sábado, 30 de abril de 2011

TALASSOFOBIA




encarcerado à perpetuidade do intenso horror,
fétido, obscuro, sou alimento almejado pelos ratos...
ostenta à janela, o mar, mago da cor
do medo, arraigando-me à raiz dos funestos fatos...

não sois, ó algozes grades, meu mór tormento,
moléstia de minh' alma, mais que o pior invento,
nesta amada terra um dia concebido,
nesta amada terra, onde eu mui houvera delinqüido;

de inefáveis monstruosidades, eis ele...!
o indomável reduto de ocultos vãos do inferno,
imenso infindável, em sorver-me a calma tal se impele,
insolente, à cara a cuspir-me maresias num tormentoso inverno;

porém, maldito seja eu em tê-lo porventura blasfemado,
hostil senhor d' água salobra guardando seus rancores,
vingativo, às audazes caravelas esfaimado...
em testar-me propusera-se, desfrutando meus temores...

asquerosos carrascos, consigo levara voráz,
ao possuir brutal a cidade, em tenros tempos de paz,
defrontaram-me os presos da outra cela, ao debandarem,
pois então pude, ouvir-los distantes gargalharem...

ferveu-me a temível dormencia do pavor,
às entranhas, num desespero sufocando-me irracional;
piedade não houvera, ao engolir o campo prisional...
vejo, a vastidão gélida, fitar colérica meu semblante seja onde for...!

tenebrosas mãos figuravam-se à vigente escuridade,
e em poças, tornando às mais sutis aparições disformes
me julgavam ceifadoras, à catatonia, com suas presas enormes,
num terroroso assédio... levariam-me!? à troante tempestade...?

intrusa, audaz, eis vossa força inimiga e mortal,
a invadir-me a cela, e todo o infeliz local,
ó contraparte da enchente, que brincais com cadáveres,
ensejas o meu, ao lançar-me teus poderes!

e eu em meus lânguidos prantos, aterrorizantes indescritíveis,
insipidez denoto!? imundo estando ao insano descontrole...?
rezas falhas ignoradas pelos santos, reis dos reis,
motivos foram, a me barganharem co' uma ratazana... e sua prole...

bradam fome e sede, de mãos dadas, consumindo,
o resquício qual manti de sã consciência,
dentro ao sangue incolor, os tornozelos meus vão sumindo,
impulsivo, é tal torturador, cabendo-me a mais cruel penitência;

não há fuga! fulgurante luz não há também!
dependuro-me às grades, observando o vai-e-vem
da investida barrenta violenta caudalosa
intentando afogar-me na alforria desta vida perniciosa;

soam as mãos, brutalmente trota o transtornado coração,
anuvia-se minha redoma, e ao redor uma terrorosa escuridão
desvelando a morte, buscando estrangular-me,
inuteis são insultos, por mais que minha boca de muitos se arme...

por misericórdia, derroca uma parede da precária construção,
a nado, bendita seja a fuga pelas portas da prisão...!
numa viga boiando, risonhos abraços dou-lhe até mirar,
quão desgraçado sou, às águas, possuindo tudo que eu possa olhar...




Até que enfim voltei, depois dum tempo sem inspirações, e resumindo minhas postagens a poemas antigos redigidos... lhes trago hoje o poema que talvez tenha-me dado mais trabalho, e concerteza o meu favorito dentre todos os que eu já fiz... \,,/


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vampirismo



...resplande a lua, madrugada fria...
abstinente, bestial, busca enfim
pura energia,
ao perambular por este confim...

assassinando teus inimigos,
paracimônia não houvera
quando imbuído estiveste, numa caçada sagaz,
ao risco de descobrirem-lhe...

espadas levantaram-se,
noturnos embates perpetraram-se,
nessa calada meia-noite, mausoléu das bestas libertadas,
sob os telhados sorrateiras, pelo sangue esfaimadas...

consumados à real existência, amaldiçoados imortais,
vislumbram o fato de morrer jamais...
pairando como morcego à eternidade,
filho da escuridão, mestre da insanidade...

