sexta-feira, 22 de julho de 2011

18 de março

arrepios crocitam às alcovas do horror,
grotesca fizera-se, a risonha face das trevas
clamando pois, impiedosas, pelo assassínio d' alma
em angústia submersa, ao gelível negro mar de desespero,

abruptamente desperta, num espasmo horrorizada,
à mente fugitiva, e que no assíduo delírio fora afogada...
respirando discórdia, às lamúrias insanas, distorcendo a realidade,
à solitária misteriosa noite, lhe provendo uma estranha terna falsidade;

aterradores impulsos imperam, não os podendo controlar,
na aspereza à situação, se fazendo conjurar,
impedido à inércia, embebido à força, pelo fél do medo,
contemplando o insano tempo respirar... suspirar açoites...

figuram-se aos cantos, sombras, notados espantos,
pesadelos estes tais, tantos são... imitando os prantos...
lágrimas, licores se tornam,
à festa destes, vís assombros, que em taças as entornam...
levemente, assolam libidinosos as garras à pele do pescoço;

e uma sinistra valsa retumba do oculto semblante penumbroso,
do horizonte provinda, o enigmático negrume tenebroso...
jaz meu zelo, ao meu medo... grilhões se arrastam,
os ouço, não se afastam...
sussurros cansados... gritos de ódio inimagináveis;

repentinos intrusos riem-me, palhaços deformados,
terrorosas faces, que a porta destroçaram,
tamancos de espadas, pois bastardos usaram,
ao compassarem sob meus espirituais restos, tombados...
fronte o espelho, sangue e lágrimas se esvaem,
confabulo mil prognósticos deste eu contemplado,
cuja interna e brutal besta, a carne rompeu... gritado,
legara o estilhaçar por meus demônios quais, não mais caem!

desolados campos percursados inebriam,
névoas em ofuscados mosaicos, o tempo todo os recriam...
vagar de encontro ao hediondo torpor, a mim perante,
mergulhar no terror mortal, doce e audaz farsante,
detrás tal face, o nefasto sacrilégio escondendo...
torturam-me os internos partidos cacos... e assim sendo,
eis tal noite insã, meu amargo ópio do pesadelo imponderável,
o deparar... com esse macabro sorriso da atroz escuridão infindável.







Nada de mais a se falar desse poema, só que foi um dos melhores qe eu já escrevi... na minha opinião...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vosso sepultamento



te atrevas... em rir-me infame, novamente,
como antes fizeste, em tua farsa insolente...
sequer te ponhas incauta a mover,
teu semblante, dessa expressão, em horror, qual me apraz ver...

trevas, postas aos cantos, se revelam esfaimadas,
e quão vorazes perpetraram nossas ímpias tempestades,
do cemitério rangeram as grades, à neblina afagadas,

em macabras ardentes volúpias, contemplando...

vosso triste e cruel final,
vos, que sois da corja maldita, raiz de nosso mal...
fitem, pois, amordaçados e impotentes,
o vociferar gélido do vento sob a terra de teus túmulos...

é meia noite, e os corvos gritam tresloucados,
à histeria dos assombros terrorosos, gargalhando,
ao luar sombrio e sinistro, cuja morbidez nós todos provando
estamos... badalaram os sinos da igreja, longínquos retumbados...

fitem-nas, tais que são as brasas do fogaréu impiedoso,
traçando perante à vós, o núncio da dor e da tortura,
fulgurantes fulminando, vossa arrogância e a falsa ternura,
ao coro nosso, de tão sádico prazer, em tal momento tormentoso,

como animais amarrados, impotentes...
amordaçados... ao esganiçar total na angústia...

purificai vosso todo mal, com as lascívias ardentes,
às chamas, provindas... nessa névoa que nos consome e inebria...

um sorriso à face brotado, clama insanamente,
por dar-lhes sádico e infame, o direito dum explicito desvelo...
lavar vossas almas, num irônico e insuportável pesadelo...
e os sepultando, ao ainda persistente clamor por clemência... lentamente...

como belas são as flores! no sepulcro, aqui legadas,
sorvendo a harmônica paz, no lúgubre, e confortante ar...
oh, bela amada minha que aqui te puseste ao meu lado sentar...

a vingança desfrutemos! à nossa eterna paz libertos, vislumbrando as enseadas...





