sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Breve as correntes partirão




à penumbra cavalgando, nômade solitário,
senhor da própria imensurável amargura,
incontáveis confins, desbravara como um trovão temerário...
uma luz surgira em si, envolto... tão bela, infindável, pura,
na incansável inconstância, aprisionada;
de aguardos é a amarra, que um suspiro enclausura!

às atrozes trevas suas, se pusera a trovas colher,
quando amara, uma soturna mistica mulher,
e em abismos pairando, à negra colossal ironia,
jamais pensando que um dia, se ia tal findar,
eis pragmática, sua dita eterna, selada elegia,
a vida; uma flor! em limo; a se petrificar...

em espectro por instâncias vagando a persuadir,
melíflua de lívidos doces lábios, - a esperar,
que o cárcere, de corpórea liberdade venha a cair,
antes mui longínqua, me viera, pr' a que pudesse lhe dar,
meu amor, ardor co' a cor do inefável,
luminosa a atingir-me como um raio; supus eu, isso inalcansável.

de longitude; correntes, carrascas rubras breves,
és tu, por quem logrando tive em tempos tantos,
és por ti, que ansiei afagos, dentre os desencantos,
delicada intocável pétala, em pedra enfeitiçada,
luzente enrubrescida aurora do horizonte meu, à trovoada,
feminil suprema dádiva, - ao teu jazido, me leves!

brisa de outono, em vespertinas volúpias ternas,
suave flor de vento em mim, ingênuos medos aflorando,
- eu, senhor da névoa ardil, justamente... só, rumando!
infernos meus destróis, às tais ermas relvas
quais trespasso, a encontro teu, um passo
mais, se deu, ao véu em desvelo do imprevisível...

distância
breve
bruta,
não nos deteve!
sou tal
que à gruta
adentrar
se atreve,
a encontrar-te
perdida,
a libertar-te
dormida,
dentro à rubi
qual;
aprisionada
fora aquela
que eu vi
me enfeitiçar
à enseada,
numa mística madrugada...

delicada
selada
pétala
à pedra,
à penumbra
de negras
alfombras,
eis um beijo nosso
estirpando
de outroras;
malassombras...

angelical menina, em horrores mui perduraste
salamandra minha, em mim a alma tornaste
à vida, de teu calor, venusia e afagos mil,
não mais verás comigo estando, no mundo algum ardíl,
preciosa, pra sempre, te proteger pretendo,
mais que tudo ensejo-te e assim sendo;

que se tombem impérios, tesouros apodreçam,
decaiam deuses, que as flores feneçam,
decline-se o mundo, ou inexista-me a carne pertencente,
és quem me irradias o espírito, a não poder,
respirar, sem que perto estejas, e possa eu disso certeza ter,
és... minha preciosidade de mulher, meu anjo, eterna e indubitavelmente;

és meu prol, a lindeza de tudo que miro,
sois meus olhos, parcela de minha alma,
a causa da síntese do porque que respiro,
o beijo a conflagrar minha sensatez,
com delicadezas mil afagando esta natural rispidez
minha, a afogar-me em tuas voluptuosas profundas águas.

se partam as correntes, como terra seca insípida,
já mortas foram tais distâncias, nesta vida,
nada será mais como fora um dia antes...
pelos passos nossos de gigantes,
eu sinto o rubro alvorar nesta noite, nos possuir,
eu sinto o consumar da profecia absoluta, nossos nomes a proferir...







quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ou mato... Ou morro...



entre as selvagens relvas, de tantas famintas ímpias almas...
uma coisa, somente, vêm-me à mente...
sob a insânia dum caminho desolado qual percorro;
ou mato ou morro...?!

se mato, eu nato não acato, do bom ato a lei!
se eu ficar, porém, minha será; a dor, pois sei,
partir... até onde? se se esconde o quê, que procuro,
se morro, qual o apuro?!

do morro um socorro, de tal; perspicaz corro
verazmente, co' a minha imagem a paisagem borro,
em vivas frescas cores de sedenta inconstância,
que faço eu; nesta instância?

graciosas gralhas; ao ninho gorgeiam gritantes,
do morro eu corro ainda, à vinda arrastada
do chão; por meus pés... mato, à empuxada;
ao morro, mato, mato ao morro!



Mea Culpa




promíscua... das águas emergira o teu semblante,
prantos, calada proferes em meu devaneio,
um desesperado em deleito, às suas danosas máculas,
eis chegado o momento, em que a morte se enfatiza,

às gélidas brisas da madrugada, palavras mais eu lanço,
agoirentas lacrimosas graças, distorcem minha visão,
ajoelhado a mim, eu mesmo inerte imploro,
a eterna letargia desta noite, breve soberana em tua lisura.

amada minha, em viéis negros, pias plumas
de tua desgraça; maléfica ave te desvelas,
a mim perante, feminil pairas, como nunca antes;
de Satã és consorte, minha morte às tuas carícias futurais;

imunda surgente; à minha desgraça demônios convocas,
da enluarada noite és donzela, por muito, pesadelos protelas
em mim... que vim, o mundo roubado lhe dar
uma vez mais... uma vez mais em espírito cruelmente abismado...

frente a ti, brutalmente eu ensejo açoitá-la!
sádica secta à atroz imundícia, matá-la eu quero,
ao ecoar de teus horrendos gorjeios, em minha mente,
teu corpo ao meus braços ter, amar-la pela última vez!

tua lívida ensanguentada pele, lângue respira,
ao mar entregue, lacerada brada em chamas,
o negrume beijando, à profundeza entregue,
em corpo cá revolves, sob os meus ásperos prantos...

um destino incerto, a alvorada presume,
gelível faz-se a nimbo desta quietitude desolada,
lançadas lágrimas; pontas! olhos; de abismos,
carne pulsante, ainda, à infindável inércia...


De última mão lhes trago "Mea culpa"! Um poema que muito antes queria eu te escrito, mas nunca soube em suma exprimir da maneira mais límpida, até uns dias atrás quando comecei a trabalhar nele, e acredito que muitas que pessoas que o lerem se identificarão... amor x ódio, ódio x amor = loucura...