quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O paraíso dos estranhos




pairavam abutres, em ensolarados fios vespertinos,
sob o mar, de azularados e tão motrizes desatinos;
me invade a areia, aos pés; - de um cauto descalso...
não juraram-me os anciões de longínquos mundos, em falso!

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem,

o coro das brisas emanadas,
sonoras transmutações,
espirituais vozes encarnadas,
dentre intrincadas tantas dimensões;

extraterrenos semblantes, em silhuetas estranhas,
todos ao resguardo, deste refugio às montanhas,
enseadas de intermináveis mistérios imperscrutáveis,
magnéticas naves pairam sobre as brutas ondas indomes;

encharcadas vestes,
ainda ao corpo, calças dobradas,
o limite tornando ao encontro,
à visão; dos joelhos de arranhadas dermes,
trespassadas trilhas lembrando...
rodopia esvoaçado à fumaça,
dum cigarro, um branco albatroz,
imaginária distante alfombra
demasiado acima,
onde sequer, ouvido pode ser,
ou de seja quem for... algum pico de voz.

e a cada instante, seres mais se descortinam,
intrinsecas sensações, sob a razão, se amotinam,
correntes rompendo, sementes vingando,
a gestar, florescidos espaços unidosdíspares;
bulbo de indescobertas gamas de cores extrasolares,
provendo, o aguardo; em dita presença;...
de quem com sua face me arrancara muitos dislumbrares.

semblante do inevitável,
irremediável,
caminho
ao oculto,
o vulto
do espinho
adorado,
adornado
em venúsias
interdimensionais,
rasgando
o céu,
radiante
véu...
meu,
seu,
eu...

... sinto-me infante, ao medo perante,
trespassar um passo, nesse instante,
tornar ao explêndido vislumbre anatômico,
à perfeição do sentimento disforme,
faciais curvas de visuais vibrações infindáveis,
em espirais envolta, orgânico mecanismo espiritual,
indelével sombra de meu destino, encarnando tal.

contemplando inumeras milimétricas fendas,
... "trespassar um passo, nesse instante..."
romper minhas creditadas antigas sendas,
partir... partir ao espasmo do que é estupendo inebriante,
descobrir a formula de como se dá um vôo inalcansável,
convergir-se à barreira, explodir-se ainda ileso,
queimar-se à combustão dum precedido segundo em tudo e nada imerso.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem...

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.



Um comentário:

  1. como poder observar este complexo sistema interpessoal vívido e nítido em cores, fumaça e cheiro a cada passo que olhos perdiam nessas palavras mais satisfeitos e ébrios ficavam.

    impressionante. nesta palavra que pensei.

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