vislumbrando o hostil e agreste campo de concreto,
um urbano ambiente e em sombras tão envolto...
um dia excomungado, se vendo exorcizado,
seguiste mais uma meia-noite de sinas...

sedutoras belas damas,
o odor vital, tão incautas destilavam,
vítimas dum senhor da penumbra,
à verdade deparadas, gritavam...

dentes, presas, metamorfose,
descomunal força mortífera,
às suas estranhas, carcome o impulsivo mal,
d' um abraçado, a simbiose da eternidade,

memórias atrozes, não incitam a um perdão,
persegue-te como um fardo tal edionda maldição...
matai vossa sede, filho das trevas,
segue tua jornada, co'o contentamento que levas...


O arqueiro



estirava o arco em suas tentativas,
sob os inconstantes desígnios vistos às estrelas,
muros de pedras... eis o resguardo
das impetuosas lágrimas do céu em noturnas flâmulas;
nostálgicas meditações um arqueiro tivera;

fincada, uma flecha à árvore
legado tornara-se deste meditador do nebuloso reino,
oculto pelas inóspitas florestas
onde não havia destino,
alentando quaisquer infelizes habitantes bestas...

ele via um rosto às negras águas empoçadas...

céus cinzas observaram
o intrigante vazio sentimental irradiante,
inumanas formas desveladas à insanidade calada
assolavam em gritos labinrínticas trilhas terrorosas ocultando

a decidida travessia às cascatas;
o deleite ao delatado novo império,
paraíso dos homens ansiando voar
desatando feitiços mentais, a lhes agrilhoar...

ele via um rosto às negras águas empoçadas...

trívios às vistas, por ele deparados... inabalável
conformismo à morte viando imprevisíveis
caminhos de aspécto agradável...
saudavam belas flores atrócitas,
tácitas donas sangrentas nascidas num vento instável,
desmascaradas feiticeiras fundindo colinas ao penhasco infindável...

investiam ofensivas, disformes criaturas descortinadas
movendo-se às pedras da corredeira do dilúvio,
( corrompida fonte desaguando desagrados );
perpetrados foram os disparos, aos pesadelos esguios
cantando o hino da atrocidade,
gritavam ao flagelo do ambiênte...

ele via um rosto às negras águas empoçadas...

não há direção a seguir,
um tempo perdido,
à ilusão
cavalgando
sob a escuridão
atormentando,
nessa imensidão
de lúgubres vistosas farsas,
talhadas foram as rotas
dos diabólicos comparsas
do azar,
pragas mil, estando a conjurar...
tal arqueiro, em seu retorno, por-se-á a enfrentar...



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Poeta das sombras


que com seus versos,
singelos, complexos, se mostre a verdade,
à face da escuridão
brilha a lágrima dos olhos tristes,
ingênuos, sujos, não importando mais
quão mostre-se o horror
de beleza simbólica
ante a estupidez
da inebriante santidade, ou qualquer farsa diabólica...

palavras são armas,
que fizeram um mundo!

marionetes somos todos,
vítimas hipócritas, carrascos passionais,
nossas próprias masmorras de ilusões, medos, anseios;
o que nós somos?
senão poeira, diante dos desígnios,
incertos, loucos;
conseqüência de passados nossos,
imateriais feiches do presente desenterrados à cadeia do tempo,
sob a realidade mental doentia, cinza impiedosa...

palavras são armas,
que fizeram um mundo!

tumidas trevas vivas, adentram um coração
gélido,
luzindo opaco
à sua ausência de face,
senão
somente, a da escuridão
num enlace
do olhar, distante à lua,
no mar, as animadas criaturas,
e montanhas, o universo que acentua
seu inato obscuro existir consciente...
ansiando fugir, à realidade torpe e deprimente...

palavras são armas,
que fizeram um mundo!

à clara noite
marencórios olhos, avistaram,
diante das fantasias,
possiveis fugas, que ofertaram
férteis sombras,
tais quais à oculta penumbra
sempre a alguém virão...




