quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Detrás a porta




os elefantes estão ao céu, em viagem,
queria isso lhe contar... vagam libertos,
e eles, consigo levavam em abertos ares;
os outros tão brancos flancos d' arca fugidos,
me diga, tu estás onde...? os quero mostrar!

à tua ausência em toda parte, sinto mergulhar...
ante à trancada porta, eu vejo silêncio,
onde estás? me deixando comigo mesmo,
me espreitam tantas sombras, forças caladas,
rindo do dia que fulge, limpo e intenso...

penso talvez, no sempre, sinto o vácuo,
alojar-se às veias, mente e alma,
provo à solitude, elixir de meu eu;
e tal porta vislumbro, some o resto
de horizonte, trevas vejo à volta...

desvela-se o abismo, minha nefasta ternura,
revela-se em meu cerne... ó diabólica candura,
és o horrendo refúgio, a devorar,
tantos moribundos falsos rostos meus,
co' o tempo sujeitos, a se dissipar...!

que em sua doce placidez, obscuro fulgura,
condenando-os à mais vasta e atroz tortura...
uma supra-terrena dor conjurando,
em terrorosas manifestas lanças, mirando aos céus,
e que empunhadas são, por vís deformados retratos surgindo;

de minha calada alma, que monstruosamente convulsiona,
perturbada e tão inquieta, concebe;
à boca, o asqueroso feto do que fora um dia,
eis o defrontar da aberração, gritando verminosos venenos...
eis-me à mórbida reação, enterra-lo vivo sob seus aterrorizantes gritos...

ó demônio meu, ó demônio meu...!
ensanguentado cadáver mirando o céu,
voráz foi meu ímpeto, ao que se sucedeu...
não serei... como vós sois... não serei eu...!
mais um escravo deste mausoléu!

nem suponho, nem por medo, tal tornar-me,
mais um traste destes ser, nesse cativeiro...
uma rélis morta herança, um carniceiro;
no ápice d' um mistério, do que se arme,
detrás essa simplória porta, trancada...






Fazia tempo já que eu não postava, por falta de tempo, então vos mando esse, que conseguiu me fazer fritar a mufa... ele era para um concurso de poesias, mas... o prazo se esgotou, de qualquer forma iria posta-lo aqui... espero que gostem... vale observar a métrica das três primeiras estrofes e da ultima hueheuheuh

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