terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma transcrição...


Bem, vos deixo um soneto de um dos poetas que mais me influenciram, não somente em minhas poesias, mas de certa forma nas ideias também...
Esse é um soneto de Bocage, e que fiz uma transcrição ao meu jeito, isso faz bastante tempo, encontrei quando revirava uns rascunhos meus... E foi um exercício que aliás, estava no final do livro...
espero que gostem... :D


Ó retrato da morte! Ó noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho em teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.


E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.


Por Santiago Salinas Crow:


Ó morte retratada!
Ó noite amiga,
Cuja treva arrebata-me suspiros,
Prantos meus, testemunhais calada,
És pois, antiga secretária de meus desgostos.


Destine amor a quem sua dor confesse,
Tão quanto pio agasalho, em teu negro manto,
Ouve-os costumeira...
Entregue dormente, entretanto,
Está aquela, que delirar me obriga.


E vós cortesãos da escuridade,
Fantasmas triviais,
Soturnos mochos piadores,
Que do dia, e seus fulgores,
Tão como eu inimizais,


Clamores
Em bandos acudi!
Ensejo vossa medonha sociedade!
Decidi,
Fartar meu coração de horrores!






Um comentário:

  1. Já disse isso à você em "off", mas repito: Muito bem feita a tua, se assim posso nomear, versão ou adaptação; os adejtivos e metáforas são teus, no poema "filho", mas a grandiosidade, ritmo e metrificação mativeram-se à luz de Bocage. Deu nuances de "Crow" à transcrição,e manteve-se fiel à temática e por que não, clima,originais - ponto em que muitos por vezes "pecam"!

    orgulho de você sempre...

    amo-te demais, MEU Crow!

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