Creio que não deveria postar justamente esse poema sem dizer algo, ou negar alguma consideração sobre ele... ( - porra, justo o que deu a ideia do nome do blog!) Pois bem, esse poema é antigo, escrevi ele um tempo depois de ter começado a escrever poesia, mesmo que de início elas fossem extremamente cruas... o rascunho foi escrito numa aula de literatura que não ensinava ninguém, um completo ântro de depressão... eu já faliliarizado com esse tipo de sentimento, kkk então resolvi escrever, mesmo antes de ter começado esse blog...
passou por varias mãos de amigos... dei como perdido... nem lembrava mais depois dum tempo, eis então, o desaparecido, mesmo que cru e completamente diferente do que eu já estava fazendo... kkkkk editei ontem... tá aí, espero que tenham gostado...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Odiosas recordações




malditas sejam certas registradas,
mantidas lembranças!
que como chagas alojadas,
tiranas funestas faces remetem de andanças,
regadas em tunanteios,
incitadas aos devaneios...

deveras desvarios desnorteios!


grilhões traçam os trilhos desbravados,
à noite infante, maldita algoz do agora,
ao mar fulge o retrato da lua, indo embora,
chorosa fluindo no esmo negro, aos vistados
pontos da rosa
dos ventos
à prosa;


nostálgica em possíveis falhos intentos,
manifestos ruidosos às copas da árvore frondosa
num vazio, ditam-me o detestável percurso,
solitário, ao muro de pedras sentado, eis vindoura a odiosa
recordada sina,
na angústia
à inacabável triste madrugada de inércia...



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Marcha ás luzes

tenras luzes na avenida,
uma rua de pedra vem-lhe ainda,
andanças mil, solitárias esperam conjurar-se
por teus exaustos pés
rezando p' ra que a bota não esgarce;

desvinculado, eis um rosto esguio aos outros,
em ensimesmadas volúpias melancólicas
duma consciência deslúcida,
marchando ao destino, ao esmo,
num quarto, frente um beco sem saída...

é escuro, e o calado ar lhe instiga;
o vão cansaso fez-se ausente,
a cortina é um manto deprimente;
lágrimas anseiam fugir,
do jardim seco d' alma;

ao ofuscante luar, pia um mocho cantor;
ao lângue luzir dum poste depredado
desvela-se às vistas um vadio drogado;
insano é o mundo, indizível mar de histórias,
o teatro das armadas vítimas espreitas.

à penúria... preceitos firmam tuas amarras
ao extremo d' angústia, moléstia do teu semblante;
paira a antiga cantiga infante,
ao sangrar do espírito nesse covil,
explode a dor, num êxtase piedoso;

saudemos a noite, real caixa de Pandora,
vista teus dados passos, vá-te embora,
seguindo o incerto curso da vida sem volta,
desfruta do mundo, à tua revolta,
escuta, a sombra tua que afaga-te, à faminta luz egóica...!


domingo, 10 de abril de 2011

Sonolência




oscilam as vistas, à fadiga conquistada,
durante o dia, tu que és meu corpo recaído,
às pomposas exaustões d' alma dum desprovido,
da até ardente treva outrora nela hospedada.

escuros cantos, a eles houveste recorrido,
pois então, vistes, o desprezível interno nada,
pungir num só olhar de soslaio, o hórrido,
e mais víl ser infernal, desta existência desolada;

relvas trespassaste, urgindo o céu troante,
lavrando incansável obliquas talvegues,
quem sabe talvez... numa ilusão confortante;

careceis, ó carnal cárcere, do que persegues,
- a dádiva dum leito, depósito de teu físico desgaste,
onde cá todo tempo eu estara, do qual inutilmente levantaste.


