domingo, 30 de dezembro de 2012

Planeta de Mares Absolutos





tenebroso em tempestade, é lei o mar,
imperscrutável profundeza, oculto mundo,
indescobrível dogma de amantes águas,
que embarcações vossas põe-se a beijar,
sem terra prometer,
tampouco envolver
quaisquer rochedos no planeta a habitar.

pois àquela instância,
firme solo é inexistente,
desbravador, cuja distância
é mui gigante, ao precedente,
berço mãe, do qual provindo
deixar disposto
se foi, descrendo num fim.

navegador de um não findar,
espaços cruzara, até encontrar,
no imenso azul desolador,
um mergulho mortal, desconhecido,
extraterreno infinismo, assustador.

azularar mortal de armadas presas,
transmutando qualquer forma em sua cor,
flutuar de imponentes embarcações, tão indefesas,
diante perverso imenso perder-se em em seu furor,
calado solitário, é o rugir do preceder,
da aparição que submersa, pode-se ver.

monstruosa, quimérica, incomensurável,
de serpentes se adorna, em metal acobreado,
cravados rubros cristais, e empírico casco retaliador,
negra madeira talhada no imemorável,
permeia assim, emergido colossal navio transportador,
onde jamais um atracar se foi contado...

escorriam-lhe os pingos por dentre os mastros,
pesadas velas, pelo vento levantavam,
imensos canhões nos dadivavam,
seus desconhecidos metais com a marca dos astros,
víamos estraçalhadores lemes, sobrepujando ondas,
muros d' agua em brutal derrocada de tempestade;

surgente veloz, motriz como a voz,
de um estranho algo, vindouro aterrador...
gigantesca aberrante, uma serpente surgia,
similando sônico sonar,
nervosas abruptas investidas criando,
acima àquele monumental cargueiro
com explosões de raios a contra-atacar;

então, furiosa à exaustão do desespero,
instantes breves, escondera-se no mar,
cessaram canhões, mais velas
levantaram,
instável prosseguia apressada rota,
num cambalear por dentre rajadas palpitantes,
que em segundos após, terrificantes,
deu-se o ver, de no meio seu partir,
num salto dela, no arrastar-los... para o fim...








Nostalgia Estranha






























veja-me, como sou tolo... do futuro,
sinto como se falta sentisse,
sem tê-lo tido,
alguma vez sequer...
um lugar, destino ou mulher...

então, contemple,
tão singelo verso,
matéria disforme,
incapaz de mencionar, nominar,
um sem saber profetizar.

tristeza, que de lágrimas isenta,
inventa
um mil de cores, e aspectos
formas, espectros,
num raio lunar, noturnal,
um valsar junto estrelas,
com a mais bela princesa celestial.

debulhar de ensejos, do querer,
mergulhado em si, a se perder,
e perdido, em um levitar desnorteado,
descontente percebo nada achado,
sem prantos, ou amargura,
pressinto aquele sentir arder,
intervir,
intrigando, e eu questionar...

que será tal nostalgia,
imprevisível, em cuja chegada?
de grandeza do espírito, será mania,
assim, ingênua, desejada
tão quão anseia um criança cativada?
num vazio presente, e seu perceber
existir,
no agora, sem conseguir ver,
senão, se acender,
um cigarro antes de partir...





Elegia dos ratos






























oh, enluarada profunda noite, lamentos resguardas!
cravejada negra seda de vivos murmúrios,
de nós; em lívidas livres lágrimas ao prol de augúrios,
te fazes vaidosa, em ares de materno afago,
e eu, só, a esperar uma eternidade, - me fardas!
a proferir, co' uma ingênua morta estrela, o que lhe indago;

[do cigarro, sob a torre do relógio, um trago,
e por abaixo urbanas luzes, da fumaça dispersas se esquecem...]

tantas dessas, quantas mais me vou em aguardo?
- água arde, do olhar, mas não cura!
a protelar-me, será que tardo,
até o vindouro findar de minha merencória lisura?
quão será, que suporto o pesar de meu fardo?

telhados caminho, sozinho, de mim distante,
marotos passos, de um malandro estranho, sem prezar,
por seguro, dentre males tantos, sem prantos, firmar,
um alguém, sem ninguém, de vagar desconfiante,
um ir-e-vir que conflitante, me sugere risonho, desistir,
de meu ingênuo, e tão inseguro singelo existir,
sem anjos aos quais, possa eu, veemente, vez sequer rezar;

em universos de fatos, mais inversos acatos, que adentrei,
um sentir-se minúsculo, detenho, perante à vontade,
frágil, quão sou!... ao perceber-me, vago, relutante,
sem algo fazer, atado em sem saberes, nó sem verdade,
deveras, um ser, assim dito, solitário, no montante
decorrido, de anos, e sem nada comigo, à posteridade...
tão simplório, pacato, desarmado, à minha elegia que não sei.




Um dos meus poemas antigos e inacabados que eu peguei pra terminar, ficou bom, relativamente bom eu creio, gostei da maneira que ficou.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

É o final de nosso tempo?





























tomo em posse, da xícara o chá, sacro vapor,
hipnótico vagar, dum encanto de madrugada,
cerimonial, como exala o mistério da nostalgia,
um frio às entranhas, um sem saber por que.

só, a noite vazia, um sentir-se dentre a multidão,
a loucura de um silêncio que grita suspiros,
reticências que intimam dizeres de pronto,
um estrangeiro que desconhece o idioma de si,
noites de verão incessantes, de anseios,
isto me habita, um redemoinho de confusões,
difusões causando, tornando em um algo palpável,
cujos detalhes explodem nitidez à perspectiva,
o descobrir de uma inevitável surpresa vindoura...
que de certeza é esperada, como sendo o que é.





Uma prosa poética, não as considero nem fáceis nem difíceis de se escrever, simplesmente escrevo quando não quero rimar, ou quero fazer algo mais direto. 



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Uma transcrição de Camões





























O Amor é Fogo que Arde Sem se Ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Por Santiago Salinas Crow:


Ardente fogo é o amor
Sem visto ser,
Que de ferida é o sentimento,
Não sentida,
Descontente à alma
Que contida,
Desatina, como dor,
Sem maldizer.

É um querer mais
Que o bem estar,
Por dentre multidões
Tão só no andar,
De nunca contente,
Incessante contentar;
Num perder, que se consente
Ao ganho de cuidar.

E por ensejo, a vontade;
De prender-se, liberdade,
Um vencedor servir,
Ao que vencer conseguir,
Que com lealdade,
Detemos quem nos mata.

Mas, como pode um favor
Assim, pra si causar,
Humano fervor
Em corações, a amizade,
Se quando se inverte
Não faz de ser o mesmo amar?



Nada mais que uma homenagem a um dos escritores que me influenciaram, sem contar que transcrever poemas é um ótimo exercício pra apurar a própria escrita, ao que também um pouco arriscado determinadas vezes, se não houver um bom senso sobre como conduzir, mesmo que na sua visão, uma obra alheia, vc pode parecer um idiota pretensioso. Gosto bastante desse poema, não pelo fato de falar do Amor como algo incrivelmente belo, - do jeito que muitas pessoas interpretam - mas vejo a definição perfeita de uma faca de dois gumes, que nem todos entendem, só quem sentiu os dois extremos da moeda percebe isso depois de algumas leituras seguidas, eu creio... A imagem é a capa de um Split do Baroness com o Kilesa, resolvi deixar o logo das bandas junto da imagem, gostei da imagem, e era esse tipo de musica que eu tava ouvindo quando fiz. 



