terça-feira, 25 de outubro de 2011

Déjà Vu num navio fantasma ao mar de lágrimas



me vês cá, solitário, delirante,
ao perjurar do mar, aconchegante,
em meu morto pranteio, resta o nada;
fito a lua, prevendo meu futuro,
pela costa, já tão em vão desbravada,
que eu são rememoro, mui de mim seguro;


e os horrores, tão me ditos, desdigo!
e tampouco me convém, as bestas lá,
- o já visto e provado temo apenas...!
profundo abismo meu, és tu que acenas;
e vís ardís transfiguras, tornas bela,
a morte num naufrágio, pr' a estar comigo...

um servo queres, lângue livre, lábios
teus provando, uma vítima insana,
que teu semblante mire, sortilégios
seus sequer percebendo, que por gana
de tua venúsia audaz, lhes faz emergir;

o parvo ensejo do abrolho, pois, pungir...

o vento avança... velas me revolvem...
desvencilho-me desta maré vaidosa,
até o oposto do oeste, de outrora;
eis-me cá, entretanto, indo embora...
a ouvir tantas gaivotas, em sua prosa,
entre elas contando... uma familiar tragédia...





Esse poema, me demorou mais de uma semana pra conseguir fazer, mas, indubitávelmente valeu a pena em fazer um esforço, e concebe-lo, em grande parte versos decassilabos, Heróico...
comenta ai quem gostar...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma declaração de guerra





moribundo exausto, e num sepulcro esquecido,
eis meu fim, porém, não houvera eu morrido,
à indiferença, uma presença pressinto,
passos ouço, dos anjos da morte nesse recinto;

perturba-me insão, o revoltoso tormento,
me invade o medo, uma angústia visceral,
cerram-se os punhos meus, neste momento;
mergulho à possessão d' um ódio incondicional...

vãos augurios perseguem-me, hipocrisia protelando,
toda noite, quando ponho-me a deitar
nessa tumba, praguejando,
e pensando, a cada dia tende minha revolta, a aumentar...

fito as faces, farsas forjando, fieis forçadas,
devotas, deveras desprovidas d' alguma verdade...
fode o fato: o acato do ato à moral corrompida,
destas débeis tolas gralhas... sempre dissimuladas;

os desprezo, à sua incômoda e iníqua estupidez,
atroz, aterra-me esta tão aplaudida mediocridade,
em voluptuoso estúpido êxtase, vejo a vilez,
de cada um destes pedaços de carne, à sua bestialidade...

cuja existência faz-se até mesmo, ofensiva,
vislumbro-lhes cínico a sina, e de tudo o que viva
em marcha ao solo, de arrasto, clamando a uma divindade,
- imagem e semelhança hipócrita... alguma piedade...

distância almejo, e lhes quero a queda ver;
desta pútrida máscara, e de seus mártires,
tal asquerosa arrebanhada sociedade, obcecada ao ter;
cujo câncro, presente está, em todo o canto onde mires...!

eis-nos numa guerra... levantar, lutar e vencer...!
irreduzir-se ante este insulto e sequer cogitar padecer;
será caro o preço por ter de a vida, enfrentar;
seria mortal, todavia, como um insípido fantasma se contentar...!










Bem, quis expressar um pouco do que eu penso dessa merda toda de sociedade, e presentear a muitos desses, com esse poema a visão do que eu sinto por todos esses hipócritas alienados, e toda essa gente absurdamente ignorante, que tanto nos confrontam, "nos" porque existem outros muitos como eu, ainda ansiando por isso gritar todos os dias, não como um mero estouro súbito de raiva, mas como uma convicção concreta... é uma guerra! é uma guerra contra toda a mediocridade aplaudida e que nos é tão nociva, cercando à volta por onde tentemos nos distanciar, essa núvem que cega e imbeciliza... não é só uma rebeldia sem causa, e ser sincero consigo mesmo, é falar o que se pensa e o que se sente a cada dia... por essas pessoas sempre sorridentes e insípidas, por esses padrões baratos e frívolos, por esse pão e circo e todo esse insulto ao intelecto humano, a sociedade em sí, - cheia de falsos moralismos e pompas "agradáveis", acostumada em recluir os que realmente fariam alguma diferença, preferindo tolos ridiculos que lhes falam o que eles querem ouvir, e por isso jamais sairão da merda... - é o maior de todos os insultos!

