quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu sou o maldito!

figuro o mal, à sombra,
o malefício, mais um herege
bradando aos fiéis, punhados d'estrofes,
aludindo catástrofes,
- em caso de linchamento, Satã me protege...

pois a verdade, ninguém ver quer,
quando lhes digo, que aquela santa mulher,
é uma ovelhinha no cio,
ó velhinha no ócio,
devotada cristã, rogando-me uma praga vã...

serei sempre o maldito!
raios mil, sobre mim quiçá cairão,
sou o pássaro negro,
um incrédulo, descaminhado pagão,
fumando, esperando o sino da
igreja
badalar...

desbocado, à noite dessa cidade pequena,
vendo a professora, o vagabundo, a rapariga plena
de sí, aos murmúrios da missa aberta à praça,
bebo, bebo, bebo, e disso acho graça,
aguardando, fito absorto
a fumaça
se soltar...

olham-me estranho, as formigas à humana fornalha
de esperanças reclusas, ao fogo de palha,
sou o maldito! contemplando as estrelas,
minhas noturnas, incessantes velas...
à espera, do que desconheço...




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