Fato! gostei muito desse meu soneto, fazia tempo que não postava um desses aqui, sei lá, ele tomou um ritmo melhor do que os anteriores...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Visitante maligno


caçava o sono numa noite de trovoadas,
à negrejada acomodação
disposta a minha habitada
e sinistra hospedagem.

a chuva o céu comia,
e a terra como um dilúvio enchia,
estava eu só, em meus delírios,
abraçava-me a febre, a não soltar.


libertara-me da zelada sanidade,
ao negrume daquele cômodo,
e incômodo,
era um tal vulto intruso à escuridão.

eis que o perguntei o que alí fazia,
porém, em direção à cama prosseguia

onde incauto, deitado estava,
pois sequer este fato contestei...

ante a face revelada assombrosa,
pois inerte, eu nada lhe dizia,
um fantasmagórico gênio agouros e pragas berrando,
minha insana e trastornada alma entorpecia;

mirava-o, como um defunto aguarda sua fúnebre sinfonia,
sob a penumbra, suas formas refulgiam,
transformavam,
um instante de torpor, em visceral agonia,

ardiloso, disfarçava;
sua aparência co'o que eu lembrava,
ser uma doce bela cortejada

ninfa sob o riacho, às águas contemplando;

a margem... era uma remanescente treva,
uma trevosa sombra hostil que refletia
essa sedutora estranha forma,
lasciva, laçando-me-ia...

tocada fora a pele minha,
perpetrando o inconsciênte desatino
criando um nefasto delirado desnorteio,

cujo rumo destrutivo é sem destino.

porém a luz se dissipara,
era ela tão bela!
que num instante, uma olhadela,
abomináveis serpentes me cuspia;

suas garras meus braços sangravam,
desvelando seu rosto, irretratável deformado,
despudoradas ímpias pestes dançavam entre nós,
e perante sua diabólica chama via-me amarrado;


ria aquele ser, sob a tal dor inexplicável,
assolando-me em frênesi trevosa,
consumido pelas labaredas
que adornavam essa noite estranha, obscura, chuvosa;

resguardado em cobertas, me vira em maleficios debater-me,
estridente fez-se o demoníaco grito por ele dado,
dera um passo afastado,

e à janela saltara ao imenso e profundo breu.





Eu sou o maldito!

figuro o mal, à sombra,
o malefício, mais um herege
bradando aos fiéis, punhados d'estrofes,
aludindo catástrofes,
- em caso de linchamento, Satã me protege...

pois a verdade, ninguém ver quer,
quando lhes digo, que aquela santa mulher,
é uma ovelhinha no cio,
ó velhinha no ócio,
devotada cristã, rogando-me uma praga vã...

serei sempre o maldito!
raios mil, sobre mim quiçá cairão,
sou o pássaro negro,
um incrédulo, descaminhado pagão,
fumando, esperando o sino da
igreja
badalar...

desbocado, à noite dessa cidade pequena,
vendo a professora, o vagabundo, a rapariga plena
de sí, aos murmúrios da missa aberta à praça,
bebo, bebo, bebo, e disso acho graça,
aguardando, fito absorto
a fumaça
se soltar...

olham-me estranho, as formigas à humana fornalha
de esperanças reclusas, ao fogo de palha,
sou o maldito! contemplando as estrelas,
minhas noturnas, incessantes velas...
à espera, do que desconheço...




Detrás os traços



estático! à trucada infame face firmando
sorrisos dissimulados, denotando
os réptilicos dentes reptando
a velada verdade detrás estes infantes toscos traços...

fronte estando, à serpente envolta à lã,
pude eu ver ainda mais quão vil cristã
ordinária, era aquela à veste humana vã...
adentrando sua sombria morada mental;

fealdades sórdidas avistei-lhe ao portal,
dos olhos, fitando-me ardilosa, letal,
neste úmido calabouço labiríntico, tal
como expressa-se a aberrante forma malígna inimizando-me...

eis uma fitada máscara, decaindo,
deslindando amargos, lacrimosos horrores
ao ar viciado, fétido, asfixiante inibindo
toda a externa luz, e seus fulgores.

num estático instante desperto
fluindo em mil viéis negros de antipatia,
num questionamento sobre o visto, e incerto...
duvido-lhe apenas, desta fosca e vulgar simpatia...