quinta-feira, 7 de julho de 2011

Outrora




ei, tu que me fitas, sob esta calçada sentada,
sorrindo a mim, num cisnismo irritante,
estás fria como o gelo de minha alma,
pois viveste, estes todos anos, no nada;

nunca soubestes o que é uma chama!?
às mãos conjuradas, desconheces quem lhe ama...
jamais percebeste, o valor duma flor!?
tampouco de amores teus, platônicos, as tiveste um dia...

permita-me dá-la!
permita-me toca-la!
mais uma vez,
em nossos rumos de insensatez...

ao umbral das noites infernais, fui destinado,
e de meus paradísicos reinos, fora eu distado,
putridez remoendo em ácidos calabouços sentimentais,
à tortuosa insana existência minha, sofrendo amarguras;

crocitaram envoltos... robustos assombros em rubros mantos,
à gelível neblina de meu perpétuo decreto,
sob as grades entretidas, entretanto melindrosas,
perseguidoras, perspegando algumas réstias de afeto...

riram-me as gralhas, à queda do pedestal,
me tiveste, e infame, e alimentaste meu mal,
possuindo-me num odioso desgaste
de outrora, recordado, e no qual tu, por tola te passaste;

reprimi-lhe tuas viscerais, e vulgares ânsias,
e odiaste-me co' uma hostil pureza,
fez-me ver, em deveras, de certeza,
quão falsas foram, por tua ternura, as minhas crenças...

permita-me tocar-te...
permita-me dar-te...
tal negra flor, em sua própria putridez,
meu mór delírio colérico... minha eminente, e ultima insensatez...

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