quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Mea Culpa




promíscua... das águas emergira o teu semblante,
prantos, calada proferes em meu devaneio,
um desesperado em deleito, às suas danosas máculas,
eis chegado o momento, em que a morte se enfatiza,

às gélidas brisas da madrugada, palavras mais eu lanço,
agoirentas lacrimosas graças, distorcem minha visão,
ajoelhado a mim, eu mesmo inerte imploro,
a eterna letargia desta noite, breve soberana em tua lisura.

amada minha, em viéis negros, pias plumas
de tua desgraça; maléfica ave te desvelas,
a mim perante, feminil pairas, como nunca antes;
de Satã és consorte, minha morte às tuas carícias futurais;

imunda surgente; à minha desgraça demônios convocas,
da enluarada noite és donzela, por muito, pesadelos protelas
em mim... que vim, o mundo roubado lhe dar
uma vez mais... uma vez mais em espírito cruelmente abismado...

frente a ti, brutalmente eu ensejo açoitá-la!
sádica secta à atroz imundícia, matá-la eu quero,
ao ecoar de teus horrendos gorjeios, em minha mente,
teu corpo ao meus braços ter, amar-la pela última vez!

tua lívida ensanguentada pele, lângue respira,
ao mar entregue, lacerada brada em chamas,
o negrume beijando, à profundeza entregue,
em corpo cá revolves, sob os meus ásperos prantos...

um destino incerto, a alvorada presume,
gelível faz-se a nimbo desta quietitude desolada,
lançadas lágrimas; pontas! olhos; de abismos,
carne pulsante, ainda, à infindável inércia...


De última mão lhes trago "Mea culpa"! Um poema que muito antes queria eu te escrito, mas nunca soube em suma exprimir da maneira mais límpida, até uns dias atrás quando comecei a trabalhar nele, e acredito que muitas que pessoas que o lerem se identificarão... amor x ódio, ódio x amor = loucura...

Nenhum comentário:

Postar um comentário