Fantasma Lunar


























por vazios errante,
aberrante solidão,
ressentido, foi um confessor
àquela no breu prostrada,
noites tantas, sem dizer,
a que sozinha enxerga
a enseada...
em tempos atuais
depósito de radiação,
cadavérico sem fenecer,
num brado, a decepção,
para um sobrenatural perceber
em cuja distante ocultação.

suspiros num jazer sepulcral,
flutuar
de um miserável exilado,
transformado
em assombração, num vagar,
envolta
em negro manto, maltrapilho,
se escolta
em seu cajado, ao empecilho
de crateras
caminhar,
contemplando o sempre,
aguardando seu findar.

locais onde é incapaz o sol de refletir,
e sequer mensuram seu ir-e-vir,
rouco falrar de hermética maldição,
um perpassar arrastado à corrosão,
acortinado espectro que incontável
tempo perdura, no vazio desconhecido,
andarilho do anoitecer incomensurável,
que nem mesmo à noite, é confundido.


Um pouco de Ficção Científica, com Ocultismo num poema um tanto que surreal, ficou interessante, a ideia n é desenvolver mais do que isso, mas fazer uma contemplação dessa cena e das impressões subjetivas que elas vão causar em cada um. Espero que gostem. ^^ Tava com essa ideia fazia um tempo considerável. rsrs


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Casarão Maldito































deparado à escuridão,
treva encarnada
em assombração,
macabra face
veio a me mostrar
dita famigerada maldição
num encontro mortal
nefasto a conjurar,
meu suposto pendente
destino de condenação...

usurpada a minha mental calmaria,
arde em negras rezas involucrais,
evidentemente trevosa energia
anuvia-me em torpor
perturbador, quase letal,
certezas turvas tornando
ao vampirizar
meu corpo desatinado
dentro de um viciado ar,
sanidade
sufocando,
detida
controlada
mantida
praticada
em cada
breve
segundo
que atreve
passar
no qual me empenho
em forte prosseguir,
dentro deste estranho
casarão,
espirito em banho
de tensão,
que por ventura
vim eu descobrir.

conhecido pavor,
percebo o luar,
brilhante misterioso
a maré enraivecer,
tento rezar
sem boca tremer
dentes ranger
até doer
e eu escutar
o estralar
de passos,
vindo-me em direção,
sem poder me mexer,
e eu lhe contemplar...






quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Paranoia Extraterrestre






























amnésias, abdução,
nada presenciado
exceto dito clarão,
passado presente,
vivente à lembrança,
memória, eis que confusa
em incauta andança,
pacata era noite
para nunca mais esquecida ser,
figura aquela, obtusa
sequer pudera se mover.

estagnados frígidos músculos,
temor de possível aparição,
vigília noturna, porta arma à mão,
ruídos estranhos, minúsculos,
tendem em minha residência
denotar o preceder de uma invasão,
transfigurar-me nesta existência
em cobaia de genética escravidão.

cada piscar, em celeste negrume,
estranhos circundam-se à vermelhidão,
de cuja potente tecnologia,
movida por extraterrena radiação
desmente cultivada analogia
contra minha antiga filosofia
que sempre rejeitou desvelada razão.

controladores subjugam,
cérebro meu, em elucubração...
quem pode dizer
que não me estão a observar?
sinto o enturvecer
de idéias, uma introjeção,
descarga de adrenalina a torturar,
perturbar,
à eletromagnética infestação
de nefasto invento de dominação
cerebral...

perversão
letal,
ciência
do mal,
humanos
experimentos
não terranos
em eventos
nada
insanos,
entrada
de nanos
em um discernir
intelectual,
externo
intervir
mental,
a inibir
moderno
evoluir
natural.

refletir de livre-arbítrio desprovido,
verídico ego desconectado,
debulhar da percepção, que nascido
tivera o eu meu assassinado,
lentamente,
num esporádico emergir
descontroladamente
ainda não metamorfoseado.

usurpadoras luzes; pressinto um aproximar
aterradoras, num momento qualquer,
obsoleto será fugir, restando apenas enfrentar,
evolução limitada detendo
num provável desfalecer,
desconstrutor primordial deparar
que acontecendo,
póstumas dúvidas não me irá legar.





Mais um poema que tende ao lado psicológico e à ficção científica. Definitivamente essa temática na poesia ainda é muito rara e fértil, visual se você souber utilizar as ambientações certas, e perturbadoras em alguns momentos, a poesia é intensa, e o tema ninguém se abstêm de viajar. Gosto desse tipo de exploração temática, ainda haverão muitos outros poemas assim aqui. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Devotos dos Ácido































excitados pensamentos, sedentos confusos,
na alegria entorpecem-se, letárgico turbilhão,
espaço-tempo, delírio, lógica em colisão,
necessária torna sendo, dita nova sanidade,
em explosões de cores,
fulgores
de intensidade
cada vez mais breve,
introjeção de realidade,
no abstrato, cada mais se atreve.

coesa, confusa loucura ingerida,
adrenalina no sangue,
da alma, alimento,
vento
de furação,
propulsão
de pensamento,
ápice de explosão
dum cérebro em movimento,
tão veloz,
assustador,
acima do céu,
que a voz
no ardor,
lhe rompe o véu
negro
do imaginar,
me entrego
num mergulhar,
sem volta parecer
em um padecer
no eu.

sombras de um mal sonhar,
pesadelo, mil faces de um ardíl temor,
paredes pespegam, te pegam no horror,
te pregam, entregam, o descortinar,
do descontrole, desconheço escapar
desta enchente insana de torpor.

vício à loucura,
paranoia descabida,
visão concedida,
cada vez mais se apura,
segue a dormir,
grito vem lhe chamar,
quando teu nome ouvir,
tenta escapar,
como animal ferido,
eco permanecido
faz em perturbar,
subordinando,
atormentando
um vencido a precisar...

dosadas carícias, de química fantasia,
abençoa-me no quanto lhe posso eu pagar,
a corda no pescoço, irá me cobrar,
tardia, ou do quão mensuro, mais cedo,
batendo à porta, um demônio do medo,
rememorando-me seu prazer à miséria.




Não sou falso moralista, a ponto de dizer que recrimino as drogas ou penso que quem consome necessariamente é um vagabundo, incapaz, ou coisa do tipo, pelo contrário, minhas maiores influencias literárias, artísticas e musicais se drogavam. Esse poema é um retrato do que aconteceu com muitas pessoas, mas não necessariamente tiveram auto controle o suficiente pra administrar o quer que fossem que estivessem embarcando. Particularmente não mais consumo isso, já sou demente demais em meu estado natural rsrs



Tecnopsicose































transmutados cérebros,
virtual projeção,
corpo-máquina, em ação,
soldado do lucro,
devoto à robotização,
androide controlado
dum ventre saído,
antes de sua conversão.

mecânica monarquia,
controlada legião,
à guerra caminham,
pela nova nação,
explosão
destemida,
em trincheiras,
lutando na devastação.

subliminar ideal,
capitalista impulsivo,
devorador desleal,
consumo destrutivo,
prefácio de seu final,
apenas produtivo
é seu visto estado
despercebido terminal,
irremediável,
computadorizado animal
numa alienação afável,
controlável, bestial...




