quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A lágrima duma árvore


havia uma praça em frente ao mar,
e nesta avistávamos três bancos,
cada qual, com uma árvore para os guardar,
escolhemos a tal desprovida de primaverís flancos.

ao céu, a treva noturna punha-se a estar,
radiante vívida estrelada...

rubras núvens a sua figura alaranjar,
caía uma gota, resquício à chuva no ombro de minha amada.

eis água, uma lágrima
da senhora desflorescida,
que tão como as outras ser, estima.

porém fizera de sua morbidez ressequida,
persuasora beleza, moldura do luar visto acima,
por nós... à noite, até nossa partida.




Esse é um soneto antigo, e eu gosto dele, por mais que hoje em dia não me lembre nenhum sentimento considerável a não ser lembranças babaquinhas... ele é ótimo, fora do meu contexto mais normal e que eu mais curto em mim também... mas fodastico!
A beleza não está somente no que é aparentemente belo, e sim aquilo que elas que elas representam.
isso deveras tá longe de ser um soneto de amor...

3 comentários:

  1. pois é, tantas vezes a tal "desprovida de pimaverís flancos" desejara ser como as outras...julgava ser de menor valor [e valia]. No entanto, sua beleza não podia ser admirada por olhos alienados,turvos e obsoletos. Assim, somente ELE,o poeta, com olhos singulares no mundo e fugindo à estética "do belo", pôde , de fato, olhá-la, àquele ser de "morbidez ressequida" e contemplá-la, amá-la...

    #caprichei na "metaforaização" hehe!! s2

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  2. hahaha

    adoro ler-te...
    viajo e volto e viajo
    e virou ciranda!!! hahaha

    pouco importa se 'é' fora ou dentro ou en-volta do seu contexto... pouco importa...

    e 'tá longe de ser um soneto de amor...' já é alguma forma de AMOR... e tá valendo!

    hahaha

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