terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ódio IV


mal venturado, já fora à si oposto...
antípoda, anódino à dor,
auto-farsante lamentando o gosto
de um dia, em que nominava-se amor...

 
lângue deidade em sujos restos tombada
de seus impérios destronada...
não mais grita agora, eu, um rei,
retumba vociférico, um demônio e a sua lei!

 
[em absurdo extremo, animal enervado,
absorto,
em destruir,
cerrados punhos conjuram,
juram
por si, entreabrir
a face, àquele aborto
tão mal realizado...]

 
eis um estrupício maldito,
anomalia andante,
há de ser, seu fim, escrito,
em sangue, - lixo ambulante!

 
sequer pagarão teu caixão,
te vais em pedaços, num saco preto,
direto
ao aterro,
rascunho do mapa do inferno, de gás és bojão,
indubitável fora, teu nascer, teu erro!

 
hiena que ri, muita merda provando,
requintada culinária crendo degustar,
um orgulhoso cruz credo à rua a desfilar,
suas amorfas banhas mostrando!
medíocre víbora a lançar,
lascívos venenos, de nada amenos,
que anseios estupidos, pretende alcaçar,
cretino e pagável, predico, por menos;

 
[por cada rima,
acima,
um nobel
literário
devia eu ganhar,
rio
à babel
que pus-me cunhar]

 
te ponhas, gralha! a gargalhar,
circense aberração infernal, do lodo advinda,
à lona ao picadeiro, posta a se amortalhar,
bem vinda!...
à ironia,
catatonia
sentes
até os dentes?...
                             tua moral
                                             trincar,
                                                            meu mal
                                                                           brincar...
                               é nula
                                             tua face,
                                                           é enlace
                                                                          de mula!
                                                                     

nessa caldeira a desvelar farsante,
podre e em ranho banhada, escrota...
como farás, à verdade perante
as tuas fuças, e máscaras se esgotam?

 
és dito, inválido passado, à frente
minha, tu, um infame outrora infimo...
não mais sou, com teu jogo complacente,
tampouco serei, perpetrante em insultos indecentes!

 
és névoa, deixada, inválida,
ao tempo a mercê,
fraquíssima fração dos restos
de um mundo,
pagarás consigo, tua dívida...!
dádiva... - e eis o que sincero anseio,
fraca é tua carne, em desfreio
à alma
em lama
que clama
sem calma
de si, fugir,
de seu próprio ser,
até o exaurir
de não mais poder ver;
quão tola foste
em utopias
vã criatura
vulgar,
que perdura
ao seu lugar,
teu inferno, tuas baixarias...!

 
esparzido elixir que fora um dia,
puro e belo, agora bosta e que exprime,
tal desprezo, que em minha face não se oprime,
és névoa de outrora
indo embora,
sinto-me como antes, quando nem, sequer lhe conhecia...












Poema escrito afim de definir mais uma manifestação desse incrivel sentimento chamado ÓDIO!
ódio por uma pessoa, por lembranças, o ódio que torna-se sarcasmo e cinismo, o mal vestido de palhaço com uma faca nas mãos... foi legal escrever esse poema e eu o tinha prometido postagens atrás, faltando mais três partes, e acreditem, serão tão sacanas quanto com outros temas, mas em si, foi o melhor de todos até agora que são denominados "Ódio" huehauheu... a tela foi até mesmo clichê, mas... pra interpretação desse peoma foi perfeita... espero que gostem...

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