
ó filha do mar, ó filha da lua!
um sabio eco entua
o som dos milênios a clamar;



nossa partida à terra lunar,
onde ausentara-se a morte, o dever de reencarnar,
ó filha da lua, ó filha do mar!
ilembrados rompidos fios, retornaram a tramar
sedas, agora invencíveis,
ó filha da lua, ó filha do mar!
beijos inigualáveis
nos pusemos a retomar,
ó filha do mar, ó filha da lua!
outrora, novamente, e ao sempre, minha indome alma será sua!






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