Nada de mais nesse poema, só a contemplação de uma ideia vaga. Mas ficou legal. Arte gráfica de Markus Vogt, - Procurem, é muito foda. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cósmico Encantamento









































sortilégio ardente,
de repente amarra,
agarra a garra
bela, envolvente
palpita, eloquente
domina, delicada
em boa vinda,
lisonje, desejada;
perpetra um beijo
quisto, livremente;

arde feitiço, lascívia inquestionável,
aos braços, bruxa, de tez encantadora
dê-me magia, a tua, tal ternura,
inestimável, confia-me teus lábios,
que em tua carne, meu espírito se alenta,
percorrendo fluente, suspiro venta,
deleite, deveras divino desfruto, diante
detalhes, descubro doce deslumbre.

flâmula de afago, fértil flerta, fabula,
dançante entre corpos, enlaces d' espectros,
plácidos perduram, percorrem pulsantes,
pouco ponderam, nos fazem amantes...
sacros imperam dilúvios, de energias,
me rendo, e entrego, - assim seja, e se faça!
maldição seria, se não a tivesse,
mesmo a querendo, num cósmico encanto.





Carvalho Triste



























certezas; nenhuma, mágoas; folhagens,
que de infindáveis, fiz-me carvalho milenar,
tronco podre, toco triste,
à solitude duma altura à qual temo...
e contemplo os pássaros migrantes, evitarem...

esperando o jamais retornado,
peito ferido, moribundo apunhalado,
sangrado sem rubror,
como podem alguns seres,
causar-nos tanta dor?

triste final, queria o céu,
fiquei no breu, aqui...
é onde posso alcançar.
raios, trovões, pesadelos,
sentido estou, creio cair,
imponência balançar, raiz ruir,
noto-me assim, nódoa de desespero,
exaspero, assusta floresta inteira;

realmente,
assim sou rente,
não mais crente
de final feliz,
sempre triste
história, pois,
contar eu quis,
mas e agora, céu?
que serei eu?
próximo a ti
firme ateu,
réu
de
mim,
sim
de
fim,
confim
contemplo,
exemplo
eu, templo
dum morto
amor mordaz,
mistério fez...
descanse em paz.
descanso também
se for eu capaz.

sílfide andarilha, foi-se à milha
mais distante, qual nem posso enxergar,
desprendeu-se, me deixou,
não mais em mim, esta a habitar,
sinto morrer,
percebo-me em madeira rija,
ver meu coração se converter...



Não, esse poema não faz alusões ao anterior "O que Fadas Contam". é só um poema corno de desamor mesmo... hauehuaheuhauheuhauhe


O que Fadas Contam





























pomposas poltronas,
alegóricas douradas,
infernais lobos trazem,
em robustas costas,
couraças de pelos
reluzem em cinza e marrom,
reluzentes damas, sedosas asas
ostentam, e proferindo-me o tom,
de anjos escribas, destinos rascunhando;
descem-me à postura, fitam-me o olhar.

latitude estática, matronas de sonhos,
despertar de infante alegria,
dentre sombras, visionário,
dadivam-me a paz de poder seguir,
lutar,
à queda... oh novamente emergir,
perscrutar,
alguns confins mais antes da morte,
rir-me cínico amarelo, perante à sorte.

festejo de ápice, solfejo de ação,
aspereza em pesadelo,
agora doce horizonte, novelo
confuso frenético,
assim anseio, não posso parar,
tampouco me libertar,
tenho de agir, ir, enfrentar
correr, sem trégua,
sem mágoa
um fogo sem água
a lhe importunar;

dum homem comum, a placidez,
para nós, é um triste final,
nascido em batalha,
é sempre a nossa vez,
diante um vislumbre crucial,
sem espada, apenas espírito,
marche aberto, abrace que vir,
um atirar-se à loucura,
o beijo da surpresa, a sorrir...
nada eterno perdura,
é hora de aprazer-se no começo do fim
do inicio do sempre,
livre queda em nuvens, sem pousar,
o sentir dum verso, ainda não lido...


A vida é preciosa demais, para se ter medo de arriscar.

Vendidas Cabeças






























quem um dia se vender, será um dia vendido,
já dizia um esquecido poeta antigo,
e os quais, ideias entregam em mesas de barganha,
de mercenários, serão regalo arrastado,
atrelado em grilhões de seus fados sombrios.
ofertam cabeças, numa sobrevivência irrepreensível,
famintas temerosas irremediáveis figuras.

caminhando, eu, inderrubável, sem disfarces,
austero em meu seguir nesse caminho,
não é reinado, um leão dormir junto às serpentes.
mago vidente, bandoleiro sofrido, cavaleiro...
o disparar dum gatilho, sabendo... matar-me-ei;
sacrifício, ensimesmado perdura, refletindo,
irão das montanhas, recompensa dadivar,
tantos espectadores espíritos, à plateia aflitos...

começou apenas, o espetáculo,
sempre há algo mais a se mostrar,
haverá mais com o que lutar,
bela a vida, assim por isso dita é...
e naquela noite, todos saberão,
como derrocaram as paredes da arena,
e o luar presente prostrou-se,
somente, um pouco mais a contemplar,
e as flores, sem vaidade, não irão fechar,
interrompidos deuses em afazeres
em aplausos, imensidades tomarão,
numa alegria intensa de trovão,
o melhor ainda está por vir,
nunca houvera tristeza num real final,
sobreviva! a vitória é vindoura,
o explodir do desfecho de tudo
é melhor do que podes tu imaginar.



Apenas existe o final do começo do sempre! Jamais baixe a cabeça e desanime com quaisquer batalhas que venham a acontecer, as enfrente de espírito aberto. Só isso que eu digo, toda negra nuvem se dissipa e a glória retorna, a glória é a real natureza de quem vive com um coração sincero. O melhor sempre ainda está por vir. :)



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dilema de um Cavaleiro Negro






























em marcha, o galope, enredado, trincante,
ferrados cascos, troteiam, pranteiam mil ritmos,
estilhaçar de vitrais, assim soa o solo sentindo,
montado poço de fúria e rancor.

dragões enfrentara, os matara sem dó,
labaredas cuspindo, resumira-os a pó,
tantos infiéis inimigos, em caminhos cruzados,
a espada se crava, e prata se encharca,
de sangue, e medo, prazer no pavor,
o deleite da morte, nos vermes, a dor...

raivoso tácito, vagante por adentro estradas,
sádico nevoeiro humano, trauma encarnado,
lágrimas engole, como a sangria de um demônio,
despreza o viver, mesmo que por si prezado.

e os vê em ruas, de vilas miseráveis,
acalentados em lisuras de restos mendigados,
doentes figuras, que de conformismo se alegram,
como aparições bestiais sem lhe causar terror.

contempla-os escravos, estranhos sofridos,
não há anjo que não o tivesse visto tentar,
poder amar, por muitas vezes, os fracos,
que de pedras se imbuem, quando vêem seu ser.

apraz o sangue, o ódio escarrado,
fel de rancor, um rubror de amargura,
a ferida pulsante, o olhar lacerante,
assassino desejo suicida e mortal,
como agoiro em carne viva,
torturosa ferida que anda só,
um lobo mordaz, insano e sem medo,
armado, em traiçoeira perspicácia,
é um vicio destruir, ser renegado,
voltar, ter se vingado, e novamente destruir...

mas não se esquecem, num plano celestial,
que certas vezes humildemente se prestou,
a ser amável, e compreensivo, respeitoso...
mas... desta raça, não se pode esperar mais que mero proveito.