Quem curtir comenta... ;)

sábado, 15 de outubro de 2011

Um passo ao fim...


troantes fulgem os gritos da chuva,
mil arrepios vêm à face à treva,
os fito, fantasmas algozes janela
adentro, ímpios vorázes outroras,
e que me outorgam tão vastos ardores
de tristes cores, tentando blasfemos...



Decassilabos, vou começar a usar com mais frequência de agora em diante...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Detrás a porta




os elefantes estão ao céu, em viagem,
queria isso lhe contar... vagam libertos,
e eles, consigo levavam em abertos ares;
os outros tão brancos flancos d' arca fugidos,
me diga, tu estás onde...? os quero mostrar!

à tua ausência em toda parte, sinto mergulhar...
ante à trancada porta, eu vejo silêncio,
onde estás? me deixando comigo mesmo,
me espreitam tantas sombras, forças caladas,
rindo do dia que fulge, limpo e intenso...

penso talvez, no sempre, sinto o vácuo,
alojar-se às veias, mente e alma,
provo à solitude, elixir de meu eu;
e tal porta vislumbro, some o resto
de horizonte, trevas vejo à volta...

desvela-se o abismo, minha nefasta ternura,
revela-se em meu cerne... ó diabólica candura,
és o horrendo refúgio, a devorar,
tantos moribundos falsos rostos meus,
co' o tempo sujeitos, a se dissipar...!

que em sua doce placidez, obscuro fulgura,
condenando-os à mais vasta e atroz tortura...
uma supra-terrena dor conjurando,
em terrorosas manifestas lanças, mirando aos céus,
e que empunhadas são, por vís deformados retratos surgindo;

de minha calada alma, que monstruosamente convulsiona,
perturbada e tão inquieta, concebe;
à boca, o asqueroso feto do que fora um dia,
eis o defrontar da aberração, gritando verminosos venenos...
eis-me à mórbida reação, enterra-lo vivo sob seus aterrorizantes gritos...

ó demônio meu, ó demônio meu...!
ensanguentado cadáver mirando o céu,
voráz foi meu ímpeto, ao que se sucedeu...
não serei... como vós sois... não serei eu...!
mais um escravo deste mausoléu!

nem suponho, nem por medo, tal tornar-me,
mais um traste destes ser, nesse cativeiro...
uma rélis morta herança, um carniceiro;
no ápice d' um mistério, do que se arme,
detrás essa simplória porta, trancada...






Fazia tempo já que eu não postava, por falta de tempo, então vos mando esse, que conseguiu me fazer fritar a mufa... ele era para um concurso de poesias, mas... o prazo se esgotou, de qualquer forma iria posta-lo aqui... espero que gostem... vale observar a métrica das três primeiras estrofes e da ultima hueheuheuh

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ódio IV


mal venturado, já fora à si oposto...
antípoda, anódino à dor,
auto-farsante lamentando o gosto
de um dia, em que nominava-se amor...

 
lângue deidade em sujos restos tombada
de seus impérios destronada...
não mais grita agora, eu, um rei,
retumba vociférico, um demônio e a sua lei!

 
[em absurdo extremo, animal enervado,
absorto,
em destruir,
cerrados punhos conjuram,
juram
por si, entreabrir
a face, àquele aborto
tão mal realizado...]

 
eis um estrupício maldito,
anomalia andante,
há de ser, seu fim, escrito,
em sangue, - lixo ambulante!

 
sequer pagarão teu caixão,
te vais em pedaços, num saco preto,
direto
ao aterro,
rascunho do mapa do inferno, de gás és bojão,
indubitável fora, teu nascer, teu erro!

