segunda-feira, 23 de maio de 2011

A bailarina do lodo




aos desnorteios entregue, sob o nimbo da floresta
esperanças trucando, às infames clareiras,
caçador outrora, porém ali criança às fronteiras,
da horrenda ilusória ameaça, rezar, é o que resta;

maldita seja a relva, em lúgubres feitiches assolada,
perdendo em si, os filhos da terra já um dia explorada,
fomentando esfaimada aventureiros perspicazes,
porém, perante a maldição, tolos de astutas falácias ineficazes...

vacilam os pés em lodo, de atormentante odor,
impregnando os sentidos, conjurando um ardil torpor,
repousam recostados, místicos dormidos gnomos,
dentre os pinheiros, trepidam bambus ao estalar dos gomos,

embrenhado ao cativeiro da sombria morte selvagem,
transloucado num delírio envolto à densa folhagem,
correndo perdido em viéis de loucura e perversa magia,
eis enfim surgente, um percurso safo pelo qual tal urgia...

o cenário, antes penumbroso, assombroso pesadelo,
ao que nem mesmo os anjos ousaram adentrar,
a cada cantado contado passo, o solo mais a mais irradiar
pusera-se, ao então defrontar, d' um intrigante retrato belo;

triste à taciturna instância, encantando ao lodo bailar,
feminil pluma à impureza do vale dos males do mundo,
agrilhoada ao pés podendo ainda sim consigo mostrar
quão fora liberta, lisonje libélula lavrando o breu profundo;

em seus pés não houvera nódoa alguma, todavia,
eis a lótus virginal tresluzindo os periféricos desdoiros,
fitando-me em canduras mil, e revivia:
meus infantes tenros ternos tempos, mergulhados em agoiros,

palácios mosaicos encarnavam em ladrilhos,
meu passado tornara a novos trilhos,
onde habitava aquela doce inebriante amada,
ceifando-me em candura, toda a mágoa outrora causada...

ao enrubescer do semblante, sob o mundo bestial,
à selva dos becos, às ruas num deparar com cada animal,
em seus morféticos sonhos crápulas, triviais anseios...
pude entretanto, entreabrir-lhe as fendas
de rendas,
contemplar-lhe os ardentes seios...
mergulhando
num extase
quase
em suma tornando,
do mundo
minha pureza...



Finalmente, um poema que quase um mês esperei pra postar, depois de diversas modificações na sintaxe, em algumas rimas e também em cetos termos... tá ai...

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