quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ESTRADAS DE PLANETAS




aos lívidos lábios, secura me vem,
latente, libertos lamentos legam, em prantos, os céus,
sedento à tempestade dum vasto estranho mundo,
pois sempre fui, eu, de lugar algum tão oriundo,
a fitar extraterrenas desoladas instâncias, sem teus
rubros raios, de afagos, alentos que me à mente revolvem,

de estrela; ardor, em mulher encarnada,
longínqua à espera; de minha chegada,
inumeras rotas trespasso, de horizontes bizarros...
valeram-se fiéis, os inventados singelos cigarros,
milênios antes, de ter sido o meu planeta, falecido...
consolo de quem, por tantas noites, houvera insone sofrido;

me emergira, um sutil discreto desespero,
assíduo intruso visitante, num abuso qual o finjo desperceber,
e sob a saturnal vista, seguindo a jornar, sem saber,
co' o que deveras, reserva-me o indizível infindável,
manifestos quais, deparar-me-ei, à realidade ilimitável...
anseio a alguém contar; meu vetusto medo insano, dislumbre infante.

dirigindo incansável, poeira levantando,
destemendo o bramir dos pneus queimando,
o vento, o grito, o momento,
lograr por quem, sem paradeiro, mantêm-se incógnita...
saciedade inalcansável, à parada seguinte,
ainda inavistável, de presença, porém, tão envolvente;

feminil miragem, de agrestes circumbinárias terras,
buscada ao próximo posto de teletransporte...
oh Terra, remota arena de horrendas guerras,
detenho maquinários teus, de vossos tempos de glória,
a buscar distânte, em ecos do infinito, e até a burlar a morte,
eis o meu tricentenário ensejo de breve encontrar-te...

e por estradas,
estadas
em planetas,
eu, pus-me a seguir,
pois, infindadas,
em décadas
como cometas,
jamais
pude-lhe ouvir,
nem às saturnais
luas, sentir...
somente
gelo,
e em dormente
apelo
a ti, por um grito
bramir,
pr' a mim,
onde
oriundo
oscila
o mito,
de existir
em lugar algum,
teu confim.

como Quixote insano de um quarto milênio,
destemendo desarmado, em sua metálica montaria,
cosmos desbravara, em solitária batalha,
à frieza de Marte, e jupterianas tempestades de pedra...





Depois de tanto, finalmente, esse saiu, (rsrs)... me custou um pouco de esforço fazer esse, ele era inicialmente pra ser um poema dedicado à mesma pessoa que "Breve as correntes partirão". mas logo tantas e tantas coisas ocorreram, que se acabou mudando muito dele, a temática, o desnovelo, tudo em si. pois bem, ele se segue numa linha semelhante a "O paraíso dos estranhos" apenas se tendo em mente que esse foi sendo lapidado e trabalhado durante três semanas enquanto OPDE foi feito em um dia; é um ótimo poema, e está na minha lista de favoritos junto com alguns outros, talvez seja este um dos melhores até hoje, tanto pelo ritmo da penultima estrofe cheia de aliterações e pelo efeito visual que me faz lembrar muito Bessière... Se gostar comenta! ;)

Uma briga de bar

tortos olhares,
alcool na mente...
pensar duas vezes,
fazer a graça do sangue,
virar mesas
cadeiras quebradas,
bebida perdida,
porradas trocadas,

evitar o equívoco do fato de ser,
o mais fragil pilar, a ceder,
de ocasionado circo dos trastes,
é incrível como submeto-me a estes desgastes;

todos gritam, - clamando por quem?
senão eu, a dizer ao próprio ego...
risos, risos, a trágica garrafa lascada,
o palhaço em desnorteio e que vem,
monte de carne, brutamonte estúpido, touro cego,
lhe apresento a primeira linha de sangue, marcada.

ferro em couro,
vidro em pele,
ossos trincando,
o soco adentrando,
dirigir
uma semana
sem quase dormir,
então ele se impele
em cair
numa cama
de brancas penas e cabeceira de ouro;
se sente
assim, minha mão
quando seu dente
é visto ao chão,
quando à face;
se vê moldada
à força
por mim
de uma vez usada.

todos gritam, - por quem clamando?
comigo fico eu, rindo, gritando,
o nojo de todos, se vá a mesa na multidão,
se vá a trancada porta, com chute, pra além de sua visão,
pouco importa, que me vejam herói, ou equivocado,
pouco importa... tudo... foda-se o que será retornado!

