quarta-feira, 25 de maio de 2011

Alma d'agua



sandices cometendo, na cabeça sem mais nada,
a cada momento, se tornando desvairada,
e insano sofrimento, causando à gargalhada
qual ressoa no intento, de ser engraçada...

mascarada em mil faces formuladas,
infindáveis olhos, cada qual expressando uma cousa
vazios são... em nada repousa
tal essência, ante falácias tresloucadas,


um vago vaso vaza venenos,
vistas venusias outrora
se atrevem em vulgos acenos...
chegada

é a hora
tornada
ao ir embora,
num grunhir que escora
a dor,

torpor
de mutilados sonhos,
mutados tristonhos
vagando vigentes, vinganças visando...

alma d'agua, mágoa causara,
sem cor
nem fulgor,

buscara
frente
ao palco se por...
nada tendo
disforme
a dizer,
ao desvendo
de seu vão ser.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

A bailarina do lodo




aos desnorteios entregue, sob o nimbo da floresta
esperanças trucando, às infames clareiras,
caçador outrora, porém ali criança às fronteiras,
da horrenda ilusória ameaça, rezar, é o que resta;

maldita seja a relva, em lúgubres feitiches assolada,
perdendo em si, os filhos da terra já um dia explorada,
fomentando esfaimada aventureiros perspicazes,
porém, perante a maldição, tolos de astutas falácias ineficazes...

vacilam os pés em lodo, de atormentante odor,
impregnando os sentidos, conjurando um ardil torpor,
repousam recostados, místicos dormidos gnomos,
dentre os pinheiros, trepidam bambus ao estalar dos gomos,

embrenhado ao cativeiro da sombria morte selvagem,
transloucado num delírio envolto à densa folhagem,
correndo perdido em viéis de loucura e perversa magia,
eis enfim surgente, um percurso safo pelo qual tal urgia...

o cenário, antes penumbroso, assombroso pesadelo,
ao que nem mesmo os anjos ousaram adentrar,
a cada cantado contado passo, o solo mais a mais irradiar
pusera-se, ao então defrontar, d' um intrigante retrato belo;

triste à taciturna instância, encantando ao lodo bailar,
feminil pluma à impureza do vale dos males do mundo,
agrilhoada ao pés podendo ainda sim consigo mostrar
quão fora liberta, lisonje libélula lavrando o breu profundo;

em seus pés não houvera nódoa alguma, todavia,
eis a lótus virginal tresluzindo os periféricos desdoiros,
fitando-me em canduras mil, e revivia:
meus infantes tenros ternos tempos, mergulhados em agoiros,

palácios mosaicos encarnavam em ladrilhos,
meu passado tornara a novos trilhos,
onde habitava aquela doce inebriante amada,
ceifando-me em candura, toda a mágoa outrora causada...

ao enrubescer do semblante, sob o mundo bestial,
à selva dos becos, às ruas num deparar com cada animal,
em seus morféticos sonhos crápulas, triviais anseios...
pude entretanto, entreabrir-lhe as fendas
de rendas,
contemplar-lhe os ardentes seios...
mergulhando
num extase
quase
em suma tornando,
do mundo
minha pureza...



Finalmente, um poema que quase um mês esperei pra postar, depois de diversas modificações na sintaxe, em algumas rimas e também em cetos termos... tá ai...

Em lodo e fél...

amor, outrora mui ressaltei,
por ti, e aos quatro ventos crédulo gritei
fervoroso,
ingênuo,
engenhoso...
caminhando num tênuo

fio manhoso,
tinhoso
e em estourar desejoso
ao tentar do sádico destino
por muitas gralhas nos causando desatino.

muito lhe amei,
tu eras meu mundo,

e ternura lhe confiei,
porém, me afogastes num lodaçal profundo,

insensível, por meus prantos não te comoveste,
como pudeste resguardar-se nesta vil veste?
ao eruptar do sangue em lágrimas convertido,
lacerando-me como um demônio vencido...

não pedi-lhe piedosos ditos,
em teus tolos beijos, punhais despedidos,
encarnei-me num soturno corvo à árida estrada,
lamúrias crocitando, por ti, ingrata amada.

deixe-me só, não seja cruel a tal ponto
de dizer-me que tudo fora, um mágico conto,
faz-me esquecer-te ao soar do silencio
noturno, num esquecer de mim mesmo.





