segunda-feira, 2 de maio de 2011

Caminhemos




percorro uma ponte às enseadas
onde minhas providências pensadas
tornarem-se bréu resolveram,
como num poker maldito suas ordens dissolveram,
valorosos naipes esparziram-se;
pelo sol poente que assim desejou...
o coração disparou!

alta é a ponte, ouvindo seu mar algoz,
grito, os apressados insanos trespassam-na,
porém sequer ouvida pode ser a voz
qual ressoa da seca garganta a mim pertencente,
despreocupado, sou mais um louco desplicente
tornando-na
uma passagem ao nunca mais...

ignorado, quiça sou parte dum esmo despercebido,
todos desfrutam seus sonhos de ferro,
nos quais transitam, transpondo cursos, num eu esquecido...
berro!
continuamente
ao destino
devidamente
velado
em cada passo meu dado...

sem saber o rumo do passado
se doutras formas o tivesse perpetrado,
augúrios tresloucados, teorias vou formulando;
apaga-se o cigarro, um novo vou sacando...

três quartos de ponte dispontam o paraíso, o inferno,
insolúveis aglomeram-se os planos dissolutos...

ousado contemplo materializadas faces deixadas
acenando despedidas farsando arrependimentos
visivelmente deliradas
habitando
pensamentos
desnorteados
nostalgias
inexplicadas
sentindo
elegias
recém criadas
proferindo...

caminhemos! reflexo meu e eu,
dum ateu
sem deus
algum
nos céus
com réus
pra julgar
meu partir,
deixar
de rir,
falsar
meu irônico trágico irreparável existir
carcomendo-se às entranhas em depressão...

estrida o vento à contenda de vida e morte,
conflagrando embrutecidos sopros no ferro
da ponte,
ao quedar do sol...
do sol sem fim,
fim do outro lado...
deixado... esquecido... lembrado...

Nenhum comentário:

Postar um comentário