terça-feira, 8 de novembro de 2011

Montanhas de vidro

a solidão sopra em teu semblante,
a azul agora engole o horizonte,
mire a grama, o chão restante,
dissolveu-se após percursado...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

amar as núvens, disformes princesas,
uma era a cada dia, as ver se espargirem,
defrontar-se aos fieis elefantes alados;

soldados de pedra em besouros montados...

sem asas pairamos, piramos sem pouso,
encarnados delírios mutáveis,
a mercê dos desígnios naturais, tão belos e crueis,
amar eternamente uma nuvem, sequer eu ouso,

jamais ver um dia, o passado recente,
os sonhos cremados, novamente...
vislumbrar formosos campos, nunca os mesmos,
os tesouros sentidos, trocados...


as marcas deixadas,
feridas de espadas,
num mundo de palha perdidas,
o mar de tempo à terra... mil partidas...

as escadas de vidro trincaram-se eternas,
por quais logramos incansáveis co' as pernas,
feitas de água humana, tão sana salgada...
uma noite abismal nos consome, sem madrugada!


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