domingo, 27 de novembro de 2011

Filho da mentira



de si exausto, assíduo moribundo, inexistir anseias,
desespero lhe corre mais do que sangue às veias,
proferiram tanto, sobre cicatrizes curar,
esta entretanto, é maior que o corpo poderia segurar...
grotesca gravada ao cerne de seu grande abismo n' alma;

futil faz-se o ensejo de refugio à calma,
hercúlea porém, também a ira se mostrara,
somente o rancor, num distinto momento,
controverso extasia, um como divino alento...
a memória perder, é o querer; distar-se, - é o que restara;

tu vês os fios lentamente sua pele lacerando,
percebes do abismo das mais negras águas do mar
da mentira dissolvida, algo imperioso convocar;
tu vês os fios da marionete lhe arrastando,
frente o mais nefasto e indizível semblante nela emergindo,

assim provas, fato e pasadelo convergindo,
condenados espectrais amores se exorcizarem;
esmigalhar-se amigos tantos, sem prantos causarem,
fitaste raizes tuas, em verdade horrendas najas;
a deslindar um puro prol seu, falho te engajas...

de alegóricas farsas um produto abstrato,
se esfria a dor, pra si, o benévolo ódio é o extrato,
sectário contrato não há, nem sequer no inferno,
és oriundo de lugar algum, piedoso a dadivar eterno
desprezo... o esquecimento esperando pr' a por si poder ser...



Sem muitos comentários a respeito desse poema, lhe deixo simplesmente, fora feito em umas três horas e meia mais ou menos, depois de tanto tempo parado sem nenhuma inspiração que tivesse sido concluida, veio este a ultrapassar-los... logo virão outros ainda mais fortes...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Macabras Abstrações





como atroz me tens, por tais tons cingir?!
infindáveis léguas, de vívido horror a inflingir,
sobre tu, à vista, uma realidade paralela, catatônica,
em cada distinto traço qual, que expurga vossa dogmática atônica;
mensuras sequer, a sensação de os meus olhos ter?
fio nenhum de animação material, se pode despreender,
fitas... constroem-se e desconstroem-se famintos,
cada belo elemento sedento de tua divina paisagem,
a consumar a sangria, em prol da própria linhagem,
contempla meu quadro senhora!... os traços indistintos...!

analisa, o sangue e a estamina que inferniza,
cada manifesta causal criatura que matiza,
um corpo inteiro, de infindáveis membros díspares,
cuja vital essência sopra, a levar os fetos das árvores,
e paira sob as veias por mui sós loucos navegadas...
desfruta o espetáculo, das hostís químicas transmutadas
em infindáveis ressurreições, e inimagináveis ardentes formas e cores;
por vós, disto, distraídos, "distados", e sem dedicados altares...
que de um sacro livro ter, é realmente merecedora,
e lhes fossem dada, como a impagável chave esclarecedora!

observa! obscuras, no obstante onipresentes dinastias,
ao painel protelam, - em cada fenda habitantes,
minusculas odisseias em nós, sujeitos mutantes,
a esse predito destino de imensuráveis proporções;
nesse ímpio desatino de incalculáveis dimensões!
intrincados nós de espíritos, em desnovelo, ao embaraço,
inconstantes pairando sob o além do negrume do espaço...
paralelas parcelas pensantes
somos,
donos
da inadquirível
eternidade
inexistente,
tão belo e incoercível
presente
incompreessível,
ser o ser vivente,
imortal,
desprovido
de bem ou mal,
a subjugar a matéria,
e jamais deveras ter morrido
senão se ressarcido
por sua temporária valia...
...
contempla meu quadro senhora!... os traços indistintos...!
frente a vós agora em chamas, o "ridículo" sem tela...!
a lhes ditar o "horror", que aqui se tanto vela,
o dado elixir aos porcos mui "bem distintos"...





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um pardal



partiram todos, pairando ao não mais ver,
sozinho aguardava, um pardal a não saber,
como era os demais seguir, no azul emergir,
distantes, as negras núvens puseram-se a rir,
lamentosa, fitava a acácia o ninho, impotente,
e a cada ventar, ficava a queda mais evidente;

se foram um por um, jurando o retorno,
havia um cravo alí, inestimável adorno,
agardava inatingível, crente incansável,
aflingindo o tácito semblante, de quem o assistia,
perdurando... perdurando, fervoroso noite e dia...
prometido fora o paraíso, que lhe seria alcançável;

o tempo... tempo, de espera, que já o exaspera,
dentro de si, à profundeza da mente mergulha,
muitos... muitos sois viu morrerem, cada fagulha,
fome e sede, não lhe eram empecílio sequer,
sentia a brevidade, gritará quando a hora logo vier...
o tempo... tempo, de espera, que já o desespera;

impera o tempo... vazio, o único jamais por ninguém vencido,
lágrimas... barradas friamente num frágil coração ardente,
o grito, lutando voráz por sair, num pio; estridente,
quando intervém a acácia, a dizer de baixo olhar,
não mais suportando aquilo, ter por tanto, omitido,
- seguiram todos, mui longínquos, deixaram lhe a definhar!...