Uma poesia que eu escrevi com um sentimento que nem era meu... ficou bem doida...

Correndo pela floresta ( Leandro Meyer, Santiago Salinas Crow )




correndo pela floresta
dos elfos perdidos em sombras,
engolindo quaisquer intrusos
que nela ousaram adentrar,

a luz do sol não chegara àqueles confins,
embrenhado nas relvas sem fins,
eis o medo que abraça a criança
sob um fundo rio, pulando em pedras;

ao som do vento brilha a lua,
contemplando os seres da noite,
o Lince, o Lobo, e a Coruja,
dançam todos ao cantar dos Corvos;

fantasmas, barcas, oiros,
todos sonhos de um caçador,
na penumbra dos pesadelos
co'as caras risonhas a mostrar;

a luz do sol não chegara àqueles confins,
embrenhado nas relvas sem fins,
eis a cobiça a sufocar o homem,
sob um fundo abismo de espadas...

a luz do sol não chegara àqueles confins,
embrenhado nas relvas sem fins,
eis o medo que abraça a criança
sob um fundo rio, pulando em pedras...



Bem caros amigos... por um tempo fiquei parado sem postar nada, volto lhes com essa letra que fizemos, inspirados em "O Hobbit" de Tolkien...

sábado, 14 de maio de 2011

Ócio



ocioso perduro à poltrona vagando
em tunanteios mentais, e os desfrutando
sem de mais nada querendo saber,
derrocam-se os segundos, posso-os ver...

perspegaram quaisquer energias em mim existentes
os labores do "nada fazer" fitando o nada,
ressumbra a rotina irrenovada
sendo, insolúvel tecendo as angustias vigentes...

fermentando às vinhedas de inutilidade,
figura-se o espectro d' ansiedade abismal,
tragando um charuto, inspirando-me a verdade
ao gargalhar cínico, dum devaneio trivial;

interpéries dislumbram às ondulações do café,
numa xícara, o vasto inferno obscuro ardente,
aos santos lhes devo milagres, à desgraça da fé
qual não mais tenho, - lhes calotei veemente,

donzelas amadas mandadas à masmorra
da torre, de cigarro conjurado em cinzas
inquebráveis... a fitar-las não tive pachorra,
ante as guardiãs da porta, - megeras ranzinzas,

numa cadeira sentado, aludindo supostas derrotas,
de velado rosto, em vestes rotas,
o pêndulo contemplando fantasmagórico,
eis a alucinação do vazio, num silêncio maldito...


O coveiro ( Emerson coveiro, Santiago salinas )

ao cair da noite
eles vem das sombras,
são como ondas,
batem e somem,
e o ódio dos homens os alimentam...

mas alguns aguentam calados,
mas eles não sabem que estão jurados
a vagar
em sua prisão espiritual,
como um animal na jaula,
nervoso, sem calma,
pedindo que levem sua alma

nas profundezas
do submundo,
onde embaixo da terra
esperam-lhe um mal agudo

como a espada de satã,
unindo-se num clã...
dos guerreiros da destruição!

coveiro!

ao cair da noite
eles vem das sombras,
são como ondas,
batem e somem,
e o ódio dos homens os alimentam...





mais uma letra que vos deixo, aqui e que nós fizemos, ficou bem legal.

domingo, 8 de maio de 2011

Rumo da guerra

e as montanhas jamais presenciaram,
o que ali havia acontecido,
e pelos campos, e os trigais
surgiram a marchar
os guerreiros
de semblante entristecido


a luz do sol brilha,
sob a poça de solidão,
o sangue escorre pela trilha
das almas que não mais tem perdão.

gritos se ouviram das esposas
possuindo toda a imensidão,

lágrimas invadiram
o rosto dos filhos
ante a lua, diante as estrelas
num sacrifício que não foi em vão.

a luz do sol brilha,
sob a poça de solidão,
o sangue escorre pela trilha
das almas que não mais tem perdão.