 
hiena que ri, muita merda provando,
requintada culinária crendo degustar,
um orgulhoso cruz credo à rua a desfilar,
suas amorfas banhas mostrando!
medíocre víbora a lançar,
lascívos venenos, de nada amenos,
que anseios estupidos, pretende alcaçar,
cretino e pagável, predico, por menos;

 
[por cada rima,
acima,
um nobel
literário
devia eu ganhar,
rio
à babel
que pus-me cunhar]

 
te ponhas, gralha! a gargalhar,
circense aberração infernal, do lodo advinda,
à lona ao picadeiro, posta a se amortalhar,
bem vinda!...
à ironia,
catatonia
sentes
até os dentes?...
                             tua moral
                                             trincar,
                                                            meu mal
                                                                           brincar...
                               é nula
                                             tua face,
                                                           é enlace
                                                                          de mula!
                                                                     

nessa caldeira a desvelar farsante,
podre e em ranho banhada, escrota...
como farás, à verdade perante
as tuas fuças, e máscaras se esgotam?

 
és dito, inválido passado, à frente
minha, tu, um infame outrora infimo...
não mais sou, com teu jogo complacente,
tampouco serei, perpetrante em insultos indecentes!

 
és névoa, deixada, inválida,
ao tempo a mercê,
fraquíssima fração dos restos
de um mundo,
pagarás consigo, tua dívida...!
dádiva... - e eis o que sincero anseio,
fraca é tua carne, em desfreio
à alma
em lama
que clama
sem calma
de si, fugir,
de seu próprio ser,
até o exaurir
de não mais poder ver;
quão tola foste
em utopias
vã criatura
vulgar,
que perdura
ao seu lugar,
teu inferno, tuas baixarias...!

 
esparzido elixir que fora um dia,
puro e belo, agora bosta e que exprime,
tal desprezo, que em minha face não se oprime,
és névoa de outrora
indo embora,
sinto-me como antes, quando nem, sequer lhe conhecia...












Poema escrito afim de definir mais uma manifestação desse incrivel sentimento chamado ÓDIO!
ódio por uma pessoa, por lembranças, o ódio que torna-se sarcasmo e cinismo, o mal vestido de palhaço com uma faca nas mãos... foi legal escrever esse poema e eu o tinha prometido postagens atrás, faltando mais três partes, e acreditem, serão tão sacanas quanto com outros temas, mas em si, foi o melhor de todos até agora que são denominados "Ódio" huehauheu... a tela foi até mesmo clichê, mas... pra interpretação desse peoma foi perfeita... espero que gostem...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Malignitude






queima o fogo da pira maldita,
e o meu rosto por um capuz é resguardado,
o trevoso sacrifício o mal incita,
deslucidando o bestialismo às trevas engendrado.

viscerais, perversos pensamentos tunanteiam,
e os sobressaltos sob as ações ponderadas desenfreiam,
dissipam-se as noções de piedade
quando a vingança obtem oportunidade.

eis chegada a hora, neste campo aberto,
onde a lua cheia está bem perto.


anuvia-se a floresta desolada
de temeridades tão dotada,
silenciosa presenciando
a langue vítima gritando...

o destino dita um rumo certo,
e a sua alma ao demônio logo oferto.


ímpio, horrendo e mortal, rompendo
a esta carne, de quem se debatendo
é pertencente, e vingança merece...
eis o destino de quem em bréu perece...

aos tão noturnos famintos coiotes,
em verde mato, salivando hostis,
eis vosso o jantar, senhores de ardís,
sagazes bestas, de artifícios e boicotes;


e essa treva, trastes tragam, trazendo a perto,
impulsos mil, dos quais não me liberto...

toda a noite, em cheia lua
é assim, tão fria e crua,
mortal viceja a vontade, impulsiva...
que sorte seja a do safo, e que viva
sem ao meu curso, incauto tornar,
tampouco tenha, infeliz, algo a pagar...

toda a noite, em cheia lua,
é assim, tão fria e crua,
rindo às culpas, eternos venenos,
pouco importantes p' ra mim, ao menos,
em seus histéricos gritos, clamando,
de cá acodar, e estar, apenas sonhando... ... ...