domingo, 12 de junho de 2011

Melancolia noturna



chutado porta afora por quem, cujo nome mais nem lembro,
saltando sob elètricas negras nuvens de tempestade,
nódoa de meu espírito,
à estrada sem fim, das meias-noites incontadas,
vagueando em trágicos instantes quais existo...
subisisto em meus infernos, rastejando ao suplicio
do morto ardor, como a brasa, em seu resquicio...

as trombetas dos demônios marítimos clamam por minha presença,
anseio estar com quem odeio muito amando...
perscruto infindáveis fundos à esperança,
um vazio maldito e carrasco, eis meu legado,
o desejo por uma lápide, uma amnésia,
assim o corpo manifesto, descansaria sem torturas,
apodrecendo às tantas emocionais agruras...

os anjos negros, ávidos foram sempre por verem-me cair,
pisando-me, pisando-te, às nossas gargantas moribundas,
temos asas e não vemos, despercebidos gigantes somos,
feitos de nada, permeando os centeios de morte ao luar,
renegados corvos humanos buscando verdades intrinsecas...
retornarei ao reino solar, onde amistoso brada um dragão,
retornarei após meu findar, às trevas, para a merecida saudação...


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