domingo, 27 de maio de 2012

FERIAS DE INVERNO




amargo,
insuportável,
torturoso...
vivo num pesadelo paupável.

chove, chove muito sem parar...
não tem como daqui, me retirar...
em cárcere, à vastidão
de ódio qual pus-me a engendrar,
estou só em minha loucura,
rostos fétidos põe-se a me admirar.

ao frontar-me à tortura psicologica,
tremem minhas pernas,
murmuram os ventos, afinal,
tal espetáculo de sadismo...
é proposta do infame destino...

a noite se põe a mim,
num dia que não houvera nascido,
corroem-me as entranhas nebulosas
o tormento por ventura, asqueroso.

flui-me o sobressalto,
corre a raiva num movimento pomposo...
de explosão final, vivo enquanto posso,
minh' alma tornará o rumo dos caminhos do inferno
como uma besta cega pelo ódio,
de olhos avermelhados
lacrimejando algo lhes consumindo às minhas visceras,
de algo tão sagaz, assiduo naturalmente, fatal...

asquerosa,
irritante,
pois senão...
são
minhas férias de inverno infernal,
trazendo consigo o brilho duma alegria morta,
absorto, despertei no anseio por ver,
quão nauseabundo é esse mundo imundo,
tão profundo, oriundo
à forja, da estupidez humana.

solidão...
agora vemos o que realmente importa,
enfim, vemos o que nos conforta
numa trivial esperança,
não por fitar
novamente certos rostos!
porém, sim ao evitar
certos focinhos visitantes, forasteiros,
tornando à imbecilidade, a insensatez, meu inferno.



Nenhum comentário:

Postar um comentário