Nem tudo...




estafante é o comum conceito de pureza,
em verdade, pois, é a decência na vileza,
que como caracul acoberta,
veste esta; à noite, faz-se incerta;

vulgares semblantes, à rua trespassam,
fogem alguns, outros encaram,
passados instantes, quais, tais almas voltaram,
perambulantes máscaras de açucar num luar nostálgico.

doce mel de amadas mulheres;
desamores, tão de outrora amargos
ternura intentando, pois de antigos embargos;
comparsas traíras; inimigos ferrenhos;
demônios indignos, de sequer mínguos empenhos;

nem todo feito meu,
é de pertence à sacanagem;
não são os passos por mim dados,
todos, pura vadiagem;
ou atitudes, heresias;
aversões, hipocrisias;
não são minhas preces,
- sempre... - satânicos empenhos,
ou interesses,
vís vontades;
e meus apreços,
oportunas leviandades.

nem tudo o que eu faço
é por conseqüência da espera
do retorno de uma dádiva,
nem tudo que é de aço
é por essência pr' a uma fera
em torno estando,
não por vossas carnes, tal saliva
por só vagando
estar...
nem tudo o que eu digo,
por vós merece ouvido ser,
nem tudo jazente às sombras,
provém do mal, a lhes foder,
nem tudo no mundo,
é digno à visão do tolo,
nem dele, muito oriundo
o direito deveria ser
de contestar...
nem tudo que eu sou
pode alcançado ser;
nem tudo alcançado
será possivel eu perder,
nem toda perda
merda
será,
nem toda merda;
em feder
fára!

ao terrano inferno cochicham, ainda, a minha graça!
às marginais sombrias madrugadas,
às aportadas nais, por orgias cativadas,
ou ardilosas convenções, sobre este que vos apenas fala;
- o ladrido de um cão, nada diz ou faz, e logo se cala.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O paraíso dos estranhos




pairavam abutres, em ensolarados fios vespertinos,
sob o mar, de azularados e tão motrizes desatinos;
me invade a areia, aos pés; - de um cauto descalso...
não juraram-me os anciões de longínquos mundos, em falso!

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem,

o coro das brisas emanadas,
sonoras transmutações,
espirituais vozes encarnadas,
dentre intrincadas tantas dimensões;

extraterrenos semblantes, em silhuetas estranhas,
todos ao resguardo, deste refugio às montanhas,
enseadas de intermináveis mistérios imperscrutáveis,
magnéticas naves pairam sobre as brutas ondas indomes;

encharcadas vestes,
ainda ao corpo, calças dobradas,
o limite tornando ao encontro,
à visão; dos joelhos de arranhadas dermes,
trespassadas trilhas lembrando...
rodopia esvoaçado à fumaça,
dum cigarro, um branco albatroz,
imaginária distante alfombra
demasiado acima,
onde sequer, ouvido pode ser,
ou de seja quem for... algum pico de voz.

e a cada instante, seres mais se descortinam,
intrinsecas sensações, sob a razão, se amotinam,
correntes rompendo, sementes vingando,
a gestar, florescidos espaços unidosdíspares;
bulbo de indescobertas gamas de cores extrasolares,
provendo, o aguardo; em dita presença;...
de quem com sua face me arrancara muitos dislumbrares.

semblante do inevitável,
irremediável,
caminho
ao oculto,
o vulto
do espinho
adorado,
adornado
em venúsias
interdimensionais,
rasgando
o céu,
radiante
véu...
meu,
seu,
eu...

... sinto-me infante, ao medo perante,
trespassar um passo, nesse instante,
tornar ao explêndido vislumbre anatômico,
à perfeição do sentimento disforme,
faciais curvas de visuais vibrações infindáveis,
em espirais envolta, orgânico mecanismo espiritual,
indelével sombra de meu destino, encarnando tal.

contemplando inumeras milimétricas fendas,
... "trespassar um passo, nesse instante..."
romper minhas creditadas antigas sendas,
partir... partir ao espasmo do que é estupendo inebriante,
descobrir a formula de como se dá um vôo inalcansável,
convergir-se à barreira, explodir-se ainda ileso,
queimar-se à combustão dum precedido segundo em tudo e nada imerso.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem...