Abominável Festejo






















criatura bizarra, à calmaria da rua,
mais um expulso, mais um desdenhoso,
aparente sorriso cujo, oculta ódio natural,
enseja socialmente pisar-lhe a cabeça,
num poste encostado, uma musica agressiva,
consigo carrega, aprazerado, seriamente escuta...

e mais se agrupam, logo a matilha,
mas alta se torna, a destruição sonora,
no espirito, um sentir de ebulição,
agressiva alegria, ainda que contida
sutilmente emerge estranha inquietação,
movimenta-se, ansioso não mais pode parar.

estasiar em espasmos, cada segundo explodindo,
metralhar com todas as armas,
o insultar de todas as palavras,
descontrole febril, rasgar de grades,
cativeiro tomar, derrubar, destruir,
amarras romper, algozes agredir, assim se sentir!

morreu a calma! um festejar naturalmente visceral,
incontido, cada redoma sofre seu cruel destino,
cada canto, se incendeia, de algo descontrolado,
indesejado alento... apenas mais intenso!
gritar de raiva, divertida expansão... mais forte!
tudo desmorona, não há de mais nada um lugar.





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entre Anjos Negros e Demônios

























descobri, sou um anjo negro...
anjos negros nunca morrem,
mesmo que seus corações parem de bater...
podem eles demônios enfrentar,
porque realmente conheceram suas armas.

você pode queimar meus olhos,
e torturar-me com a visão do ar,
nessa manhã, nublada imensa,
eu vago à frieza dos precipícios de concreto,
tentando me esconder,
eu vejo apenas seu prometido veneno,
pegue minha mente, tente enxergar...

eu choro, sinto por sua dor,
por mim mesmo, sou incapaz desses prantos,
percebo o futuro, tudo irá desabar,
novamente, tu verás tua piedade,
irá ela, te crucificar,
e os seguidores teus, ela irá matar...

um por um, um por um,
humanidade canina, delírio obsessor,
belos sorrisos, encondem um vampiro,
eu o vejo, te perseguindo,
lágrimas, por tua dor,
vindoura, inacabada, lhe decretará...
não poderei ficar,
devo ao nevoeiro das montanhas seguir,
em passos obstinados.

tormentos, abstratos mentais,
transfiguram o inimigo, todo tempo, à minha frente,
dentre trevas, tento ser forte,
envolto em humanos e aberrações,
letargia, apenas nisso eu navego,
de asas cortadas, canto a elegia de seu tombar,
é seu destino, mesmo que eu discorde,
não posso dizer, nem mesmo sequer gritar,
deixei de dever, por um motivo lutar,
é momento de partir, é hora de parar,
somente irei,
do que fora bom, jovialmente lembrar...

esguio dentre silhuetas de dor,
meu caro, sempre foi assim,
acendo um cigarro, dançando entre as sombras,
escuras ruas, dos renegados, o divertimento;
pensamentos, incontáveis em ínfimos instantes,
em amarga paz, assim eu deixarei,
pensamentos, incontroláveis, indefinidos,
retratam o escoltar de sombrios pedantes,
eu contemplo as caladas ruas,
num exaspero infantil, curiosa ansiedade,
meu caro, onde estará teu destino?...
dentre insanas figuras, diabólicas abstrações,
seguirá o mar, reverso, uma vez...
mas, eu não estarei pra saber.




Fiz um poema que se enquadraria perfeitamente apenas em goticismo. A intenção não foi essa, depois de tanto tempo escrevendo coisas bem mais elaboradas, simplesmente um sentimento passageiro me rendeu a não fazer mais do que isso. Esse poema me lembra o inicio de 2010, quando escrevia mas sequer tinha o Poeta das Sombras ainda, uma poesia um tanto simplória e direta, mas extremamente forte, e um pouco do que eu faço agora também, principalmente pela sintaxe. O poema é melancólico e direto, o final não tem anda de impressionante, mas acaba sendo desolador e sufocante "mas, eu não estarei pra saber.", foi essa a intenção mesmo, causar algo assim... assim como o que eu sentia naquele dia. Anjos negros, não necessariamente são ruins, outra coisa que eu quis expressar e que ficou evidente nesse texto, nem tudo que habita às margens das sombras, necessariamente está do lado negro, aliás, o bem e o mal não dispõem de cores, porque sequer existem por conta própria, senão pelas pessoas que os julgam.



Trovoada Vindoura















































pela janela, o anuviar contemplei,
uma chuva vindoura, tormenta,
cairemos nós, sob cujo mirar, soprar...
fiquemos de pé, num abraço, busque tentar!

queria ser, por ventura, fortaleza,
de ti, aqui, distantes num só,
mesmo sua fúria, não irá nos deter,
nos descobriram, os soldados da trovoada.

avermelhadas figuras de espadas,
finos semblantes, metálica forma,
elétricas aparições, de mágicas guardadas,
secretas dimensões, furiosas, nos procuram.

espetáculo, vislumbre apenas,
dilúvios de extensa destruição,
fique aqui, iremos até o fim!
retumbam o partir à escuridão.

num momento de sedento afago,
tua pele sinto, proclamo o inferno,
será assim o destino, eterno,
alento, pois tu, comigo trago.

mar de flâmulas, em terra ardente,
não fomos bons, será tal o preço,
irei em teus braços, morrerei contente,
durma!... o despertar nos irá legar um paraíso.

O rosto era meu...





eu só queria alguém,
que tivesse apenas uma cara,
dessa manada, alguém além,
assim poderia
eu, despir de negra máscara
meu ego refém...

deveras, deveras,
mil feras, assim sou,
mil eras,
passaram,
mil partiram, definharam,
e dentre tudo, pouco restou,
mas a máscara... a máscara
não se rompeu.
não havia máscara,
o rosto era meu.





























quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A Insanidade de um Demônio









































saúda o escuro, queres tu fugir,
fingir, delírio ser,
rezar, correr,
de arredores desgraçados
portões cruzar,
fechar, bater...
explicar, descrer.

anuviada noite tempestuosa,
recém visão tentar preterir,
eis ensejo, como o de não ouvir,
dum demônio a gargalhada,
de insanidade no olhar,
rosto sangrento, a aparição,
pelo resto dos dias, a lhe perturbar,
perseguindo,
fiapos teus, à sanidade qual restar,
onde tenteis te esconder,
não há santo lugar!

agudos gritos,
de torpor sufocante,
resfolegam-se prescritos,
como o piar de águias infernais,
descontrolado, horrorizante
é o ímpio
arrepio
tenebroso, alucinante,
infindáveis psicoses de crises surreais...

dívidas!
muitas tens, até cumprir,
lhe cercarão usurpadores
por um cruel divertir,
mercenários cobrarão
tua crueldade,
insanidade
à mente tua injetarão,
intrusos da esquizofrenia,
apenas lastros legarão.

póstumo espectro,
condenado rasteja,
o destino
assassino
que despeja
sangue em tudo
o que encontrar,
por quem cruzar
no breu mudo
que lampeja
repentino
desatino...
o marcar teu lateja,
por cada gatilho a consumar...

segue solitário, temeroso à perversão,
berros escutas,
em quaisquer becos
de ínfima escuridão,
tu vês o anuviar da redondeza
um ar de sutil frieza,
o sussurrar risonho
de irremediável situação,
em vidraças, ou paredes,
do mal, retrato vislumbra
cada minúcia,
de sua terrível feição.






