terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pústula



profunda urgindo à vil e corrompida pele,
cuja chaga, voráz se arraiga nesse peito...
eis uma deformada asquerosidade, ao deleito
infecto, num emputrecer qual tal se impele;

fétida, e de uma horrenda pegajosa textura,
figurada, à mais torturosa agrura,
ímpia sentença concede
à sede
inquieta,
de meus restos, ainda consumir,
mórbida ninfeta;
calada a bramir,
à faceta
tão mordaz degradação...
podridão!
n' alma, vociferando a maldição,
deste asilo, maldita masmorra, prisão
de enfermos infelizes
fitando o céu...
qual destino terão? pra onde irei eu?!

e neste instante,
assíduo, estafante,
co' a dissolução, eis-me deparado,
à escuridão assolado,
...contando os dias do juízo...

arde, arde estridente, à carne, profunda,
por vezes, reflexo de uma sarna fecunda,
engrenando engendrados parasítas sanguinários,
vís demônios, asquerosos reis dos leprosários;

lego horrorizante,
a atroz e impactante
prece, num murmúrio, a praga,
ao destino, e a tal chaga...
...contando os dias do juízo...


Um comentário:

  1. Pode ser o mais mórbido, mas feliz, pois mtooo bom como os outros!!!
    Retratos dos nossos nós...
    '...contando os dias do juízo...' e o juízo dos dias.... rsrs
    É sempre estranho e bom ler suas palavras... é algo como se cuspir às vezes... por mais escuro que seja, ainda assim é uma forma de luz sobre nós...

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