Incrivelmente isso não é um poema... ou talvez sim, seja isso um poema... pois bem, trago-vos uma letra de música que escrevemos durante um ensaio da banda de folk que começamos a organizar pouco tempo... Black day... resolvi postá-la aqui, mesmo que ainda não tenhamos gravado ela, ficou bem legal... os créditos vão também a dois amigos meus que comporam também ... Leandro, e Emerson Coveiro... vlw... se puderem comentem... precisamos de apoio \,,/

I.R.A.

perder-lhe temia,
tão como agora ainda o sinto,
minha alma cada instante vou flagelando,
engolindo seco meus pensamentos, tais mui minto
sob sua real veracidade, cujas faces vou dissimulando...

e engendra-se espiritualmente uma aridez
fomentando o ódio que meu controle domina,
beirando ácida, a insensatez

que minha admiração por ti, gradual fulmina.

entorpecidos de suas existências foram meus sentimentos
lançando inconsequêntes meus planos aos ventos,
desarmando-me num encanto pernicioso
ao qual a dor, destemi esperançoso...


por nunca ver o que ví,
por nunca sentir o que senti,
por nunca mais chorar o já vivido,
por nunca...

inconvenientes recordações atormentam-me,
e estes métodos são, da senhora Ira,
bradando anestésica contra a tristeza que abrira
meu peito, e o coração desaquieta-me...

angustiantes segundos decorrem como cabras negras,
convertendo-se em milagres profanos,
o amor fervoroso, virou desprezo,

amargo, perdurando-se aos anos...

incovenientes recordações atormentam-me...
- Ira!




Simplesmente não quero falar muita coisa dessa poesia, mas... estava eu vasculhando meus poemas dentro de uma pasta e encontrei tal... não é o melhor deles, nem de longe tem a mesma coisa de "talassofobia" ou " caminhemos" que foram os dois ultimos... ou nem mesmo é tão agressivo como outro poema chamado "Ira" que eu outrora postei... mas bem... são bons versos... espero que gostem disso...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Caminhemos




percorro uma ponte às enseadas
onde minhas providências pensadas
tornarem-se bréu resolveram,
como num poker maldito suas ordens dissolveram,
valorosos naipes esparziram-se;
pelo sol poente que assim desejou...
o coração disparou!

alta é a ponte, ouvindo seu mar algoz,
grito, os apressados insanos trespassam-na,
porém sequer ouvida pode ser a voz
qual ressoa da seca garganta a mim pertencente,
despreocupado, sou mais um louco desplicente
tornando-na
uma passagem ao nunca mais...

ignorado, quiça sou parte dum esmo despercebido,
todos desfrutam seus sonhos de ferro,
nos quais transitam, transpondo cursos, num eu esquecido...
berro!
continuamente
ao destino
devidamente
velado
em cada passo meu dado...

sem saber o rumo do passado
se doutras formas o tivesse perpetrado,
augúrios tresloucados, teorias vou formulando;
apaga-se o cigarro, um novo vou sacando...

três quartos de ponte dispontam o paraíso, o inferno,
insolúveis aglomeram-se os planos dissolutos...

ousado contemplo materializadas faces deixadas
acenando despedidas farsando arrependimentos
visivelmente deliradas
habitando
pensamentos
desnorteados
nostalgias
inexplicadas
sentindo
elegias
recém criadas
proferindo...

caminhemos! reflexo meu e eu,
dum ateu
sem deus
algum
nos céus
com réus
pra julgar
meu partir,
deixar
de rir,
falsar
meu irônico trágico irreparável existir
carcomendo-se às entranhas em depressão...

estrida o vento à contenda de vida e morte,
conflagrando embrutecidos sopros no ferro
da ponte,
ao quedar do sol...
do sol sem fim,
fim do outro lado...
deixado... esquecido... lembrado...