Vermes




sujismundos falantes vermes
em ruas de concreto e dor,
falantes vermes mijando em ruas
asneiras que exalam o odor
de forjadas verdades,
imundícias encharcadas,
chacotas em paredes
de receio e torpor
como vendas em suas faces
num vislumbre incolor.

Esboços de Sombras






























sombras distantes
que presentes esparramadas,
diferença já não fazem
uma vez que despedidas,
partiram a preferir,
já se foram vossos tempos
vieram ser preteridas.

importância não lhes dou mais,
feminis feições angelicais,
partidas, moribundas,
as vozes suas, nem recordo,
em eminentes singelezas
de memórias mui profundas,
não é triste o-ver-partir?
não é desgraça o esquecimento,
o firmamento
do ir-e-vir?

não!
é só mais um passo a se seguir.

a fraqueza
bons momentos pranteia,
a fortaleza
recorda o que aprendeu.
mesmo que amarga
a retirada,
de saudação nenhuma sequer
se prover,
meio que disfarçada.




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Cascatas de um Paraíso do Abismo










































fitares mútuos, de enxutos tácitos semblantes;
estranhas faces, não as mesmas como anos antes...
dissonantes cascatas de etéreos abismos inaudíveis;
escuto!... perdidas almas vociferam detrás os veis do inferno,

fiéis cúmplices duma tortuosa vivência errante,
fugazes monstros legando uma decência farsante...
intentam olhos estes, um piedoso auto-engano,
inaptos de quaisquer terríficos feitos consumar...

então presentes, perante perduro, pois, pasmo,
fatídico frio profundo, fato a figurar,
num além de eternas sombras, impressionante geografia,
do abismo cascatas, cristalinas águas almas banham.

pétreos labirintos, de eterno chover,
purificadas perdidas silhuetas atravessam,
em queda não retornam jamais, dentro o azul,
verdes vales, rijas rochas, bosques de maldição.

enfileirados espíritos, em conformismo acorrentados,
guiados são, por dentre extraordinárias rampas,
e lívidos calados anjos, espadas portam, no ofício,
à recriação caminham, à desconstrução, um novo nascer.




Esse poema tem certo fundo de veracidade. Foi um sonho que eu tive quando era criança, mas pouco tempo atrás lembrei dele e vi como ideia para uma poesia. Gostei da maneira que ficou, há algo de especial nele, não só pelo caráter desolador das figuras e da situação, mas também pelo efeito visual, acredito que tenha ficado cristalino, dentro de todo o surrealismo do cenário. A ideia era essa mesmo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Perversidade



























perante tua face, assassina fomentada,
adrenalina ferve, numa cadeira atado,
talvez possa eu, isso tudo descrever,
não é somente ódio ideológico.

cerradas luzes, luminária apenas vemos,
me escorre sangue, corte irrisório,
risonho semblante teu, de quem cartas define,
a charada de uma criança perversa.

serpente que observa, destemendo envenenar,
fome frente à presa, cativa-se proposital,
inebriada à renuncia num brincar, terrivelmente,
se vinga sem causa, encarna ímpio mal.

atrozes frases em sussurro, lentamente,
aterrorizantes gestos, em afirmação,
torturas minha mente, teu confortar,
confrontar amarrado, em fracassada reação;

em mergulho, tão facilmente é perscrutar-lhe,
inevitável augúrio, em tu' alma feito breu,
pupilas tuas, como um negror as vejo; abismo,
despontar num pesadelo, em noturno céu.

dum elo, alicerce, à tenebrosidade pulsante,
rubra raiz, pelo atroz jazendo ardente,
perversos ouvidos, para sinfonias de dor,
um contemplar displicente, deleitoso furor...

um gritar que alma apazígua,
tirana vilania... bacia d' agua fria,
um fio de cobre, sobre esta camisa de força,
o frio dum pobre, terror que sufoca;

cautamente em lentidão a observar,
delírio, e poder, aliados à solidão,
não há vida valente, ausente é o remorso,
sem ódio, desprezo, é apenas diversão.

ingênua intencional maleficência,
eis o plano da noite, facas em evidência,
de tal regozijar um findar, que não pensado,
somente vivo valho, com um suicídio, atrapalho.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lupino





























muralha de ferro,
colossal embargo,
a cargo
o berro,
desterro
amargo
do enterro
de alguns;

lupino
em solitude,
destino
à amplitude,
vorazes
presas
com pressa,
intensas
nessa
partida
sem passos,
despedida
abraços
não tendo,
frieza
assim sendo
somente,
em mente
não ver mais,
nem é morte
por sorte,
apenas é...
enterrar vivas
algumas cativas
figuras
lisuras
mostrando,
irrelevantes
semblantes
que somem.

o que é névoa sem partida?
o que é inverno sem verão?
o esquecimento é a despedida,
o verso final de um refrão.

desconheces esquecer,
desconheceste o encontrar,
a lei cruel do céu,
é um novo espaço ceder,
libertar,
d' alma um apego,
singelo,
o apelo
do anseio
em jangada sem prego.

e caminhava assim um lobo,
feroz intimidando,
veemente a procurar,
algo mais que um branco gelo,
para poder vislumbrar,
não que mal fizesse,
estar só, é de nascença,
mesmo que bosques tivesse,
no fundo esta é sua crença.

patas sem pregos,
sem sangue, sem dor,
sem fardos, sentenças,
sem culpa, ou amor,
o presente, lhe importa;
do agora, o ardor.

mesmo que a angústia,
tempos consuma impiedosa,
nada quanto a névoa
é tão eterna, em seu volver,
e levar-lhe-á um dia,
tampouco irá se arrepender.

o que é névoa sem partida?
o que é inverno sem verão?
o esquecimento é a despedida,
o verso final duma estação.





