segunda-feira, 5 de março de 2012

SOLOS VERMELHOS


trepida o solo ardente,
à fria fúria do sol incessante,
o maquinário nos vem, tão imponente,
incontáveis hordas estão a nós perante!

demônios infernais,
em sangrentas poças, rubros lodaçais,

futuras nódoas à posteridade,
Deus salve-os; mensageiros da atrocidade!

até os dentes, pois, armados,
herois bandidos, também amados
um dia... crendo à breve volta,
utopia! se atendo, bravos, em vazia revolta!

eis quando negros anjos pairam ao abismo,
eis quando brada em vivo coro, a morta tropa,
eis quando o encharcado chão, de mais sangue se ensopa,
ao vociferar de metálicas bestas, num explosivo batismo...


... à carne humana, frágil deformidade...
o levantar necromântico de toda perversidade,
se queda a noite num mórbido nevoeiro,
de gritos e tilintares, onde o espaço-tempo é traiçoeiro...

espectrais esqueléticas figuras fardadas,
diabólicos brasões trazendo ao peito,
destinados soldados, sem um leito,
a cujo fim qual, não há chegadas...

fulminate fulgor, ao calor em combustão,
assíduos ataques, carbonizam cada legião,

ainda se vendo, em errante tortura, suas sombras imortais,
se escuta de cima, o desesperado clamor dos generais;

sequer vêem-se estrelas, negrumes ou tempestades,
fértil abismo, de inefáveis mútuas fealdades,
satisfeitos gargalham os porteiros de negras plumas,
tronados em retorcidos picos, de terras nenhumas.







Poema que escrevi ontem, antes de dormir, ao ouvir Warbringer, um dos meus thrash's favoritos... espero que curtam esse, principalmente por tentar voltar aos velhos tempos, em que os poemas eram mais desinibidos, sem tantos efeitos e complexidade... Uma coisa mais direta e crua, que não perca o ritmo e nem a qualidade do que eu costumo fazer. Comentem se gostarem! ^^