quarta-feira, 15 de junho de 2011

Solitários gélidos suspiros...

sabeis o quão lhe amo,
aprisionado entre os véis?
a escuridão tomou a cozinha,

possuindo tudo, à noite dos silfos;

entendeis a grandeza de meu zelo,
detrás as cortinas me exilando?
vaga a lua madrugando comigo,
e espreita, faz-se notar, uma sombra antiga;

imaginais quanto amor lhe tenho,

pelos brancos panos envolvido?
rumores ouvi, dum julgamento,
onde a ansiada carta revelaria;

o que sentimos, desde tua volta do inferno,
ante os sutís mistérios ainda ocultos,
cultivados sobre os campos de incertezas...
à prova pondo, nosso matrimônio eterno,
o dramático espetáculo dos ardís vultos
aos cantos pernoitando ligeiros, fitando cruezas;

punhaladas temendo-lhe, sem vís adagas ver,

sugestionado aos pardieiros de meu ser,
a fio contados centésimos de plácida tortura,
áridos gélidos suspiros solitário eu libertara,
subindo aos arvoredos, nos flancos à altura
do desespero, recostado infante dando a cara...

em meio o julgamento dos três martelos,
um coração ao lado, sob a mesa palpita,
... o baralho de testumunhas marcadas...
ignoraram nossos amantes apelos,
a verdade viceja sob a enrubescida face aflita,

queimam-se os martelos, legam-se a cicatrizes causadas...

se ensandece o bater, mórbido frenético,
franzindo frações, meus fragmentos de nada;
arde em labaredas, arde até o céu,
ligeiro à galopada, cremando o véu,
volvendo-me à gélida impiedosa madrugada,

do luar qual, não mais beleza reinvindico...



Esse poema foi escrito ao decorrer do tempo, por partes, e sofrendo modificações a cada vez que eu escrevia... não digo que tenha ficado tão bom quanto "Horrores" mas ficou bem legal, se vendo que ambos compartilham do mesmo sentimento...
comentem ai, :D

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