sexta-feira, 20 de abril de 2012

DESTINO


















ludibriado, como um idiota na sargeta,
agora cá a ti, ambos nós defrontamo-nos,
estranho não, que a situação se inverta?!
pensando que eu fora, comida dos ratos esfaimados;

ilusório ancião, mestre destino, em teu sádico brio,
és encarnado, aparição irônica de uma vida fracassada,
eis-me agora, aqui diante, em pé, de mão armada,
fitando mascarado e misterioso velado frio,
em teu semblante de face alguma,
tua silhueta hórrida, emanação do trauma,
a alheia alegria, de ver uma presa moribunda,
à carne humana, em negras auras, a ironia abunda...

recordaste as cicatrizes, da calhordagem?!
creste ter levado-me ao buraco,
pensaste, numa lenta morte ao abutres,
por deveras, não me derrubaste!

me foste amadas putas, inimigos vis,
comparsas trairas, inclementes divindades,
me foste tragada cicuta, eminentes ardís,
empíricas farsas de faces em farrapos feitas, sem piedade...

olhos dum negro olimpo, que aprecia,
tal mortal mortífera dor d' uma humana fera,
sangrento vicio à arena de horizontes, e que vicia,
até a mais ínfima criatura a vós servente;

sete punhos, corpo esquálido,
por milenárias jóias adornado,
senhorinhal bastardo híbrido agoiro embuído,
sabres pussuis, cada qual num estranho mundo forjado...

és tu, oh padroeiro da decadência...
a crer-se em minha tão plausível falência,
jubilado em injurias, não é, e nunca será o agora,
tua promissóra vitória, és tu que temeis, como o fraco implora.

pois impotente, oh, és tu imponente carrasco...?!
que o asco, me proveste,
dum futil mundo, imundo como este,
fecundo profundo prólogo fervendo o inferno,
tão me dita parada final, - maldita porca parca falsa moral...
tu não podes calar minha mente,
a bússola de quem jamais é contentado,
sob teu decreto, este ao menos, perdeste...! se há contra ti rebelado!



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