terça-feira, 3 de abril de 2012

TREVAS



sabendo dizer, as palavras esquecendo...
podendo sentir... "o que", porém, se tornara estranho,
eles podem nos ouvir, neste túnel labinríntico,
alumiado, até pouco, luz alguma não havendo...

desinibidos simplórios milímetros trespassados,
sons quaisquer... ouvidos, não podendo ser...
a saída existente... dentre incontáveis ardís ocultos...
inesperados espinhos... caminhos... até que se possa ver...

a face de quem suas mãos, pois, seguro,
o frio, ímpio palpita pregando a alma,
o silêncio, a cada instante, voráz inibe a calma...
devaneios constantes permeiam toda pequenez desse imenso escuro,

permita-me fincar estrelas, em tua venda,
que breve, o sol e a lua irão voltar...
repita-me a lenda, das belas cidadelas além do mar,
lastimados, perduramos ainda em pé, não se renda...

ruirão
muralhas,
se rasgarão
mortalhas,
se tombarão
as falhas
gralhas
se crendo
inerentes
ao credo
dos remanescentes
do fim de todo o horizonte
devorado,
destronado
de tudo que eu agora conte.

em tensas trevas temos,
a nós, que não vemos,
nossas fatídicas faces
dentre estes funestos empasses...

novo vislumbre, busquemos,
reaver, cada flor que em vão colhemos,
venhas comigo, esperar o sol nascer,
sigamos juntos, até onde o tempo não nos pode cobrar!

espinhos de pedra, à parede brotados,
areia agora, hórridos castelos de sonhos,
ruindo ao nosso festejo...
pilastras trincam;
e os escorpiões viraram cinzas;
buracos lampejam,
ao cegar de algozes nossos;
pisos se partem
na realidade de intensa loucura,
o turbilhão de infindáveis coisas...
ante toda esta
paisagem escura
e, tão infesta;
o porvir
virá
a ver,
um emergir
irá
haver...
do sol,
farol
do nuncio, do alvorar,
juntos, pois, nos vendo,
e eu... assim sendo, podendo,
tua mão, de repente, pegar...



Eis ai um poeminha meio bobo, mas ficou legal também...



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