quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nem tudo...




estafante é o comum conceito de pureza,
em verdade, pois, é a decência na vileza,
que como caracul acoberta,
veste esta; à noite, faz-se incerta;

vulgares semblantes, à rua trespassam,
fogem alguns, outros encaram,
passados instantes, quais, tais almas voltaram,
perambulantes máscaras de açucar num luar nostálgico.

doce mel de amadas mulheres;
desamores, tão de outrora amargos
ternura intentando, pois de antigos embargos;
comparsas traíras; inimigos ferrenhos;
demônios indignos, de sequer mínguos empenhos;

nem todo feito meu,
é de pertence à sacanagem;
não são os passos por mim dados,
todos, pura vadiagem;
ou atitudes, heresias;
aversões, hipocrisias;
não são minhas preces,
- sempre... - satânicos empenhos,
ou interesses,
vís vontades;
e meus apreços,
oportunas leviandades.

nem tudo o que eu faço
é por conseqüência da espera
do retorno de uma dádiva,
nem tudo que é de aço
é por essência pr' a uma fera
em torno estando,
não por vossas carnes, tal saliva
por só vagando
estar...
nem tudo o que eu digo,
por vós merece ouvido ser,
nem tudo jazente às sombras,
provém do mal, a lhes foder,
nem tudo no mundo,
é digno à visão do tolo,
nem dele, muito oriundo
o direito deveria ser
de contestar...
nem tudo que eu sou
pode alcançado ser;
nem tudo alcançado
será possivel eu perder,
nem toda perda
merda
será,
nem toda merda;
em feder
fára!

ao terrano inferno cochicham, ainda, a minha graça!
às marginais sombrias madrugadas,
às aportadas nais, por orgias cativadas,
ou ardilosas convenções, sobre este que vos apenas fala;
- o ladrido de um cão, nada diz ou faz, e logo se cala.

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