segunda-feira, 11 de abril de 2011

Marcha ás luzes

tenras luzes na avenida,
uma rua de pedra vem-lhe ainda,
andanças mil, solitárias esperam conjurar-se
por teus exaustos pés
rezando p' ra que a bota não esgarce;

desvinculado, eis um rosto esguio aos outros,
em ensimesmadas volúpias melancólicas
duma consciência deslúcida,
marchando ao destino, ao esmo,
num quarto, frente um beco sem saída...

é escuro, e o calado ar lhe instiga;
o vão cansaso fez-se ausente,
a cortina é um manto deprimente;
lágrimas anseiam fugir,
do jardim seco d' alma;

ao ofuscante luar, pia um mocho cantor;
ao lângue luzir dum poste depredado
desvela-se às vistas um vadio drogado;
insano é o mundo, indizível mar de histórias,
o teatro das armadas vítimas espreitas.

à penúria... preceitos firmam tuas amarras
ao extremo d' angústia, moléstia do teu semblante;
paira a antiga cantiga infante,
ao sangrar do espírito nesse covil,
explode a dor, num êxtase piedoso;

saudemos a noite, real caixa de Pandora,
vista teus dados passos, vá-te embora,
seguindo o incerto curso da vida sem volta,
desfruta do mundo, à tua revolta,
escuta, a sombra tua que afaga-te, à faminta luz egóica...!


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