Mortos Vivos








































madrugada obscura, assombrosos presságios,
detrás vitrais, aludem luzes lá fora uma multidão,
travesseiro afago, anseio baderna esquecer,
quando batem-me à porta, recolho-me a ver;
se movimenta a maçaneta, hesito à situação,
coragem impulso me fora, assustadora é a feição...

consequência dum destino sem perdão,
repentina brutal, mortal invasão,
vindoura legião, do inferno arrastada,
por cérebros famintas, não distinguirão,
genocidas, pacifistas, dentre a manada,
devoradores do apocalipse, devotos da infecção;

mortos vivos marcham em ruas,
e não haverá ninguém para os deter,
no quartel, generais foram mordidos,
somente esperam lhe alcançar!
balas não tombam falecidos,
bombardeios, ao mesmo tempo, irão todos levar!

abominação epidêmica, juízo final,
embranqueados olhos, sentença imortal,
arrastada vivente morte, terrorosa perdurada,
preces pisara finalmente, a carniça rebelada,
obstinado marchar dum rebanho ostensivo,
sobre a Terra, a nova ordem, dum povo escolhido.




domingo, 30 de setembro de 2012

Um mago, a princesa e a torre





muito me vejo em ti,
nisso não paro de pensar,
sinto a pressentir, contemplar,
a ideia de dever ter lhe conhecido!

um mago, uma princesa, a torre,
aqui estamos, permita-me entrar,
o feitiço da distância,
somente o pensamento,
é incapaz de barrar,
por enquanto
o encanto
entre nós
maior é,
se opôs
à maré...

quando nisso penso,
bem venho a me sentir,
eis meu tal poder intenso,
não será algo, a me impedir!

impressões, de já tê-la visto,
sem aqui eu jamais ter estado,
sem medo, tão cedo
vou ver-me vivo novamente.

talvez...
possa a magia gritar,
o espaço quebrar,
e chorem as estrelas,
se entusiasme o mar,
quem sabe, vejamos o luar,
de angelicais feições belas,
sob águas de noturno verão,
e montanhas no escuro
nos tornem-se nítidas...

generoso seja o tempo,
mestre cura,
livraria infindável,
cruel belo cursar,
mágica estrada,
a torre a esperar,
o pensamento a pedir,
lá está ela distante,
não por milhas muitas
cada ideia, mais um passo.





























sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Posso eu tocar em tuas orquídeas?





























vento da tarde, azularado céu,
vermelho tapete, monstro sou,
varanda contemplo, parado,
olhar torto, mirado,
aqui sou,
restou,
nosso silêncio.

sinto insano estar, seremos será?
sabemos, distante em demasia somos do mundo...
e eu de ti.
nasci,
desse jeito, e não sei mudar,
mesmo se soubesse, jamais o faria
marginal jazendo a admirar
lilases flores tuas, manusear queria...

quão terrível aparento,
demônio hediondo, perigo, aval,
à perdição sem penitência,
cujo desprezo, é normal,
talvez, o jeito meu, gere tal tendência,
mas de ti, é tão letal!
ultimamente... irrelevante.

aberração perante
sem pena arrependido,
cujo orgulho, contido,
transborda lágrimas, desprezo,
receoso querendo sumir,
é frio demais pra conseguir
por um segundo chorar,
florescido amargo ódio
então, eis que inesperado;
anjo em rancor,
quer partir, tem de ficar;

ânsia em ferir,
sumir, largar,
num bramir,
despir, pisar...
tentando fingir,
devendo beijar,
louca estranha situação,
é assim o amar,
necessária involuntária corrosão.

digno sou de orquídeas tuas tocar?
nem sequer por um momento,
frescor sorver, solar poer fitar,
aqui, será eu maldito demais?!
as contaminarei, delicadas,
as tornarei
infernais!?
lhes jurarei maculadas,
as farei
mais mortais!?





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O ceifador da Meia Noite







































noturnas blasfêmias,
ansiavamos pecaminosos,
num afastado cemitério
duma cidade minimal,
era a década das drogas
da revolta, rebelia,
conosco isso trouxemos,
dentro minha surrada mochila,
embriagados de perversão,
de injurias e ceticismo,
destememos à invasão,
cenário dum mórbido misticismo...

da capela, à luz distados,
trespassar por covas recém cobertas,
em ruas de necrópole perdidos,
ofereceu-nos a lua, um sorrir maligno,
a zombaria dos atormentados,
pena de morte sem fim!
o vindouro vulto monstruoso
a um amigo tolo vinha,
e também se dirigia a mim!

encapuzado por minutos,
prateada foice portava prostrado,
inquietante indagado inebriava,
inquestionável, iníquo, ocultado
era cujo semblante
em negra treva jurado,
em fugir fizemos, à frenesia,
eu corria, do talho diabólico
no túmulo, qual estava eu sentado!

em negro cavalo, repentino,
cuja expressão, ardia infernal,
se abatera um desnorteio
quando se embrenhou no matagal,
além à trilha, em tudo à volta,
escuridão impiamente deslucida,
traiçoeira, é víl escolta!

e num descuido, prendeu-se em relvas...
se foi de infância, um camarada,
macabra cena, testemunhei em catatonia,
era ele agora, de outro mundo,
mais um coitado de cabeça cortada!

cheira a morte, motriz agonizante,
e a orquestrais demônios fui deparado,
os perspassei, no horror, como morfina,
vida apostada, madrugada de sadismo,
percebia, me perseguia o cavaleiro disparado!

possuído por puro pavor,
uma pedra lancei-lhe, ele caiu,
senti, novamente, os pés meus,
esfumaçante, tal sumiu.
fugitivo eu caminhava, sem saber por onde ir...

aparição malevolente,
inclemente, não há perdão,
sacrifício iminente
será o meu, na escuridão!
e a deus que tanto rezo
sinal sequer vejo nenhum,
carne minha muito prezo,
exibem cicatrizes colossais
espinhos, galhos, matagais,
cortes, rasgos, enfim,
é a mim
o destino incerto
comida de inseto
ser, em tenebrosos umbrais!

ceifador demoníaco,
ministro à escuridão,
misterioso é seu capuz,
foice da aniquilação,
em cingido preto, reduz,
qualquer diabo humano
em criança assustada,

será seu sangue o vinho,
o corpo teu, tal pão,
tua alma irá, levada,
á inefável imensidão,
condenada, tão falada,
o vilarejo sepulcral,
eterno feudo de escravidão!

esverdeada aurora, uma fonte no caminho,
poço de assombrações, d' outro mundo portal,
iníquo gélido sopro, sem vento,
deslindado em encontro a palmos poucos,
é o cadavérico semblante mortal!
rangem tumbas, lisas lápides,
esguia esquiva, ataque de um animal,
outra, e mais outra, empurrei-lhe e ele foi,
sua foice sobre mim caiu,
de meu pé, três dedos levou,
a água benzi, corri, alvorava,
eu seguia, o lugar me apavorava,
mesmo de lá saído, quando clareou...

não é de mim, esta história, uma mentira,
intento infame, de terror lhes criar...
diante do sagrado fogo, posso eu mostrar,
e apostar, que nenhum debochado rir irá.

[tragou seu cigarro, então, tirou ele seu sapato,
e diante das crianças, faltavam-lhe três dedos]



Fucking hell, esse poema eu levei dois dias pra compor, ficou diabólico, por mais que eu tenha me inspirado num conto meu pra fazê-lo, mais que sequer terminei ainda, pelo menos a versão em verso já está ai. A tela é de Alain Mathiot, muito boa. 



domingo, 23 de setembro de 2012

Altruísmo



























provérbio, instante neste entendo,
nem me sendo, literal como contado,
entendido,
repetido,
por gente tanta
atencionado...

eis quando lhe dizem,
que deveis ser, pois, generoso,
esperar sequer um grão de areia
dum vão ato de bondade,
aos pés da vida, e sua verdade,
o tornar da duvida, semeia...

quiçá, seja ele um conselho,
de amor próprio, preservação,
talvez, longe venha a ser altruísmo;
um intento de salvação...
de outrem nada esperar,
pois, por ti,
o mesmo, não sabeis se o farão.