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.



"Crime"




à montanha, cujo ápice anseias chegar,
em cada entranha tua, sentes borbulhar;
a essência do incerto e incontrolável
fardo iluso, incessante inalcansável...
grana, minha querida!

te arrastas por relvas de espiritual miséria,
inodora irônica fragrância do perecível perscrutas,
eis o porque, de não seres tu o que mais gostaria...
manifesta parca farsante, de aparências enxutas;
desejas honrarias mil, e te esqueceste do mundano ardíl!

em avante, não seguirás por tantos tempos,
te segue a sombra, burlando os santos templos,
tiveste o trívio, e à horrivel escolha tornaste,
comigo, não seguirás, ao penhasco empurraste,
este, qual fala-lhe, e falha-te a interpretação,
- és a diversão de um mundo, tão não seu!
foste senhora, dum rubi em putrefação,
fugiste da consequência do "crime" qual, nos envolveu.

escusas auréolas de altares em chamas,
- a quem pensaste que tu enganas?
solitário profundo fado vindoiro
destemes, porém, será teu desdoiro,
noturno tormento, o vento sugere,
a cada momento, mais forte lhe fere,
quando te deparares com o nunca e o nada,
quando te deparares com a derrocada...

riste à mim, assim como desta arte,
perspegada em lascívios latrocinios,
cotidiano messias sou, ressucitado,
deus de mim, filho de marte!
grana, minha querida! é o que te importa!

de que vale ter, e não saber?!
de que valem lisonjias sem compreender?!
contemplarás meu ápice, ante a ti na multidão,
ressoarei tais versos estes, no palco dos deuses,
e tu, serás somente mais um espectro, a fugir de vista...

de cena!...


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lascerador



à parede pancadas...
gritos!
mãos esfoladas...
atritos!
extremidades rasgadas...
escritos;

em sangue, foram os versos da carnificina;
feroz atroz destruição impulsiva perpetrada...
jaz somente a consequência do que se descortina,
quando tomba a vítima estraçalhada...

num beco estagnado, aos crápulas defronta-se,
incendeiam-se os olhos, turva-se a lógica,
sucintos seguidos gritos, lhe são o extase,
às disformes faces quais, a atrocidade indica.

lamento ao intento, de a sangrenta sede cessar,
falho fora. riso à culpa... fitando espreitas sombras,
de bestialismo é o tresloucado espasmo a afrontar,
submundanas entidades, de cada trilhada insânia cometida.

sectário da brutalidade,
não lhe há mais piedade,
noturna gralha urbana
insana,
em veste
humana,
até o que lhe reste;
se põe a lacerar,
queimar...

eis do destino, o vão findar,
de quem mata, por lucrar,
ter atrás, alguém, a os cobrar,
e ao meritório inferno, lhes mandar...



Boiada infernal



infernais, seres estes, comigo coabitam,
em seus dilemas, tão funestos, tão vagos, sequer se inibem,
irritantes, não há o que uns dos outros não repitam,
gritantes vestes ostentam, tolos, se exibem...

felizes, contentes,
um talhado sorriso à cara
provando a fidelidade dos dentes...
como asnos a serem vendidos,

amorfa massa em multidões inebriadas,
desta raça; enojante denominação correspondente,
a mim, e uns outros mais, neste incidente,
de humanas serem, pragas tais, também chamadas.

exaltada boiada, num cio mental,
idiotez gratuíta,
tosquice convicta,
do sistema a tragar
merda,
à perda
de poder, livre pensar...
num prazer trivial,
de segurança sentir,
à solidão, tão temida,
se fazer admitir;

à boiada infernal,
bovinismo intelectual,
de ignóbios ídolos,
ideais frívolos,
numa vazia busca, de um porquê...

além... dum paraíso que se busque,
a desafiar inteiro, o porão inferno,
a derrubar invicto, os portões do eterno,
rompendo a síntese do limite do absurdo,
eternizar-se por sí, e quiçá, ninguem mais,
do que ser, um mudo cego, conveniente surdo,
fazer valer, da vida, até os vaõs segundos finais.