Hum... simplesmente não sei muito bem o que dizer sobre esse poema, até eu mesmo fiquei um tanto impressionado dessa vez, simplesmente foi o melhor poema, na minha opinião, que eu consegui escrever, o mais macabro e sinistro, o mais cheio de ódio, o mais próximo daquilo que eu quero alcançar... é meu favorito dentre tudo o que eu já consegui fazer, dedico essa poesia a uma pessoa muito especial pra mim, e ela vai saber que é ela quando ler a postagem... Te amo demais!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Outrora




ei, tu que me fitas, sob esta calçada sentada,
sorrindo a mim, num cisnismo irritante,
estás fria como o gelo de minha alma,
pois viveste, estes todos anos, no nada;

nunca soubestes o que é uma chama!?
às mãos conjuradas, desconheces quem lhe ama...
jamais percebeste, o valor duma flor!?
tampouco de amores teus, platônicos, as tiveste um dia...

permita-me dá-la!
permita-me toca-la!
mais uma vez,
em nossos rumos de insensatez...

ao umbral das noites infernais, fui destinado,
e de meus paradísicos reinos, fora eu distado,
putridez remoendo em ácidos calabouços sentimentais,
à tortuosa insana existência minha, sofrendo amarguras;

crocitaram envoltos... robustos assombros em rubros mantos,
à gelível neblina de meu perpétuo decreto,
sob as grades entretidas, entretanto melindrosas,
perseguidoras, perspegando algumas réstias de afeto...

riram-me as gralhas, à queda do pedestal,
me tiveste, e infame, e alimentaste meu mal,
possuindo-me num odioso desgaste
de outrora, recordado, e no qual tu, por tola te passaste;

reprimi-lhe tuas viscerais, e vulgares ânsias,
e odiaste-me co' uma hostil pureza,
fez-me ver, em deveras, de certeza,
quão falsas foram, por tua ternura, as minhas crenças...

permita-me tocar-te...
permita-me dar-te...
tal negra flor, em sua própria putridez,
meu mór delírio colérico... minha eminente, e ultima insensatez...

domingo, 3 de julho de 2011

Arpões




sanguíneas gotejam-me as lágrimas do peito,
rubras, intentando esquecer o que há sido feito...
ao meu desejar abstinente dum feminil afago,
às trevas da noite, onde me indago
com periódicos porques, por quais passei,
vagando, em augúrios que formulei;

póstumos passos em solos selados,
não mais dão pistas, dos caminhos de errantes
sonhares, irrevolvíveis, conjurados,
e em résquias... restantes
aos tantos cantos
de espantos...

marcados
em fatos,
retratos
dos ratos
de angústias compostos,
à gélida escuridão
impostos...

rostos
manifestados
ocultos
vultos
se mostram ser,
pernoitados
em ermos
campos
quais pus-me a rever;

lembro o cheiro, e beiro, o receio
por lá voltar, não resistir,
me render, vacilar...
um passo em cheio
no erro, e chafurdar,
o pé no lodaçal, e tal, minha alma irá consumir...

e como arpões em carne, sagrarão meu coração,
o falho amor, entalho da flor queimando
à insanidade, corroendo-me à insuportável solidão,
junto à apatia, que cúmplice se demonstrando...
desfalescera-me ao perfidar do destino, perdido...
o esvaecer dum espectro, pela melancolia, agora, regido.

Fotos...



ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
pra sempre lembrado, será, esse dia,
conturbado
o ultimo instante após, o conjurar de nossas jornadas...

me afaga a tristeza, num grito supremo,
consome, do fato, a crueza,
dum gelar extremo,
à hostil, real aspereza, a estóica certeza...

de vê-la caminhar longinqua, ao eterno
desencontro, nesse imenso mundo,
me soa, - como nos soava, - o brisar do inverno...
o desnorteio, certo é, em inconstâncias, perdidos somos,

inquietam-me as ânsias...
não será, o amanhã, como gostaria,
sequer suponho, como serão os próximos dias...
lembro-me, de quando comigo, seu semblante se abria...

ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
cinzas, momentos cremados ao sono do vazio espaço,
calado, um grito, eu ouço, o brado do escuro
em minha mente... tu não mais me amas...

ao queimar, derramaram-se lágrimas sobre as chamas...
pra sempre lembrado, será, esse maldito dia,
nem mais vestígios nostálgicos, de ti, existem...
sequer suponho, como serão os próximos tempos...