Às vezes cansam as pessoas, cansam as atitudes, as vezes você acaba se questionando, se realmente deveríamos dar mais importância a algumas delas, maior do que o que elas podem nos oferecer, as vezes eu acabo me questionando, se realmente "fazer algo e não esperar nada em troca" realmente se trata de generosidade, ou um conselho, pra não quebrar a cara quando preciso for de se contar com alguém... é bem isso essa poesia, tão forte, e tão verdadeira...

Tela de Adrian Borda, curto muito essa imagem, queria logo usar ela em alguma postagem rs



Terminal do Terror







trem vem, a mais de cem,
posso escutar,
trilhos rangendo
não mais tendo
ninguém
aqui, a esperar...

solitude geme horrenda,
mal-estar,
pois cá me assola,
um sentir vão;
ser vigiado!
tremenda
é dita lenda,
que meu pensar
mordaz controla.

atordoa o silencio,
me cala
na fala
que embala
a mão fria,
o trem bala
passa por mim,
e o perco assim
co' a mala
à beira do trilho
gatilho
do empurro
inimigo
sem ninguém ter
junto comigo.

alucinação,
perseguição,
há algo espreitando
à emboscada
empreitando
sem nada
a fitar...
o medo de morrer,
de cá tropeçar...

descontrolados membros tendem,
a paranóia se esfaimou,
um vulto se seguiu,
a gritaria começou,
reflexo enganou,
um grande mal se pressentiu,
tem alguém no terminal,
de má intenção, cruel, letal,
quando minha figura viu.

não é delírio ser empurrado,
tombar ao chão
com alguém no teu pescoço,
indivíduo encapuzado
tem na mão
uma cinta, vil esboço,
dum assassínio, fim maldito,
mito psicopata
agora logo
provarei, sem conseguir contar...

portas se abrem, pois, ligeiras,
juntas de mim, são passageiras
tantas dessas ilusões,
onde alvo sou, em mortais situações!

em prostração pensei sentado
que sozinho aqui estava,
quando vi estranho sujeito
lá longe, recluído, no final!
sequer podia a face sua ver direito
por detrás cujo jornal!

então, analizá-lo fiz, encorajado,
segundos mais, receio perdura,
eis que interrompida a sua leitura,
prontamente me encarou, mascarado!

orifícios escarlates,
de mistério, ferramenta;
pressinto, a morte lhe fomenta!
homicídio me intenta,
aterrorizante embate,
punhal levanta, vem, e me bate,
contra a janela lhe atiro
o beijar do vidro que arrebenta...

assassinado
solitário,
sem grana quase
cá perdido,
terror, sina,
violência,
pois, se destina
minha vidência
a enxergar,
horror sentido,
ordinário,
vem retratar
quão ruim é
ser ensacado!

fugitivo, uma parada, outro vagão,
silêncio deparou-me, seguinte estação,
conforto busco à companhia,
de algumas pessoas, com torto olhar;
ao redor mirei, as fitei, eu percebia,
estavam armadas, como a me apagar;

pairam em suas cinturas,
sectos mórbidos, anjos de perversão,
desfiguram-se estas, más criaturas,
perigo eminente, é a visão,
perpétuo castigo, em todo canto me rodeia,
afastado recuo, pânico garganta gorjeia;

pensar
em pular,
morrer
mas não ser
morto,
tender
a escolher,
ou tiro
tomar...
prefiro
me atirar,
rezar
absorto,
fazer
meu aborto...

recaído em concreto, à histeria,
sujismundo é o chão da chegada,
breve será, um corrido amanhecer,
lavar meu rosto irei, me envaidecer,
conferindo a mala, presente papelada...
e assim é, mais um comum, somente, um dia.



Mais um poema cheio de horror, sujeira, transtorno e delírio, tirando o fato de que esse foi diferente, fiz de uma maneira desinibida, com um plano de ideias já formada em minha mente mas não me obstinei a cumprir qualquer plano que fosse, no fim acabou saindo uma coisa legal... Definitivamente esse tipo de poesia, tem que ser composta de maneira desinibida, caso contrário, perde completamente a essência, acaba ficando quadrada e perde o clima sombrio, e principalmente doentio descontrolado.




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Já que você não se importa...




Tamborilantes pingos d’ agua uma sonata compunham, tão marginal no úmido cenário de grotescas sombras do caminho à casa, eu via-me desolado em frustrantes tentativas de me compreender. Não mais me entendia; encontrava-me, sequer sentia-me a par da situação em totalidade, quiçá fossem minha culpa, os afastamentos recentes, dos amigos, dos meus contatos artísticos, dos colegas de boemia, das mulheres... tendia-me a crer em conspirações espirituais, mas logo, fez-me o acaso a volver com a vergonha na cara, afinal, tinham mais o que fazer os espíritos, do que injuriarem-me de tal forma. Era comigo a coisa, profunda, algo além do que um analista poderia ajudar, algo subjetivo demais, para confiar a alguém visando apenas normalidade mental, da qual, nunca fui adepto. Sentei-me num banco, a noite ventava solitária e das quais sob meu lado direito, pousavam incontáveis flores de cerejeira dum flanco mais acima, algumas percebi, agarrarem-se em meus cabelos longos e encaracolados. A cerveja se ia esquentando à medida em que consumia-se um cigarro sem tragos. Todos ignorados ao ensimesmar-se de minha perturbação, todos lívidos, quase sem cor, diante do pensamento fixado na grama crescida selvagem. Algo pra mim me importava! Sim, algo parecia ter importância agora, ao ver de outrem, eu não conseguira mais desvincular o poeta da pessoa, o poeta era a pessoa, e a pessoa era eu. Não me importa o que diriam meus companheiros,  cujo “foda-se” é um visível e constante adorno em suas falas, eu não sentia-me bem ali, o suficiente para dizer foda-se a alguém, a única coisa que eu desejava, era alguém que me escutasse, sem enrubescer-se perante os diálogos, obviamente, difíceis de entendimento. Elucubrações mais, meditações incessantes atadas ao tempo, o dever próximo a ser cumprido. Não havia muito tempo! Porém, algo sempre importou, toda prosa, requer um leitor, todo versejo de um maníaco bom o bastante que o interprete. Eu precisava de algo, em minha solitude, todos precisam, e quem dirá daquele, cujo “foda-se” é chave de todas as portas, estará mentindo, é uma fechadura burlada. Todos se importam com algo, até os que não se importam, até os que vestem-se gritantemente às ruas, precisam de olhares perplexos, caso contrário, se não os tivessem, se atreveriam sem algo a dizer? Sim, devo ser um hipócrita por pensar assim agindo como o faço, talvez, devesse engolir que me importo com o sentimento de algumas pessoas, segundo outras tantas quais mandei rondarem a toca do Tinhoso, à procura de um consolo. Mas sim, tendo a me importar, tendo a acreditar e a dar minha vida por essas, mesmo sendo de pouca valia, mais morto encontro-me, de pé, que vivente a cerrar um punho enquanto digo isso. Nada desfez-se em mim, do que sempre fui por considerar esta conclusão, a questão é impressionar, não fugir, é devastar e arrasar com tudo e criar algo novo, alienar-se em drogas ou bebidas, sem ser por diversão, é suicídio estupido. Dizer não se preocupar com nada, sem ter algo deveras relevante, em mente, agir desastrosamente sob as outras pessoas, aludindo ser isso um estilo de vida com o “foda-se” estampado à feição infame, isso é ser um filho da puta, um egoísta sem nada pra dizer, e assim sendo, melhor calado, ou então, suicide-se logo, assim consome menos oxigênio de pessoas interessantes e uteis. Isso em realidade, é o que eu chamo de aparência vazia, de “poser”... Oh amigos tantos, falsos quais afastei-me, sois umas pragas mandadas distantes, sois um veneno extirpado no escarro da revolta sem raiva, a pior delas, aliás, a conclusão!






