quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Crime"




à montanha, cujo ápice anseias chegar,
em cada entranha tua, sentes borbulhar;
a essência do incerto e incontrolável
fardo iluso, incessante inalcansável...
grana, minha querida!

te arrastas por relvas de espiritual miséria,
inodora irônica fragrância do perecível perscrutas,
eis o porque, de não seres tu o que mais gostaria...
manifesta parca farsante, de aparências enxutas;
desejas honrarias mil, e te esqueceste do mundano ardíl!

em avante, não seguirás por tantos tempos,
te segue a sombra, burlando os santos templos,
tiveste o trívio, e à horrivel escolha tornaste,
comigo, não seguirás, ao penhasco empurraste,
este, qual fala-lhe, e falha-te a interpretação,
- és a diversão de um mundo, tão não seu!
foste senhora, dum rubi em putrefação,
fugiste da consequência do "crime" qual, nos envolveu.

escusas auréolas de altares em chamas,
- a quem pensaste que tu enganas?
solitário profundo fado vindoiro
destemes, porém, será teu desdoiro,
noturno tormento, o vento sugere,
a cada momento, mais forte lhe fere,
quando te deparares com o nunca e o nada,
quando te deparares com a derrocada...

riste à mim, assim como desta arte,
perspegada em lascívios latrocinios,
cotidiano messias sou, ressucitado,
deus de mim, filho de marte!
grana, minha querida! é o que te importa!

de que vale ter, e não saber?!
de que valem lisonjias sem compreender?!
contemplarás meu ápice, ante a ti na multidão,
ressoarei tais versos estes, no palco dos deuses,
e tu, serás somente mais um espectro, a fugir de vista...

de cena!...


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