quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ódio gratuíto






sofrida aspereza, incontestável certeza,
a repousar deitado, - o querem velado!
fatidicamente, incauto estorvo, - melhor vivo cremado,
funesto infeliz maldito corvo, despercebendo a crueza,
de diversos devoradores dentes, detrás débeis disfarces;

desperto, de certo, é o flerte farsante,
o bom trato, refalsado, não obstante
de enganar audezes olhos capaz... oh não, jamais!

envolto em trevas tantas, taciturna morbidez radiante,
dentro à alma indome, afogada num lodo miserável,
faz-se em suma, a vivacidade inquieta e louvável
duma intrinseca força, motriz, inebriante,
afrontando agoirentos algozes augúrios armando...

eis o deslindar à besta, em teu âmago testemunhante,
rompendo a etérea involucral amarra de rancor,
extasiada lacerando violenta abrupta o fantasma da dor,
o grito extremo inumano, à face mortal meramente semelhante,
o anjo impulsivo à própria terra rebelado...!

ódio gratuíto,
tempestuoso
intuíto,
grandioso
atrito,
amarga
convicção,
que se embarga
de podridão,
e se encarga
do conflito
a hostilizar o que faz-lhe aflito,
alvo de toda conclusão!

salvo à tanta ilusão!

anseiam todos teu inferno,
em suma,
querem eles seu eterno
transtorno!
em torno
à visão,
tal que consuma
quaisquer formas de libertação!

tornam os ventos, sopradores incoercíveis,
a outros rumos de meu destino,
ageis mãos de rumos invisíveis,
findam-te à negra relva mental, o desatino...

pérfidos tenros semblantes se apavoram,
espasmados em hórridas cores à abstração d' espantos
o estático instante perante o porvir dos "santos"
prantos, de inocências infames farsantes, quais não demoram,

agressão verbal, liberdade emocional,
ação contrária, à chantagem que valia,
sepultados obsessores, tombados valores,
o exorcismo, de todo o víl interesseiro eufemismo!

eis o berro à sofrida e frágil presa, a descobrir,
que predador voráz sempre fora, ao se despir,
agonizante, em furia e ódio,
da terna ingênua veste, traje do divertimento alheio e ímpio,

o contemplar das garras, sangrento encanto,
o vociferar da agressão, invocação do abismo,
abaixo os pés, a engolir-lhes e entretanto,
os mantendo ao chão, embebidos em seu próprio cinismo!

ódio gratuíto!
antídoto
antípoda,
método
hostil;

ódio gratuíto!
os males de si estirpar
e partir,
longínquo;
tão expontâneo, a ser verossímil!...


domingo, 11 de dezembro de 2011

Sectário do fogo


concedo-vos meu sangue...
ó, superiores forças, que no sol habitam!
incendeiem quão quiserem...
meu frígido empírico espirito lângue!

- feneçam os áusteros desgastes...
ao banhar d' aura sob o fulgor!
refocila-me, sol; pois hei de ter de defrontar
quaisquer temores a vir, pungir, tão quão vencera-me a dor!

venham-me, pois, sectárias flamejantes salamandras,
minha diurna odisseia permear, dêem-me as chamas,
de vigorosas vívidas lívidas livres tramas
por minha pele sorvidas, sentidas, em mãos de fogo se transformam...

o corpo em labaredas se entrega, sem queimar,
indestrutível confragra-se o selo a vigorar,
eterno, instâncias mil conquistando,
lumiando, e toda involucral humana treva destruindo...

legionárias, marchando em solares flâmulas,
lutai vós, por um de seus companheiros, mais fiel,
dêem-me o mais terrível quente fulgente poder,
a destronar os males nossos, e um novo caminho nos conceder!



domingo, 4 de dezembro de 2011

Crocodillos de esgoto



À meia noite,
eles vão voltar,
invadirão a cidade,
vão nos matar!

despercebidos
atacarão,
tão repelidos,
retornarão!

crocodilos de esgoto,
uma praga assassina,
farão a chacina
por cada quarteirão!

nas ruas incautos,
das cidades imundas,
se arrastam em asfaltos,
agora sujos de sangue...

o terror habita
as mentes humanas,
as carolas profanas,
civis e soldados,
que o mal se repita!
estão todos condenados,
padres e políticos,
ladrões inocentados,
todos sob a mira,
a mira da morte,
a morte no corte
dos dentes vorazes!

o terror habita
as mentes humanas,
as boiadas insanas,
todos alienados,
que o mal se repita!
estejam todos ferrados!
tolos e criticos,
canalhas armados!
e na calçada se vira,
o fraco e o forte,
ambos sem sorte,
sob as garras mordazes!

nas ruas incautos,
das cidades imundas,
se arrastam em asfaltos,
agora sujos de sangue...

crocodilos de esgoto,
uma praga assassina,
farão a chacina
por cada quarteirão!




Letra recém escrita por mim, de uma musica que eu compus, espero que tenham entendido o sentido desta além do tema, a ideia dela... De que nada valem ou significam as hierarquias sociais e as classes sejam do que for, é tudo a mesma merda de carne frágil quando se deparam com uma força maior do que qualquer padrão estabelecido por elas mesmas... que quando a merda é maior... todos viram a mesma massa de miséria humana, diante à inconsequência... pois bem... a palavra "Crocodillo" foi escrita com dois "l's" propositalmente... que se fodam as regras... assim como jamais começo uma sentença com maiúscula justamente por esse motivo... desrespeitar a regra... e também porque não tenho saco pra isso,
enfim, espero que alguns comentem, quem curtiu... \,,/