* * *

- ... pois, tu não sabias, como os demais, habilmente voar...
vence o grito, invade o vazio, em cada plumagem,
o chão sussurra, ao cair do cravo, a única paisagem,
lhe restara a morte somente, tal que nunca mente,
a gritar tão loucamente, por vê-lo ao ar de si plenamente;
a pousar, e a pousar... solitário, e tácito, sem lembrar...




terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Aniquilador

sentes tê-lo perdido... o controle da situação?!
lacerei as garras, pulsantes ainda, em tua nefasta mão,
de dor gritas, inebriado, à falta dos membros fantasmas,
levantaste, porém, enervado aturdido, e ao reagir te espasm
as,

tu podes consigo deter, até mais poderes que os meus,
legiões aterrar, usando os parvos discursos teus...
afronte meu caminho, e eu o destruirei sem nenhuma piedade,
quebrarei tuas pernas, realizarei o que nominas atrocidade,

cuspirei teu semblante,
lhe farei no horror, um infante,
ao pisar suas mãos, de punhais traiçoeiros,
aos bueiros, ligeiros

seguindo,
despindo
teu empirismo
vaidoso,
teu egoísmo
imperioso,
teu despeito
desrespeitoso
a despeito

do que posso... quero;
dar lhe uma monstruosa surra,
bater co' um ferro,
nesta sua cara de gente burra,

sentir tuas vísceras, nos meus dentes estralarem,

e do seu corpo ver, cada célula desmaterializar,
quando as chamas, d' um psicótico fogaréu, sádicas dançarem...
- com vadias, vou tua sangrenta fortuna gastar...

não haverá divina vingança!
farei teus corruptos deuses beijarem a sargeta,
eliminarei qualquer esperança,
de na miséria de espirito, que tu novamente nos remeta,

existe algo instrínseco
infindável
dentro de mim,
incomparável,

voráz, assim
como o eco
gritando pr' a eu te matar,
e o paraíso conquistar
de vez,
aniquilar a sordidez;
de toda essa insultate hierarquia,
de latrocínio e hipocrisia...


vê-lo dissipar-se em labaredas irremediáveis,
iníquo traste, de meios asquerosos lamentáveis,
a intento de insolente usurpar-me, o direito de ir e vir...
queime!... ... queime lenta e atrozmente, até não mais existir...




Eis que o fiz esta tarde, ficou ótimo, e alguns dias antes eu já tinha a ideia de fazer um poema assim... repleto de ódio como não fazia desde um tempo... huehuahe
se curtiu comenta...

Montanhas de vidro

a solidão sopra em teu semblante,
a azul agora engole o horizonte,
mire a grama, o chão restante,
dissolveu-se após percursado...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

amar as núvens, disformes princesas,
uma era a cada dia, as ver se espargirem,
defrontar-se aos fieis elefantes alados;

soldados de pedra em besouros montados...

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

jamais ver um dia, o passado recente,
os sonhos cremados, novamente...
vislumbrar formosos campos, nunca os mesmos,
os tesouros sentidos, trocados...


as marcas deixadas,
feridas de espadas,
num mundo de palha perdidas,
o mar de tempo à terra... mil partidas...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!


A real profecia

lá está o rei, e do outro lado da rua o mendigo,
do outro lado...
das grades do lixão, lá está um armado infante,
ingênuo, desconhecendo a consequência do que tem às mãos,
lá está uma velha comendo seu encardido pão,

esse é o futuro? frio como ferro, confuso como sua mente.


todos são inertes,

seu mundo é cinza, opaco, luminoso,
estão todos abrigados em seus mundos pessoais,
loucos, lúcidos, quase que ao mesmo tempo,
jubilam-se os governantes e generais inexpugnáveis,
do exercito das maquinas vivas ,


estamos todos sós,
diante do sofrimento, diante da metamorfose,
de nossas ideias, do nosso mundo estagnado ,
ele cresce como a flor, ele derruba como o vento,
te arrasta como a correnteza de um rio,
no mundo bizarro, todos são servos de suas proprias criações.



as máquinas, a natureza de plástico,
miseráveis, venderam a salvação,
e os salvadores malévolos agora vos levaram ao abismo,
estão todos pagando, a pena,
no mundo opaco de metal e plástico,
são todos bestas, criadores do caos,


com suas consciências afetadas,
nas ruas violentas das cidades em ruinas,

e dos psicóticos, das prostitutas, e promíscuas santas...
dos drogados, sem futuro, tratados como vermes,
vem a revolta, vem a rebelião,
o império está à ruina final, não há mais riquezas, não haverá o que perd
er.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A catarata da louca alegria


uma perda sentiste, à merda de vida que tens,
te sentes inválido, e de poucos suados bens,
infeliz condenado, pedradas tomando, de todos os lados,
defronta-te a fonte à fronte, de mundos selados,
eis inebriante, tal cristalina água da cascata,
jamais por outros seres, que não humanos, valorada,
paga água santa, à dores benfazejas, se não a pagas... tens nada,
te faz ela, rir, mais que qualquer insípida falsa face, insensata...


purissíma nutrindo o espírito,
as tábuas da lei partindo, em seu ignóbio rito,
o mais santo e puro vinho tornando, uma rélis água suja,
não benta, e sacra... todos os males sobrepuja,
só dos fortes digna, virgem de impurezas...
ácida essência da noturna loucura, amançando cruezas...
somos alegres estúpidos, dançando os gorgeios dos corvos,
por agora esquecendo, todos os malditos verazes estorvos...