terça-feira, 16 de agosto de 2011

O mar dos malditos - Bem vindo a bordo!



bem vindo à bordo, clandestino!
que por tuas forças te engajaste,
a neste convés, coabitar com as pestes...
agora desvelado o segredo, eis um rato sem destino!

lhe agraciem os torpores dum trago maldito!
o pernoitar conosco, à insanidade infernal,
cruzando os mares, no assustador nevoeiro eternal...
éras tu, meu mal, o inimigo que nas cartas fora predito!

provai o efêmero licor da loucura!
espargido em seios sem nem mais qualquer candura,
livrai de ti, os labores puritanos,
arraiga-te, à demoniaca devassidão conquistada com os anos!

te entrega à praga, no peito retumbando a lamúria infante...!
inquisitor, cuja carne ainda habita o casulo transmigrado,
pois foste tu, àquela velha vila à vista, perseguido e açoitado...
carnal carcome, à tua alma, tal verdade apavorante...

inefáveis são, os males mil e mistérios do horizonte,
que acortinas, imprudente à tua fronte,
prova-os! como um gotejo inquieto, e sedento ao profundo azul,
flertes co' as sereias, e senhoras das águas do sul!

sabes, que o sabre sabio convoca a sangria,
viste?! veraz, se abre o vão da morte maligna...
eis-nos todos ao navio do além, onde o agoiro é paradigma...
legado eterno, de quem morto aqui se faz, e se cria...

és filho de Satanás, que co' o sempre nos castiga,
és clandestino, numa flauta tocando a melodia dos condenados!
risonhos, dançamos os odiosos cânticos inferno... enquanto se siga,
a ultima gota d' água, nesses caldeirões de mitos incontados...






Mais que vos deixo aqui, depois de um tempo escrito, gostei muito desse poema... foi algo diferente, escrevi ele destituído de qualquer rancor, ou inspirado em lembranças, pelo contrário, pensei escrevendo no futuro, nesse que ainda está por se conjurar imprevisível... eis-me ao inefável prazer de poder não saber o que me espera, os demônios velados às cortinas, onde estarão os tesouros enterrados no chão qual piso... como serão suas faces...? o quão brilharão esses rubís...? cada momento... simplesmente aproveito até a ultima gota... no desconhecido.



Um comentário:

  1. Uau! Que orgulho de vc lindo. Vc se supera a cada poema, NUNCA deixe de escrever! luv u *__*

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