sábado, 24 de setembro de 2011

Um pêndulo na noite




como fera
a noite espera,
nessa vida
me propondo,
"nova era",
a partida;
d' onde me escondo...

um incerto pêndulo,
sob a água vai dançando,
mais nada estipulo,
à sina se desvelando,
e que a mim é pertencente...
mantenho-me assim, tão paciente.

um pêndulo incerto,
a esperada chave, ao seu lado, perto
pode estar, e tê-la apontado,
sem, nem mesmo dar a entender
por mais que muito tivesse contemplado...
bastando-nos, somente à madrugada perceber!




Poema escrito seguidamente do que postei abaixo, então, ambos são relativos...

Dois paraísos... Um inferno!




oh poeta, podeis bravamente escolher teu fado...!
pois sagaz às trilhas tu vieste,
agruras pungindo, d' outros mundos, desde o leste,
o sul conflagrando ao trespassar bem aventurado;

labinrínticos trilhos percursados provando,
sofreste, dentre os tantos sob a terra ajoelhados,
torne em versos, teus tesoiros encontrados,
dois distindos caminhos afrontando!

logrosas gêmeas estradas, paraísos ofertam,
por floridos bosques cercadas, mil fragrâncias destilam...
vangloriosas venúsias aos olhos desta alma outorgaram...
e que culposos suspiros, agora ao luar cultivam,

[ao que pisar
veemente...?!
sabendo
voar
contente
às instâncias da terra da lua,
nômade estando
a lembrar, os arquipélagos de estrelas,
crendo
à melíflua eternidade,
e outra crua
mutável causalidade,
tendo,
pois, consigo,
somente, mais imprevisíveis fitadas noites loucas belas...]



Considerações sobre esse poema:... digo que foi um poema não muito recente, o rascunho dele foi escrito numa época que pra mim, muitas coisas estavam se transformando e se desconstruindo até chegarem o que são hoje, de um reino que se apodreceu até o caos total, de onde os escombros jamais se levantarão novamente, e o jornar a um novo mundo cuja terra não se contaminou com imundícias, enfim, uma metáfora subjetiva sobre algumas fases minhas, não que isso importe muito, mas creio talvez que muitas pessoas tenham passado pela mesma merda. A moral dele, em si, é que muitas vezes poderiamos ter optado por um caminho mais dificil, todavia menos doloroso, que a felicidade estupida e repentina, sem requerir de o mínimo de esforço, que podemos conquistar um paraíso nesse mundo de merda, mas nenhum tesouro é possivel sem caçadas reais ou sacrifícios, uma moral que muitos dizem... mas verdadeira!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Valentina

partiste! sem sequer ter-me vindo,
fulgurante luz, que no imaginário se engendrara,
caminhando aos confins da inexistência...
és terna, pura, indome, e tão rara,
vagando em douradas marés,
ao indescrito tornando...

me perdoa! pois em treva te foste,
nobreza infante possuindo,

em teu túmulo... recoste!
um nascimento aguardando...
e à espera persistindo
às mundanas monstruosidades lhe esperando,

venhas! neste mundo, a enfrentar,
comigo! venhas a empunhar!
uma espada e pungir
tais bestas, postas em agoiros rugir,
venhas! destemida,
dadas as mãos, nada e ninguem nos intimida!





Gosto desse, por mais que muitas pessoas talvez não entendam, que tomem por suas próprias conclusões, espero que tenham gostado ;)

Harpa da morte



(Emerson Coveiro, Santiago Salinas Crow,
Edição: Sarah Lelis Crow)


vidas decorrem ao bailar dos dedos,
no vazio de suas notas,
a solidão me é consumida
consumando
toda a dor, que à existencia é confiada,

badalam as cordas,
sinos, choros de espiritos
que nelas tocaram, um dia,
proféticos foram, tais
que aos umbrais, em tormentos se entregaram,

inocentes! ei-los os submissos
ao adentrarem, à psicose etérea
melódica fúnebre marcha do altar da morte,
incontáveis escolhidos arrastando
em hediondas mutações tormentosas,

eis a harpa da morte, dádiva do submundo,
o inebriante arrepio dos deuses,
quais, trovejam macabros gritos, de horror...
eis-me aqui, com ela num delírio defrontado,
perpetrando a harmonia do caos...!


Um poema que com muito gosto vos posto, porra, ficou foda demais! *.*

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Silêncio




despojam das notas notórias,
inefáveis assíduos coros alma adentro,
eis o silêncio, a mór das sinfonias,
que ouvida pode, ser em ti, ao centro,

sons,
sem
tons,
tem
bons
cem
dons
mil,
de auto defrontares,
divindade verossimil,
tal que é esta à escuridade,
duma noite nada hostil,

mergulhado ao mar de tempo não corrente,
como em dias outros, cujo ofício é mais contente,
audíveis fazem-se, as trombetas, nuncio da solidão...
tornando em espectro, a abraçar, tão quieta entonação...



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pústula



profunda urgindo à vil e corrompida pele,
cuja chaga, voráz se arraiga nesse peito...
eis uma deformada asquerosidade, ao deleito
infecto, num emputrecer qual tal se impele;

fétida, e de uma horrenda pegajosa textura,
figurada, à mais torturosa agrura,
ímpia sentença concede
à sede
inquieta,
de meus restos, ainda consumir,
mórbida ninfeta;
calada a bramir,
à faceta
tão mordaz degradação...
podridão!
n' alma, vociferando a maldição,
deste asilo, maldita masmorra, prisão
de enfermos infelizes
fitando o céu...
qual destino terão? pra onde irei eu?!

e neste instante,
assíduo, estafante,
co' a dissolução, eis-me deparado,
à escuridão assolado,
...contando os dias do juízo...

arde, arde estridente, à carne, profunda,
por vezes, reflexo de uma sarna fecunda,
engrenando engendrados parasítas sanguinários,
vís demônios, asquerosos reis dos leprosários;

lego horrorizante,
a atroz e impactante
prece, num murmúrio, a praga,
ao destino, e a tal chaga...
...contando os dias do juízo...