terça-feira, 18 de setembro de 2012

Poetas são Indomes





febril inoculado,
jubilar do ardor convincente,
ser o próprio sonho,
em papel rabiscado...

eis um grito entonado,
vaidoso, estridente,
um mago à corrente
que em ser livre é condenado.

incapaz de cessar,
sem sequer escrever,
vem-lhe a dor a lembrar,
que é um dever se atrever!

faz de arma, alguma graça,
lutar até morrer,
torna arte, até a desgraça,
se a multidão se comover.

faz mui bela, a desventura,
quando o povo é esfaimado,
mesmo quando é vaiado,
já lhes rompera a armadura.

o verso vozeia
fugaz invadindo,
voraz incendeia,
é uma surra que encanta!

como cristal, soa a trincar,
é a tinta jamais seca,
a melodia sem findar,
eis a prece de quem peca.

poetas são indomes, impensável refutar,
sequer cogites se é possível, eu me vender,
jamais será tal dia de minh' alma render,
à solidão qual me aterra, incapaz de expressar.

vomitados versos dum indecente espírito,
toda gente, se espanta... céus um incoerente!
encanta-lhe a morte, a sorte eloquente,
dum deboche infernal, eis um caso restrito!

se faça o atrito
da mente
que invente
intentando
somente
expressar...
eu, louco contido
semente
qual, sente
inundando
uma enchente
a chegar...
sendo só, invicto,
um crente
cá pendente
relembrando
quão rente
é caminhar...

trevas contempla, em si o luar,
lupino carrasco, no dizer, seu queimar,
no crer, dubitar...
ao ser, transcender,
poder, com esse poder transformar,
florescer fazer
nova vista a mirar,
mesmo só, refutado,
esquecido, sem voz,
em tão algoz
e forçado
calado
espetáculo, ao findar...
sua amada a cuspir-lhe,
e o escuro chamar,
temerosa sombra à solidão
em origens cujas, tendendo a voltar.

anos, em suma, evidentes,
num pairar, eis que presentes,
a noite é gelada, o riso de sarro,
o último escarro, atacar!

versos de amor,
tantos são, sem algo sentir,
arrogância em suas faces,
e flor nenhuma a outorgar,
um apenas dizer
vaidoso, mui sábio
suposto,
a julgar, a mentir...
farsante, a ferir,
a calar quem curar.

alegorias que não tocam,
incapazes de efeitos surtir,
são heresias,
falam não dizendo
um dizer desconhecendo,
contemplando a beleza
da parvalhada perfeita,
a nova musa eleita
a se escrever uma reza...

humanidade burra,
corja de desalmados,
só amarão os poetas,
depois de enterrados!

meu sepulcro é o veneno,
às entranhas escarrado,
e cá levantado
é mais um dia a seguir!

poetas são indomes, necessário é seguir!
sempre forte ser, perante tudo arrasar,
imprevisível a dizer, a fazer, a sentir,
a aventura grita loucamente a nos chamar.

poetas são indomes, é preciso conhecer,
sabem do fogo, quando labaredas afagam,
infernos fabule, se os vivido tiver,
poesia é muito mais, que envaidecer uma mulher!

poetas são indomes, reino meu por transformar,
de pedra fria tal mundo, vivo suspiro a ferir,
enviscerados às vistas, tentarão sempre moldar,
nossa rima, rota, delinquida, a existir!




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nicotina e Carvão





nicotina e carvão,
âmago de escadarias,
o solar dos degraus
em cordas de destruição,

fumaça emerge ao olhos,
foi-se o café já retirado,
o silêncio dum improviso,
é o mesmo aqui, eu desolado.

amarga negra tarde,
onde a chuva, faz-se em prosa,
caudalosa...
mórbidos anjos vagam,

por corredores,
trazem flores;
vão embora
trespassam a parede,
não digo nada,
dias de ardores
desbotam cores
de outrora,
minha boca calada
gritos não expede.

e à calmaria
a candura é tanta,
que nem desejo viver,
seduz-me em dormir
sem querer levantar,
me tenta a não ir,
e tampouco voltar...
no bréu cochilar
como anjo sem maldade
aqui na infinidade
dum amargo confortante.

ensejo amargura,
de tão viçosa, insuportável,
mergulhar
num bem louvável,
ser um declínio imponente,
à invicção incomparável
sem caráter pungente
neste plano de mortais,
o não mais ser antes do vir,
coisa outra sendo
qualquer, além do fim do cais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gnomos






contempla as árvores,
o vento sopra, sopra mil vezes,
eu posso lembrar,
das velhas histórias, de seres mágicos,
que contava-me
quando eu era criança,
os gnomos que disse meu pai,
e eu podia crer
vinte anos atrás...

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

então, me ensinaram a marchar,
eu aprendi a obedecer,
me ensinaram a crer em homens,
soube então, o real poder,
um tanque no comando, a esmagar,
deram-me um porquê pelo qual morrer.

e eu que cria em ouro,
no final de pontes de céu,
agora via, a terra tão vermelha,
por uma riqueza que parecia fel

e eu, que confabulava outras visões,
e as pintara em vivos traços,
lhes condenaram ilusões,
a admirarem-me, tantas marcas de estilhaço.

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

e agora, ainda vejo as árvores,
e contemplo os ventos vezes mil,
deitei com culpa, sem querer,
e acordei, a esperar,
uma vez mais, uma vez mais,
não uma ventania, fria, hostil.
ou o delírio de alguma bebida,
consumindo vivos restos, tão febril...

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

então, me ensinaram a marchar,
eu aprendi a obedecer,
me ensinaram a crer em homens,
soube então, o real poder,
um tanque no comando, a esmagar,
deram-me um porquê pelo qual morrer.



Cores Livres



por dentre notas, plainando,
veloz como avião,
de carne, um carneiro me sinto,
dentre as nuvens
de vapor e poluição,
oh, úmido branco névoa,
transporta-me a musica,
oh, sou eu um refrão
toca a guitarra
uma nota, soa a distorção,
o espasmo de cores,
a sentir-se ágil leão,
por dentre barreiras saltar,
sua presa a caçar...
aposta com o diabo,
sua salvação...


tuneis de névoa,
veloz perspectiva,
um salto no turvo,
dissonante saltovisão,
rasgam cordas de aço
o silêncio e sua feição,
um solo de distorção,
são livres as cores,
passarada em passarelas
dum ventoestrada,
o tumbar duma nova era,
novo horizonte,
deslumbre em sua entrada...